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Um drama de Shakespeare.

por Luís Menezes Leitão, em 10.02.13
 

 

A situação no PS começa a parecer-se cada vez mais com um drama de Shakespeare. A questão começou com a ascensão de António José Seguro a líder, o qual sempre foi considerado pelos socráticos como um usurpador. Na verdade, como na altura foi salientado, Seguro não esperou sequer que o cadáver político de Sócrates arrefecesse, anunciando a sua candidatura à liderança na própria noite da derrota eleitoral. Os órfãos de Sócrates não lhe perdoaram nunca essa traição, esperando que o fantasma político do seu querido líder regressasse para denunciar a odiosa usurpação. Entretanto proclamam-se saudosistas do passado recente, comparado com o presente funesto de um partido gerido pelo usurpador, que não reconhece as glórias passadas. Assim, quando o fantasma político regressa para uma breve aparição num jantar, logo as tropas se manifestam contra o usurpador, pedindo ao príncipe herdeiro Hamlet que reclame a coroa. 

 

O príncipe herdeiro Hamlet, porém, é hesitante. Reconhece que há qualquer coisa de podre no seu reino: "O PS hoje não está bem, tem um problema interno, tem hoje um problema de afirmação na sociedade portuguesa", mas não se consegue decidir a avançar: "Ser ou não ser (candidato a secretário-geral), eis a questão". Entretanto, os seus apoiantes socráticos, desesperados com a sua hesitação, voltam para o convento, qual Ofélia. O fantasma do líder derrubado voltou para Paris, e não se esperam novas aparições suas nos tempos mais próximos. E o príncipe acaba por aceitar a suserania do usurpador, afirmando que reclamar a coroa "não faz, obviamente, sentido". Mas provavelmente chamará logo a seguir uns comediantes para organizar uma peça em que os pecados do líder serão brutalmente denunciados ao público.

 

Ou muito me engano ou isto vai acabar exactamente como no Hamlet de Shakespeare. Os exércitos dos dois defrontam-se numa batalha sem quartel e aniquilam-se mutuamente, ficando o reino nas mãos de um terceiro, que homenageará postumamente Hamlet, dizendo que se não fossem as circunstâncias teria sido um grande rei. Quem será o Fortinbras do PS?

 

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9 comentários

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De Helena Sacadura Cabral a 10.02.2013 às 19:26

Texto oportuníssimo, meu caro.
No entanto - dizem as más línguas - que Socrates passa agora muito tempo no Brasil. O que só pode querer dizer, a ser verdade, que no momento ele está a tratar da sua vida. Facto que talvez torne mais difícil o avanço das suas tropas...
Mas eu não percebo népia de política!
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De alexandre a 10.02.2013 às 19:29

LUIS AMADO !
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De lucklucky a 10.02.2013 às 19:32

Só mostra a maior loucura e falta de cultura do PS - só possível com uma comunicação social tão próxima do poder socialista- que alguém tenha a lata de reclamar a herança de Sócrates como faz António Costa.
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De xico a 10.02.2013 às 21:09

Excelente. Mas Ofélia não se retirou para o convento, antes afogou-se no lago. Ainda não vimos nada de tão dramático. Dei por mim a pensar em Dona Constança?
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De Anónimo a 10.02.2013 às 22:56

António Costa foi arrogante. É um total absurdo alguém apresentar-se a uma reunião que tinha como propósito derrubar o "usurpador" e sair da mesma a dizer que ou o líder é capaz de unir o partido ou eu vou-me a ele. Costa, assim, entendendo-se como dono das estruturas do PS, acabou a colar remendos porque sabe que não ganha com os socratianos nem abocanha os segurianos.
Porém, há um dado interessante que importa ser reproduzido. Aquilo que está a acontecer no PS reflecte exactamente a postura convencional nas estruturas, ditas de topo, políticas, económicas, corporativas e empresarias neste país. A falta de liderança de que padecemos em todas essas áreas deve-se também ao tipo de marialvismo que acima foi exposto. O marialva é, tradicionalmente, o tipo que é capaz de enfrentar todas as adversidades e, mesmo perdendo, sai por cima de tudo isso, bastando, para o efeito, encontrar sempre na "arraia miúda" a causa do crime.
A título de exemplo, as empresas multinacionais, cujas estruturas de topo são dirigidas por seus nativos - por nativos entenda-se, para além da sua origem, os directors e não os managers -, sempre que alguma "borbulha" rebenta na face da organização eles, para além de procurar encontrar a causa, responsabilizam sempre os managers, são estes e seus aliados os primeiros e tombar e nunca a "arraia miúda". Em termos gerais, em Portugal, a hierarquia de topo não passa de um estatuto que alimenta a vaidade, mas raramente lhes confere responsabilidade. Há uma forma de inimputabilidade tácita que é aceite nestes tipos de sociedades.
O caso do PS é um caso que me parece servir de alguma analogia ao anteriormente exposto. Sabemos todos, não obstante as virtudes que existiram no 1º. mandato de Sócrates, que a situação caótica em que nos encontramos, entre outros responsáveis do passado, deve-se exactamente à falta de transparência, verdade e responsabilidade com que eles premiaram o país.
É óbvio, simples e racional para qualquer pessoa mentalmente aberta que este tipo de pessoas, incluindo o líder, não podem, em circunstância alguma, permanecer visíveis durante a liderança de outro; e muito menos sentirem-se legitimadas para ambicionarem cargos ou reivindicarem posições depois das atrocidades cometidas.
Ora bem, numa situação desta, em nome de uma conveniente unidade para alguém que se pretende afirmar, usar a caridadezinha miúdinha e a impossibilidade de o novo líder "botar pra quebrar" um acordo a que o antecessor foi obrigado a engolir e, por sua arrogância, assinar também nos moldes em que ocorreu, só poderei qualificar de irracionalidade tudo quanto tem acontecido no PS.
É caso para perguntar: Andais possuídos ou buscais possessões!? Vamos lá ver se não será necessário usar água benta para vos exorcisar.

http://www.youtube.com/watch?v=t0CqUTmwKiM
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De lucklucky a 11.02.2013 às 11:33

"deve-se exactamente à falta de transparência, verdade e responsabilidade com que eles premiaram o país."

Não sei porquê. A Verdade esteve sempre à vista.
Clara. Límpida.
Os boletins mensais do Instituto de Gestão Crédito Publico, os Orçamentos, incluídos os rectificativos e se fizer um esforço aquele que Goebbels ficaria orgulhoso chamado de redistributivo de 2009(um ano com dois orçamentos rectificativos...) estiveram sempre disponíveis a tempo para qualquer português ler.
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De Anónimo a 11.02.2013 às 16:38

Vamos então falar sobre a Verdade visível e não a imaginária. No caso português, sabe quem sabe que o segmento que determina a sanidade da economia é o da construção civil e obras públicas. Se se der ao trabalho de consultar as variáveis deste sector a partir do ano 2001 até 2008 - incluindo os excedentes de oferta para habitação, sem contar com o desinvestimento na área da restauração de edifícios - verificará que qualquer cenário apresentado pelos nossos governantes não passava de ficção. Recomendo também que se debruçe sobre a evolução do crédito concedido às empresas construtoras a partir de, por exemplo, 2003 (excluindo PPP´s).
É meu entender que um orçamento, ou budget (agora em voga), é elaborado tendo em conta os cenários reais e não virtuais, e sempre partindo de uma perspectiva mais pessimista; ainda que neles se possam considerar certas alavancagens de estímulo estas são sempre consideradas como residentes em "carteira" e nunca para espelhar uma falsa realidade. Quero com isto também demonstrar-lhe que existem, e existiam, uma série de boletins e estudos sobre o que aqui produzi, porém, eles valem o que valem, para quem vale.
Se tiver em conta as declarações do ministro Teixeira dos Santos antes da apresentação dos referidos orçamentos rectificativos verificará que uma meia verdade é sempre pior que uma mentira.

Sugiro também que siga os links e as datas do link que anexo:

http://oinsurgente.org/2009/11/19/o-orcamento-rectificativo-ao-longo-do-ano/

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De Vasco a 10.02.2013 às 23:58

LOL. É preciso ter muita simpatia e memória curta para comparar aquele estrado mal iluminado de subúrbio com uma peça de Shakespeare. Tenham paciência, num país decente nenhum daqueles artistas passava de saltimbanco. (Aliás vê-se bem, porque quando passam, passam logo a saqueadores.)
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De Cobra Maldita a 11.02.2013 às 10:10

Ao menos que seja como Macbeth: no fim da peça, acaba-se a estirpe. Bye Bye PS nunca mais voltes. Era tão bom.

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