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«Embora não simpatize muito com o género da apresentadora Moura Pinheiro», diz a Gui Abreu Lima nos comentários ao post da Ana Lima sobre o fim do Câmara Clara. Pois, eu também não.

(O texto é de 2010 e republico-o – com alterações – porque, para além de servir como uma espécie – realço «espécie» – de homenagem ao Câmara Clara, alguém tem de manter o Delito com um número suficiente de posts por dia; menos de sete ou oito e nem parece o Delito.)


 

 

«As mulheres interessantes são mais interessantes que os homens interessantes. São é menos.»

Pedro Mexia

 

Quando um homem diz que uma mulher é «interessante» não costuma estar a pensar na aptidão que ela demonstra para discutir apaixonada e pormenorizadamente se os melhores filmes de Alfred Hitchcock são os do período inglês ou os do período norte-americano. Uma mulher é interessante, antes de qualquer outra consideração, pelas mesmas razões que um Aston Martin é interessante: questão de linhas (ou curvas) e capacidade para gerar excitação, nervoso miudinho e vontade de – acho que não há forma de escrever isto sem parecer machista, pelo que nem vou tentar – dar uma voltinha.

 

Mas, claro, não era (apenas) a isto que Pedro Mexia se referia. Provavelmente ele estava também a pensar no conhecimento da obra do Hitchcock. E a fazê-lo de um ponto de vista masculino, classificando como interessante aquilo que nem sempre o será. Reconheçamo-lo: os homens têm um cérebro ligeiramente autista, que muitas vezes se dedica a inventar problemas e a estabelecer prioridades discutíveis. Afinal, não será mais importante fruir os filmes do Hitchcock do que escalpelizá-los e ordená-los por ordem de qualidade? Interessa assim tanto definir se North by Northwest é melhor ou pior do que Os 39 Degraus? Talvez o sentido prático (e mais instintivo) das mulheres as leve a não se deixarem enredar em questões razoavelmente etéreas ou em problemas sem solução: note-se como ainda parecem existir mais grandes escritores ou filósofos do sexo masculino mas, nas áreas técnicas, onde se abordam problemas resolúveis, as mulheres já são a maioria. Ou talvez o facto decorra apenas da falta de tempo: diga-se o que se disser acerca da igualdade dos sexos (perdão, agora diz-se géneros, não é?), a maioria das mulheres tem o tempo muito mais ocupado do que a maioria dos homens – até para ver os filmes do Hitchcock, quanto mais para elaborar análises comparativas entre eles. Enfim, seja a explicação qual for, concordo com Pedro Mexia: as mulheres interessantes são mais interessantes que os homens interessantes (desde logo, tudo o resto sendo igual, são mulheres) mas são menos. E de qualquer modo, independentemente do número que por aí ande, a pergunta fundamental é: como reconhecer uma mulher interessante ao vivo? (As meninas que ainda estão a ler – prova mais do que suficiente de que são interessantes mas também de que isto nada tem a ver com bom-senso – podem inverter os papéis e pensar em homens interessantes.) Serão as que frequentam museus, vernissages e festivais de cinema? Hmmmm, dificilmente: não parecem muitas dessas mulheres apenas pomposas? E que tal aquelas que lêem nos transportes públicos? Sejamos honestos: em primeiro lugar, são poucas; em segundo, são com frequência e na outra acepção do termo, pouco interessantes; por último, estão quase invariavelmente a ler José Rodrigues dos Santos ou Dan Brown, facto que diminui bastante o interesse que suscitam, mesmo na acepção do termo de que estamos a falar. As que escrevem em blogues? Algumas, são-no certamente. Outras... nem tanto. E, de resto, eu estava a tentar descobrir como reconhecê-las ao vivo. Por enquanto, a net ainda não equivale à vida real, pelo menos para pessoas interessantes. (Na televisão, muito embora continuem a ver-se poucas, é mais fácil reconhecer uma mulher interessante: tem o cabelo que a Paula Moura Pinheiro tinha antes de o cortar, os olhos que a Paula Moura Pinheiro ainda tem e apresenta programas com títulos roubados a livros sobre fotografia escritos por Roland Barthes.)

 

A verdade é que uma mulher – como um homem, de resto – é quase sempre mais interessante enquanto possibilidade do que como realidade. Há uma dúzia de anos, havia uma rapariga ruiva (já confessei a minha atracção por ruivas, não já?) na Fnac do NorteShopping. Estava habitualmente em pé junto a um balcãozinho contíguo à secção de música clássica, vestindo calças de ganga azuis e o coletezinho verde e ocre da Fnac. Foi uma época em que comprei bastante música clássica, pelo que a via com frequência. (A ordem é mesmo esta ou alguém acredita que eu perderia a cabeça ao ponto de comprar Salomé apenas por causa de uma rapariga ruiva?) Tinha uma face larga e cabelo comprido encaracolado. (Que homem heterossexual não gosta de cabelo comprido e encaracolado nas mulheres, por muito fora de moda que em certas épocas possa estar?) Falei com ela um par de vezes, se tanto, apenas para encomendar óperas (sei que lhe encomendei uma de Donizetti mas já não tenho a certeza se foi O Elixir do Amor, se a Filha do Regimento; o meu cérebro inclina-se para A Filha do Regimento mas o meu instinto teima que foi O Elixir do Amor). Lembro-me de que era excelente a efectuar pesquisas no computador (encontrava-me as óperas sem qualquer dificuldade) e que tinha um sorriso bonito (mas não creio que alguma vez tenha sorrido para mim, mesmo na sequência daquelas coisas que se dizem quando se pretende ter piada, como «a Tosca da Callas» ou «isto ainda há-se ser cantado a sério por quatro rapazes esbeltos vestidos com fatos escuros e ar pomposo»). Depois, um dia, deixei de a ver por lá. Provavelmente arranjou um emprego mais bem remunerado, casou, teve filhos, engordou, entristeceu e nunca mais pensou em óperas. E é esta a verdadeira dúvida: aquela rapariga ruiva era interessante ou tinha potencial para ser? E deve um homem procurar logo uma mulher interessante ou uma que tenha potencial? Quase todos os homens têm uma costela de Pigmalião. Mas, especialmente nos dias que correm, as mulheres não são fáceis de moldar, pelo que apostar numa que apenas pareça ter potencial para ser interessante comporta graves riscos de desilusão. Por outro lado, as que parecem interessantes logo à partida são quase sempre inacessíveis, quanto mais não seja por estarem noutras cidades ou, ainda que na mesma, casadas com idiotas (ok, se eles fossem mesmo idiotas elas não seriam inacessíveis). É talvez por isso que, numa visão romântico-pessimista, as mulheres mais interessantes são aquelas que não se chegam verdadeiramente a conhecer – e aposto que elas podem dizer o mesmo acerca dos homens. Afinal, mesmo que a rapariga ruiva da Fnac nem sequer gostasse de música clássica, eu achá-la-ei eternamente interessante.

 

(Pelo que, nunca fiando, dispenso conhecer pessoalmente a Paula Moura Pinheiro.)

 

(Ou não.)


45 comentários

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De Patrícia Reis a 18.12.2012 às 13:31

Jaa, como conheço os dois, a menina e o menino, não farei comentários, mas se alguém quiser discutir comigo o período azul do Picasso, o facto de Hitler ter sido eleito chanceler em 1933 ou a poesia de Dylan Thomas, sem consultar dicionários, meus caros, vamos a isso. Felizmente há pessoas - dos dois géneros muito interessantes, não estão é na televisão ou nos jornais.
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De José António Abreu a 18.12.2012 às 14:01

1. O menino?! Patrícia, «idiotas» é um termo aplicado generosa e genericamente (talvez com uma pitada - mas só uma pitada - de inveja) porque como diabo poderão estar à altura? De resto, eu nem sei com quem é que a menina é casada. Trata-se de um termo que, sem qualquer espécie de maldade (no fundo, é um elogio), eu aplicaria ao teu marido.

2. Achas que me vou pôr a discutir o que quer que seja com uma mulher que troca correspondência com Henry James? (Bom, «troca» talvez seja exagero; que escreve a Henry James.)

3. Beijinho.
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De José António Abreu a 18.12.2012 às 15:08

Se bem que, às vezes, as mulheres inteligentes sejam mesmo atraídas por idiotas... E vice-versa.

Quanto ao ponto 2: o que eu quero dizer é que não me atrevo a discutir com quem escreve a Henry James. Eu acho que nem ao Pai Natal alguma vez escrevi...
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De Patrícia Reis a 18.12.2012 às 17:25

Meu querido, menino e menina são palavras que não fazem parte do meu vocabulário, mas compreendo o que tu dizes. E sim, Henry James é uma fixação, mas quem sou eu? Ele era maravilhoso e, se queres saber mais sobre o senhor, há um livro de David Lodge chamado Autor, Autor que é maravilhoso. De resto, Jaa, as coisas são o que são e neste país constroem-se pessoas como se contam anedotas. Dou-te um exemplo: saberás tu que a Maria Teresa Horta escreveu durante 18 anos no DN. Um dia recebeu uma chamada de um editor dizendo que a partir daquele momento - o director era aquele menino chamado Miguel Coutinhho - ela deixava de fazer o nr de caracteres na cultura porque "a cara do DN na cultura será o Pedro Mexia. E, portanto, não pode escrever 6 mil caracteres". Goste-se ou não da Maria Teresa, haja respeitinho, não achas? Eu acho. Beijos
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De José António Abreu a 18.12.2012 às 17:47

Mas... /faz beicinho/ quem usou os termos "menino" e "menina" foste tu...

Obrigado pela sugestão. E, quanto à "anedota", sim, parece-me mal - quando se registam mudanças, gosto que as coisas sejam pelo menos feitas com tempo e respeito. Mas uma das vantagens de não conhecer quem quer que seja é não pertencer a clubes. Eu aprecio alguma poesia da Maria Teresa Horta (a recente colectânea é fantástica) e também aprecio alguma poesia do Pedro Mexia (um dos pouco poemas que sei de cor é de "Eliot e Outras Observações"). O resto, honestamente, interessa-me pouco. Lá está: não conhecer demasiado permite não perturbar imagens. Quanto a Miguel Coutinho, nem sei bem quem seja.
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De Patrícia Reis a 18.12.2012 às 17:49

o menino e a menina era uma ironia e mais nada:)
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De Ana Vidal a 18.12.2012 às 14:31

Jaa, há muuuuuito para dizer sobre este teu post, tão machista como... hum, digamos... interessante. Agora tenho de ir almoçar, mas eu volto. Ah, se volto.
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De José António Abreu a 18.12.2012 às 14:52

Machista? Por causa da referência ao Pigmalião? Bom, também se pode pôr a coisa ao contrário: há homens que adoram (ou adorariam) ser ensinados...

E não querias que eu corresse riscos? Como ando sem tempo para escrever coisas novas, uso as mais antigas.
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De José António Abreu a 18.12.2012 às 14:56

Ah, espera, e há o Aston Martin, não é? Mas, caramba, achas a comparação insultuosa? Já olhaste bem para um Aston Martin?








Feliz Natal e Boas Entradas. Volto em 2013, se me parecer seguro.
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De lucklucky a 18.12.2012 às 15:52

Meh, ela nem sabia o que era bel canto numa entrevista julgo que a um dos Madredeus onde o dito não deixou como é apanágio de dizer mal do bel canto há uns anos trás...

Quanto ao Aston os Ingleses já perderam a memória do que são mulheres interessantes, veja-se para onde foi a industria automóvel deles.
Quando um país deixa de fazer carros de jeito é porque deixou de ter mulheres de jeito.
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De José António Abreu a 18.12.2012 às 16:13

Mas aí é que está: não interessa se ela gostava ou não porque se passa tudo na cabeça do homem (isto é, na minha).

Bom, sim, já não fazem MGs nem inventam Minis e a Jaguar é agora indiana mas, por outro lado, também não fazem Morris Marinas.
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De lucklucky a 18.12.2012 às 20:00

O Marina é de quando o desastre começou...
Ainda fizeram algumas coisas de jeito como o Capri.

Provavelmente a minha teoria de que os carros representavam as mulheres como os homens queriam que elas fossem não é lá muito fiável pois não percebo porque é que não houve mais países com outros Citroens. Será que só em França é que havia homens que as preferiam rechonchudas e hidropenumaticamente maternais?
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De José António Abreu a 18.12.2012 às 21:03

De acordo quanto ao Capri. Quanto ao resto, se de facto os carros eram muito mais dirigidos aos homens do que são agora, recuso-me a comentar a expressão "hidropneumaticamente maternais"; por hoje, já arranjei problemas suficientes com a Ana Vidal.

Mas:
:)

E (a Ana já não deve descer até aqui):
Os homens franceses sempre me suscitaram dúvidas. Cá para mim, a fama das mulheres francesas prende-se muito com a fraqueza dos homens. Ainda assim, houve por lá a Delahaye, alguns Talbot Simca e o Renault 8 Gordini. E depois houve o primeiro veículo que me fascinou, quando o vi sair de uma curva (e de uma nuvem de pó) perto de Arganil em 1973 ou 1974: o Alpine A110.
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De Ana Vidal a 18.12.2012 às 23:36

Hidropenumaticamente maternais?? Mas que raio de conceito é esse, uma espécie de boneco almofadado da Michelin a cheirar a leite? Meus senhores, não tenho uma dúvida: vocês merecem uma boa megera hidropneumaticamente assassina.
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De lucklucky a 19.12.2012 às 01:50

Alpine boa memória. Também tinha a sua piada o Matra Baghera com 3 assentos à frente.

Os Citroen tinham uma suspensão ultra confortável - demasiado na minha opinião- hidropenumatica. Só pode ter vindo de um engenheiro que teve falta de conforto maternal... :)
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De Ana Vidal a 18.12.2012 às 16:44

Pronto, já cá estou. Estás com sorte, o almoço amoleceu-me (sobretudo o belo Cartuxa que o acompanhou) e apanhas-me benevolente e plácida. Antes assim, ou nem a tua graça inteligente - coisa a que resisto mal, como sabes - te safava de uma saraivada.
Ora bem (arregaçando as mangas e suspirando): o teu post é machista de A a Z, meu caríssimo amigo. Porquê?

1. É verdade que uma mulher prefere ser comparada a um Aston Martin do que a um Toyota, mas QUALQUER comparação com um carro (pfff!) é insultuosa, não te iludas. Já nos basta os publicitários, caramba.

2. Essa do Pigmalião tem muito que se lhe diga, muito mesmo. Mas nem vou explorar muito porque admito que nós, mulheres, somos ainda mais propensas a essa utopia que é a tentativa (quase sempre frustrada, diga-se) de transformar em príncipes encantados os sapos que nos calham em sorte. Culpa de quem nos meteu essas balelas românticas na cabeça, claro. Por causa delas, só muito tarde percebemos que os príncipes são quase sempre enjoativos de tão assépticos e que os sapos, com todos os seus defeitos, podem ser muito mais interessantes.

3. O adjectivo "interessante" não é o mais adequado à tua tese, se fazes a pergunta "como reconhecer uma mulher interessante ao vivo?". Se para ti ser interessante é "questão de linhas (ou curvas) e capacidade para gerar excitação, nervoso miudinho e vontade de dar uma voltinha" eu diria que, a não ser que estejamos a falar de um cego, o possível "interesse" de uma mulher é óbvio ao primeiro olhar. E lá se vai a bela teoria da "possibilidade", se só o explícito conta. Mas, lá está, "os homens têm um cérebro ligeiramente autista" e as mulheres, sendo embora sensíveis à estética, são geralmente capazes de ver mais fundo do que a epiderme masculina.

4. Remato com Proust (na esperança de que que o nome te impressione e me consideres minimamente "interessante", claro), que tinha uma teoria redentora para o género feminino (embora eu não saiba se ele a praticava de facto): "Que fiquem as mulheres bonitas para os homens sem imaginação". Voilà.

Nota à parte: Terá a ruivinha da FNAC ficado esmagada com a tua vasta cultura operática, ou seria afinal das que lêem José Rodrigues dos Santos ou Dan Brown no autocarro, no regresso a casa pela circunvalação? I wonder. :-)
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De Ana Vidal a 18.12.2012 às 16:57

Esqueci-me: Feliz Natal para ti também! E um novo ano cheio de "possibilidades interessantes"... :-)
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De José António Abreu a 18.12.2012 às 17:05

1. Eu sei. Mas, lá está, uma das diferenças entre homens e mulheres: eu não me importava de ser comparado a um Aston (mas ninguém de bom senso o faria porque - admito-o - sou um Toyota).

2. De acordo.

3. O adjectivo é do Mexia. Eu trabalho com o que me dão. :)

4. Fico proustrado mas não convencido - o objectivo último do post é debater o que é uma mulher bonita, ou, se preferires (talvez seja mais exacto), atraente, partindo da parte visível - a (mas por que vou escrever isto?) carroçaria do Aston Martin - para a parte menos visível. Invertendo a coisa: o Cristiano Ronaldo é à partida bonito (possui mas decididamente também é um Lamborghini) mas será, no sentido em que interpretei as palavras do Mexia, interessante (atraente)? Don't think so.

Sobre a "ruivinha" (vocês são tão más umas com as outras*), lê a minha resposta ao lucklucky.





*
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De Ana Vidal a 18.12.2012 às 17:16

O Cristiano Ronaldo é bonito? BONITO?? Valha-me Deus, o rapazinho pode ser um génio da bola mas tem cara de parvo.

Somos mázinhas umas com as outras, sim. É talvez a coisa que mais invejo nos homens, essa solidariedade canina de género, para o que der e vier. Mas, enfim, não se pode ter tudo.
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De José António Abreu a 18.12.2012 às 17:55

"tem cara de parvo"

Mas é esse o meu ponto, carago. Tem a carroçaria de um Lamborghini (que milhões de mocinhas - e uns milhares de mocinhos - apreciam) mas desconfia-se que... bom, que é parvo (falta-me um veículo que seja estúpido) e sem grande possibilidade de remissão (o que, com a Henrietta Higgins adequada, talvez até nem seja verdade).
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De Ana Vidal a 18.12.2012 às 18:06

E é aí mesmo que nós divergimos, carago: vocês, homens, separam alegre e saudavelmente a carroçaria (vês o fizeste? já estou a usar a mesma terminologia, socorro!) do motor, coisa que (geralmente, pelo menos) nós não fazemos. Nunca me ocorreria usar metáforas que impliquem superlativos, sejam de carros ou de outra coisa qualquer, para classificar alguém que eu acho que tem cara de parvo. Porque, simplesmente, não consigo encontrar beleza numa cara de parvo.
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De José António Abreu a 18.12.2012 às 18:50

Exacto. Mas o meu post é assumidamente escrito de uma perspectiva masculina. O que é ligeiramente diferente de ser machista.

De qualquer modo, acerca do Cristiano Ronaldo, acho que é melhor esclarecermos uma coisa antes de prosseguirmos o debate: tu gostas de Lamborghinis?
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De Ana Vidal a 18.12.2012 às 19:07

Não sei exactamente como é um Lamborghini, mas cheira-me a grande exibicionismo. Se é assim uma espécie de Rolex de ouro rosa em carros, então não, não gosto. :-)
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De P a 18.12.2012 às 19:17

Não, agora não se diz "género" como significado de "sexo". É uma confusão comum, mas são conceitos diferentes.
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De José António Abreu a 18.12.2012 às 21:04

Bolas, ainda estou mais desactualizado do que pensava.
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De helena marques a 18.12.2012 às 20:12

Eu sou muito 'simple mind', nunca consegui ver um programa até ao fim, desde o início, por causa da apresentadora. Há ódios de estimação assim, não suporto a PMP.
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De José António Abreu a 18.12.2012 às 21:05

Todos temos ódios de estimação. Mas é curioso: por que será que ainda não apareceram por aqui homens a dizer isso? ;-)
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De JLB a 18.12.2012 às 22:49

Penso que nunca o vi, também, até ao fim. Alterava só o "não suporto" por um "não aprecio nadinha" a PMP :))

Mas pode ser uma jóia de pessoa, claro. Nunca conversei com ela. Acho-a, contudo, um bocadinho afectada. Seja lá o que isso for. A "cultura", às vezes, tem destas coisas.
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De José António Abreu a 18.12.2012 às 22:54

É verdade, tem. Demasiados museus, vernissages e festivais de cinema sobem à cabeça. :-)
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De helena marques a 19.12.2012 às 03:08

Coincidências, conheço bastantes.
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De helena marques a 18.12.2012 às 20:24

O Pedro Mexia nunca deve ter lido ou ouvido falar da neta de Trostsky, por exemplo:

http://www.drugabuse.gov/about-nida/directors-page/biography-dr-nora-volkow
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De José António Abreu a 18.12.2012 às 21:15

helena:

1. Mexia não diz que mulheres interessantes não existem.

2. Eu é que me pus a interpretar as palavras dele, pelo que ainda estamos para saber o que ele queria dizer com "interessantes".

3. No que me diz respeito, até refiro no post que, nas áreas técnicas - e pensava precisamente nas da saúde -, as mulheres já estão em maioria (ou estarão em breve).

4. Sabe se a neta de Trotsky gosta dos filmes de Hitchcock? :-)
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De helena marques a 19.12.2012 às 03:06

Pois não, diz que existem , mas que são menos interessantes que os homens.

Eu julgo que sim, que a Nora Volkow deve gostar dos filmes do Hitchcock.
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De José António Abreu a 19.12.2012 às 07:58

helena: vai ter que reler a frase do Mexia; ele diz que são mais interessantes que os homens, são é em menor quantidade.
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De helena marques a 19.12.2012 às 13:45

Tresli?
Mas então ainda é pior. Sabendo nós que as estatísticas nos dizem que há mais mulheres que homens.
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De JLB a 18.12.2012 às 22:25

Sobre o tema "mulher interessante" que por nós passa na rua, isto é, uma mulher que não conhecemos e com quem nunca falamos só poderei considerar como interessante uma mulher que tenha o que usualmente sinto como "classe". Muito difícil de definir, sendo que cada caso é um caso, é realmente, para mim, muito fácil de "sentir", quando com uma delas me cruzo na rua ou quando a vejo entrar numa sala onde eu já me encontro. Possui, no mínimo, aquilo a que os franceses chamam de um " je ne sais quoi ". A sua classe ou o seu "charme" são, para mim, evidentes quando me deparo com uma delas. Contudo e no que verdadeiramente me interessa para um relacionamento futuro, duradouro ou não, mas nunca momentâneo, "mulher interessante" é uma Mulher simpática, educada, feminina, amiga, inteligente, não dependente e lutadora. Realmente, só uma mulher com estas sete características poderá ser, por mim, considerada interessante. Leia ou não Dan Brown . Rezando eu, com muita força, para que ela não leia a revista Maria ou uma outra similar. Graça esta que, até hoje, me tem sido sempre concedida.
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De José António Abreu a 18.12.2012 às 23:08

"simpática, educada, feminina, amiga, inteligente, não dependente e lutadora"

Percebo o que quer dizer, JLB, mas - desculpe lá - confesso que aqui pensei na Lassie. E você esqueceu-se de divertida. :)

O problema é esse "je ne sais quoi" - que, de facto, ninguém sabe definir e que, por exemplo, numa mulher de quarenta anos é muito diferente de numa mulher de vinte e poucos (como creio que acontecerá também no caso dos homens). Se calhar o que me atrai mais na de vinte e poucos é a abertura de espírito para um mundo de possibilidades enquanto na de quarenta já será encontrar parte desse mundo de possibilidades - e disponibilidade para o alargar.

Ou se calhar o melhor é mudarmos de tema que este é demasiado sensível... :)
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De Ana Vidal a 19.12.2012 às 00:00

E pronto, lá me corrompeste tu com essa da Lassie! Confesso que também pensei em qualquer coisa do género, e se é para a desgraça sempre prefiro o Aston Martin.
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De JLB a 19.12.2012 às 01:06

Quanto à Lassie , fiquei aqui a pensar. Até que tinha um pelinho bonito e era fidelíssima. Mas seria um bocadinho dependente de mim. No mínimo, de manhã cedo ou, à noite, a seguir ao jantar.

Mas detalho mais. Prefiro simpática a divertida. E se não for educada, eu ia ter um trabalhão ou andaria envergonhado todos os dias. Se não for feminina, corre o risco de ser feminista. Se não for amiga, não me atura. Se não for inteligente, não entenderá nunca porque me atura. Se for dependente, pode ser "cola" e ainda corro o risco de ela estar a meu lado porque precisa e não porque o quer realmente. Se não for lutadora, o Gaspar come-a. E depois come-me a mim. Ou vice-versa. O que seria , efectivamente, muito chato.

Sobre as de vinte e poucos. Para dois terços delas, não tenho pachorra. As restantes, não terão elas pachorra para mim. "Penso eu de que", claro.

Lamento, contudo, esse seu engano sobre as mulheres de quarenta anos. A uma enormidade delas não lhes falta essa abertura de espírito que refere. Porque, regressando ao que já afirmei, só acho interessante, verdadeiramente interessante, uma Mulher que seja lutadora. E a abertura de espírito destas perante um mundo de possibilidades, posso-lhe garantir, é admirável. Para além de serem uma belíssimas conselheiras, se tiverem as restantes características por mim já assinaladas. Incentivam-nos, mas obrigam-nos a ter os pés bem assentes no chão. Ou então eu sou mesmo um tipo com muita sorte.

Concordando em absoluto que este assunto é demasiado sensível, não posso deixar de concordar, também, com a mudança de tema que sugere.

Receba um grande abraço e os meus sinceros

Cumprimentos.
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De Gui Abreu de Lima a 19.12.2012 às 00:14

Ah, mas se a Moura estivesse na caixa da fnac idealizava-la interessante, como fizeste com a cenoura ;)
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De José António Abreu a 19.12.2012 às 07:59

Não precisa. Com aqueles olhos, funciona mesmo sem o coletinho da Fnac.
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De Gui Abreu de Lima a 19.12.2012 às 10:41

Pinga-amor, eheh. Coletinho, uhh...
Mas vá, não sei porquê, os cenoiras também me fascinam :)
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De helena marques a 19.12.2012 às 13:46

É exactamente com os olhos que se torna mais canastrona.
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De mm a 19.12.2012 às 11:15

You talk like Marlene Dietrich
And you dance like Zizi Jeanmaire
Your clothes are all made by Balmain
And there’s diamonds and pearls in your hair, yes there are.

You live in a fancy apartment
Off the Boulevard of St. Michel
Where you keep your Rolling Stones records
And a friend of Sacha Distel, yes you do.

You go to the embassy parties
Where you talk in Russian and Greek
And the young men who move in your circles
They hang on every word you speak, yes they do.

But where do you go to my lovely
When you're alone in your bed
Tell me the thoughts that surround you
I want to look inside your head, yes i do.

I've seen all your qualifications
You got from the Sorbonne
And the painting you stole from Picasso
Your loveliness goes on and on, yes it does.

When you go on your summer vacation
You go to Juan-les-Pines
With your carefully designed topless swimsuit
You get an even suntan, on your back and on your legs.

And when the snow falls you're found in St. Moritz
With the others of the jet-set
And you sip your Napoleon Brandy
But you never get your lips wet, no you don't.

But where do you go to my lovely
When you're alone in your bed
would you Tell me the thoughts that surround you
I want to look inside your head, yes I do.

You're in between 20 and 30
A very desirable age
Your body is firm and inviting
But you live on a glittering stage, yes you do, yes you do.

Your name is heard in high places
You know the Aga Khan
He sent you a racehorse for Christmas
And you keep it just for fun, for a laugh ha-ha-ha

They say that when you get married
It'll be to a millionaire
But they don't realize where you came from
And I wonder if they really care, or give a damn

But where do you go to my lovely
When you're alone in your bed
Tell me the thoughts that surround you
I want to look inside your head, yes i do.

I remember the back streets of Naples
Two children begging in rags
Both touched with a burning ambition
To shake off their lowly brown tags, they try

So look into my face Marie-Claire
And remember just who you are
Then go and forget me forever
But I know you still bear
the scar, deep inside, yes you do

I know where you go to my lovely
When you're alone in your bed
I know the thoughts that surround you
`Cause I can look inside your head.

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