Como manter a sanidade mental
Podemos cortar os pulsos, é uma opção como outra qualquer e nem sequer muito descabida, nos tempos que correm. Ou podemos - eu vou preferindo fazê-lo, pelo menos enquanto puder - tentar manter a sanidade mental, talvez a ferramenta mais útil à sobrevivência para quem tem princípios (para quem não os tem, é sabido, a caixa de ferramentas é muito mais variada). Sem sanidade mental não há lucidez. E sem lucidez não há soluções, pelo menos para mim.
Cada um tem as suas defesas, as suas próprias receitas. Há quem se agarre furiosamente ao futebol ou a uma seita evangélica (a trip é a mesma, o ópio é que muda), quem deixe a casa de família e se mude de vez para as redes sociais, quem desligue a televisão para não ver os telejornais nem os programas da Fátima Campos Ferreira, quem mate o patrão, quem faça hortas ecológicas na marquise ou na rotunda mais próxima, quem abrace o despojamento de uma vida zen aproveitando o facto de ter sido despojado de tudo o que gostava, quem se dedique à pesca, quem encontre refúgio na astrologia, quem se entregue ao prozac.
Por mim, escolho o humor. Não falho a Britcom, revejo velhos filmes dos Monty Python e leio as crónicas do Ricardo Araújo Pereira. Estou tão pobre e tão tramada como a maioria dos portugueses, mas ainda consigo sorrir. Entretanto, vou pensando.
(Nota: Tudo isto, claro, para quem acha importante manter a sanidade mental. Os mais espertos há muito que a dispensaram.)


