Isto é que é cortar na despesa?
O José Gomes André chamou-me a atenção para um despacho todo catita do Ministério das Finanças: as universidades e seus institutos estão impedidos de fazer pagamentos contra recibo dentro das rubricas "Estudos, pareceres, consultadoria", "Outros trabalhos especializados", "Outros serviços" e "Investimentos".
As malvadas das universidades andavam a gastar dinheiro, não era? Ora, isto não é bem assim. Vamos a um caso prático. Eu, Ana Margarida, sou doutoranda de um Instituto de uma universidade pública. Com a minha orientadora, professora desse mesmo instituto, e um outro professor, também de um instituto de uma universidade pública, elaboro a cada dois anos um relatório sobre a transparência orçamental para uma ONG americana. Eles pagam ao nosso instituto, que é a nossa instituição, e o instituto paga-nos a nós, contra recibo verde (e muitos impostos, mas isso é outra história). Com este despacho, fico a ver navios. Aliás, acabei de ser roubada, porque o relatório já foi feito e entregue, mas pelos vistos não posso ter acesso ao meu pagamento, porque o Ministério das Finanças não deixa.
Não estamos a falar de cortes, mas de roubo puro e duro. As Finanças não cortaram nenhuma gordura, limitaram-se a apropriar-se do pouco dinheiro que recebo por trabalhar.

