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Aos demagogos do desemprego (3)

por André Couto, em 05.05.09

O Luís Naves do Corta-Fitas respondeu ontem a dois textos meus intitulados "Aos demagogos do desemprego (1) e (2)".

Utilizou vários argumentos para me devolver a acusação de demagogia e todos devolverei acompanhados da respectiva fundamentação.

Comecemos pela análise do exemplo Irlandês. Se em 2009 o rendimento per capita da Irlanda é duas vezes superior ao português, em 2005 já o era. Se a rede social irlandesa é melhor que a nossa, o que não dou por adquirido, em 2005 já o seria. Se hoje pagamos os mesmos impostos, em 2005 pagávamos mais. O exemplo Irlanda de pouco vale. Em tempos de prosperidade eles vivem melhor, em tempos de crise viverão menos mal. Se reparar só me referi à Irlanda por ser o case study, qual cobertor do Charlie Brown de Paulo Portas, em tudo o que são sessões parlamentares de ataque ao Governo.

Louvo a acção do Governo por desenvolver medidas excepcionais, no sentido de amenizar as consequências da crise nos mais desfavorecidos e/ou desempregados. Dou-lhe como breves exemplos:

1. Aumento ímpar do salário mínimo, o tal que "roça a irresponsabilidade", nas palavras da Dra. Manuela Ferreira Leite;

2. Extensão do subsídio social de desemprego de 12 para 18 meses;

3. Genéricos gratuitos para mais de um milhão de pensionistas;

4. Demonstração de vontade de que os gestores de empresas falidas tenham acesso ao subsídio de desemprego, o que tem esbarrado nos Sindicatos;

5. Linha de apoio para o crédito à habitação de trabalhadores entretanto desempregados;

E como sabe podia trazer-lhe bastantes mais.

Servem os pontos 1., 2., 4., e 5., para lhe justificar porque é que não é o mesmo ficar sem emprego em Portugal e na Irlanda.

Os meus posts nascem com a comparação que foi feita com o ano de 2005. Quanto a isto, permita-lhe que lhe diga, a melhor pergunta e contra-argumentação que recebi foi a do Jorge Assunção, na caixa de comentários dos posts que aqui coloquei. Pode ir lá. Digo-lhe desde já que discordo dele, como poderá ler.

Se me refiro a "demagogos do desemprego" é por às vezes não compreender as reacções. O desemprego cresce menos em Portugal que no resto da Europa, o Luis vê nisto um indicador puramente negativo e eu é que sou o demagogo?

Demagogia é:

1. Colocar dois posts relativos ao desemprego e nunca referir a expressão "conjuntura internacional", ou afim;

2. Nesses mesmos dois posts não referir quaisquer medidas de apoio aos mais desfavorecidos e/ou desempregados do actual Governo, que foram únicas nos últimos anos;

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6 comentários

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De Ricardo S a 05.05.2009 às 11:56

Eu continuo a não entender como quase toda a gente insiste nos governos, se resolvem ou nao os problemas da crise (sobretudo o desemprego), quando ninguem fala nos causadores desta crise. Esses continuam a rir e encher os bolsos com os subsidios estatais. Como se a culpa fosse do policia e nao do ladrao.
Cumprimentos.
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De João Carvalho a 05.05.2009 às 12:11

Bem visto, Ricardo.
Abraço.
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De André Couto a 05.05.2009 às 12:15

Caro Ricardo,
Os subsídios estatais que são criados na forma de planos de apoio e a fiscalização no que toca à sua efectiva aplicação são, em primeira análise, responsabilidade dos Governos e, como tal, estão incluídos no seu campo de acção.
Melhores planos e fiscalização, melhores resultados.
Não acho que a questão esteja intrinsecamente separada.
Um abraço!
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De muitaxato a 05.05.2009 às 14:32

Esqueceu-se de falar do código laboral que lesa os interesses dos trabalhadores e está ao sevriço dos patrões, foi uma grande conquista deste governo.
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De Carlos Dias Ferreira a 05.05.2009 às 16:47

André:

Permita-me discordar de algumas afirmações que faz aqui no seu post.
Temos a taxa de desemprego que temos (em 2005 era de 7.1%) porque o nosso problema é estrutural e com a crise só tinha que se agravar como era esperado. E falemos claro e frontalmente, somos um país que tem uma classe empresarial que desse nome não tem nada alguns não passam de "chicos espertos" á espera de enganer este e aquele e ainda se vangloriam com esse facto, porque aqueles que o realmente o são preocupam-se em arranjar soluções para os problemas não esperando pela mão protectora do Sr. Estado.
O salário minimo aumentou é uma realidade mas quantas empresas em Portugal o pagam na realidade? uma coisa é decretar o seu aumento outra é verificar se todas as empresas o podem fazer, ainda por cima nesta fase, mas claro fica bem dizer que "aumentamos o salário minimo". Por acaso sabia que há desempregados a ganhar menos que o dito salário? Acha justo?
Acerca do subsidio social de desemprego ter passado de 12 para 18 meses, por acaso sabe o valor dele? Mal andarão os Portugueses se viverem com o valor actualmente pago.
Acerca da possibilidade de gestores de empresas falidas receberem subsidio de desemprego eu pergunto e as pessoas que estão a trabalhar a recibos verdes e descontam para a segurança social e fisco porque não terão elas também esse direito, sabendo de antemão que a maior parte delas deveriam ter um contrato de trabalho porque os tais "chico espertos" e o próprio estado estão a iludir a legislação laboral.
Não acha que poderemos estar a ser injustos socialmente ao atribuir o subsidio desemprego a um desses "chicos espertos" que até pode ter provocado uma falência fraudulenta, e deixar de fora outros que o mereciam (e á velocidade que funciona a justiça).
Pasmo como diz que actualmente se pague menos impostos em Portugal do que em 2005 e a pergunta que lhe faço é se vive cá pois eu desde essa altura noto que recebo menos no final do mês.
Queria ainda dizer-lhe que o Desemprego não deve ser arma de arremesso politico e todos nós devemos ter vergonha do que actualmente se passa, e não fazermos "propaganda" dos numeros sejam eles bons ou maus pois nesta área eles são sempre maus basta haver desempregados, e acerca disso recordo mais uma vez a frase - "um governo com uma taxa de desemprego de 7,1% é imcompetente" - Sócrates 2005. Claro que um governo com uma taxa de muito perto de 9,5% se não é incompetente é o quê?
Deixemo-nos de politiquices e demagogias em assuntos sérios como este pois são pessoas que estão em jogo e com isso qualquer número é preocupante.
Acerca da linha de crédito sejamos sérios as pessoas não pagam agora mas pagarão depois e de certeza como não não há almoços grátis pagarão com juros portanto o problema adia-se aliado a que alguns não voltarão ao mercado de trabalho e a esses qual é a solução?
Um abraço e pode ser que da discussão arranjemos uma possivel soluçao, André, estará disposto a isso eu disponibilizo-me desde já ok.
(vai tudo sem virgulas e possivelmente com alguns erros mas falta-me a paciência para a correcção, as minhas desculpas)
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De Borges a 05.05.2009 às 19:12

Concordo com o comentador Carlos Dias Ferreira quando diz que o desemprego não deve ser usado como arma de arremesso político.
Mas vou mais longe. A situação da nossa economia é demasiado séria e complicada para que aqui se encontrem soluções milagrosas.
Primeiro, e já não seria pouco, teríamos de acordar no diagnóstico . Algumas ideias:

- Estado com demasiado peso (absorve 50% da economia, certamente mais ainda no final deste ano) e ineficiente.
- Défice externo crónico e excessivo (desde 1995), dos maiores do Mundo em percentual do PIB.
- Estrutura económica demasiado dependente do sector "não transaccionável" que vive de situações pouco competitivas.
- Baixo nível de qualificação geral das pessoas. Sistema de ensino que está já a condenar a próxima geração a manter este nível um dos mais baixos da OCDE.
- Baixíssima produtividade, sobretudo quando comparada com os nossos parceiros europeus e o nível salarial existente (sobretudo comparada com a evolução dos países do Leste europeu).
- Sistema de justiça inoperante.
- Demasiada corrupção e captura de bens públicos por interesses privados: ex loteamentos imobiliários.
- Sistema partidário capturado por grupos de interesses. Será capaz de se regenerar por dentro?

O que importa é saber como vamos resolver estes problemas. O resto é conversa de treta. E discutir apenas o aspecto distributivo das benesses não resolve nada; porventura quanto mais "generosos" pior.

Como disse Arnold Kling, economista do MIT:
"... your generosity is reflected in what you do with your own money, not in what you do with other people's money. If I give a lot of money to charity, then I am generous. ... But if you want to tax me in order to give my money to charity, that does not make you generous."

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