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Escala de valores

por Rui Rocha, em 04.02.13

Ora vejamos:

 

a) O Tribunal de Penafiel condenou um soldado da GNR local, já cadastrado e com outros processos pendentes, ao pagamento de uma multa de 560 euros por ter agredido um arrumador de automóveis dentro do posto policial, refere a Lusa.

 

b) Um agente da GNR de Viana do Castelo foi condenado, ontem, a 90 dias de multa, à taxa de seis euros por dia, e ao pagamento de uma indemnização de 750 euros, por uma agressão a uma mulher, num campo de futebol, em Darque.


c) O pontapé no porco que andava fugido na A1, em Alverca, há pouco mais de uma semana, na sequência de um acidente, pode valer uma punição até 120 dias de suspensão e respetiva retenção no salário. Essa é a medida disciplinar mais grave que o militar arrisca, caso o processo de averiguações conduza a um processo disciplinar em que seja condenado.


Temos então que a integridade física de um arrumador vale 560€. A de uma mulher um pouco mais: 540€ de multa mais uma indemnização de 750€. Por seu lado, tendo em conta que o salário mensal de um soldado da GNR pode superar os 1.000€, a integridade física de um porco pode valer mais de 4.000€. Isto é, quatro vezes mais do que a de um arrumador e duas vezes mais do que a de uma mulher. Ou muito me engano, ou chama-se a isto subir na cadeia alimentar.

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21 comentários

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De murphy a 04.02.2013 às 23:47

Ou a demonstração que faltava... definitivamente, a Justiça portuguesa está ao nível de uma pocilga.
http://jornalismoassim.blogspot.pt/2013/02/uma-polemica-quais-os-ingredientes.html

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De Vasco a 05.02.2013 às 01:52

Mas não é o pontapé no porco que é caro, o resto é que sai relativamente barato.
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De IsabelPS a 05.02.2013 às 09:22

Na mouche.

Mais de 1000 euros? A Visão diz 950 euros para "um agente da PSP com sete anos de experiência e serviço operacional de esquadra". (pergunta académica, claro, que não tira nem põe para o ponto fundamental do post).
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De Cristina Torrao a 05.02.2013 às 15:32

Falta dizer que o caso do porco ainda näo está encerrado. Vamos ver de que consiste realmente a condenacäo.

A GNR devia respeitar os porcos, animais que vêm ao mundo por uma causa muito nobre: contribuir para a nossa alimentacäo.

Posso ser sincera? Estes posts do Delito já enjoam!

Por acaso, perto do sítio onde vivo, na Alemanha, houve um acidente do género, na mesma altura. Bloqueou-se a estrada durante duas ou três horas (nao era auto-estrada), apanharam-se os porcos com calma, ninguém andou ao pontapé a eles, até se criou, com a ajuda dos bombeiros, uma espécie de cerca que os guiava até ao camiäo, para que näo entrassem em pânico, o assunto resolveu-se com toda a civilidade e näo se falou mais nisso.
Mas é claro, na Alemanha há uma grande inversäo de valores: os animais valem mais do que as pessoas (ai que medo), patati, patatá, o Hitler até era vegetariano e o diabo a quatro.

Portugueses em crise, näo venham para a Alemanha, deixem-se ficar no vosso país civilizado! Que aí, sim, aí, sois bem tratados!!!
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De rmg a 05.02.2013 às 18:21

Como a nossa conversa estava a ficar simpática lá no outro assunto eu até ía responder-lhe de forma igualmente cordata .
Mas depois de a ler aqui desisti de vez .

Pelos vistos os seus ânimos incendiaram-se e partiu armada até aos dentes contra uns milhões de pessoas que não lhe fizeram nada e nem sequer estavam na outra barricada só porque meia dúzia a contrariou .

E já agora : não vale contar casos pontuais passados na Alemanha pois aí nem tudo é assim , tal como cá nem tudo é assado .



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De da Maia a 05.02.2013 às 19:47

Há muitas maneiras de desrespeitar animais.
Uma delas é pela sua utilização indiscriminada para experiências científicas. Não sei se a Alemanha, ou outro país tecnológico, têm muito para nos ensinar nesse assunto.

Uma função da GNR é evitar ameaças, e neste caso um porco, ou outro animal de porte considerável, à solta numa auto-estrada era uma ameaça à integridade dos condutores. O agente, poderá ter evitado acidentes que pusessem em causa vidas humanas, ou mesmo a vida do próprio porco - que parece preocupar em especial as mentes vegetativas.

Agora, como perspicazmente um comentador referiu, pode haver outra intenção. Em particular, suspender o salário do agente, revela-se como opção económica.

A sua afirmação de que os "porcos vêm ao mundo para contribuir para a nossa alimentação", é uma constatação e não um desígnio. Há uma grande baralhação nesse raciocínio.
Creio que somos a única espécie que "cultiva" outras, com o intuito de se alimentar, de se aproveitar delas para os mais diversos fins. Dizer que isso é o desígnio dessas espécies, que escolhemos, parece-me uma visão muito antropocentrica.
Por exemplo, acho que o vegetarianismo deve ser mais implementado, mas acho que não devemos, a priori, negar a nossa natureza biológica de omnívoros. Da mesma forma que os carnívoros não vão deixar de se alimentar de outras espécies, só por nós o fazermos... não me parece tão simples quanto isso.

Parece-me simples, isso sim, valorizar um pontapé num animal, por via de um vídeo, e com isso esquecer todos os pontapés que são dados em humanos, todos os dias, inclusive nos recreios das nossas escolas.

Enquanto o sofrimento humano não for reduzido, os queixumes sobre casos particulares de sofrimento animal, esquecendo a sua utilização massiva em alimentação e experiências, são de uma hipocrisia simplória, e fazem do GNR em questão um erudito.
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De Ana Vidal a 07.02.2013 às 18:10

Ó Cristina, pela minha parte não estou minimamente interessada em ir para a Alemanha, fique descansada.
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De Ana Vidal a 07.02.2013 às 20:49

É que não gosto de cerveja...
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De Helena a 05.02.2013 às 08:10


1. Hitler (e muitos outros dos seus carrascos) era vegetariano e adorava a sua cadela Blondie (Eva Braun tinha tantos ciúmes do pastor alemão que sempre que podia lhe pregava um valente pontapé debaixo da mesa). De tal forma o ditador apreciava animais que acreditava mesmo que os cães podiam falar (não, não é anedota). Talvez seja pouco conhecido que Hitler apoiou a chamada Tier-Sprechschule ASRA , próxima de Hannover , onde cães e gatos eram treinados para "falar". Segundo o relato de um investigador britânico, Jan Bandeson , um dos cães (de raça Dachshund ) desta escola terá aprendido a dizer: mein Führer ".

É um dos paradoxos mais cruéis do século XX, enquanto os cães alemães iam à escola para "aprender a falar" milhões de pessoas viram ser-lhe gravado no pulso a negação da sua humanidade. Recordo as palavras de Primo Levi , prisioneiro 174 517, "exactamente porque o Lager (campo de concentração) é uma grande máquina de nos reduzir a animais, nós não devemos tornar-nos animais".

2. Que fariam os ayatollahs da protecção animal se o GNR tivesse tido que disparar sobre o porco (caso este representasse uma ameaça para a segurança rodoviária)? Pediriam prisão perpétua? Não estou com isto a desculpabilizar a agressão gratuita (que poderá ter sido o caso).

3. Para que fique claro: contribuo para a WWF e a Greenpeace, possuo um cão de grande porte (treinado, chipado , com seguro de danos civis e sobretudo um animal muito feliz), respeito os animais como isso que são: animais.

E se alguma vez tivesse de optar entre a minha cadela e um ser humano desconhecido, mesmo dilacerada, escolhia a minha espécie.

4. Daqui a pouco estamos a defender que as plantas também sofrem (esse movimento já existe no Estados Unidos) e passaremos todos a alimentar-nos da luz solar ( bem, até alguém se lembrar que estaremos a explorar o sol...).

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De Aniceto Rui a 05.02.2013 às 13:55

Nota: O Hitler não era vegetariano. Apreciava particularmente tarte de caça, por exemplo.

Eu acho que estas "indignações", palavra que já enjoa, são uma evolução natural da conversa bacoca de café projectada para um palco com mais audiência em virtude das novas tecnologias, onde aplica-se o mesmo discernimento que sempre se aplicou (nenhum) a discutir assuntos que não percebemos patavina. Pesa também que está agora em idade adulta uma geração que sempre conheceu os animais como alvo de estimação e nunca como comida. Potenciada pelas prateleiras de supermercado que produzem frangos e costeletas a partir do ar, perderam a noção do que é um animal e qual o seu propósito. O "pontapé", que disso tem muito pouco, foi um acto reflexo para tentar impedir a marcha do porco para o meio da faixa de rodagem, mas é tratado como se o GNR tivesse morto o animal à biqueirada porque sim. Junta-se umas gotinhas de texto inflamado q.b. e temos uma festarola a rodar no Feicebuk, onde o bom senso escasseia e toda a gente salva crianças em África com "laikes".
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De Helena Ferro de Gouveia a 05.02.2013 às 14:38

A maioria dos biógrafos de Hitler assume que o ditador era vegetariano, não por convicção mas porque sofria de problemas digestivos. Acontece que muitos vegetarianos tentam contrariar/recalcar esta associação de um comportamento moralmente "superior" a um monstro.

http://www.zeit.de/2001/17/200117_stimmts.xml

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De Pedro Barbosa Pinto a 05.02.2013 às 09:15

Comparar condenações com punições previstas nos códigos e partir desta falácia para as conclusões???
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De Miriam a 05.02.2013 às 12:23

Na mouche. Esta é que é a verdadeira questão.
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De Bartolomeu a 05.02.2013 às 09:41

Não entendo qual é a pasmação!
O amigo Rui Rocha faz ideia, a que preço está o kilo da carne de porco?
Para além do mais, não é ético agredir colegas.
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De AF a 05.02.2013 às 10:04

Não é ético agredir colegas!!!!! :D

Malta, está aqui o comentário da semana! ;)
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De Sopa e Gravatas a 05.02.2013 às 10:09

Eu acho que a coisa terá mais a ver é com o local.

Uma auto-estrada, ainda por cima não ex-SCUT, não se pode comparar a um campo de futebol em Darque (provavelmente de terra batida) nem a um posto da GNR (provavelmente em edifício com infiltrações e o tecto em risco de queda).
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De Carlos Cunha a 05.02.2013 às 13:06

então, então?
o pontapé no porco "pode valer" isso. para uma comparação correcta há que saber quanto "pode valer" agredir um arrumador num posto, ou uma mulher num estádio.
e quanto poderá valer agredir um porco num estádio, ou uma mulher num posto, ou um arrumador na estrada?
e já agora, agredir um homem ou uma mulher (num posto, etc...) "pode valer" o mesmo?
e depois dos prós e contras, quando se chegar aos finalmentes logo veremos quanto é que o "pode valer" valeu para o pontapé no porco.
e, já agora, por pura curiosidade, se fosse ao contrário? nada aconteceria ao porco, penso eu, em termos judiciais. injusto!
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De Helena a 05.02.2013 às 16:00

Cristina Torrão eu também vivo na Alemanha e não estou no meu comentário a atacar a Alemanha, mas alguma cegueira/fundamentalismo dos defensores de animais.

E sim foi deliberado o exemplo de Hitler porque suscita reacções semelhantes à sua. Ser-se vegetariano ( nada tenho contra) ou protector dos animais (também sou) não é por si só mecanicamente um selo de bom carácter/elevação espiritual.

Na minha perspectiva um ser humano será sempre superior a um animal. No entanto,considero nada justifica os mais tratos gratuitos a um animal.
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De André Miguel a 05.02.2013 às 19:01

O post é sobre punições à GNR e nos comentários discute-se Hitler?!
Podemos dizer que já chegámos ao triunfo dos porcos?
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De moribundo a 05.02.2013 às 21:48

Ora esta, não é que você tem razão. Então perante a Justiça o porco vale mais do que uma pessoa, estranho critério, ou nem tanto... Estamos perante uma questão de espécies diferentes mas de género igual, pois está claro que porcos que alimentam pessoas valem mais do que porcos que se alimentam de pessoas. Ps: Esse valor é determinado pela lei da oferta e da procura.

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