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O suicídio político.

por Luís Menezes Leitão, em 15.09.12

 

A comunicação ao país de Passos Coelho há uma semana constituiu o maior suicídio político que um Primeiro-Ministro praticou em Portugal. Conforme foi notório na entrevista que deu uns dias depois, Passos Coelho não faz a mínima ideia do significado e muito menos do impacto das medidas que anuncia. A única coisa que Passos Coelho faz é anunciar as medidas que são preparadas por Vítor Gaspar, achando que assim dá ideia aos eleitores que é ele que efectivamente manda no Governo, quando toda a gente já percebeu que é Vítor Gaspar. Por isso mesmo Cavaco Silva fez questão de exigir a presença de Gaspar no Conselho de Estado, reconhecendo assim formalmente que ele é o líder efectivo do Governo. Na verdade, se há coisa que os Conselheiros seguramente não quererão ouvir são explicações disparatadas como a que Passos Coelho deu aos entrevistadores da RTP.

 

A redução da TSU podia ser uma medida que passasse se fosse compensada pela subida do IVA. Sendo compensada por uma subida das taxas dos trabalhadores é pura loucura política. Tendo (alguma) consciência disso,  decidiu-se apresentá-la como sendo imposta pela decisão do Tribunal Constitucional, culpando-se os deputados do PS que a ele recorreram. Vários apoiantes do Governo apareceram na altura a dizê-lo ipsis verbis. Que julgassem que os cidadãos engoliam essa história da carochinha, diz bem do estado de negação política em que o PSD hoje vive. O maior exemplo desse estado foi hoje Carlos Abreu Amorim que apareceu na televisão a congratular-se com o civismo da manifestação no preciso momento em que só a polícia de choque impediu a invasão do Parlamento.

 

Esta estratégia de Passos Coelho ditou o fim do seu Governo. Nenhum governo pode continuar como se nada se passasse depois de ver sair à rua contra ele quase todo o país. Em política o que tem que acontecer é bom que aconteça logo. Há uns dias Passos Coelho podia remodelar o Governo, fazendo sair os ministros mais contestados. Teimosamente insistiu em mantê-los. Hoje só lhe resta remodelar-se a si próprio. Nos próximos dias o PSD tem que apresentar ao país um novo Primeiro-Ministro. Isto claro, partindo do pressuposto que os partidos da maioria querem continuar a governar.

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13 comentários

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De Alexandre Carvalho da Silveira a 16.09.2012 às 00:26

Eu pensava que em democracia as eleições é que ditam quem governa, mas parece que não: faz-se uma manif e o governo cai. Porreiro, pá!
Passei o dia na praia, porque hoje estava demais, por isso não segui as manifs. Por acaso algum dos que querem mandar lixar a troika, disse onde é que se vai buscar o tú-tú, ou seja, aquilo com que se compram os melões?
E têm de se despachar, porque até ao final deste ano, fazem falta cerca de 5000 milhões, para o SNS, para a educação, para os ordenados dos FP, para pagar reformas, etc etc.
Só se deve morder na mão de quem nos dá de comer, se já tivermos outra que esteja disposta a isso.
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De Paulo Fernandes a 16.09.2012 às 19:54

Pois, pois...eu e a minha mulher também estivemos numa praia muito chique, e à hora marcada lá estavamos na Praça de Espanha. Comentários alarves como o referido só pode significar de duas coisas: é-se rico porque se herdou ou tratámos da vidinha no tempo das vacas gordas ou se pensa que a classe média não lhes vai às trombas quando estiver a passar fome. De uma foram ou de outra o banhista do comentário não tem qualquer consciência social e julga que os portugueses ainda são uma cambada de estúpidos que se vai deixar trucidar desengane-se...
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De macarvalho a 17.09.2012 às 00:10

Inteiramente de acordo, na sua essência.
Faço excepção em algumas das medidas propostas, incluindo o pomo da discórdia, a TSU que, empobrecendo-nos cada vez mais e aliada a outras subidas de impostos, só nos fazem perder poder de compra, o que no caso, além do descontentamento e da profunda injustiça, não se traduz na prática em nada relevante na solução do problema.
Dizem que é uma medida recessiva, eu direi que é uma medida perversa.
Depois de todos morrermos à fome ainda verificamos que as dívidas estão no mesmo ponto. Enquanto isso, o patrão é beneficiado duas vezes: fica com parte do aumento do imposto dos trabalhadores, o que os tornará ligeiramente mais ricos e ainda vê descer a sua parte na entrega de impostos ao Estado. Benefício duplo.
Agora, mandar a troika dar uma volta, é complicado.... é que ela pode mesmo ir, principalmente se continuam estas questiúnculas internas. É que o tú-tú, como muito bem lhe chama, vem deles.
Isto não dita o fim de um PM que agarrou uma tragédia grega e tenta fazer o que pode ou sabe, enquanto o principal causador se passeia sorridente pelas ruas de Paris. Ele lá sabe porque se ri...
Mais valia juntarmo-nos e explicarmos aos meninos de gabinete como se fazem as contas com resultado final certo. Há sugestões. Também dolorosas, também morosas, mas indubitavelmente mais justas.
Como o país está falido mas as pessoas parecem querer ignorar o facto, a questão reside só nisto: medidas justas em que se colham e vejam resultados.
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De M. Martins a 16.09.2012 às 01:29

Lúcido! parabéns é isso mesmo.
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De lucklucky a 16.09.2012 às 01:34

"Em política o que tem que acontecer é bom que aconteça logo."

Ou seja os cortes deveriam ter sido logo até défice zero?
Bem me parecia que é só conversa...


No dia em que o Tribunal Constitucional demonstrou -e diga-se mal e porcamente- que o Regime é Socialista e só se pode Governar sendo Socialista, endividando e imprimindo moeda, só restava ao Governo ter-se demitido.
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De Anónimo a 16.09.2012 às 13:59

O amigo lucky sabe por acaso de que "pinta" são os governos que lideram nos USA, republicanos e democratas incluidos? São perigosos socialistas de merda, perigosos socialistas de merda porque há décadas que não páram de imprimir moeda e de aumentar a dívida...
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De anonimo a 16.09.2012 às 12:30

Concordo, com a generalidade do que se diz, mas esquece o papel inaceitável do cds cuja pocição desde o acórdão do TC contribui de forma inaceitável para minar a coesão e estabilidade do governo.
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De FNV a 16.09.2012 às 12:35

"invasão do parlamento"???Pelas 50 almas que lá estavam à noitinha e que tentaram o mesmo ainda Sócrates era PM??
Já lhe vi melhores textos, caro LML.
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De Isabel T. a 16.09.2012 às 16:14

Como disse Medina Carreira,são uma cambada de garotos,incluindo os de cabelos brancos.
Este governo(eu votei nele) conseguiu a proeza de em 15 meses ser ultrpassado nas sondagens pelo partido que nos levou praticamente á bancarrota.
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De antonio a 16.09.2012 às 16:36

(...) Uma coisa é incontornável: Paulo Portas foi poupado aos apupos dos manifestantes, que elegeram Passos e Gaspar como bombos da festa. (...)
o CDS no governo não sabe se quer lá estar.

Ou melhor, sabe que quer estar num governo. Seja ele qual for, porque é a sua única natureza e finalidade, mas não quer assumir, ou faz os possíveis para não assumir, o que de mais duro essegoverno tem de impor aos portugueses. Isto parece coisa de comediante, mas é assim que estamos. Ninguém ensina um povo a estar contra. O que a rua está a dizer é que quer saber qual o caminho de futuro e aí é que espera e exige que os partidos indignados sejam capazes de apontar novos rumos. Até agora, nada. Portanto, não fazem falta a quem suplica justiça. Muito menos faz falta o CDS, que está e não está. Uma espécie de omnipresença do vazio calculando a dimensão populista da melhor decisão para o seu futurozinho. Em nome de Portugal, claro.

http://www.cmjornal.xl.pt/detalhe/noticias/opiniao/f-moita-flores/desprezo-e-cinismo
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De Pedro Quartin Graça a 16.09.2012 às 16:48

Muito bem.
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De Ana Piçarra a 16.09.2012 às 18:28

Sim ,realmente não se morde a mão de quem dá comer, mesmo que o estado arrecade, porque enfim também é empregador e esta medida visa principalmente este objectivo. E arrecada para a despesa publica ,mas quem paga são sempre os mesmos o contribuinte . Porque o estado está neste momento em banca rota e sufocado com empréstimo, para não sair da inflação exigida pela troika. Se se tem medo de sair do esquema de empréstimos porque perde a casa o que diram aqueles que já perderam a casa e os que viram ...Não se dá a volta só a pedir mas também a investir e este governo não investe em NADA!
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De Anónimo a 16.09.2012 às 22:12

Parabéns, está uma excelente análise. Num de seus posts, comentando a propósito de um deputado do PP, anonimamente, ter-se pronunciado numa rede virtual, afirmei, entre outras coisas, que o CDS iria fazer fogo. E fez fogo, dando dois tiros:
1 - No pé,
2 - e em Passos Coelho.

A atitude do CDS/PP faz-me lembrar aqueles contos sobre o menino Carlinhos. Sempre preparado para fugir às responsabilidades, queixando-se dos outros, mas sem nunca deixar de participar na roda. Melhor, tudo fazendo para nela permanecer. E para continuar a participar nesta roda, Paulo Portas lá veio mostrar suas virtudes (dizendo de suas propostas e implementações) para diabolizar a acção do outro.
Anteriormente, Passos Coelho, para mostrar que é o que não é, mostrou-nos que tudo tinha partido de uma decisão sólida e irrefutável.

Portas está em campanha eleitoral, e assim vai continuar. Na realidade, o melhor é enfrentar a verdade e deixar de fingir uma paz podre.

Tenho feito um esforço para ouvir todos os intervenientes do actual arco governativo. E até me esforçei para ouvir aquele moço de nome Nuno Melo.
Depois de os ouvir falar, ora com aquele ar arrogante de quem ameaça a população em geral ( a propósito da manif e dos comportamentos), ora com aquela pose mal concebida de quem possui um intocável estatuto de grande estadista, fico a falar comigo mesmo: alguma vez viste um pinto pôr ovos?

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