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Emerge uma concepção da empresa e do trabalho como lugares e espaços de cooperação. Trata-se, se quisermos, da visão simétrica da que resulta da  luta de classes marxista. Marx estava, é claro, enganado. Falta, na sua análise redutora e para dar só alguns exemplos, e se nos quisermos manter apenas na dinâmica do conflito, a perspectiva da luta entre o norte e o sul, entre insiders e outsiders do mercado de trabalho e o sentido da ironia histórica que viria a deslocar o epicentro da luta de classes como ele a entendia para a China. E, se quisermos ir mais longe, a percepção dos múltiplos sentimentos e formas de ser humanas que não se explicam na estreiteza da ideologia, seja ela marxista ou outra. Entre as quais se incluem o altruísmo, a solidariedade, a compaixão, o egoísmo e outras virtudes e vícios, adquiridos ou de fabrico, que dão origem a lutas sem classe. Muitas vezes, a lutas sem classe mesmo nenhuma que são capazes de minar as relações entre pessoas estejam elas ligadas por uma qualquer hierarquia ou sejam pares de uma mesma função. Mas, se isto é assim, deve admitir-se que a dita concepção da empresa como local de cooperação é igualmente falaciosa pelas exactas e mesmas razões. Aliás, para perceber que assim é, basta levar as consequências do argumento até ao fim. No tempo das empresas colaborativas, dizem, não faz sentido ver consagrado o direito à greve que, pela sua natureza conflitual, está completamente ultrapassado. Pois muito bem. Demos então todos os passos em frente ao mesmo tempo. E expurguemos da legislação do trabalho, também, a possibilidade de despedimento individual com justa causa. Pois se a empresa é local de cooperação... No fundo, o que temos de concluir, para marxistas e teóricos da cooperação, é que podes saber tudo sobre os vários pilares da sociologia. Mas, se não te conheces a ti mesmo, com todas os teus méritos, defeitos e limitações, isso é sinal de que ainda não sabes nada do mundo.


2 comentários

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De Anónimo a 16.11.2012 às 16:36

É verdade, mermão. Vai tudo muito bem esgalha-dito. Na realidade, o mermão aborda a fenomologia (o objecto e o sujeito) de uma forma extraordinária. Por outro lado, é verdade que quem não se conhece, ou finge não se conhecer, a si mesmo é ignorante, da mesma forma que é fraco quem não é capaz de se conquistar, conquistando o que de pior a sua (nossa) natureza possui.
Todavia, centrando a sua dissertação no contexto nacional, devo referir-lhe que a cooperação já se encontra ultrapassada. Agora as relações laborais fundamentam-se, ou procuram fundamentar-se, com base nas ditas parcerias.
Estas parcerias têm a seguinte fórmula:
Daz-me o que eu não te quero dar, e depois de acrescentar mais a isso, talvez leves alguma coisa. E se não deres isso e o mais, deves acarretar com todos os prejuízos, porque tu (nós) tens o dever ser empreendedor e "eu" não. Ou seja, querem-se parceiros que assumam todos os riscos e, a haver benefícios, os mesmos devem resultar daqueles que souberes criar. Viva o emprendedorismo!
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De Rui Rocha a 16.11.2012 às 17:07

É uma coisa com algum traço religioso. Na parte do venha a nós o vosso reino.

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