Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]




Perder Lisboa

por Teresa Ribeiro, em 26.02.13

 

Há anos que os cortejava com o respeito e admiração que devemos às coisas belas. Aqueles três edifícios art déco da avenida Joaquim António de Aguiar, há muito com cadeado nas portas, esperavam, tal como eu, a salvação. Quando me perdia a imaginar como teriam sido em vida, pintava-os e iluminava-os por dentro. Na varanda colocava mulheres vestidas à anos 30 e homens de casaca, colete e cabelo puxado a brilhantina. Por  instantes flutuava assim numa Lisboa desaparecida, mas que por ter sido familiar aos meus pais e avós, também era minha.

Há semanas, quando vi que lhes tinham colocado andaimes junto à fachada, exultei. Finalmente íam ser recuperados, pensei. Engano meu. Afinal três dos mais belos edifícios déco de Lisboa foram subtraídos da paisagem urbana como um friso de dentes podres.

Magnificamente situado, o novo buraco na dentição da Joaquim António de Aguiar será com certeza preenchido muito em breve. Talvez com um implante art mérdo.

Tags:


20 comentários

Sem imagem de perfil

De Alfacinha por obrigação a 26.02.2013 às 14:20

Basta reparar no edifício que se lhes segue, do lado descendente... E o que diria o Zé que fazia falta se isto não fosse no tempo do tacho dele...
Imagem de perfil

De Teresa Ribeiro a 26.02.2013 às 14:57

Pois, esse escapou por milagre. Foi restaurado há uns anos e está lindo. Como ficaria bonito esse troço da avenida se tivessem poupado os edifícios que arrasaram.
Imagem de perfil

De Teresa Ribeiro a 26.02.2013 às 22:47

Caro Alfacinha por obrigação, reparei agora que se referia no seu comentário ao edifício do hotel Fénix, que se prolonga pela Praça do Marquês, e não ao que foi restaurado e fica a seguir aos prédios agora desaparecidos, no sentido ascendente.
Sem imagem de perfil

De beirão a 26.02.2013 às 19:09

O Zé que fazia falta e o António, seu 'patrão', os tais que vivem agarrados aos tachos do Estado, num país a sério, haveriam de ser responsabilizados, política e, sobretudo, criminalmente, pelas malfeitorias que não param de cometer contra Lisboa. Lisboa, quem te viu e quem te vê... Pobre Lisboa!
Imagem de perfil

De Pedro Correia a 26.02.2013 às 20:30

Estou a saber disto por ti agora, Teresa. Arrepia-me os níveis de desleixo, incúria e degradação a que vamos deixando chegar Lisboa. Uma cidade suja, poluída, desfigurada. Uma cidade tratada sem respeito nem carinho por aqueles que lá moram e sobretudo por aqueles que lá trabalham.
Tudo triste, muito triste.
Imagem de perfil

De Teresa Ribeiro a 26.02.2013 às 22:54

Pior que a falta de civismo dos habitantes é a falta de zelo por parte de quem tem responsabilidades relativamente à preservação do património arquitectónico, Pedro.
Imagem de perfil

De Pedro Correia a 26.02.2013 às 23:53

Tens razão.
Imagem de perfil

De Bic Laranja a 27.02.2013 às 02:19

Já desisti.
Cumpts.
Sem imagem de perfil

De Flávio Gonçalves a 27.02.2013 às 05:13

Adorava esses prédios, confesso que até sonhei com ocupações ao estilo dos franceses e dos italianos, resgatá-los para a comunidade...

Fico a saber da notícia por si, pois usando sempre o túnel nas deslocações para e do trabalho ainda não lhes tinha sentido a falta. Aperta-se-me o coração.
Sem imagem de perfil

De lucklucky a 27.02.2013 às 06:29

Um feroz ataque aos arquitectos do presente, um feroz ataque à mudança. Portanto temos uma conservadora? :)
Imagem de perfil

De Teresa Ribeiro a 27.02.2013 às 19:49

Com tanto mamarracho que há nesta cidade acha que era mesmo preciso sacrificar aqueles prédios em nome da mudança, Lucky?
Sem imagem de perfil

De Luís Lavoura a 27.02.2013 às 09:46

Que queria a Teresa que se fizesse?
Que se gastasse dinheiro dos contribuintes para manter de pé edifícios sem utilidade?
Para quê? Como?
Edifícios velhos, degradados e sem funcionalidade devem ser deitados abaixo.
Ou então, os contribuintes serão forçados pelo Estado a subsidiar a manutenção de edifícios que ninguém quer, a não ser por motivos decorativos.
Sem imagem de perfil

De SINGULARIS ALENTEJANUS a 27.02.2013 às 10:41

Mandemos os Jerónimos abaixo!
Sem imagem de perfil

De Luís Lavoura a 27.02.2013 às 10:55

Além de outras diferenças, há a seguinte: o mosteiro dos Jerónimos pertence ao Estado. Este pode, portanto, determinar o que fazer com ele.
Se o Estado pretende determinar o que se deve fazer com prédios que neste momento são privados, então deve, primeiro, expropriá-los. A expensas dos contribuintes.
Imagem de perfil

De Teresa Ribeiro a 27.02.2013 às 19:48

O Luís Lavoura considera então que edifícios de claro interesse arquitectónico como estes três magníficos exemplares art déco eram casas velhas sem interesse para ninguém. Bom, não há dúvida de que não está isolado. Prova disso é o buraco que ficou no local.
Sem imagem de perfil

De Luís Lavoura a 28.02.2013 às 09:15

Teresa,
eu só perguntei o que quereria a Teresa que se fizesse. Que o Estado utilizasse o dinheiro dos contribuintes para expropriar os prédios e, a muitíssimo custo, restaurá-los? E seria isso viável para todos os prédios que têm algum interesse arquitetónico?
Imagem de perfil

De Teresa Ribeiro a 28.02.2013 às 15:33

O dinheiro dos contribuintes que é utilizado para preservação do património quanto a mim é muito bem gasto, Lavoura. Durante décadas fizeram-se autênticos crimes de lesa património em áreas nobres da cidade. Já chega.
Por toda essa Europa há muito que se prioriza o restauro quando estão em causa imóveis de interesse. É assim que se defende a memória, a estética e a História de uma cidade.
Sem imagem de perfil

De Luis Eme a 27.02.2013 às 09:50

sim, chamam mesmo a atenção, Teresa.

já tirei várias fotografias às janelas e portas e fiquei com curiosidade de conhecer o interior.
Sem imagem de perfil

De a.m. a 28.02.2013 às 10:18

Quando viajo de autocarro (faço-o regularmente por diversas zonas da cidade), por força de alguns afazeres, pasmo pela indiferença e desleixo a que alguns prédios da cidade foram relegados.
A teimosia pela continuidade de António Costa para a Câmara da cidade deixa-me incrédula e decepcionada. Não se entende.
Sem imagem de perfil

De José Lima a 01.03.2013 às 17:48

No Bairro Azul, é possível encontrar edifícios praticamente iguais a estes que agora foram desgraçadamente abaixo e em óptimo estado de conservação. Os arquitectos responsáveis terão sido provavelmente os emsmos.

Comentar post



O nosso livro



Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.




Links

Blogue da Semana

  •  
  • Afinidades

  •  
  • Lá fora cá dentro

  •  
  • Mais ligações

  •  
  • Informações úteis


    Arquivo

    1. 2020
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    14. 2019
    15. J
    16. F
    17. M
    18. A
    19. M
    20. J
    21. J
    22. A
    23. S
    24. O
    25. N
    26. D
    27. 2018
    28. J
    29. F
    30. M
    31. A
    32. M
    33. J
    34. J
    35. A
    36. S
    37. O
    38. N
    39. D
    40. 2017
    41. J
    42. F
    43. M
    44. A
    45. M
    46. J
    47. J
    48. A
    49. S
    50. O
    51. N
    52. D
    53. 2016
    54. J
    55. F
    56. M
    57. A
    58. M
    59. J
    60. J
    61. A
    62. S
    63. O
    64. N
    65. D
    66. 2015
    67. J
    68. F
    69. M
    70. A
    71. M
    72. J
    73. J
    74. A
    75. S
    76. O
    77. N
    78. D
    79. 2014
    80. J
    81. F
    82. M
    83. A
    84. M
    85. J
    86. J
    87. A
    88. S
    89. O
    90. N
    91. D
    92. 2013
    93. J
    94. F
    95. M
    96. A
    97. M
    98. J
    99. J
    100. A
    101. S
    102. O
    103. N
    104. D
    105. 2012
    106. J
    107. F
    108. M
    109. A
    110. M
    111. J
    112. J
    113. A
    114. S
    115. O
    116. N
    117. D
    118. 2011
    119. J
    120. F
    121. M
    122. A
    123. M
    124. J
    125. J
    126. A
    127. S
    128. O
    129. N
    130. D
    131. 2010
    132. J
    133. F
    134. M
    135. A
    136. M
    137. J
    138. J
    139. A
    140. S
    141. O
    142. N
    143. D
    144. 2009
    145. J
    146. F
    147. M
    148. A
    149. M
    150. J
    151. J
    152. A
    153. S
    154. O
    155. N
    156. D