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Será impressão minha?

por Carlos Barbosa de Oliveira, em 05.05.09

Imagine o leitor que alguém o convida para uma festa e diz para levar um amigo.
Aceita o convite e desafia um amigo a acompanhá-lo. Acontece que esse seu amigo foi, em tempos, amigo do dono da casa, mas a determinada altura zangou-se e passou a dizer mal não só do dono da casa, mas também de todas as pessoas que fazem parte do círculo que a frequenta.
O leitor sabia de toda a história, mas fingiu ignorar a situação. Aliás, a verdade é que o leitor pretendia divertir-se um bocado e até esperava tirar dividendos de uma eventual escaramuça..
Quando chega à festa, o dono da casa engole em seco ao ver  a sua companhia, mas nada lhe diz..O problema surge quando alguns dos convidados, sentindo-se ultrajados com a presença do seu amigo, decidem dar-lhe uns safanões.
O leitor e o seu amigo abandonam a festa. Cá fora, anunciam com espavento o que se passou e exigem que o dono da casa lhes peça desculpa. Parece-me natural. Embora o dono da casa até se tenha comportado de forma civilizada, não recusando a entrada ao seu amigo,  deve assumir a responsabilidade pelo que se passou.
No entanto, se o leitor for uma pessoa civilizada, também deve assumir a sua quota parte de responsabilidade e pedir desculpas ao dono da casa, por ter sido o responsável pela situação que se gerou.
É impressão minha, ou foi isto que se passou no 1º de Maio?
Bem, há um detalhe que faz toda a diferença. Na realidade, Carvalho da Silva (o dono da casa, que convidou o PS para a festa) pediu desculpas. Não lhe compete exigir a um outro convidado (Jerónimo de Sousa) que também o faça. No entanto, será legítimo que Carvalho da Silva, enquanto anfitrião, exija ao PS um pedido de desculpas, pela provocação que estragou a festa. Não o fez, porque é pessoa educada. O PS não pediu desculpas porque adora a arruaça. Não tem, por isso, qualquer legitimidade para exigir desculpas ao PCP.

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18 comentários

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De Daniel Reis a 05.05.2009 às 19:18

Carol Carlos,

Fazer do espaço público e de uma festa aberta a todos, num feriado que também é de todos, uma questão do foro privatístico é espoliar e vedar o direito a algo, que não pode ser de todo privado.

Não estamos a falar de um comício numa sede do PCP ou da festa do Avante. Aqui a questão é sobre andar numa rua pública e de celebrar o 1º de Maio, sem que se tenha que ser agredido por tal facto.
Apanhar e ainda pedir desculpas por isso, a mim, parece-me uma situação caricata!

Por muitas alegorias que se faça, não se consegue retirar a imagem 3º mundista que a situação teve...
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De André Couto a 05.05.2009 às 19:48

"Carol Carlos" é um nome artístico engraçado, não sei é se o Carlos vai achar muita piada... :)
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De Daniel Reis a 05.05.2009 às 19:57

Escapou-me completamente! Obrigado pela correcção.

As minhas desculpas pela gralha, obviamente que queria dizer: Caro Carlos.

Um abraço.
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De André Couto a 05.05.2009 às 19:49

Concordo inteiramente consigo, Daniel!
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De André Couto a 05.05.2009 às 19:47

Carlos, o teu raciocínio enferma de um vício. A rua e a celebração do 1º de Maio não são respectivamente a casa e uma festa privada da CGTP e do PCP.
O teu exemplo seria perfeito se de um Congresso Nacional da CGTP ou do PCP se tratasse...

Discordo igualmente de ti na conclusão.
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De patti a 05.05.2009 às 20:57

Carlos, há uma pequena diferença, a rua é pública e passeia-se nela quem quiser, mesmo que ande nua.
Foi também para isso que se conquistou a tal da liberdade.

Desculpas? Mas isso ainda se usa?
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De Pedro Correia a 05.05.2009 às 21:37

Carlos: já escrevi, aqui no DELITO, que a rua é de todos. Nenhum partido político, nenhuma central sindical, nenhuma congregação religiosa podem privatizar a rua. Diferente seria se decorresse à porta fechada, na sede do PCP ou na sede da CGTP.
Mais: a festa do 1º de Maio ou é nacional ou não é. Ninguém deve ser excluído desta festa. Sobretudo se decorrer em espaço público. Não há excluídos do 1º de Maio.
Outra coisa, que me parece fundamental: qualquer acto de violência, física ou verbal, deve ser de imediato condenado por organizações com a responsabilidade política, histórica, cívica e cultural do PCP e da CGTP. E em política não há "traidores": isso é linguagem de seita.
Nenhuma oportunidade é excessiva para fazer pedagogia democrática. Lamentavelmente, não foi isso que aconteceu. Esse foi um erro somado ao das agressões à comitiva socialista.
Fossem os agredidos de qualquer outro partido e estaria aqui a escrever o mesmo.
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De Carlos Barbosa de Oliveira a 05.05.2009 às 22:38

Como todos os comentários vão no mesmo sentido, respondo a todos no mesmo comentário. Então aqui vai:
Claro que a rua é de todos, mas a festa era organizada pela CGTP ( como a UGT organizou a sua a poucos metros de distância). A questão, porém, não é essa...
Vital Moreira não ia a passear na rua, quando foi insutado e pretensamente agredido! Deslocou-se à festa da CGTP para apresentar cumprimentos aos organizadores (CGTP - e não PCP). Nessa altura foi agredido por simpatizantes- possivelmente do PCP-, mas poderia ter sido agredido por simpatizantes de outro partido qualquer, porque também os havia lá. Inclusivé do PS, posso garantir!
Em minha opinião, se um partido manda uma "embaixada" apresentar cumprimentos à CGTP deve ir de boa fé. Em minha opinião, não foi isso que se passou. O PS procurou a confrontação, pretendeu obter os efeitos que obteve, para se armar em vítima, porque sabia que facilmente podria atribuir as culpas ao PCP. Foi uma questão de estratégia de baixo nível e premeditada. Concordo totalmente com o post que a Cristina Ferreira de Almeida escreveu aqui há dias e vai nesse sentido.
Em reforço da minha opinião apenas pergunto: sendo a festa organizada ela CGTP e tendo Carvalho da Silva apresentado desculpas, porque razão insiste o PS em exigir descupas ao PCP? Alguém no PS tem a certeza que foram militantes do PCP? Pediram-lhes o cartão? E porque razão ninguém fala numa militante comunista (Ana Rosa) que ali mesmo foi apresntar desculpas a Vital Moreira?
Não sou militante do PCP, mas mete-me bastante nojo a estratégia do PS de estar sempre a acusar o PCP, de ser resonsável por todas as manifestações de descontentamento dos portugueses. É que ,essa estratégia também era usada por Salazar e Marcelo Caetano...
Custa-me muito ver o PS- com um passado democrático - ser tomadode assalto por gente sem quaisquer princípios democráticos. Vital Moreira incluído, pois claro, porque há tiques que nunca se esquecem.
Concluindo, meus amigos, o problema não está no facto de a rua ser pública, mas na baixa política que este episódio revela. Não é só um problema de falta de espírito democrático; é, também, um problema de falta de princípios e de umas chavenas de chá.
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De Luís Reis Figueira a 05.05.2009 às 23:12

Carlos:
Concordo inteiramente com os argumentos dos comentários ao seu post, nos quais já tudo foi dito, pelo que não vou, assim, «bater mais no ceguinho».
Quanto ao reforço da sua ideia inicial que veio fazer neste seu último comentário, parece-me que só vem ainda dar mais razão a todos quantos, como eu, discordam de si. Na verdade é V. mesmo que conclui, e bem, que «o PS procurou a confrontação, pretendeu obter os efeitos que obteve...» Ora, se isto era previsível, só poderemos concluir que os manifestantes (sejam eles, quem sejam) foram estúpidos ao dar esta borla ao PS. Muitas destas é o que eles querem e quantas mais, melhor !
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De Carlos Barbosa de Oliveira a 06.05.2009 às 10:16

Claro que os manifestantes foram estúpidos e caíram no embuste, mas isso não invalida em nada o que disse em relação ao pedido de desculpas exigido pelo PS:puro oportunismo, desonestidade intelectual e baixeza moral. São características que casam bem com a actual liderança do PS. Não confundir com Partido Socialista!
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De jojoratazana a 05.05.2009 às 23:46

Sr. Carlos Barbosa de Oliveira
Não podia estar mais de acordo consigo, pela maneira como desmonta o plano destas virgens ofendidas.
Pela mentalidade desta gente, vai ser perfeitamente , natural em futuros comícios partidários de rua, a presença de apoiantes do PS em comícios do PCP, ou do PSD, CDS, Bloco ou vice versa, sem qualquer provocação porque a rua é de todos, não de quem quer lá fazer comícios.
Porque será que me estou a lembrar dum mercado de Matosinhos ?
Estão a falar em democracia?
Democracia a coisa mais bela que existe no mundo, não fossem os porcos que se governam com ela.
jojoratazana
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De Carlos Barbosa de Oliveira a 06.05.2009 às 10:20

Em Portugal não há cultura democrática, por isso não me admirará absolutamente nada que se repitam várias cenas similares ao longo das campanhas eleitorais que se avizinham.
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De patti a 06.05.2009 às 00:19

"A questão, porém, não é essa... (...)", penso que a questão, entre muitas outras, também é essa, Carlos!

Aliás, a este tema o que não lhe falta são questões. Antes e depois dessa.
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De Carlos Barbosa de Oliveira a 06.05.2009 às 10:23

Tem razão Patti. Haveria muitas questões a abordadr em volta deste tema. E já agora, se me permite, a lei proíbe que uma pessoa se passeie nua na rua. É de todos, mas nem tanto...
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De patti a 06.05.2009 às 11:26

Ah, então deve ser uma lei muito compreensiva com a moda actual.
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De essa não a 06.05.2009 às 00:37

Foram militantes PS que agrediram vital moreira???!!!!
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De Carlos Barbosa de Oliveira a 06.05.2009 às 10:55

Não faço a mínima ideia se também havia militantes do PS entre os agressores. Mas do Bloco de Esquerda, havia, como se provou.
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De ad a 06.05.2009 às 01:48

Foi o Vital que auto-agrediu?

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