Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]




Europeias (15)

por Pedro Correia, em 04.05.09

 

  

SEGUNDAS-FEIRAS AO SOL 

 

Esta campanha para as eleições europeias está contaminada pela crise económica. E, dentro da crise, o debate centra-se na grande questão política do momento que atravessa todo o continente: o dramático aumento do desemprego. Em nenhum país estas cifras são mais dramáticas do que em Espanha, o principal parceiro económico de Portugal. Nesta matéria, a sensação dominante é que o Executivo de José Luis Rodríguez Zapatero, ainda há um ano apontado como um exemplar governante de centro-esquerda e um expoente do “verdadeiro” socialismo, se encontra à beira do colapso. E a afundar o país com ele. O número de desempregados em Espanha ultrapassa, pela primeira vez, os quatro milhões de pessoas – cifra nunca antes atingida desde que estas estatísticas começaram a ser divulgadas com regularidade no país vizinho, em 1976. A taxa de desemprego espanhola atinge os 17,36% da população activa – de longe a maior da Europa na actualidade. E, soube-se hoje, a Comissão Europeia já prevê que esta percentagem suba para 20,5% no próximo ano.

Como sublinha o El Mundo, com Zapatero assiste-se à retirada diária de 8920 trabalhadores do mercado laboral – ao ritmo de seis novos desempregados por minuto e 400 por hora. Catalunha, País Valenciano e Múrcia duplicaram o número de desempregados num ano. Na Andaluzia, a taxa de desemprego disparou já para os 24%. “Entre Janeiro e Março de 2009 destruiram-se 766 mil postos de trabalho, a pior cifra da História”, salienta o El Mundo. Pior do que na Alemanha de 1974, gravemente afectada pelo choque petrolífero que então provocou 945 mil novos desempregados – em Espanha, no ano passado, houve 999.416. Pior ainda do que a catastrófica República de Weimar, que antecedeu a chegada de Hitler ao poder em Berlim. Entre o início de 1932 e o início de 1933, a Alemanha pré-nazi registou 1.300.000 desempregados – número claramente inferior aos 1.836.500 desempregados da Espanha “socialista” de 2008.

Há quem pretenda aproveitar a campanha para “discutir a Europa”. Inútil iludir a realidade política com rodeios semânticos: “discutir a Europa” neste momento concreto é, fundamentalmente, debater as causas e consequências do desemprego. Quem não percebe isto não percebe nada.
 
Foto: Javier Bardem em 'Los Lunes al Sol' (2002), de Fernando León de Aranoa. Um dos melhores filmes que já vi sobre o drama do desemprego.


7 comentários

Sem imagem de perfil

De Ana Duarte a 04.05.2009 às 22:08

Algo me diz que se fosse Mariano Rajoy a estar no poder os resultados não seriam muito diferentes. Algo me diz também que nesse caso o El Mundo, ao descrever a situação que Espanha atravessa apontaria a crise internacional como causa próxima e não o desempenho do primeiro ministro espanhol...
Imagem de perfil

De Pedro Correia a 04.05.2009 às 23:08

Ana, os primeiros dados que citei são do 'El País', não do 'El Mundo', como se percebe pelo linque. O balanço catastrófico da governação Zapatero, no campo económico, está bem patente nas previsões do Banco de Espanha, do FMI e da Comissão Europeia. Três entidades insuspeitas na análise dos números que nos chegam aqui do lado. Se aqui estamos mal, acredita que eles lá estão bem pior.
Sem imagem de perfil

De Ana Duarte a 04.05.2009 às 23:18

Pois, bem vi que o primeiro link era para o El País. Tal não invalida o que disse: provavelmente a situação económica não seria muito diferente com Rajoy no governo. Mas certamente que nesse caso o El Mundo não lhe imputaria as culpas como o faz com Zapatero...
Imagem de perfil

De Pedro Correia a 04.05.2009 às 23:27

Neste caso dos números da economia, designadamente na área do desemprego, não há forma de dar a volta: todos os jornais, de esquerda ou direita, fazem deles manchete. E ninguém pode tapar o sol com a peneira. O «se» que mencionas é hipotético. Isto que refiro - com base, repito, em todos os jornais espanhóis de expansão nacional - é real. Dramaticamente real.
Sem imagem de perfil

De Ana Duarte a 04.05.2009 às 23:33

Muy bien, acho que já percebeste qual era o meu ponto :)
Imagem de perfil

De Pedro Correia a 04.05.2009 às 23:35

Por supuesto es muy guapa.
Sem imagem de perfil

De Anónimo a 09.05.2009 às 02:05

E a economia informal. Quantos destes desempregados não estarão aí? 40%? ... 50%? Só assim se compreende a (quase) inexistência de agitação social. As estatísticas parecem muito enganadoras face à realidade.

Comentar post



O nosso livro



Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.




Links

Blogue da Semana

  •  
  • Afinidades

  •  
  • Lá fora cá dentro

  •  
  • Mais ligações

  •  
  • Informações úteis


    Arquivo

    1. 2020
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    14. 2019
    15. J
    16. F
    17. M
    18. A
    19. M
    20. J
    21. J
    22. A
    23. S
    24. O
    25. N
    26. D
    27. 2018
    28. J
    29. F
    30. M
    31. A
    32. M
    33. J
    34. J
    35. A
    36. S
    37. O
    38. N
    39. D
    40. 2017
    41. J
    42. F
    43. M
    44. A
    45. M
    46. J
    47. J
    48. A
    49. S
    50. O
    51. N
    52. D
    53. 2016
    54. J
    55. F
    56. M
    57. A
    58. M
    59. J
    60. J
    61. A
    62. S
    63. O
    64. N
    65. D
    66. 2015
    67. J
    68. F
    69. M
    70. A
    71. M
    72. J
    73. J
    74. A
    75. S
    76. O
    77. N
    78. D
    79. 2014
    80. J
    81. F
    82. M
    83. A
    84. M
    85. J
    86. J
    87. A
    88. S
    89. O
    90. N
    91. D
    92. 2013
    93. J
    94. F
    95. M
    96. A
    97. M
    98. J
    99. J
    100. A
    101. S
    102. O
    103. N
    104. D
    105. 2012
    106. J
    107. F
    108. M
    109. A
    110. M
    111. J
    112. J
    113. A
    114. S
    115. O
    116. N
    117. D
    118. 2011
    119. J
    120. F
    121. M
    122. A
    123. M
    124. J
    125. J
    126. A
    127. S
    128. O
    129. N
    130. D
    131. 2010
    132. J
    133. F
    134. M
    135. A
    136. M
    137. J
    138. J
    139. A
    140. S
    141. O
    142. N
    143. D
    144. 2009
    145. J
    146. F
    147. M
    148. A
    149. M
    150. J
    151. J
    152. A
    153. S
    154. O
    155. N
    156. D