Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]




A celebração da coisa

por João Campos, em 13.12.12

De todos os costumes religiosos que mantive durante aqueles anos entre o fim da infância e meados da adolescência, ir à Missa do Galo na noite de Natal foi aquele que mais tempo durou. Viver atrás da igreja facilitava a coisa, claro - não era preciso apanhar muito frio para lá chegar. Saía de casa e em menos de um minuto estava na igreja, sempre muito bem decorada com um presépio lindíssimo que o padre fazia questão de montar todos os anos (com musgo verdadeiro, várias dezenas de figuras e uma iluminação que causava sempre espanto na aldeia). A coisa durava meia hora e voltava para casa, para provar os sonhos e trocar as prendas. O almoço de Natal, esse, era quase sempre em casa da minha avó, e a senhora nunca foi muito à bola, passe a expressão, com a modernice do Pai Natal. A prenda que ela dava era pelo "menino Jesus", e não havia discussão nessas coisas.

 

Ler agora que na moderna Suécia os professores têm indicações para não mencionarem o nome de Jesus Cristo nas celebrações de Natal causa-me assim alguma estranheza. Apesar de hoje em dia não praticar qualquer religião ou manter quaisquer hábitos relacionados com religião, sempre entendi o Natal como uma celebração religiosa, e Cristo como o seu verdadeiro símbolo - não o velho gordo de barbas que, de resto, nunca me convenceu (talvez por a minha casa não ter chaminé, talvez porque a ideia de um velho gordo a correr mundo para dar prendas às crianças com base nas suas boas acções sempre me pareceu inverosímil). É o politicamente correcto moderno em todo o seu esplendor hipócrita: como a celebração dá jeito mas o símbolo tornou-se inconveniente (para alguns), celebra-se a coisa e omite-se o símbolo. É a celebração da coisa, de uma coisa qualquer que podia ser o Natal mas não é. Talvez volte este ano à Missa do Galo: já vivo mais longe da igreja, o padre é outro e o presépio não deve ter musgo, mas numa época em que tudo é tão relativo e em que o mundo é tão picuinhas talvez valha a pena recordar o verdadeiro significado dos nossos símbolos mais importantes.


39 comentários

Sem imagem de perfil

De Bartolomeu a 13.12.2012 às 11:51

Aqueles que não cedem ao aturdimento provocado pelo apelo ao consumo, acompanhado das "injecções" de publicidade que nesta época nos cercam, deturpando o significado daquilo que verdadeiramente se comemora, entendem como a sua avó genuínamente entendia que o sentido das festividades ultrapassa a lenda escandinava do cruzado perdido nos caminhos nevados das florestas da lapónia, mas sim, o nascimento de Jesus. O Homem anúnciado pelos profetas de todos os reinos do médio oriente, que nasceu na noite de 25 de Dezembro, após uma viágem de burro, noventre de Maria, para fugir à furia dos Romanos, povo oriundo do país onde a igreja edificada em nome do mesmo Jesus, atingiu a sua máxima expressão.
Imagem de perfil

De João Campos a 13.12.2012 às 18:59

Pois é, mas temos de pensar em todos os não-cristãos, que ficam melindrados por se celebrar o nascimento de Jesus mas que gostam muito de ter o feriadozinho em Dezembro. Logo, é mais conveniente celebrar o velho gordo dos refrigerantes. Qualquer dia, cá no burgo, para aportuguesar a coisa, passamos a celebrar a Popota.
Sem imagem de perfil

De Luís Lavoura a 13.12.2012 às 11:58

Não concordo.
Se a escola é laica, então não deve ensinar mitos religiosos.
O natal é uma festa, ponto final. Quem quiser atribui-lhe significado religioso, quem não quiser não atribui. Aliás, a própria Igreja está de acordo em que se trata de uma festa de origens pagãs anteriores ao cristianismo e em que Jesus não tem nada que ter nascido nesse dia. É portanto uma festa pagã à qual os cristãos atribuem um significado cristão. Não é preciso falar de Jesus para que se celebre o natal.
Imagem de perfil

De João Campos a 13.12.2012 às 18:57

Que o Luís Lavoura concordasse é que muito me admiraria.

Mas tem toda a razão. Como toda a gente sabe, as sociedades ocidentais assinalam o Natal por causa de culto pagão de há mais de dois mil anos, e porque dá um jeitão ter ali um dia no início do Inverno para reunir familiares à volta de um tacho de grãos com bacalhau. O facto de as sociedades ocidentais terem uma matriz cultural cristã muito antiga e de ser essa matriz cultural que confere valor a algumas datas simbólicas (sejam precisas ou não) é apenas uma coincidência espantosa, quando não um barrete monumental que os padres tentam enfiar às populações.

No caso dos suecos, a coisa é mesmo muito conveniente: celebram o Solstício de Inverno uns dias antes, e podem passar logo para o Natal. Na prática, é uma semana de férias. Marotos, estes suecos! E a gente cá no Sul da Europa a pensar que os tipos só trabalham e não querem nada com feriados! Sim, senhor, bonito exemplo.

/irony off
Sem imagem de perfil

De Luís Lavoura a 14.12.2012 às 09:54

O facto de as sociedades ocidentais terem uma matriz cultural cristã muito antiga e de ser essa matriz cultural que confere valor a algumas datas simbólicas

As pessoas são livres de preservar a matriz cultural que quiserem. São também livres de a transmitirem aos seus filhos.

Mas a escola pública, não. Não compete ao Estado preservar ou transmitir matrizes culturais. O Estado é laico e a escola pública é-o. O Estado tem que respeitar de igual forma todas as matrizes culturais que coexistem no seu território, sem privilegiar nenhuma delas.
Imagem de perfil

De João Campos a 14.12.2012 às 15:31

Nesse caso, não se celebra o Natal por iniciativa do Estado. Ou seja, não há férias nem feriado. Quem quiser, que tire o dia.

Seria mais coerente com essa sua visão, não?
Sem imagem de perfil

De Luís Lavoura a 14.12.2012 às 15:39

Os feriados devem existir se e quando uma maioria de pessoas queira celebrar uma data. Isto porque não faz sentido um serviço abrir quando metade dos funcionários meteram férias nesse dia.
Portanto, o natal deve ser feriado enquanto uma maioria das pessoas desejarem - por qualquer motivo - celebrar essa data.
Está a entender? O Estado declara o natal como feriado, não porque o Estado seja cristão,não porque o Estado queira preservar uma qualquer matriz cultural, mas sim porque uma maioria das pessoas (seja por serem cristãs ou seja por outro motivo qualquer) desejam celebrar essa data.
Imagem de perfil

De João Campos a 14.12.2012 às 16:01

Pronto, celebra-se o Natal porque dá jeito. É uma visão pragmática da coisa. Por mim, nada contra.

Note, porém (se conseguir), que não estou a defender a doutrinação religiosa nas escolas. Longe disso. Simplesmente não acho que, se se fala das várias festividades e dos vários feriados, se deva ocultar o significado e o contexto religiosos do Natal (e da Páscoa, se quiser). Isso não é laicismo, é imbecilidade, e não é por se dizer que o Natal assinala o nascimento (simbólico) de Cristo para os cristãos que se faz as crianças começarem a engolir hóstias.

A menos que sejamos hoje todos muito picuinhas.
Sem imagem de perfil

De Luís Lavoura a 14.12.2012 às 16:23

Não é questão de ser picuinhas, é questão de que o saber ocupa lugar. Enquanto as crianças estão a aprender que Jesus nasceu não estão a aprender outra coisa qualquer. Portanto não se lhes deve ensinar coisas que não é necessário que elas saibam.
Você ensina mitologia grega antiga aos seus filhos? Não. Ou mitologia hindu? Também não. Não deseja estar a sobrecarregar a cabeça dos seus filhos com essas coisas, e faz você muito bem. Da mesma forma, eu não estou interessado em que a cabeça dos meus filhos seja sobrecarregada com mitologia cristã. Prefiro salvaguardar os neurónios deles para coisas mais úteis.
Imagem de perfil

De João Campos a 14.12.2012 às 17:48

Bom, Luís, para início (ou fim) de conversa, não tenho filhos. Se os tivesse, porém, teria imenso gosto em falar-lhes de mitologias - grega, suméria, celta, hindu, nórdica, etc. Não só porque é um tema extremamente interessante, como também porque nestas mitologias podemos encontrar algumas das obras literárias e histórias mais antigas (para não dizer relevantes) da Humanidade. Suponho que já tenha ouvido falar na Odisseia ou na Ilíada, por exemplo? Pois.

Mas, ó Luís, por quem me toma. Ensine lá aos seus filhos o que bem entender. Por mim até lhes pode dizer que o Pai Natal não existe :) Mas, e se me permite as sugestões: não lhes mostre livros do Astérix, pois eles podem fazer perguntas incómodas sempre que um gaulês exclamar "Por Toutatis!". E não se esqueça de se certificar que no ensino básico as crianças já não têm de ler a magnífica versão infantil da Odisseia de Homero, "Ulisses", escrita pela Maria Alberta Menéres, ou ainda se vão perguntar quem era Ulisses, Minerva, Circe ou Sísifo...
Imagem de perfil

De Ana Vidal a 14.12.2012 às 20:59

Tenho assistido às mais peregrinas teses defendidas pelo Luís Lavoura aqui no DO, mas tenho de admitir que esta de "não sobrecarregar as cabeças das crianças com informação" é das mais originais. Sim senhor, estou impressionada.

Só uma perguntinha, coisa simples: saberá o Luís o que significa a palavra "Natal"?
Sem imagem de perfil

De João André a 14.12.2012 às 11:23

Caro Luís, não se deveria confundir as coisas. É verdade que o soltício de Inverno é festejado desde há muito tempo, desde muito antes de Cristo. Mas o Natal, enquanto festa, é essencialmente religiosa. Há quem lhe tenha atribuído um significado diferente (na minha família não há uma única pessoa que se dê ao trabalho de ir à igreja), mas a origem do Natal é religiosa. Não sei como seria na Ibéria no ano 1 a.C., mas suponho que sem a Igreja Católica não haveria nada de especial a 25 de Dezembro.

Um sinal disso é o facto de as igrejas ortodoxas continuarem (com uma ou outra excepção) a celebrar o Natal em Janeiro, fiéis ao calendário Juliano. Note-se que é já tarde para festejar o solstício.

Mas enfim, não tome isto como um convite à discussão. Como o João Campos escreve acima, esperar que concorde torna-se um exercício fútil.
Sem imagem de perfil

De Luís Lavoura a 14.12.2012 às 15:47

Claro que a celebração do natal se espalhou por todo o mundo ocidental por influência do cristianismo. Sem dúvida.
Mas, e depois? Não é a escola pública quem tem que explicar os feriados religiosos às crianças. São os pais quem o deve fazer, da forma que lhes apetecer.
Os pais cristãos dirão às crianças que o natal festeja o nascimento de Jesus, os pais muçulmanos dirão outra coisa qualquer.
A escola é que não tem que dizer nada.
Ou então pode dizer simplesmente, e é verdade na Suécia, que o natal é a festa do solstício de inverno.
Sem imagem de perfil

De Luís Lavoura a 13.12.2012 às 12:02

Já agora, e para complementar o meu comentário anterior, convem saber que o feriado mais importante na Suécia é o midsommar, que se celebra precisamente no solstício de verão. São salvo erro dois ou três dias seguidos em que ninguém trabalha, está tudo parado a celebrar o dia mais longo do ano.
Se o midsommar é assim celebrado, faz todo o sentido que haja igualmente uma festa no solstício de inverno, e não é preciso Jesus nenhum para que os miúdos suecos o entendam.
Imagem de perfil

De monge silésio a 13.12.2012 às 12:14

A decadência do Ocidente é apurada também no mundo da linguagem.

Onde se afirma liberdade de expressão, surge a proibição da "ideia" de expressão.

Um símbolo é uma síntese. Tirar um símbolo é retirar a aturada análise (cronologia) prévia a toda a síntese. É o regresso ao nada-pensado.

Mas é disto que vamos vivendo e aplaudindo, descansadamente até o final trágico porque dormentes perante os mais claros valores do Ocidente.
Imagem de perfil

De João Campos a 13.12.2012 às 19:02

Os valores são coisa do passado. O relativismo é que é. Não podemos falar de Jesus no Natal, pois há quem se melindre com a coisa. Deixo a pergunta: e no Jesus, o Jorge, podemos falar, ou melindramos os não-benfiquistas? :)
Sem imagem de perfil

De lucklucky a 13.12.2012 às 14:07

Já desde há 100 anos que é este o caminho, com a Esquerda desde que foi contaminada pelo Comunismo a querer a tábua rasa da Civilização Ocidental e a sua total destruição.
Este é só mais um passo.
Imagem de perfil

De João Campos a 13.12.2012 às 19:03

E ainda a procissão vai no adro.
Sem imagem de perfil

De João André a 14.12.2012 às 11:25

Se conhecesse melhor as tradições dos povos que viveram sob o comunismo talvez não escrevesse essas asneiras...
Sem imagem de perfil

De Maria Madeira a 13.12.2012 às 19:46

Acho que não conhecendo a sua avó, já nutro uma certa simpatia pela senhora, visto que gosto é mesmo dos presentes oferecidos pelo Menino Jesus. Eu e o pai natal separámo-nos por incompatibilidade de feitios. Também não vou muito "à bola" com ele. E não sou avó!

Imagem de perfil

De João Campos a 13.12.2012 às 20:03

Ter um tipo a descer pela chaminé na calada da noite é um bocado suspeito, não é?
Sem imagem de perfil

De Helena a 13.12.2012 às 20:28

E já agora porque não exigir que se retirem dos museus todas as imagens do \"mito\" Jesus. E também que se destruam igrejas e catedrais (podem ser substituídas por uns centros comerciais ou uma lojas de drogas legais). E também há que mudar de calendário porque o gregoriano ...De passagem pode-se rever também os códigos normativos ( de matriz judaico-cristã)e legais (inspirados pelo direito canónico)e instituir uma sociedade amoral.

E mais prosaicamente acabemos com todos os doces conventuais ( pela quantidade de ovos e de calorias só podem ser uma sabotagem cristã imperdoável numa época que sacraliza a aparência). Proíbam-se também os jogadores de futebol de se benzerem à entrada em campo e os treinadores de usarem o nome de you know who. E que fazer ao domingo (cuja raiz etimológica é Dominus? Extermine-se. Chame-se primeira-feira e aumente-se a produtividade.

Curioso, assim de repente passou-me pela cabeça que a ideologia mais recente que quis eliminar o \"mito\" foi o nazismo e os resultados, bem, os resultados são sobejamente conhecidos.

\"Pai perdoa-lhes porque não sabem o fazem\". Nem o que dizem.
Imagem de perfil

De João Campos a 13.12.2012 às 23:10

Mas tem toda a razão. Morte às barrigas de freira! Morte ao feijão frade!
Imagem de perfil

De Ana Vidal a 14.12.2012 às 21:05

E aos papos de anjo. E ao toucinho do céu. E...

(apadrinho a candidatura deste comentário da Helena a "comentário da semana")
Sem imagem de perfil

De graça a 14.12.2012 às 01:17

Saí da Suécia há 3 dias. Antes disso ainda tive tempo para assistir a algumas celebrações adventícias e não me dei conta das restrições de que fala no seu texto. Nem na imprensa li qualquer alusão a elas, nem amigos professores falaram do assunto. Li o artigo do Christian Institute e pergunto-me que credibilidade dar a uma organização de fundamentalistas (http://www.christian.org.uk/who-we-are/) que nem sequer é sueca e nem diz onde foi buscar essa informação.
Entretanto enviei uns e-mails com o post a amigos suecos luteranos, católicos e ateus para tentar saber o que há de real nessa história, que me parece muito mal contada.
Imagem de perfil

De João Campos a 14.12.2012 às 04:40

Sinceramente, graça, eu espero mesmo que seja peta. O problema é que nos dias que correm se for verdade já nem espanta.
Sem imagem de perfil

De Tiro ao Alvo a 14.12.2012 às 09:08

Claro que é peta, mas há sempre uns Lavouras que acreditam em tudo. Que pena!
Sem imagem de perfil

De graça a 14.12.2012 às 14:16

recebi umas respostas. é peta mesmo. é pior do que peta, vindo de quem vem é manipulação ou má-fé (e não há uma sem outra). na Suécia as criancinhas aprendem na escola sobre as tradições religiosas do país e também sobre outras religiões. havendo, contudo, separação da igreja do estado, a escola pública é laica. a educação religiosa doutrinal é da inteira responsabilidade dos pais e das igrejas a que pertençam.
Imagem de perfil

De João Campos a 14.12.2012 às 15:42

Não querendo duvidar de si, há algumas notícias que parecem indicar o contrário.

De qualquer forma, concordo com o essencial: a educação religiosa doutrinal é da responsabilidade dos pais e das igrejas, não da escola pública, que deve ser laica. Daí à omissão - ainda que hipotética - do significado real das festividades vai porém um grande passo.
Sem imagem de perfil

De Helena a 14.12.2012 às 14:34

Infelizmente é verdade. Veja aqui:

http://www.thelocal.se/44640/20121125/#.UMs4boLhdhE

e

aqui

http://www.thelocal.se/44678/20121127/#.UMs4IILhdhE

Mas o bom senso, chamemos-lhe assim, parece ter imperado.
Imagem de perfil

De João Campos a 14.12.2012 às 15:40

Bom, haja alguém com juízo!
Sem imagem de perfil

De graça a 16.12.2012 às 15:56

pois, há sempre uns fundamentalistas do lado oposto, não é? este tipo de tentativas está sempre a acontecer. também com outras coisas: nomes de iguarias, terminologia pseudofeminista, etc. mas até agora quase sempre tem prevalecido o bom senso como diz a Helena
Sem imagem de perfil

De graça a 14.12.2012 às 14:34

já agora, para pôr um ponto num i: postei há tempos no meu blogue uma lista não exaustiva de feriados na Suécia, defendendo o mesmo ponto de vista de um seu outro comentário de que os marotos dos suecos passam o ano no forrobodó. era por assim dizer para defender que não são feriados a mais ou a menos que vão criar riqueza no país. mas atenção o midsommar é celebrado na sexta-feira mais próxima do solstício (e não no exacto dia) e os dias que se lhe seguem são pois o fim-de-semana. passa-se o mesmo com outras festividades.
Imagem de perfil

De João Campos a 14.12.2012 às 15:34

Graça, eu estava a ser sarcástico naquele comentário. No entanto, concordo consigo: não é por termos mais ou menos feriados que seremos mais ou menos produtivos, pelo que a medida do Governo de abolir feriados é para todos os efeitos irrelevantes (mas isso será outra história).
Sem imagem de perfil

De João André a 14.12.2012 às 11:33

Não nasci em família particularmente religiosa mas tive experiências semelhantes. Não na parte da missa (o meu avô paterno era sacristão e na noite de 24 estava na igreja, enquanto que eu abria os presentes com a família materna), mas na parte do menino Jesus. Perguntei-me sempre como é que ele podia pagar as prendas quando nem tinha possibilidade de ter uma cama a sério (estas perguntas eram sempre embaraçosas), mas o Pai Natal nunca me disse nada.

Mas note-se que o Pai Natal como o vemos hoje é invenção mesmo de marketing. O Father Christmas inglês é uma mescla de São Nicolau com mitos pagãos. Na Alemanha, Bélgica e Holanda (por ordem crescente de interesse) celebra-se fortemente o dia de São Nicolau, altura em que as principais prendas são dadas às crianças (pelo menos na Holanda) e onde estas acreditam que aquele velhinho é verdadeiro. Há mais histórias engraçadas, mas ficam para outra altura.

Em relação à tal escola, eu até consigo acreditar na história. Parece-me um tique típico da mentalidade politicamente correcta. Apesar disso, e apesar de eu ser ateu (e ter alergia a religiões), nem sequer defendo que o Natal é uma festa pagã pré-cristã. O Natal é uma festa intimamente cristã (mais que isto só a Páscoa) que se implantou em cima de outros rituais pagãos. Seja como for, ao fim de 20 séculos já não há volta a dar. É religiosa. Se alguém lhe quiser dar mais significado esteja à vontade. É o que eu faço. É de família.
Imagem de perfil

De João Campos a 14.12.2012 às 15:38

Eram boas perguntas, João :)

Todos sabemos que o Pai Natal é uma invenção de marketing. Nos dias que correm, porém, parece ser mais adequado referir o boneco de uma marca de refrigerantes do que uma metáfora religiosa.

Naturalmente, cada um atribui ao Natal o significado que bem entender - e, já não sendo eu religioso, também aproveito para passar o feriado com a família. No entanto, a origem do Natal, como bem diz, é religiosa, e não tenho qualquer problema com isso.
Sem imagem de perfil

De c. a 14.12.2012 às 15:13

Essa instrução é um acto totalitário (totalitário no sentido de que quer interferi com concepções gerais do mundo, das crenças) , o que põe o problema - muito sério - de sabermos até que ponto uma democracia formal, mesmo que aparentemente avançada - pode, afinal, ser o veículo de um projecto nada democrático.
Imagem de perfil

De João Campos a 14.12.2012 às 15:38

Infelizmente estamos a ver isso um pouco por toda a parte. Basta vermos as notícias que vêm de Inglaterra nos dias que correm.
Sem imagem de perfil

De graça a 16.12.2012 às 15:58

nos dias que correm é pouco. há mais de uma década que essa tendência é visível.

Comentar post



O nosso livro



Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.




Links

Blogue da Semana

  •  
  • Afinidades

  •  
  • Lá fora cá dentro

  •  
  • Mais ligações

  •  
  • Informações úteis


    Arquivo

    1. 2020
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    14. 2019
    15. J
    16. F
    17. M
    18. A
    19. M
    20. J
    21. J
    22. A
    23. S
    24. O
    25. N
    26. D
    27. 2018
    28. J
    29. F
    30. M
    31. A
    32. M
    33. J
    34. J
    35. A
    36. S
    37. O
    38. N
    39. D
    40. 2017
    41. J
    42. F
    43. M
    44. A
    45. M
    46. J
    47. J
    48. A
    49. S
    50. O
    51. N
    52. D
    53. 2016
    54. J
    55. F
    56. M
    57. A
    58. M
    59. J
    60. J
    61. A
    62. S
    63. O
    64. N
    65. D
    66. 2015
    67. J
    68. F
    69. M
    70. A
    71. M
    72. J
    73. J
    74. A
    75. S
    76. O
    77. N
    78. D
    79. 2014
    80. J
    81. F
    82. M
    83. A
    84. M
    85. J
    86. J
    87. A
    88. S
    89. O
    90. N
    91. D
    92. 2013
    93. J
    94. F
    95. M
    96. A
    97. M
    98. J
    99. J
    100. A
    101. S
    102. O
    103. N
    104. D
    105. 2012
    106. J
    107. F
    108. M
    109. A
    110. M
    111. J
    112. J
    113. A
    114. S
    115. O
    116. N
    117. D
    118. 2011
    119. J
    120. F
    121. M
    122. A
    123. M
    124. J
    125. J
    126. A
    127. S
    128. O
    129. N
    130. D
    131. 2010
    132. J
    133. F
    134. M
    135. A
    136. M
    137. J
    138. J
    139. A
    140. S
    141. O
    142. N
    143. D
    144. 2009
    145. J
    146. F
    147. M
    148. A
    149. M
    150. J
    151. J
    152. A
    153. S
    154. O
    155. N
    156. D