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Reflexão do dia

por Pedro Correia, em 28.09.12

«O euro vive da Europa, não o contrário. Mas estamos tão consumidos nos problemas orçamentais que não vemos o retrato largo de um continente a desfazer-se. Os radicais temeram a guerra entre povos, mas não previram a ruptura dentro dos povos. Mas o que se está a passar em Espanha é muito mais que um aproveitamento político de líderes regionais em manobras de diversão.
Até os tecnocratas estão aterrorizados com o protesto violento em Espanha, com o descontrolo na Grécia, com as manifestações tomba-políticas em Portugal. Num editorial há dois dias, o Financial Times dizia que Portugal atravessa um caminho estreito entre democracia e reformas. É uma perigosa dualidade: ou democracia ou reformas. É disto que estamos a falar.

(...) Democracia não pode ser o oposto de reformas e, se o for, que prevaleça a democracia. Essa é apenas uma das perfídias deste tempo. Não há erros de comunicação, há falta de política. As nações são mais que devedores. A sociedade é mais que a economia. A paz nunca é troca de uma moeda. Mas quem não perceber que a Europa está a viver um tempo histórico de desagregação, impiedosa e incontrolável, só acordará quando ouvir a sua vidraça estalar.»

Pedro Santos Guerreiro, no Jornal de Negócios


6 comentários

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De lucklucky a 28.09.2012 às 18:41

Patetice pegada, foi com essa filosofia que chegámos onde chegámos.

"As nações são mais que devedores. A sociedade é mais que a economia."

Veja-se esta pérola populista de manipulação da linguagem.

O autor menospreza a economia e dívida quando precisamente se queixa da economia e da dívida.

É tão bom estar contra e favor passando por gajo sensível não é?

Sem paredes não há telhado.

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De Ana Vidal a 28.09.2012 às 20:03

Excelente reflexão. Redefinir prioridades é um exercício essencial, ainda mais em tempos de dificuldades extremas como estes que atravessamos. O Ocidente está a desumanizar-se por culpa do prisma monolítico da economia.
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De lucklucky a 29.09.2012 às 15:20

"culpa do prisma monolítico da economia."

Depois a seguir você vai queixar-se dos ordenados, do desemprego e da pobreza ao mesmo tempo que diz que a economia não é tão importante.
É estranho como a desumanização para si está tão ligada ao dinheiro, à economia. Aquilo que dizem que não interessa.
Ou seja é uma mera táctica de comerciante a desvalorizar o preço...
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De Ana Vidal a 30.09.2012 às 18:08

Luck, já o "conheço" há tempo suficiente para saber que é uma pessoa inteligente. Explique-me: se, numa sociedade de consumo, a desumanização não está ligada ao dinheiro, então está ligada a quê??
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De Alexandre Carvalho da Silveira a 29.09.2012 às 01:19

Esta noite assisti a um triste espectáculo na SICn chamado "Expresso da meia-noite", onde o discurso de tres dos quatro comentadores foi no sentido do artiguinho do Santos Guerreiro, que convem não esquecer, foi um entusiasta das politicas do anterior 1º ministro, ou porque as apoiou, ou porque se calou!
Depois das ferias, os portugueses que têm acesso aos medias, principalmente às tvs, têm gasto o seu e o nosso tempo numa discussão perfeitamente estéril, que é queixarem-se da austeridade e dos inerentes sacrificios, e a chacinar o governo e a troika. E digo estéril, porque tudo isto se resume a um pormenor, muito importante, mas pormenor: o dinheiro!
O nosso problema é falta de dinheiro e como o arranjar, e daqui não podemos fugir. Defender o que aconteceu em Portugal principalmente desde que aderimos ao euro, é comprometer por muitos e bons anos o futuro dos nossos filhos e netos, porque o consumo que andámos alegremente a fazer, normalmente sustentado com crédito não é mais possivel.
Portugal não está a empobrecer, porque DE FACTO nunca atingiu os niveis de riqueza que ostentou durante os ultimos 10-15 anos. Enquanto não percebermos isto, não saimos daqui!
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De Anónimo a 29.09.2012 às 18:14

Há por aqui numas coisitas que devemos acrescentar. A economia portuguesa, como muitas outras economias pelo mundo, na realidade não cresceu, ela inchou. O balão quando incha explode. Mas há por aqui algo que devemos atender. Nós não estamos a assistir à explosão do balão, pelo contrário, nós verificamos que os balões estão a ser esvaziados para compensar as perdas dos fabricantes de brinquedos financeiros.

Porém, uma análise mais profunda deve também ser levada a efeito.
Todos nós sabemos que os EUA estão a viver um profundo desequílibrio. Se tivermos em conta que os grandes credores dos americanos são chineses e japoneses talvez concluamos o seguinte:
A China, também o Japão, mas a outra em particular, tinha, e tem, em suas mãos duas bombas: a dívida soberana americana e as suas reservas monetárias maioritariamente em dólares. Também sabemos que o dólar, devido à constante fabricação do mesmo e consequente injecção nos mercados, não possui o valor que apresenta. Vai daí, constatamos que os chineses têm andado a comprar recursos por esse mundo fora, em particular na América do Sul e África. Estas compras, em regra, são pagas em dólares. Sendo pagas em dólares, na eventualidade de uma quebra oficial significativa da moeda em questão, os chineses já não têm esse papel mas sim aquilo que lhes faz falta, os recursos onde investiram (minério e energia).
Eu poderia continuar esta dissertação por aí fora. Todavia, como as pessoas são inteligentes, eu pergunto: A quem interessa a desestabilização do Euro, para além dos agiotas? A Americanos, Chineses e Japoneses.
Porquê?

Se recuarmos no tempo, aquando da crise dos anos 70, a denominada crise do petróleo, a situação que se pautou foi o facto dos credores exigirem a indexação da dívida em seu poder ao ouro, coisa que de todo não convinha aos americanos e que levaria a uma perda de influência monetária no mundo.
O que aconteceu então?
Algo simples, desestabilização da produção de petróleo e o surgimento dos denominados petrodólares, sendo que o valor da moeda americana seria indexada ao preço de petróleo e, consequentemente, os americanos deixaram de estar nas mãos dos credores. Tendo estes, os americanos, uma forte presença nas diferentes áreas onde se produz o pitróil.

E agora? Haverá alguma analogia a estabelecer? Havendo, a quem interessa agora? Sim, há. Interessa aos que citei.

Pedro, obrigado por disponibilizar este espaço para o comentário que aqui produzo. É breve, e não profundo, como acima afirmei, para não sobrecarregar muito. Fiquemos atentos aos movimentos.

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