Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]




Ao menos a república

por José Navarro de Andrade, em 06.10.12

 

Comemorar a República é uma redundância. A República é tão evidente que resiste ao ultraje da bandeira içada ao contrário, ao discurso pavorosamente anódino do Presidente, à ausência acobardada do Primeiro-Ministro e à prestimosa atenção que as televisões deram à pobre senhora que invadiu os Paços do Concelho, abrindo um notável precedente aos próximos desagradados que desejarem tempo de antena.

Na verdade os únicos que celebram decentemente a república são os monárquicos. Por uma vez alheiam-se das rancorosas questiúnculas em que andam envolvidos há 102 anos, interrompem as verrinosas disputas em torno de árvores genealógicas, pouquíssimas anteriores a 1850, ou seja mais jovens do que um pinheiro manso que está lá no quintal, e suspendem a bacoca exibição de petulâncias para as revistas cor-de-rosa.

Neste dia 5 de Outubro e ao contrário do que sucedeu há 102 anos, os monárquicos vociferam à uma certas nulidades sobre o regime, apontando a Escandinávia como o suprassumo da democracia coroada como quem diz que “democracia” e “monarquia” fossem consequência e causa indissociáveis. Mas tal como há 102 se esqueceram de engrossar o punhado de fuzis que Paiva Couceiro debalde tentou arregimentar durante todo o dia 5 de Outubro, saltitando pateticamente de regimento em regimento só para dar com portões fechados, também agora os monárquicos lusos se esquecem de elogiar as primícias de monarquias como a da Arábia Saudita, a do Brunei ou – a melhor de todas – a do Nepal, cujo príncipe herdeiro, decerto por via da excelsa educação recebida, metralhou toda a família num jantar à conta de um namorico mal aceite pela mãe – mimosos regimes estas monarquias, sem dúvida.

Repare-se na foto supra. O reizinho, sua mamã e avó roçam os veludos no estreito areal da Ericeira, prestes a embarcarem no iate real, donde partirão para sempre da nossa costa. Lá cima, no paredão, despontam as cabecinhas dos populares observando tão pungente espectáculo – em silêncio absoluto, segundo rezam as crónicas coevas. Podia lá ser mais triste a decadência última dos Braganças.

É verdade que a I República foi uma trafulhice, a II uma ditadura e esta III já não está a correr tão bem como devia. Face isto, a actual putativa cabeça coroada, não deslustrando a podridão miguelista do seus genes, e nem um pio, quanto mais uma palavra de conforto, dele temos ouvido. Fica assim provado que tudo poderia ser ainda pior, fosse Portugal uma monarquia em vez de república.

Autoria e outros dados (tags, etc)


34 comentários

Imagem de perfil

De Rui Rocha a 06.10.2012 às 18:19

Bolas, se tivesse lido o teu texto antes escusava de dar-me ao trabalho de publicar o post ali mais acima!
Imagem de perfil

De José Navarro de Andrade a 06.10.2012 às 19:02

Les bons esprits...
Imagem de perfil

De Ana Lima a 06.10.2012 às 23:17

Muito bom texto. Tanto na forma como no conteúdo.
Sem imagem de perfil

De Octávio dos Santos a 06.10.2012 às 23:22

Passando por cima (por agora) do insulto ordinário («podridão miguelista dos seus genes»), passemos à afirmação «nem um pio, quanto mais uma palavra de conforto, dele temos ouvido».

A sério?

http://monarquia-lisboa.blogs.sapo.pt/59586.html

Qualquer um tem o direito de dizer idiotices. Mas convém sempre, por precaução, confirmar primeiro (ou não) que os factos sustentam as atoardas que se cospem.
Imagem de perfil

De José Navarro de Andrade a 07.10.2012 às 00:35

Caro Octávio:
No primeiro caso não é propriamente um insulto mas uma forma um pouco mais mordaz e irreverente de expôr uma realidade clínica. É que gerações de casamentos consanguíneos deram aleijões notáveis à genética de algumas casas reais, que são casos de estudo. Afinal, se estamos a falar de uma família que legitima o seu direito ao trono no direito divino, convem que tal pretensão se escude nalguma sanidade. Além de que hoje "ia tudo para o Torel" por atentado aos bons costumes.
No segundo caso tem toda a razão. SAR discursou no próprio dia 5 de Outubro. E o que ele disse foi que "Nesta hora difícil que Portugal atravessa", é necessário "refundar um projecto nacional capaz de unir todos os Portugueses de boa vontade", o qual consiste em: "Eu e a minha Família". A sério que é só isto que os senhores têm para dar à Nação?Para "atoardas que se cospem" não está mau...
Sem imagem de perfil

De Octávio dos Santos a 07.10.2012 às 01:14

Você é médico? E geneticista? Acaso conhece o Duque de Bragança e a sua família para falar numa suposta «realidade clínica»?

E indique-me onde é que, no seu discurso, D. Duarte disse que «refundar um projecto nacional capaz de unir todos os portugueses de boa vontade» consiste em «eu e a minha família».
Imagem de perfil

De José Navarro de Andrade a 07.10.2012 às 01:49

Ao nível do "você" não desço. Fiquemo-nos por aqui.
Sem imagem de perfil

De fgh a 07.10.2012 às 04:41

Os "aleijões da genética", a "degenescência" e a "realidade clínica", são exemplos do discurso pseudo-ciêntífico que contribuiu para o Auchwitz.
A ideia racista de que os "casamentos consanguíneos" levavam a "taras genéticas" fazia parte das crenças do jacobinismo, e também do anti-semitismo, já que os judeus europeus praticavam a endogamia.
(Em nomes destas crendices a 1ª república sujeitou cidadãos portugueses que eram sacerdotes católicos a medições de crânio para encontrar "taras", de acordo com as crendices da "frenologia" em que acreditavam - e talvez acreditem ainda).
Um triste e criminoso precedente que, infelizmente, iria eclodir nas experimentações "médicas" nazis e do gulag.
Que essa linguagem abominável seja usada sem rebuço e com jactância, é algo de profundamente perturbador.
Imagem de perfil

De José Navarro de Andrade a 07.10.2012 às 16:37

A sério que acha um preconceito jacobino-nazi afirmar que a consanguinidade continuada provoca degenerescência genética?
Sem imagem de perfil

De fgh a 07.10.2012 às 18:05

O que escreve aproxima-se da pornografia e não deveria ter tido qualquer resposta, mas pode haver gente a ler (e a, ingenuamente, acreditar) nas asneiras.
Os casamentos entre parentes apenas podem aumentar a probabilidade de que ambos os progenitores sejam portadores do mesmo gene, mas não provocam, de per se, deficiências genéticas.
Assim, as populações judaicas europeias, com altíssimos índices de endogamia (isto é, de "casamentos consaguíneos"não apresentam, em relação à restante população europeia, quaisquer diferenças na ocorrrência de doenças genéticas, ou "degenerescências" na linguagem racista empregue.
De facto, até há quem tenha querido erguer teses sobre a bondade da endogamia, tendo em conta o números de judeus entres os intelectuais europeus. Também já teve resposta, em devido tempo, mas tudo demora muito a chegar e o "post", lamentável a todos os títulos acaba por ser demonstrativo da miséria intelectual que campeia por aí.
Imagem de perfil

De José Navarro de Andrade a 08.10.2012 às 10:28

"as populações judaicas europeias, com altíssimos índices de endogamia" - extraordinária invenção dos nazi! A seguir o quê? O protocolo dos sábios do Sião?
"até há quem tenha querido erguer teses sobre a bondade da endogamia" - melhor ainda! Obrigado pelos momentos de pura comédia, embora de gosto duvidoso.
Sem imagem de perfil

De fgh a 08.10.2012 às 15:08

Seria bom que não dissesse tanta asneira.

«A 2006 study found Ashkenazi Jews to be a clear, homogeneous genetic subgroup. Strikingly, regardless of the place of origin, Ashkenazi Jews can be grouped in the same genetic cohort — that is, regardless of whether an Ashkenazi Jew's ancestors came from Poland, Russia, Hungary, Lithuania, or any other place with a historical Jewish population, they belong to the same ethnic group. The research demonstrates the endogamy of the Jewish population in Europe and lends further credence to the idea of Ashkenazi Jews as an ethnic group. Moreover, though intermarriage among Jews of Ashkenazi descent has become increasingly more common, many Haredi Jews, particularly members of Hasidic or Hareidi sects, continue to marry exclusively fellow Ashkenazi Jews. This trend keeps Ashkenazi genes prevalent and also helps researchers further study the genes of Ashkenazi Jews with relative ease. It is noteworthy that these Haredi Jews often have extremely large families.[13]» - http://en.wikipedia.org/wiki/Ashkenazi_Jews
Imagem de perfil

De Ana Vidal a 06.10.2012 às 23:29

Nossa, que biolência...

(como diria uma republicana que por acaso é rainha da rádio, tv e cassette pirata)
Sem imagem de perfil

De Alexandre Carvalho da Silveira a 07.10.2012 às 02:41

Breve historia dos 102 anos da Républica Portuguesa:
1ª Républica 1910-1926: 16 anos de puro caos politico, social e economico-financeiro, liderados por um dos maiores facínoras da politica portuguesa dos ultimos 200 anos, Afonso Costa de sua graça, com sete presidentes da Républica e largas dezenas de governos.
Depois sofremos 50 anos de Ditadura, sobre a qual me abstenho de fazer aqui comentários.
Depois veio o 25/4/74 que nos prometeu uma Democracia, e nos mergulhou na confusão do PREC.
Depois do PREC veio então o regime multipartidario que em 35 anos já nos levou três vezes à bancarrota, e a que estamos a viver agora, apesar das quantidades astronómicas de dinheiro que vieram da Europa desde 1986.
Afinal de contas, que raio de coisa é que estamos a comemorar no dia 5 de Outubro?
Imagem de perfil

De José Navarro de Andrade a 07.10.2012 às 16:42

Embora subscreva parcialmente a sua descrição dos últimos 102 anos, tiraria uma conclusão diferente: que a república portuguesa pouco veio alterar em relação à monarquia dos tempos do rotativismo e do franquismo. Não é por aqui que passa, então, o problema. Mas não duvido da enorme superioridade da ideia de república sobre a ideia de monarquia.
Sem imagem de perfil

De ghj a 08.10.2012 às 20:41

Para aqueles que não prezam a liberdade, a diferença será pouca...
Para quem goste de ser livre, há uma enorme diferença: 2/3 da república foram passados em ditadura, tendo começado, logo em 1910, a restrição do direito de voto, com redução do universo eleitoral, em clara violação do princípio da igualdade.
A 1ª república foi "de facto" uma ditadura do Partido Democrático, com perseguições políticas e grandes escândalos politico-financeiros (como na actualidade). A 2ª foi uma ditadura e esta, além trouxe-nos 3 bancarrotas e as tentativas de controlo da comunicação social a partir do governo e o enfranquecimento do estado social a tal ponto que que há criminosos condenados com sentença transitada em julgado que não são presos, meramente por serem maçons (ao invés, na monarquia, Camilo Castelo Branco, já então uma glória nacional, cumpriu pena de prisão, tendo sido visitado na cadeia pelo Rei D. Pedro V).
A Carta Constitucional de 1826 foi o documento constitucional com maior vigência em Portugal e a monarquia parlamentar foi o período em que a liberdade de expressão atingiu a sua plenitude. Foi o tempo em que as Farpas de Eça e Ramalho foram publicadas e em que Bordallo Pinheiro publicava as revistas de crítica política onde pontificava Zé Povinho.
A 28 de Outubro de 1910, duas semana depois do golpe republicano, saía uma lei de imprensa que previa a censura, e que foi plenamente usada...


Sem imagem de perfil

De ghj a 07.10.2012 às 03:56

Piqueno momento jacobino-maçónico de 2012.
Imagem de perfil

De José Navarro de Andrade a 07.10.2012 às 16:54

De avental só na cozinha...
Sem imagem de perfil

De Tric a 07.10.2012 às 03:57

"O reizinho, sua mamã e avó roçam os veludos no estreito areal da Ericeira, prestes a embarcarem no iate real, donde partirão para sempre da nossa costa. Lá cima, no paredão, despontam as cabecinhas dos populares observando tão pungente espectáculo – em silêncio absoluto, segundo rezam as crónicas coevas. Podia lá ser mais triste a decadência última dos Braganças."
.
Tem o sangue de D. Miguel, o Rei que expulsou a Maçonaria de Portugal...só por esse simples motivo...tem sangue Real...
Imagem de perfil

De José Navarro de Andrade a 07.10.2012 às 16:42

E eu a julgar que a bandeira branca tinha sido arriada de vez em Évora-Monte...
Sem imagem de perfil

De Pedro Barbosa Pinto a 07.10.2012 às 09:08

Malfadado 5 de Outubro!

Quanto a mim, o que sucedeu neste 5 de Outubro no Pátio da Galé, foi semelhante ao que sucedeu há 102 anos na varanda do edifício da Câmara Municipal de Lisboa e ao que sucedeu há 869 anos em Zamora. Equívocos de um povo dos confins da Ibéria que, como muito bem observou Caius Julius Caesar - ainda Cristo não tinha vindo cá baixo ver isto-, não se governa nem se deixa governar!
Imagem de perfil

De Mendo Henriques a 07.10.2012 às 11:41

Com as minhas saudações aos intervenientes e chamado por pessoa amiga, vim ler esta entrada do Delito de opinião que tem partes bem escritas e divertidas e outras que revelam preconceito ou ignorância. Não sei, digo eu, tinha de conhecer melhor o autor, o que não vem ao caso..

O diálogo anterior já fez avançar o ponto que D. Duarte falou no 5 de Outubro, declarando-se pronto a servir e não a "servir-se"
Fica por apurar a linhagem
Só conheço um casamentos consanguíneo na casa de Bragança, de D. Maria I com seu tio, dito D. Pedro III). Considerando que o primeiro filho do casal D. José foi considerado um dos mais prometedores príncipes iluministas d Europa ( mas faleceu) e que D João VI é aclamado e adorado no Brasil como fundador de um estado ( a nação foram os brasileiros) acho que esse argumento do sangue ( suspeitosamente nazi e que nem é retomado nas pesquisas de haplogrupos)

Acho que não adianta seguir por aí. São argumentos de fins do séc. XIX quando Hackel ( de esquerda) e Gobineau ( de direita) dominavam o debate da hereditariedade, Estamos em 2012, Craig Venter e Watson já descobriram o código genético em 2001. Papo furado, isto " de sangue de reis".

No manifesto dos monárquicos - que eu subscrevi - a identificação atual entre democracia e monarquia é tão evidente na Europa que até é pungente ter de a recordar. Mas que outra coisa se podia dizer? Desde as revoluções liberais que os monarcas têm vindo a ganhar papel simbólico e a abandonar funções executivas.
como os presidentes da república. E aqui o autor desta peça marca pontos quando diz que tudo saiu um bocado aselha no 5 de outubro de 2012. Fim de festa. O balcão da Câmara parece mesmo a falésia da Ericeira. O povo a olhar em silencio a bandeira às avessas, Os dignatários nem se preocuparam em virá-la.. O incidente foi motivo de chacota internacional e nacional Eu acrescento. Aquela bandeira está a virar Portugal de pernas para o ar há 102 anos.

Deixemos Nepal,o Brunei ou quantos mais sultanatos árabes houver, tratarem deles mesmo. Até pode ser que um dia lhe chegue a primavera.
Sobre o povo e os reis na Ericeira, e Paiva Couceiro é bem capaz de ter razão, pese embora o PR ter apenas 7% dos votos nas ultimas eleições da monarquia em Agosto de 1910

E pronto. Perdi eu aqui um pouco de tempo, fiz perder a quem me leia, mas é o que penso. Muito obrigado
Imagem de perfil

De José Navarro de Andrade a 07.10.2012 às 16:48

Não fez perder tempo nenhum. Obviamente discordo, proque se afinal não é uma questão de linhagem a legitimidade filosófica da monarquia cai pela base: "We hold these truths to be self-evident, that all men are created equal."
Sem imagem de perfil

De fgh a 07.10.2012 às 18:16

Fere, fere verdadeiramente a gente ver as desigualdades do Reino Unido e das outras monarquias europeias, a começar logo ali por Espanha.
E nós aqui no cantinho, tão deliciosamente e evidentemente iguais -evidência que o mundo nos inveja.

Quanto à consaguinidade, o Venerável Irmão Mendo Henriques, finge que não sabe história, mormente, as genealogias das casas reais, o que, tratando-de de um professor universitário, é um pequeno mas lamentável embuste.
Não havia taras, porque, simplesmente a consaguinidade, mesmo elevadíssima, como era, não as produz. Se casamentos entre tios e sobrinhos houve apenas o que referiu, os casamentos entre primos era a norma.
Sem imagem de perfil

De lucklucky a 07.10.2012 às 13:47

Pfft! não há Republica em Portugal. Há Democracia Populista cada vez mais com tons totalitários que se demonstra num sistema de corrupção legalizado de compra de votos com dívida* e o dinheiro dos outros. Chame-lhe Serviço Nacional de Compra de Votos (SNCV) !

Os Governos têm todo o Poder para taxar sem limite e para violar todas as promessas feitas em campanha eleitoral.
Mais, quando o PCP+BE+PS o ou PS+PSD se unem podem violar o simulacro de Republica que existe.

É claro ainda menos temos Republica Económica, nada na Constituição protege os Cidadãos do Assalto do Regime em Impostos, Desvalorização, Nacionalizações.

Não temos Republica, temos um Democracia Populista e o pouco de Republica representado na Constituição em vez de ser um travão à Democracia Populista é ao invés um incentivo.


*38 anos de endividamento consecutivo só possível pelas contas sãs que vieram da Ditadura e que agora acabou ao atingir o limite!

Comentar post


Pág. 1/2



O nosso livro





Links

Blogue da Semana

  •  
  • Afinidades

  •  
  • Lá fora cá dentro

  •  
  • Mais ligações

  •  
  • Informações úteis


    Arquivo

    1. 2018
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    14. 2017
    15. J
    16. F
    17. M
    18. A
    19. M
    20. J
    21. J
    22. A
    23. S
    24. O
    25. N
    26. D
    27. 2016
    28. J
    29. F
    30. M
    31. A
    32. M
    33. J
    34. J
    35. A
    36. S
    37. O
    38. N
    39. D
    40. 2015
    41. J
    42. F
    43. M
    44. A
    45. M
    46. J
    47. J
    48. A
    49. S
    50. O
    51. N
    52. D
    53. 2014
    54. J
    55. F
    56. M
    57. A
    58. M
    59. J
    60. J
    61. A
    62. S
    63. O
    64. N
    65. D
    66. 2013
    67. J
    68. F
    69. M
    70. A
    71. M
    72. J
    73. J
    74. A
    75. S
    76. O
    77. N
    78. D
    79. 2012
    80. J
    81. F
    82. M
    83. A
    84. M
    85. J
    86. J
    87. A
    88. S
    89. O
    90. N
    91. D
    92. 2011
    93. J
    94. F
    95. M
    96. A
    97. M
    98. J
    99. J
    100. A
    101. S
    102. O
    103. N
    104. D
    105. 2010
    106. J
    107. F
    108. M
    109. A
    110. M
    111. J
    112. J
    113. A
    114. S
    115. O
    116. N
    117. D
    118. 2009
    119. J
    120. F
    121. M
    122. A
    123. M
    124. J
    125. J
    126. A
    127. S
    128. O
    129. N
    130. D