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50 anos de Woodstock (em Agosto)

por Marta Spínola, em 15.06.19
Eu não contei, mas conto agora, que um dia destes vi o documentário de Michael Wadleigh (cuja edição tem também mão de Martin Scorsese) sobre Woodstock, que teve três nomeações e ganhou o Oscar para melhor documentário em 1970. Não tinha expectativas altas nem baixas, como muita gente, sabia vagamente quem passou pelo palco, e que tinha havido lama, droga e banhos de rio. Felizmente fui surpreendida. 

Senti-me transportada até ao recinto, numa quinta em Bethel, a norte de Nova Iorque. Uma ideia de dois miúdos que podia ter corrido tão mal, onde eram esperadas 50 mil pessoas e apareceram 400 mil (um milhão contando com os arredores), mas com apelos de peace and love constantes, lá se foi dando. Bravo, gerações de 50 e 60. 

Uma chuvada e tanta gente ensopada, a lama do dia seguinte, é claro que tinha de haver banhos de rio a seguir (e antes e durante). 

E o público. Miúdos, graúdos, bebés. A população local, ao contrário de nos filmes, compreensiva com os miúdos, conformada com a invasão e a escassez pontual de alimentos. Pais com um filho no festival outro no Vietname, serenos com toda aquela gente em redor. 

Ver Santana quase menino, rever os gestos de Joe Cocker - só o conheci bem mais tarde, mas os movimentos eram os mesmos -, Roger Daltrey (sempre com Pete Townshend numa perfeita liderança a dois), o único homem do Rock que deu dignidade a caracóis. Ainda Janis Joplin, Jimi Hendrix, Joan Baez, Jefferson Airplane, Richie Havens, Ravi Shankar, Arlo Guthrie, Cannes Heat, Ten Years After, Crosby Stills Nash & Young são nomes a ver e ouvir no documentário. 

Admito que, nascida quase dez anos depois de acontecer, a minha ideia de Woodstock reflectia algum first world drama, mas acreditem quando vos digo que um dos pontos altos é a eficácia na limpeza das casas de banho portáteis em 1969. Nem sei se nos dias de hoje é assim por cá, mas há 50 anos não era certamente, estávamos bem longe destas andanças, com outros dias, outros tempos em mãos. Outro exemplo é a resolução imediata e local de problemas como alimentar toda a gente. É possível que se tenha passado fome, mas houve passos dados para pelo menos remediar isso, sem dúvida. Ninguém estava só por si ali. 

O melhor de tudo: ver na assistência do CCB (minha mãe incluída), maioritariamente acima dos 60 anos, cabeças a abanar acompanhando o rock que cá chegava e viviam tão intensamente noutro tempo. Adorei. Acho que amo Woodstock afinal. Peace!


3 comentários

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De Anónimo a 15.06.2019 às 17:42

Parece tudo tão romântico.
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De Cristina Torrão a 15.06.2019 às 19:11

«o único homem do Rock que deu dignidade a caracóis» - adorei

Por acaso, nunca vi este documentário, embora já tenha visto outros (sobre a música da época, por exemplo) com imagens de Woodstock. Ainda há relativamente pouco tempo vi um documentário (penso que foi no ARTE) sobre a vida de Janis Joplin e é claro que não podia faltar a ida ao Woodstock.
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De s o s a 15.06.2019 às 23:38

outros que nao estiveram lá, nem viram o documentario, acho que ainda nao é desta que passei a amar o Woods

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