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Delito de Opinião

Era uma vez um país

José Navarro de Andrade, 28.09.12

 

Um blog é o lugar ideal para se fazerem afirmações imprudentes, como por exemplo: Chinua Achebe é o maior escritor africano. O pedestal conquistou-o ele logo com a sua primeira novela “Things Fall Apart”, publicada em 1958 e que marca o início de uma literatura africana desprendida de referências europeias. Talvez os francófonos tenham como contestar esta afirmação, os lusófonos por certo que serão incapazes de a rebater.

Vem isto a propósito de ter acabadinho de sair o livro de memórias de Achebe, que num gesto de pura insensatez consegui que mo pusessem à porta esta tarde mesmo. Chama-se “There Was a Country” e relata as grandes desventuras do escritor como um dos militantes pela independência do Biafra. Deu isto numa das mais horrendas guerras civis africanas, nos idos de 60 (“peace one earth”, cantava-se então no hemisfério norte). Nela Portugal teve uma intervenção discreta mas empenhada, a favor do Biafra como forma de enfraquecer a Nigéria, o que foi presenciado bem de perto por Mário Soares aquando da sua vilegiatura forçada em S. Tomé, por cortesia de Marcello Caetano e a expensas da PIDE.

Recorda Achebe: “I am not interested in what motives Portugal may have. If the devil himself offered his air facilities we would have taken it, and I would have supported it.” Haverá decerto mais referências mas esta foi a que me veio ter à mão assim à primeira. E já dá para tirar as medidas a certa prosápia nacional que continua piedosamente a acreditar na nossa vocação africana - como se eles tivessem gostado e se tivessem esquecido.

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