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Socialismo à moda antiga

por Leonor Barros, em 08.05.09

O Ministério da Educação escreveu-me, um destes dias, uma carta. Desta feita não utilizou indevidamente o meu endereço electrónico, como havia feito há uns tempos, e fez o obséquio de me endereçar uma carta escrita através dos serviços administrativos da minha escola. Na dita carta, fui então informada que o contrato que firmei com o Ministério no início da década de 90 e segundo o qual era professora efectiva na minha escola deixou de vigorar. O legislador, que terá usado o pé que tinha mais à mão para delinear as leis que nos regem e que regem o Ministério da Educação, decidiu que a partir de agora tenho um contrato por tempo indeterminado. Assim, sem mais. O tempo indeterminado do contrato implica que, caso haja professores a mais, estes possam ser dispensados para outra escola. A escolha dos professores excedentários é feita através dessa figura bafienta de outrora, que este governo fez o favor de instituir nas escolas, o Director. Cabe a este decidir qual o professor que vai para outra escola. Ora, como a avaliação de professores é o que se conhece, também elaborada com os pés, e com o belíssimo sistema de quotas, onde os Muito Bons e Excelentes são distribuídos magnanimamente ainda antes da avaliação - se não como pagar aquele favorzinho especial? Onde ficariam os amigos dos amigos, os tios dos sobrinhos, os primos do sobrinho da avó e do cunhado? - ficaremos todos desgraçadamente entregues à mercê do Senhor Director, esse ser de uma estirpe superior que manda, põe e dispõe como muito bem entender – obrigada, Partido Socialista - e qualquer um de nós pode ir parar a outra escola, independentemente das habilitações literárias ou profissionais ou do serviço que prestou à Escola. Posso ser eu ou qualquer outro que não caia nas boas graças do Senhor Director e que também pela mesma razão não tenha tido Muito Bom ou Excelente. Tudo isto pela mão de um partido que se diz socialista.

 

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23 comentários

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De Carlos Dias Ferreira a 08.05.2009 às 15:19

Cara Leonor Barros:

Após ter lido seu post assaltou-me uma dúvida ao espirito.
Vivemos num país que é um Estado de Direito, ou esse Estado é só para uma élite de iluminados que devem pensar ou fazer-nos passar todos por parvos.
A figura do Director da Escola faz-me lembrar a mesma, no tempo de Salazar, que era o Reitor, pelos vistos a diferença entre a actualidade e o antigamente ´nenhuma, mas também lhe digo que a diferença entre o actual governo e o do estado novo por enquanto e digo por enquanto é Pide, mas por algumas amostras há quem a queira de volta...
Força Leonor, não desista denuncie mais esta Socratice.
Bom fim de semana.
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De Leonor Barros a 08.05.2009 às 19:07

Não desisto nunca. Há que saber a verdade. Este governo é perverso e salazarento. Com a actual gestão o director nomeia a seu bel-prazer, sem sequer justificar porque o faz e muitas vezes sem respeitar hierarquias ou habilitações. Uma vergonha, Carlos, uma grande desilusão e uma grande revolta.
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De João Carvalho a 08.05.2009 às 15:32

Calma, Leonor. Temos um amigo comum aqui nesta 'casa' a quem podes recorrer: o André, que está em plena pré-campanha! Hehehe...

(Leonor e André: já me conhecem e sabem que estou a brincar, certo?)
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De Leonor Barros a 08.05.2009 às 19:07

Não está nada fácil, João
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De Carlos Barbosa de Oliveira a 08.05.2009 às 16:07

Desculpa lá, Leonor, mas não estou de acordo com o título... O socialismo socrático tem mais a ver com o Estado Novo...
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De Leonor Barros a 08.05.2009 às 19:08

O socialsmo à moda antiga a que me refiro é o soviético, Carlos. As ditaduras são sempre ditaduras mesmo que uma seja de direita e outra de esquerda.
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De Luís Lavoura a 08.05.2009 às 17:32

1) Uma escola ter um diretor tem uma enorme vantagem, que é haver uma pessoa concreta a quem assacar responsabilidades pela boa ou má gestão da escola. Se se verifica que a escola está a ser mal gerida sabe-se perfeitamente quem se deve pôr no olho da rua, o diretor. A responsabilidade não fica diluída, de forma inimputável, por uma sucessão de conselhos diretivos e pelos diversos professores que deles fizeram parte. Tem ainda a vantagem de a escola deixar de ser (bem ou mal) dirigida em função dos interesses pessoais, profissionais, sindicais ou corporativos dos seus professores.

2) As quotas de "muito bons" e "excelentes" são imprescindíveis devido à prática generalizada, na função pública, de classificar toda a gente com a nota máxima. Eu próprio já fui avaliador e sei bem que essa prática era generalizada e se tinha mesmo transformado num direito instituído dos trabahadores. Todo o trabalhador tinha o direito a receber "excelente" em todos os itens da classificação, sob pena de cair em desvantagem perante os seus colegas, que eram todos classificados dessa forma. Era necessário quebrar à força essa prática instituída, que trnsformava a classificação numa farsa, e foi este o método que o governo arranjou. E muito bem, em minha opinião.
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De Leonor Barros a 08.05.2009 às 19:17

1. O Presidente do Conselho Executivo é uma pessoa concreta a quem pedir justificações. A grande diferença é que, ao contrário do director, o Presidente do Conselho Executivo é eleito e deve justificar porque toma certas decisões. De resto, o Director, a cobro da legislação, pela qual o Partido Socialista é responsável, pode fazer como muito bem entender sem justificar nada, pôr, dispor, nomear, sem a menor justificação e lá continuar cantando e rindo, sem que ninguém lhe toque. Não é eleito pelos professores, é eleito também por pessoas alheias à escola e que nada entendem de ensino ou de gestão escolar. Pode, por exemplo, ser manipulado pela autarquia. Bonito, não é?

2. No ensino a moda dos Muito Bons e Excelentes chegou agora e muito mal, uma vez que a avaliação de professores é uma farsa que já sofreu algumas simplificações. Se a avaliação fosse séria, os Muito Bons e Excelentes não me incomodariam. Não é o caso, infelizmente.
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De JASPC a 08.05.2009 às 18:03

Só uma perguntinha inocente.
Desde o 25 Abril, quem tem mandado na educação não são os senhores professores?
Mais os milhares deles que por estarem nos sindicatos não dão aulas, alguns à mais de 20 anos?
E os outros milhares que estavam colocados nas secretarias do ministério e das direcções regionais e por aí afora?
E qual foi o resultado de entregar a educação aos professores?
O caos absoluto em que se tem vivido desde há muitos anos neste sector.
A função de um professor não é definir a politica de educação de um país.
Essa pertence, quer se queira quer não, aos politicos.
São eles que vão a votos.
Não aos professores.
E se os politicos não prestam mudem-nos. É tão simples quanto isso.
Arranjem melhor.
Façam melhor.
Quanto à outras considerações, elas já só pegam mesmo no seio da corporação docente.
Então se há professores a mais numa escola e a menos noutra, qual é a sua solução?
Os que estão a mais continuam a não fazer nada e contratam-se novos para onde fizer falta.
Grande critério de gestão.
Pudera. É o "zezinho" que paga o bolo.
Só não tem é direito a nenhuma fatia.
Haja bom senso.
Qua do resto já chega.

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De Leonor Barros a 08.05.2009 às 19:29

Já cá faltava a verborreia contra os sindicatos e, já agora, contra o PCP e a CGTP. Esse é uma argumento muito utilizado por quem se recusa a abrir os olhos e ver os disparates que têm sido feitos no ensino desde que o governo Sócrates entrou em acção. É só ler a legislação. Se há sindicalistas a mais e sem fazer nada, ponham-nos a trabalhar e devolvam-nos às escolas. Sou insuspeita, uma vez que não sou sindicalizada. Em relação aos milhares que andam nas secretarias de estado e quejandos, a culpa é de quem? Dos professores ou dos governantes que assim que são governo nomeiam directores, subdirectores e assessores dos assessores?
Não sei onde é que terei dito que a política deve ser feita pelos professores. Se ler com atenção não vai encontrar referência alguma. Não é difícil fazer melhor. Nada mesmo. Basta ter conhecimento do terreno, agir sem pensar em manipular as estatísticas e sem ter intenção de chacinar tudo quanto aparece pelo caminho.
Quanto ao resto, seria bom que se as pessoas tivessem de mudar de escola soubessem exactamente porquê, porquê elas e não outras e que o Director tivesse a hombridade e verticalidade para o justificar e não esconder-se atrás de uma lei antidemocrática que entrou pela mão do Partido Socialista.
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De Leonor Barros a 08.05.2009 às 21:08

E, portanto, se houver professores a mais e os passarmos para outra escola é normal? É normal que o Ministério da Educação mude as regras a meio do jogo e que possa mandar embora as pessoas sem mais? É normal que um contrato não seja coisa nenhuma e que possa ser mudado unilateralmente pela entidade empregadora, que, por acaso, é o Estado?
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De João Carvalho a 08.05.2009 às 18:52

Já agora, aproveito para sugerir que seja dado algum trabalhito à chusma de assessores que andam por aqui a rondar a expensas do orçamento...
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De mdsol a 08.05.2009 às 18:58

Chusma? Isso é termo das minhas bandas! eheheh Como eu gosto destas palavras que dizem mais sozinhas do que quatro metáforas, seis hipérboles e oito ou nove palavras estrangeiras aportuguesadas!

Uma chusma! Boa!

:))
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De Leonor Barros a 08.05.2009 às 19:34

Eh eh eh
'Chusma' é bem :-)
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De mdsol a 08.05.2009 às 19:39

Se é, Leonor, se é!
(E ontem? A conversa foi boa?)
:))
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De Leonor Barros a 08.05.2009 às 21:02

Foi óptima, obrigada :-)
A Feira do Livro em fim de tarde é fantástica e a conversa foi muito informal e muito bem moderada pelo João Morales.
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De Leonor Barros a 08.05.2009 às 19:33

Eles andem aí, João e são céleres quando se abordam assuntos melindrosos...
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De João Carvalho a 08.05.2009 às 20:05

Pudera! É a única coisa que fazem!
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De mdsol a 08.05.2009 às 20:09

Eu cuidei que faziam uma resma de coisas!
:)))))))
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De João Carvalho a 08.05.2009 às 20:28

Uma resma de comentários, isso sim!
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De Luís Reis Figueira a 08.05.2009 às 20:18

Leonor:
A propósito do comentário ao seu óptimo post feito pelo Carlos Dias Ferreira quando diz que «...a figura do Director da Escola faz-lhe lembrar a mesma, no tempo de Salazar, que era o Reitor...», lembrei-me que a solução para o problema que, muito bem e justamente nos apresenta, pode, afinal, passar por uma solução bem simples:
Tornar-se numa das "Pupilas do Sr. Director"...
Um grande abraço.
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De Leonor Barros a 08.05.2009 às 21:01

Excelente! Bem lembrado :-)
Um abraço, Luís

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