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Formas de arte

por José Navarro de Andrade, em 10.10.12

Byron Browne, 1952

Francis Bacon, 1969

Julio Pomar, 1992

Rineke Dijkstra, 2000

Eric Fischl, "Corrida in Ronda n. 3", 2008

 Ena Swansea, 2010

 


26 comentários

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De Daniel João Santos a 10.10.2012 às 20:57

se me permite, respeitando quem aprecia, eu não consigo ver a relação entre tourada e arte.
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De jsp a 10.10.2012 às 23:02

Infelizmente nunca poderá ver o Camino, mas, na próxima temporada, tente apanhar uma corrida com Ponce - e, se possível, que os alternantes sejam Juli e Castella.
Depois falamos.
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De José Navarro de Andrade a 11.10.2012 às 01:15

Pela amostra, há artistas plásticos que vêm.
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De Daniel João Santos a 11.10.2012 às 21:45

que merecem o meu respeito.
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De Ana Vidal a 11.10.2012 às 01:53

Todos os fundamentalismos são pouco recomendáveis, de facto. Não é preciso gostar-se de touradas para se reconhecer que há elementos estéticos muito atraentes neste universo, além de carregados de simbolismo. Não é por acaso que tantos artistas plásticos pegaram no tema, desde sempre.
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De Daniel João Santos a 11.10.2012 às 21:47

essa do fundamentalismos não deve ser para mim, que como eu disse, respeito quem aprecia, mas não gosto. Existe uma opção pessoal, de gostar ou não, mas respeitar e existe o fundamentalista que acredita que só ele é que tem razão.
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De Ana Vidal a 14.10.2012 às 12:46

O que eu quero dizer é que a arte se debruça muitas vezes (e desde sempre) sobre temas incómodos e pouco consensuais, e não deixa de ser arte por causa disso. Pode não se gostar de touradas (respeitando ou não quem goste) e ser-se capaz de apreciar as representações artísticas desse tema. São coisas diferentes.
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De portuguesacoriano a 11.10.2012 às 00:26

Realmente o "Rineke Dijkstra, 2000" destoa um bocado, bem, mas não deixa de ter a sua dose de arte, para o caso diria: arte natural.
Materiais: Um herói, um touro bravo, terra e bosta de touro, e cá esta arte com merda.
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De José Navarro de Andrade a 11.10.2012 às 01:08

ESte não terá sido o seu melhor comentário.
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De portuguesacoriano a 11.10.2012 às 10:46

Então, fui demasiado ofensivo?
Não vejo arte numa simples foto tirada a um forcado, aliás não vejo arte na tourada.
É uma manifestação cultural de um dos aspectos mais atrozes do homem: alimentar o ego com sangue e guerra, vencendo uma luta preparada, estudada e bem calculada: uma peça "teatro" com o destino traçado é uma arte fraca
Os que apresentam mais coragem são os que menos mérito recebem, enfim, talvez por serem muitos contra um animal. E esfiar ferros no lombo de um touro é desprezível, desigual, desumano e triste, só prova que o animal mais reles é o que vai em cima do cavalo bem como os que o aplaudem e atiram flores.
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De José Navarro de Andrade a 11.10.2012 às 11:14

Não diria ofensivo mas decerto deselegante. Sem desprimor para as suas opiniões sobre arte, e correndo o risco de parecer demasiado institucional, atrevo-me a sugerir que procure informação sobre o trabalho e o reconhecimento de Rineke Djikstra. Pode dar-se o caso de perder algumas certezas. Em relação às suas observações sobre a tourada, elas alinham pelo diapasão habitual: a cólera dos justos é sempre auto-suficiente e intangível. E, também ela, impenetrável à dúvida e à interrogação; só há colóquio quando ambas as partes tentam entender as razões da outra.
(Escusa de responder se for para reafirmar a sua olímpica superioridade moral - já percebi o seu ponto. A não ser que queira desbafar...)
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De portuguesacoriano a 11.10.2012 às 11:21

Logo hoje que tenho marcação com o meu psicólogo , fica para uma próxima oportunidade, agradecido.
Vou seguir o seu conselho e investigarei o artista, afinal há lugar para todos, só é preciso um pouco de boa vontade.
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De bluesmile a 11.10.2012 às 05:15

A desumanidade também cabe na arte.
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De José Navarro de Andrade a 11.10.2012 às 10:06

Precisamente, cara bluesmile, a desumanidade é, por definição, a antítese da arte. Neste caso, entre vários outros propósitos, servirá para interrogar convicções, criar dúvidas.
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De Costa a 11.10.2012 às 13:18

Serei um básico irredimível, então, mas não consigo, no encanto estético provocado em alguns pela barbárie, deixar de a achar barbárie.

Costa

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De jsp a 11.10.2012 às 17:45

Caro autor do "post",
Ao passar agora por aqui, apercebo-me de que lhe devo uma explicação : a minha referência ao cartel Ponce, Juli e Castella, e à impossibilidade de se poder ver o "niño sabio de Camas" pretendia responder ao primeiro dos comentários.
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De Pedro Correia a 11.10.2012 às 22:50

Muito boa série trouxeste aqui, Zé. Gosto particularmente do Bacon e do Pomar. Este último, aliás, tem excelentes quadros com touros como tema. Gostemos ou não de touradas, é difícil não gostar desta grande arte.
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De Cristina Torrão a 13.10.2012 às 16:43

A imagem do forcado é perturbante. Pergunto-me o que levará um jovem, com uma carita daquelas, a entrar na arena. Devem-lhe ter dito, em casa, que só assim seria um homem verdadeiro...

De resto, e apesar de reconhecer a excelência dos pintores, não gosto, porque exalta algo que abomino. Quando vemos um quadro como Guernica, por exemplo, refletimos sobre a barbaridade da guerra. Mas quadros destes suscitam, na maior parte das pessoas, admiração por aquilo a que chamam "bailado" da tourada, ao contrário de lhes chamar a atenção para a barbaridade. Acho supérfluo.
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De José Navarro de Andrade a 13.10.2012 às 17:23

Cara Cristina: independentemente do conceito que tem sobre a tourada, não lhe parece injusto que acerca do rapaz da fotografia de Dijkstra, lhe incuta motivações geradas pela má-fé ou pela alienação? É que começa por se perguntar "o que levará" e no momento seguinte dá logo uma resposta baseada nas suas convições, sem tentar entender se as dele não serão diferentes e, proventura, cândidas. Sem a querer ofender, parece-me o exemplo acabado do preconceito. Em princípio a arte proporciona curto-circuitos nas nossas ideias adquiridas.
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De Cristina Torrão a 13.10.2012 às 17:36

Eu escrevi: "Devem ter-lhe, dito em casa" e, não: "Em casa, disseram-lhe". O verbo "dever" implica uma suposição, dando espaço para outro tipo de razões que ele poderia ter tido. Mas a minha suposição baseia-se na ideia de masculinidade implícita na atividade de toureiro, como já Hemingway sugeria no seu "The sun also rises", mais conhecido por "Fiesta". E não me parece que por trás da arte de humilhar um animal estejam convicções "cândidas" (uma suposição minha).
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De José Navarro de Andrade a 13.10.2012 às 18:30

Não me cabendo, nem querendo, pôr em causa as suas convicções e suposições, peço-lhe só que acredite que nunca ouvirá de nenhum dos praticantes do toureio o desejo de humilhar um animal. Podem estar enganados, alienados? Claro que podem. Mas o que os move intimamente é de outra ordem, atrevo-me a dizer, moral. Rejeitável? Claro que sim; decerto que sim no seu caso e, como já terá percebido, decerto que não no meu. Mas sendo este diferendo irresolúvel, talvez fosse saudável fazer como Renoir, quando construía as suas personagens: "chacun a ses raisons".
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De Cristina Torrão a 13.10.2012 às 20:27

Aceito perfeitamente a ideia de que os praticantes do toureio não pensam em humilhar o animal. Fazem isso por tradição, foram educados nela, o que os move será o desafio e mesmo a beleza de certos gestos e movimentos. Eu própria cresci com touradas e gostava de as ver na televisão, em criança, principalmente, as pegas. Uma vez a minha mãe disse: aquilo deve doer ao touro. Eu não a entendi, nunca tinha pensado nisso. Mas quando dei conta que o touro sangrava, algo se modificou em mim.
Nunca participei em nenhuma manifestação contra touradas, mas não posso pactuar com uma atividade em que os vencedores são os mesmos em 95% dos casos e em que os perdedores não tiveram escolha. "Chacun a ses raisons", pois que seja, eu também uso essa estratégia, quando crio personagens. Mas espero que um dia as touradas deixem de existir.
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De Costa a 14.10.2012 às 12:44

Será então de admitir que é por tanto amarem aquele animal que o torturam, podendo, até à morte?

Isso é, dir-se-ia, a máxima expressão do sádico, numa relação sado-masoquista. Alguém perguntou ao touro se quer ser o masoquista dessa relação?

Costa
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De José Navarro de Andrade a 14.10.2012 às 17:14

Caro De Costa: As suas perguntas são irrebatíveis porque já trazem as respostas lá dentro, não é? A segunda, parte mesmo de uma impossibilidade absoluta que é a de perguntar a um touro pela sua vontade.
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De Costa a 14.10.2012 às 23:16

Prezado, se trazem as respostas nelas mesmas, tal não é mérito meu. Jamais teria essa presunção. É de serem pacíficas evidências.

E como não se pode perguntar a um touro pela sua vontade, abusa-se vilmente dele, tomado-o como mera coisa ao serviço irrestrito de quem se tem como expoente da Criação. No caso, ao serviço de um acto de sadismo que o tempo já devia ter consagrado como injustificável.

Fiquemos então por aqui, neste assunto.

Costa

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