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O Torgal Ferreira

por jpt, em 02.03.13

 

O Torgal Ferreira manda umas bocas aos homossexuais e a esquerda homofílica cala-se. Diz que os acusados (sejam lá do que sejam) têm de provar que estão inocentes e a malta cala (o provedor dos advogados, um advogado não castrado como perorou recentemente, fica-se no silvo do eunuco). E de novo vem vituperar o governo e apelar a manifestações ("ai se me pudesse manifestar", geme) de rua? Torgal Ferreira é general, e nessa condição diz o que quiser sobre os homossexuais e diz o que quiser sobre o sistema jurídico? Talvez. Mas quando critica publicamente o governo e apela a manifestações de rua o que se deve fazer? Voz de prisão, sem mais nem menos. Só a cobardia acossada de um sistema político degenerado permite isto.

 

Não, não, dizem os hipócritas dos argumentos a la carte, não é general, é "apenas" um bispo equiparado? Chame-se o Núncio Apostólico, em explícita linguagem diplomática, e ponha-se o vate em ordem - numa qualquer paróquia argelina ou saudita. E, já agora, acabe-se definitivamente com a pantomina (Inconstitucional? Ridícula.) do "capelão das forças armadas". E quando os beatos da "tradição católica", do "santo padroado" vierem resmungar com isso, responda-se-lhes, apenas, "torgal". Será argumento suficiente para acabar a discussão. Que nem sequer o merece ser.


12 comentários

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De Ana Vidal a 02.03.2013 às 12:16

A esquerda raramente exige a si própria aquilo que exige à direita com tanta veemência. O comportamento do bispo Torgal Ferreira foi inaceitável, convenha ou não à esquerda e logo num tema que lhe é tão caro: a liberdade das opções sexuais.
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De jpt a 02.03.2013 às 13:01

Concordo com o que diz. Ainda assim para mim, o mais relevante de todo o "affaire" Torgal Ferreira (e talvez por eu não ser de esquerda) é a inadmissibilidade das suas constantes declarações públicas sobre o governo. O resto mostra a pequenez intelectual do indivíduo, isto é um atentado à ordem pública (política).
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De Ana Vidal a 02.03.2013 às 14:01

Para mim, pelo contrário, o mais relevante em tudo isto não é a questão política. O que mais me impressiona é a pequenez moral (mais ainda que a intelectual) e a intolerância de um bispo (!) no julgamento de outrem. O que me parece é que este homem tem demasiados ódios para ser um representante de Deus.
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De jpt a 02.03.2013 às 14:06

Faço-me entender, que me terei explicado mal: da pequenez do homem (moral ou intelectual é questão que não consigo abordar, ainda para mais nos limites dos comentários) nem a contesto. Mas é coisa generalizada, não vai ele sozinho. Mas é com toda a certeza o único general que anda perorando publicamente contra o governo (e em tom incendiário). E nisso vai sozinho. E ilegal. É essa a minha questão.

Quanto à sua legitimidade como "representante de Deus" não opino, descreio na entidade. Respeito os crentes e defendo a liberdade de culto. Mas não direi quem deve ou não representar ou conduzir as suas instituições. Apenas digo, como capelão das forças armadas deveria ir preso. E demitido e despromovido o cemgfa que aceita este trauliteiro a acicatar-lhe as tropas.
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De Ana Vidal a 02.03.2013 às 14:18

De acordo, jpt, eu percebi o que quis dizer e dou-lhe inteira razão. Como general com responsabilidades nas forças armadas, o que ele está a fazer é incitar os militares a uma rebelião. E isso é perigoso e ilegal.
Também não me arrogo o direito de escolher os representantes de Deus, apenas digo que não deve ser alguém que não demonstra ter um pingo de tolerância ou de compreensão cristã para com os outros.
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De jpt a 02.03.2013 às 14:37

(pois, aqui entre nós, que ninguém nos ouve, também me parece um bocado estranho que seja este tipo de gente a arvorar-se em pastor de almas. Mas, confessemos, não é o primeiro desajustado às funções. Nem o último.)
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De antonio coelho a 02.03.2013 às 17:20

Se o Estado é laico, como se compreende um bispo católico, graduado em major-general, 4700 € mensais, mais mordomias inerentes? Porque não um iman, um rabi, um pastor evangélico, um bispo da IURD? É que ainda por cima, este tem um feitio danado e morde sem desprimor a mão que o alimenta!!! É boçal, rude, arrogante e sempre ansioso de acender o fósforo da fogueira do auto-de-fé...Porque temos de o aturar e pagar o seu principesco ordenado?
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De jpt a 02.03.2013 às 23:40

Grato pelo seu comentário. Em meu entender poderia ser o mais santo dos homens mas na sua condição "militarizada" dever-se-ia conter na expressão política. Quanto ao ordenado (nem sabia o montante), oficial-general deve ser bem pago. E 940 contos não me parecem ser demasiados (para aí metade do que ganhará um suplente do Moreirense, mas isso é outra coisa).
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De Luis Parreira a 02.03.2013 às 23:08

Se um militar critica publicamente o governo, deve receber voz de prisão. Claro o militar é português de segunda mesmo que seja bispo e fale pelos que não podem ter voz. Aos militares, para além da sujeição a especiais deveres, são subtraídos direitos de cidadania conferidos aos restantes cidadãos (incluindo os funcionários publicos), nomeadamente: (disponibilidade permanente para o serviço, i.e., mobilidade sem quaisquer restrições, sem direito a horas extraordinárias, e a fazer greve). E, para além disso, são impostas restrições no âmbito mais vasto dos direitos, liberdades e garantias – limitações aos direitos de: liberdade sindical, expressão, reunião, manifestação, petição coletiva, capacidade eleitoral passiva, representação coletiva no foro judicial. E agora devem ser tratados no activo e na reforma como se não vivessem com estas limitações? trata-se de forma igual o que é diferente? não deviamos refletir um pouco sobre a justiça destas decisões do governo?
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De jpt a 02.03.2013 às 23:51

Obrigado pelo comentário. Desculpar-me-á a discordância mas não posso concordar consigo quando encontra neste meu texto a opinião de que os militares são portugueses de 2ª (já agora, e ainda que isso não seja absolutamente relevante, mas sê-lo-á em parte, a minha família materna tem militares desde esta até à quinta geração ascendente. E lá em casa não somos de 2ª, mas gente média, como os outros).. O que está explícito no nosso ordenamento é que os militares estão convocados a uma grande parcimónia na expressão política pública - é uma herança do regime democrático, civilista. Sim, com o tempo talvez isso possa ser mitigado. Mas ainda hoje se nota que, consoante a "cor" política do militar mais ou menos tonitruante, se apela a essa restrição. Quer-se mudar isso? Discuta-se. Mas não ao sabor da verve de um homem como este.

Quanto à sua restante argumentação sobre os constrangimentos sobre a expressão pública militar (todos eles discutíveis, e reformuláveis, como acima sublinho) não percebo bem o conteúdo do seu comentário. Parece-me que os imputa a decisões deste governo, e questiona a justiça destas. Mas elas não foram originadas neste governo, estão na génese da nossa democracia.

Sobre o situação no activo e na reforma aí parece-me que percebo. Têm exactamente as mesmas obrigações, ou devem ter. A partir do (inaceitável) momento em que os reformados Jaime Neves e Otelo Saraiva de Caravlho foram promovidos (uma patética salomónica decisão) todo o "contingente" reformado foi encapsulado num limbo activo. Não me parece que se tivessem levantado contra o folclore então realizado. Então sofram os lógicos efeitos.
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De lucklucky a 03.03.2013 às 20:11

"O Torgal Ferreira manda umas bocas aos homossexuais e a esquerda homofílica cala-se. "

É preciso perceber a esquerda no que ela é: uma máquina de conquista e manutenção do poder.
A esquerda só fala ou protesta se o caso a ajudar nesses objectivos.
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De jpt a 04.03.2013 às 05:35

sim, não se caia no erro de moralizar a "esquerda" (mesmo aceitando, o que não cabe em todos os postais escritos, a pluralidade nessa "esquerda"). Mas muito discurso moralista produz(em), como tal a minha resmunguice.

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