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30% dos eleitores italianos votaram no partido do palhaço rico, 25% escolheram o do palhaço pobre. Ou, vá, menos rico.

 

A economia europeia pode estar em queda mas o mercado das ilusões continua em alta. 30% dos italianos escolheram Berlusconi, sem dúvida na esperança de poderem voltar ao regabofe a que ele os habituou. E dos 35% que, compreensivelmente, optaram por um voto de protesto em relação aos partidos tradicionais (ou tão tradicionais quanto é possível hoje encontrar na política italiana), 7 em cada 10 preferiram um humorista que, garantindo falar a sério, se propôs criar um rendimento mínimo garantido de 1000 euros mensais e reduzir a semana de trabalho para 20 horas a um tecnocrata honesto com provas dadas. A Itália fica à beira da ingovernabilidade e, por essa Europa fora, o último a rir que pague a conta.

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8 comentários

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De José António Abreu a 26.02.2013 às 14:21

A questão do falhanço é pueril, ou pelo menos muito difícil de analisar, visto pressupor a existência de uma hipótese benigna. Ora tanto a saída do euro como uma política expansionista dentro dele têm custos elevadíssimos.

Nota: a Itália até é o país que mais facilmente pode abandonar o euro; mas as ondas de choque nos seus mercados de exportação, a inflação causada pela desvalorização da nova moeda e, se aplicadas, as medidas do comediante Grillo (duplicar a parcela dos custos do factor trabalho no preço dos produtos, really?), não trariam efeitos bonitos. Com a ironia suplementar de, actualmente e por acção de Monti, o défice público italiano até estar controlado.
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De PPorto a 26.02.2013 às 19:10

A hipotese benigna está aa vista, desde que se queira, ver, claro: os países europeus que não pertencem aa UE são os que estão melhor economicamente.

Mas o jaa começa por dizer que a "questão do falhanço é pueril, ou pelo menos dificil de analisar". E esta sua perspetiva explica porque devia a sua atenção do essencial e se preocupa com as propostas de Grillo.

Mas se optar por focar-se na "questão pueril, ou pelo menos dificil de analisar" (o falhanço italiano economico e financeiro italiano), irá então focar-se no falhanço de Monti, que eh igualíssimo ao de falhanço de Berlusconi.
Nenhum dos países em dificuldades tem a questão do défice sob controlo.
Monti deixou a Italia pior do que a encontrou, de outro modo teria captado os 25% de Grillo. E quem for agora fazer o que Monti fez vai piorar tudo ainda mais.
Portanto, não temos que nos admirar por os eleitores italianos fujam cada vez mais dos Monti/Berlusconi/Bersani, os capos da UE em Italia.
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De lucklucky a 27.02.2013 às 06:36

Berlusconi tinha saldo primário positivo quando foi corrido algo que só recentemente o Gaspar conseguiu...

E viva a Itália ingovernável se for verdade -não acredito -. Desde que se tornou Governável e com um Estado mais eficaz nunca parou de descer.


"baseado em uma moeda que não serve os interesses de nenhuma economia europeia, baseado na prioridade ao sistema financeiro, baseado no endividamento contínuo, é um falhanço total."

Tanta contradição que é quase impossível de rebater. Digo só que a sua obsessão com a moeda demonstra como basea a sua prioridade no sistema financeiro e político...
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De José António Abreu a 27.02.2013 às 18:03

PPorto:
Há vários países europeus com moeda própria que passaram por crises graves nos últimos anos, com elevadas taxas de desemprego e quedas do PIB superiores à nossa: Croácia, Hungria, Letónia, Lituânia. E não sei se nós, que pedimos ajuda duas vezes em meia dúzia de anos quando tínhamos o escudo, não teríamos chegado à beira da insolvência mais depressa sem ele. Mas há um ponto em que tenderei a concordar consigo: quando a vontade popular (expressa em eleições, não em protestos mais ou menos organizados, com ou sem cantorias) recusa determinadas soluções, por achar terem custos demasiado elevados, não vale a pena insistir, ainda que o efeito possa vir a ser pior. Pelo que, preferindo eu uma solução que alterasse verdadeiramente a economia dos países do Sul - com Portugal à cabeça, naturalmente -, entendo que poderá ter de existir um momento em que se desista e se assumam as diferenças, dividindo o euro em várias moedas. Aliás, no rescaldo das manifestações de Setembro passado, um pouco a quente, escrevi isto:
http://delitodeopiniao.blogs.sapo.pt/4827498.html
E talvez volte ao assunto nos próximos dias.

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