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que seria...

por Gui Abreu de Lima, em 07.11.12

... partir sem data de volta, para uma outra banda, onde nem a maresia chegasse, quanto mais saber-te ao fundo. que seria, sem água que lave as poeiras, nem leito que espelhe as luas. sem o eco do cais nos sentidos.

 

réstia tua, desconsolo. sombra desta nossa vida. tempo que foste metade de mim à espera da mais muda noite, louvando em silêncio a mesma oração. e a ânsia do dia, essa ânsia do dia, sempre promessa, sempre canção. sobe, desce, rua, rio.

 

fosse e subir-te-ia as marés em lágrimas. e para me não ver ausente da luz que te faz em tela, bem firmes, fechar-me-ia os olhos, e meu braço, se acenasse, era a súplica em pessoa: deita-me uma amarra, cidade, segura-me a ti, Lisboa.

 

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24 comentários

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De Leonor Barros a 07.11.2012 às 17:24

Bela declaração de amor a Lisboa, Gui, belo texto. Adorei.

Bem-vinda :)
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De Gui Abreu de Lima a 07.11.2012 às 17:40

Obrigada, Leonor :)
estava em experiências, já vi que me ajeito.
à vossa!
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De Textículos a 07.11.2012 às 17:33

Sublime!
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De Gui Abreu de Lima a 07.11.2012 às 17:47

sublime é o nick de V. Exa.
^_^

grata !
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De Textículos a 07.11.2012 às 18:51

Roubei-lhe a angústia que palmilhei pela Baixa de Lisboa no Sábado com a mala de cartão quase aviada.
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De Gui Abreu de Lima a 07.11.2012 às 19:04

ahh, Tex-Tex ... sei.

Saudades de ti, mesmo que em ti esteja, ó sorte maldita. Inveja raivosa de dias passados, das ocasiões que te palmilhei. Nem sei se enruguei à conta de ti, traquina.
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De José Moura Pereira a 07.11.2012 às 18:08

Mas, não se vai embora, pois não?
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De Gui Abreu de Lima a 07.11.2012 às 18:28

espero que não, José Moura, espero que não ...
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De Pedro Correia a 07.11.2012 às 18:25

Ora bem. Então seja muito bem-vinda!
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De Gui Abreu de Lima a 07.11.2012 às 18:31

Obrigada, Colega ;)
É uma honra sentar-me à vossa mesa!
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De Ana Vidal a 07.11.2012 às 20:28

E não é que a menina Gui entrou por aqui dentro com a artilharia toda, já tu-cá-tu-lá com o Sapo e seus truques, e eu ainda nem lhe dei as boas-vindas? Tá mal, tá mal.

Bem-vinda ao barco, miúda! Com muitos textos destes, pois claro, como só tu sabes escrever. E Lisboa é um belo começo. :-)
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De Gui Abreu de Lima a 08.11.2012 às 01:02

Lisboa é uma bela muleta. obrigada, Madrinha dos Delitos e das Opiniões. tá mal é não te ter cumprimentado.
Ajeitei-me, c/ amparo do Pedro Neves, claro :)
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De Anónimo a 07.11.2012 às 22:17

A menina deixa-me constrangido de duas formas; a primeira não posso revelar, a segunda é a seguinte: O seu texto é maravilhoso, mas a foto do cais das colunas, empertigadas sobre o mar (rio), que teima em submergir os pilares de atracagem, ou partida, deixa-me cá uma nostalgia que nem lhe passa pela cabeça.
É a nostalgia do meu querido bacalhau. Como sabe, este peixe é de águas profundas, e a nossa tradição apresenta travessas confeccionadas de mil e uma maneiras.
Mas esta gente ideológicamente cruel também quer acabar com a tradição.
Sabe, é tal a crise que um gajo já não pode cheirar esta iguaria. Todavia, verdade seja dita, no nosso Portugal eu ainda vou vendo umas boas lascas; só que elas, as lascas, em nada me tiram a nostalgia, porque para chegar a elas só com algum têmpero (fricciono agora o dedo indicador e polegar da mesma mão). Têmpero este que agora me falta, por força das circunstâncias.

Contudo, a crise não me derruba a voz. E eu vou cantar ao mundo o quanto amo o bacalao, ou as lascas (como queiram). Pode ser que a expressão de meu amor faça com que algum peixinho destes, comovido com a minha prostração, me salte para o colo.
Aqui vai:

http://www.youtube.com/watch?feature=relmfu&hl=en&hl=en&v=RnZp8i-tHJ8

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De Gui Abreu de Lima a 08.11.2012 às 01:13

saudades de bacalhau. também as tenho e raro o vejo à minha mesa :)
mas constrangido não o queria deixar, anónimo.
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De Anónimo a 08.11.2012 às 12:01

Ó alma bendita, que cumulais este pobre marinheiro pelos sete mares andarilho de tão preciosa e carinhosa atenção.
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De Gui Abreu de Lima a 08.11.2012 às 12:33

estou até em falta com V. Exa. Anónima, que entre constrangimentos, velados e revelados, me deu efusivas boas vindas e não agradeci.
Faça o favor de receber o meu sentido apreço e de ter um dia ... sem espinhas :)
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De Anónimo a 08.11.2012 às 13:01

Já informei que minha vocação é para as lascas, assim regresse o têmpero. Mas também informo que na realidade sou anónimo e não anónima. De onde lhe veio tal ideia? Obrigado, deixarei as espinhas para o gato.

"De seus tormentos cercado;
À funda estância do fado
o vôo havia abatido,
E ambos tinham resolvido
Que eu fôsse enfim desgraçado.

Êsse, que os primeiros ais
Vai sofrer triste, e choroso,
Seja à fortuna odioso,
Seja prezado aos Mortais.
Dos mimos de amor jamais
Desfrute a consolação;
Ame, porém ame em vão
Isto no horrendo volume
Escreveu do Fado a mão".
(Bocage)
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De Gui Abreu de Lima a 08.11.2012 às 13:12

Anónima em concordância com a V. Exa.. Mas para quem assim se apresenta, convenhamos, é (-nos) indiferente.

que beleza, esse mentiroso do Bocage.

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De Helena Sacadura Cabral a 07.11.2012 às 23:53

Mas que belo grito de amor!
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De Gui Abreu de Lima a 08.11.2012 às 01:19

:) as cidades também nos embalam.
obrigada, HSC
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De Outside a 08.11.2012 às 01:25

Belíssimas palavras que formam esta amarra ao Tejo.
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De Gui Abreu de Lima a 08.11.2012 às 08:34

sentida vénia, senhor
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De Ivone Mendes da Silva a 08.11.2012 às 10:36

Muitíssimo bem-vinda e logo com um belíssimo texto.
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De Gui Abreu de Lima a 08.11.2012 às 11:47

Ivone: muitíssimo lisonjeada me sinto. E gratíssima! Nestes superlativos, conto-lhe o que ouvi de uma boca com 4 anos de idade e sem sapatos, à entrada da Praia do Abano: - Esta praia tem pedríssimas!

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