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Nestes pormenores é que se vê que não sou economista...

por José António Abreu, em 14.09.12

Sobre aquela coisa da Taxa Social Única nunca ter sido implementada nos moldes propostos pelo governo em país algum do mundo: tem havido assim tantos casos de países insolventes no interior de zonas monetárias onde não era, de todo, possível desvalorizar a moeda? Como é que foram resolvidos?

 

E outro ponto: assumindo por um instante que a redução do valor da TSU a pagar pelas empresas tem alguns efeitos positivos, exactamente por que é que seria melhor compensá-la através de uma subida do IVA ou do IRS?

 

Obrigado.

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35 comentários

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De tric a 14.09.2012 às 13:59

"E outro ponto: assumindo por um instante que a redução do valor da TSU a pagar pelas empresas tem alguns efeitos positivos, exactamente por que é que seria melhor compensá-la através de uma subida do IVA ou do IRS?"
.
é uma parvoice a TSU...é só invenções, perdão fantasias!! é melhor Portugal sair do Euro !!! só de pensar que os modelos do FMI e do BCE utilizados pelo Governo dão a indicação que a taxa de desemprego de Portugal com a introdução da TSU vai ficar nos 16% , e caso não fosse introduzida a medida da TSU ficaria na ordem dos 17%, dá para perceber a tragédia económica em que a Europa se encontra...com tais modelos, não existe ecónomia que aguente...
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De Alexandre Carvalho da Silveira a 14.09.2012 às 14:31

Como é hábito neste país das maravilhas, a generalidade dos(as) que andam nos media a falar da descida da TSU, não fazem a minima ideia de que é que estão a falar, e das repercuções que essa medida pode ter na vida das empresas.
Para mim a medida só peca por defeito, penso que deveria ser de pelo menos 8%, mas quando eu tinha de arranjar todos os meses umas dezenas de milhares de euros para pagar salarios e os descontos para a Segurança Social, se me dessem a possibilidade de poupar 5,75%, eu teria ficado muito satisfeito. O que faria com essa poupança, teria de ser bem estudado, mas dizer, como tenho ouvido a alguns empresários, que aquilo não resolve nada, é de ficarmos de boca aberta de espanto.
O aumento para os trabalhadores tambem se justifica; já ouviram falar de um "pormaior" chamado SUSTENTABILIDADE da Segurança Social? Se esta medida não for para a frente, depois não se queixem se não houver dinheiro para o SNS, escola publica, enfim para aquilo a que se chama "estado social".
NOTA: Li agora no DE online que o Eurogrupo faz depender o pagamento da proxima tranche da aprovação do OE/2013, que terá de contemplar as medidas anunciadas pelo governo. Parece-me que seria pertinente perguntar ao Seguro, se mesmo assim votará contra!
Mas ainda há neste país quem não tenha percebido que estamos mesmo falidos?
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De José Navarro de Andrade a 15.09.2012 às 15:04

Caro Alexandre:
Desculpe intrometer-me, mas a sua resposta sensata a uma questão que faço minha (embora tenha muito mais reticências do que jaa), ainda assim suscita-me dúvidas:
1) O seu alívio no pagamento de sálarios e nos descontos da SS (como eu o entendo...) não será apenas uma medida cosmética para fechar o ano?
2) É que assim o consumo diminuirá brutalmente para o ano, e o que agora não despede porque não vende, para o ano encerra porque ainda vendeu menos. Ou não?
3) Quando diz "O que faria com essa poupança, teria de ser bem estudado", prova que sabe o que faz, ao contrário do PM. Ele não hesitou: baixem os preços. Mas desde quando um empresário repercute a poupança nos preços? Em nome de quê? Que modelo e expetativas tem o PM para se sair com uma ideia tão destituída de senso comum?
4) Quando o Aelxandre fala da sustentabildiade da SS, equivoca-se no que respeita a esta medida. O aumento efetuado nos trabalhadores não vai para aí, vai para a diminuição do déficte. Ou seja é usurpado, ous eja, a SS receberá menos. Ou estou enganado?
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De Joana a 14.09.2012 às 15:04

Está a tentar convencer os outros, ou está a tentar convencer-se disso? Repita até acreditar.
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De José António Abreu a 15.09.2012 às 22:03

Joana: ambas; eu não tenho certezas mas a medida não me parece tão estúpida quanto a pintam; e, acima de tudo, não gosto de ouvir dizer que uma coisa resulta ou não resulta sem que seja explicado porquê. E dizer que seríamos o primeiro a experimentar quando aparentemente quase não houve outros casos similares ao nosso (se é que houve) é-me, para além de insuficiente, quase insultuoso.
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De Paulo Abreu e Lima a 14.09.2012 às 15:32

JAA,

Dê graças a Deus (ou a quem preferir) por não ser economista! De repente, as pessoas começaram a achar que a economia era uma ciência exacta e quem a exerce deveria resolver e prever todos os problemas da humanidade. Temos pena, mas não é. É uma ciência social com todas as incertezas e imprevisibilidades que tal acarreta.

Vou tentar responder primeiro ao seu segundo ponto:

1) A diminuição da TSU vem responder à inexistência de um outro instrumento, a desvalorização da moeda. Uma como a outra, visam obter maior competitividade dos bens transacionáveis, produtos nacionais susceptíveis de serem comprados e vendidos, através da diminuição do seu custo. A baixa da TSU visa unicamente aumentar a competitividade diminuindo o custo do trabalho unitário.

2) A versão clássica passa pela diminuição da TSU sobre as empresas e a subida do IVA (para compensar a diminuição das contribuições). O que acontece? Primeiro os preços dos produtos nacionais descem e, em simultâneo, o preço final de todos os bens (nacionais e estrangeiros) sobem. Conclusão: os preços dos bens nacionais ficam mais baixos em relação aos bens importados. Apesar do aumento generalizado dos preços, há um efeito de substituição favorecendo os produtos nacionais. Isto no mercado interno. Nas exportações os nossos preços ficam mais competitivos. O rendimento disponível mantém-se mas, na generalidade, o consumo diminui e é substituído por bens nacionais.

3) Se a descida da TSU para as empresas, for compensada pelo aumento da mesma para os trabalhadores por conta de outrem, a competitividade das empresas aumenta na mesma, o efeito substituição por produtos nacionais também se mantém, as empresas exportadoras são igualmente beneficiadas, mas o rendimento disponível dos trabalhadores decresce.

4) Comparando o consumo:

a) Ocorre diminuição de consumo nos dois casos (no primeiro caso, em virtude do aumento generalizado dos preços e no segundo caso em virtude da diminuição do rendimento disponível);
b) Contudo, a diminuição de consumo é maior com o aumento do IVA. Porquê? Porque o universo da procura interna (consumidores) é bem maior do que o consumo dos trabalhadores por conta de outrem. Inclui reformados e pensionistas, trabalhadores independentes e outros consumidores que auferem rendimento predial, capital e/ou outros. O aumento do IVA é mais gravoso na diminuição da procura interna.

5) Se for através do IRS, não saberemos muito bem para onde irão os nossos rendimentos (mas esse exercício é bem menos controlável e imprevisível)

Quanto ao seu primeiro ponto, com estes contornos, Portugal é o terceiro país do mundo a viver este tipo de realidade, pelo que não vejo mal algum em ser o primeiro com esta alteração da TSU. Isto digo eu, que não fiquei cristalizado no PREC...

(desculpe-me os erros e a má semântica: fiz o que pude em 10 mins)
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De Rui Dantas a 15.09.2012 às 11:37

Paulo Abreu e Lima,

Pense bem no que escreveu no ponto 4b.

É verdade que o IVA afecta um universo maior. Mas, como é óbvio, a diminuição do consumo NÃO seria maior no caso do IVA pois o aumento da taxa do IVA deveria ser (apenas) o suficiente para compensar a diminuição da TSU. Seria era distribuído por mais pessoas, como disse e bem, e esse é exactamente o problema destes 18% que afectam apenas os trabalhadores por conta de outrem...

E olhe que um PREC talvez já tenha esteja mais longe...
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De Paulo Abreu e Lima a 15.09.2012 às 20:35

Rui Dantas,

É ou não é verdade que o IVA é um imposto cego que tanto afecta quem ganha por conta de outrem como quem ganha uma mísera reforma de 200 €? E mais pessoas inclui este exemplo que lhe dei. Com a modelagem do aumento do desconto da TSU, os rendimentos mais baixos não serão afectados.
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De Rui Dantas a 17.09.2012 às 11:50

Viva,

Alguns pontos:

1) O IVA não é um imposto (completamente) cego. Existem (ainda) taxas diferentes. É de crer que quem tem "míseros reformas de 200€" compre principalmente produtos e serviços isentos ou com taxa reduzida.

2) No meu tempo de Universidade os alunos com melhores carros eram os que tinham isenção de propinas. Isto mostra o que valem as declarações de rendimentos e, por maioria de razão, os descontos para a SS.

3) Ainda não há detalhes sobre "a modelagem do aumento do desconto da TSU". Até ver é 7% para todos. Fala-se que para quem ganha salário mínimo, e nem desconta IRS, se vai inventar um crédito fiscal. Nada impediria que se fizesse o mesmo se se aumentasse o IVA.

4) A ser sobre o IVA, é mais expectável que os preços não aumentem, como se passou por exemplo este ano com alguns restaurantes. No caso da SS espera-se que os preços baixem (!) o que será certamente menos provável.

5) A percepção importa: uma coisa é diminuição de 10% no salário nominal, outra coisa é uma percepção algo vaga que os preços aumentaram (por aumento do IVA).

6) Pessoalmente, e vivendo eu relativamente perto da fronteira, o aumento do IVA ser-me-ia claramente favorável... :)

PS: Isto tudo foi, claro, "assumindo por um instante que a redução do valor da TSU a pagar pelas empresas tem alguns efeitos positivos". É difícil apresentar argumentos não muito absurdos quando se parte de um pressuposto absurdo.
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De Paulo Abreu e Lima a 17.09.2012 às 16:28

Viva, Rui

Em traços gerais, só vejo uma efectiva razão para preferir o aumento do IVA em detrimento do aumento da TSU para os trabalhadores por conta de outrem: liberdade para estes de escolherem o seu melhor padrão (cabaz) de consumo. Mas quando vejo produtos tão essenciais como a Luz e o gás à taxa máxima, nada me garante que se possa passar a tabelar todos os bens por uma só taxa máxima e... lá se vai a referida liberdade.

Rui, o aumento do IVA iria aumentar os custos intermédios dos bens exportados. Este é o maior problema do aumento do IVA.
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De José Navarro de Andrade a 15.09.2012 às 15:17

Caro Paulo:
Isto daria pano para muitas mangas, mas baseio-me na sua afirmação de que a economia "É uma ciência social com todas as incertezas e imprevisibilidades que tal acarreta." pergunto-me "popperianamente" se corresponderá mesmo a alguns critérios científicos essenciais, nomeadamente o "trial and error".
1) as medidas efectuadas não resultaram, o deficite não baixou.
2) Foi por serem insuficientes, ou por serem estruturalmente erradas?
3) Quando o PM diz que não contava com a drástica diminuição da venda de automóveis (bye bye IVA) nem com o drástico aumento do aforro (implacavelmente perseguido pelos bancos ao longo do ano, como qualquer detentor de conta bancária terá reparado), a pergunta só pode ser:
que raio de modelo estava ele a utilizar??
4) O seu impecável raciocínio, desculpe mas incorre na mesma pecha típica do "economismo": cria uma relação mecânica e directa entre aumento e diminuição de taxas, em circuito fechado, sem antever outros factores, nomeadamente psicológicos: confiança, esperança, credibildade,etc... que são determinantes no êxito ou malogro destas medidas.
5) Estarei errado?
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De Paulo Abreu e Lima a 15.09.2012 às 20:18

Caro José,

"Popperianamente", e perifraseando, nem os factos condenam os pecadores nem canonizam os santos. Ou, mais drástico, muitas mais mortes ocorreram até ao sucesso do primeiro transplante do coração. Já volto ao tema, vou só tentar responder às suas questões:

1) As medidas resultaram, a 5ª Avaliação foi positiva e resultou na libertação de nova tranche. O défice real baixou de 7,9% para 6%.

2) Vários factores concorrem concomitantemente para que os 4,5% não tenham sido atingidos e nenhum deles tem a ver com insuficiência ou com estruturas erradas das medidas. Aponto algumas:

a) Conjuntura económica europeia. Nomeadamente a espanhola (nosso maior parceiro comercial). Parece até que o país vizinho vai pedir resgate.

b) Aumento do desemprego superior ao esperado. Grande parte vindo do sector de bens não transacionáveis. Assim de repente estou-me a lembrar da enorme quantidade de empresas que apenas existiam para satisfazer a procura estatal de grandes, médias e pequenas obras.

c) Dificuldade efectiva em desblindar cláusulas contratuais com as 50 PPP efectuadas pelo governo anterior.

d) CRP. Perdoar-me-á, mas é o maior constrangimento à reestruturação da economia portuguesa.

3) O drástico aumento do aforro também mostra que afinal a economia paralela deve andar mesmo pelos 25% do PIB. A diminuição da venda dos automóveis foi compensada em parte pelo aumento drástico do aforro.

4) O meu raciocínio foi escrito (como referi) em termos dos efeitos mais relevantes, tendo sempre em conta que economia não é uma ciência exacta. Não é fechado nem desconsidera outros factores. Parti sempre do princípio que os agentes eram racionais.

5) Claro que não está errado. Era um quiz...? Se sim, o JAA deveria ter avisado.

José, de vez em quando, comento por aqui por uma razão suficiente: trocam-se ideias sem querer ganhar bicicletas.
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De José Navarro de Andrade a 16.09.2012 às 01:37

Paulo: Tiro o chapéu pela paciência, síntese e clareza da sua resposta. O assunto é vasto e complexo demais para continuar por aqui, sem correr o risco de se transformar em sound bites que é precisamente o que estamos a evitar. Continuo, no entanto, abismado com a quantidade de imponderáveis em matéria que tem repercussões tão agudas na vida das pessoas. Desculpe, mas cada vez mais desconfio da economia, deve ser a minha costela de filosofia neo-positivista que se dá muito mal com as metafísicas especulativas... (esta foi mázinha, bem sei...)
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De José António Abreu a 15.09.2012 às 20:56

Caro Paulo:
Obrigado pelo esforço. Ora, mesmo considerando que, como salienta Rui Dantas em resposta ao seu comentário, o universo abrangido é menor no caso da compensação através da subida da taxa para os trabalhadores por conta de outrem, no limite e na globalidade, o resultado final não deverá ser muito diferente. Resta a questão da eventual menor equidade. Mas tendo o governo (a) admitido aumentar as contribuições de outros sectores (recibos verdes, dividendos, mais valias, etc. - credo, parece que estou a defender subidas de impostos!), e (b) devolver aos cidadãos com menores rendimentos parte do montante recebido (embora deva reconhecer-se que o modo mais fácil de o fazer – o crédito fiscal no IRS – não elimina problemas de tesouraria desses cidadãos), essa questão é atenuada. Acima de tudo: se esta forma é má, aceitará a oposição que a desvalorização seja efectuada através do IVA? Ou – e vamos ao segundo ponto – estamos apenas a recusar qualquer medida deste tipo? (Não precisa de responder.) É que mesmo nos países habitualmente referidos como comparação (Argentina, países nórdicos, países bálticos, Islândia), houve desvalorização cambial (durante a crise, a Argentina rompeu a paridade peso – dólar, certo?). Daí a minha pergunta. Sendo que também não vejo mal nenhum em adoptar a medida. Mas, é certo, eu não sou economista e os que vão à televisão parece que vêem.
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De Paulo Abreu e Lima a 15.09.2012 às 21:23

JAA,

Parte da minha resposta já está espelhada nas respostas que dei ao Rui Dantas e ao José Navarro de Andrade.

E, sim, ninguém quer discutir alternativa alguma. Quanto aos economistas que vão à TV, acabei de ouvir Vítor Bento que não discorda em nada com esta medida, apenas, como nós, quer ver discutidas esta e outras verdadeiras alternativas. Os outros, inacreditavelmente, ou estão presos a parâmetros ideológicos, ou a emproados autoconvencimentos.
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De rosa a 17.09.2012 às 15:31

E quais foram esses países (por curiosidade)?
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De Joao Pedro Santos a 14.09.2012 às 16:10

Não há exemplos históricos de união monetária sem união fiscal, por isso os paralelos utilizados são nomralmente a argentina (que adotou uma taxa de câmbio fixa face ao dólar e cuja experiência correu muito mal) e os países bálticos (lituânia, estónia e letónia) que após a crise de 2008-2009 viram a taxa de desemprego crescer para níveis muito elevados (p. ex. no caso da Lituânia o desemprego subiu de cerca de 4,3% em 2007 para 17,8% em 2010), países que onde o desemprego tem estado a descer (na lituânia para 15,4% em 2011 e 13,8% em 2012).
Quanto à questão que coloca, não há boas opções (qualquer delas tem efeitos recessivos no curto prazo), mas diria que a melhor opção ainda talvez seja a subida do iva. Com efeito a vantagem da desvalorização cambial é que permite alterar instantaneamente os preços, salários bem como os ativos e passivos internos, permitiindo que estes depois se ajustem o que não é possível replicar usando apenas a política orçamental, a qual embora permita ganhos de competitividade ~face ao exterior implica, por definição, uma transferência de rendimento dos consumidores / trabalhadores ou contribuintes de irs para as empresas e o ajustamento relativos dos entre os bens transacionáveis e não transacionáveis continua a ter que se fazer via efeitos da procura (e aumento do desemprego) e não ajuda (até tende a agravar) o reequilibrio entre rendimentos e passivos.
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De José António Abreu a 15.09.2012 às 21:10

João:

Mas mesmo nesses casos houve desvalorização cambial e inflação, que ajudou a aumentar as exportações (e, pelo menos no caso da Estónia - nos outros também, mas menos -, um governo que manteve o défice e a dívida controlada - o primeiro nunca subiu acima de 2,9% e a segunda é a mais baixa da UE, estando nos 6% do PIB -, tendo apesar disso começado a recuperar bastante rapidamente). Quanto a esses níveis de taxas de desemprego, são infelizmente normais nestes processos.

E, sem certezas, aceito que a subida do IVA possa ser melhor. Mas verdadeiramente os portugueses não querem é qualquer medida de desvalorização fiscal, certo?
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De Leitor atento a 14.09.2012 às 16:40

simplesmente, porque com o IVA ou IRS seria mais equitativo, pagaria quem consumisse mais. Com a subida da TSU, há ainda largos estratos da população que não pagam, ex: profissionais liberais, etc. Por exemplo, na minha profissão (não digo qual é, ainda se lembram de fazer alguma coisa) ninguém vai ser afectado por estas medidas e trabalho para o Estado.
Com a subida do IVA ou IRS iria directamente para o Estado e possivelmente para abater a dívida ou o défice; com a TSU vai para um fundo de maneio que o Gaspar se propõe controlar...
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De Alexandre Carvalho da Silveira a 15.09.2012 às 00:07

Os profissionais liberais já pagam 29% e vão passar a pagar perto de 31%.
Seria perfeitamente estupido sustentar esta medida com um aumento do IVA ou do IRS, porque lhe anulava o efeito e por isso não foi adoptada no OE de 2012.
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De José António Abreu a 15.09.2012 às 21:11

Leitor atento: leia, por favor, a minha resposta ao comentário de Paulo Abreu e Lima, um pouco mais acima.
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De raioverde a 14.09.2012 às 19:21

Exactamente.

já havia pensado no primeiro ponto algum tempo e o segundo já me havia perpassado pela cabeça.

Realmente não se entende. Mas pronto.
Cá estão os não-economistas para pôr as perguntas difíceis aos economistas.

Cumprimentos.
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De José António Abreu a 15.09.2012 às 21:12

Obrigado, raio verde.
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De portuguesacoriano a 14.09.2012 às 22:37

1º Não temos economia para fazer face aos "luxos públicos " que temos.
2º-Não temos, porque não tivemos um só governo desde o 25 Abril que soubesse governar o país.
3º A CEE que depois ficou-se só por Europa, não agiu bem em confiar aos estados a gerência dos fundos. Isto porque o dinheiro não foi bem aplicado, foi apenas roubado e esbanjado sem sentido.
4º Não tivemos força politica para gerir os interesses de Portugal na União.
5º Hoje mais do que nunca estou convicto de que a União para funcionar, teria de ter começado da seguinte base: Queres entrar, ajudamos financeiramente, mas o país passa automaticamente a estado membro e como tal perde a sua soberania.
O parlamento Europeu deveria então ser constituído pelos ministros de cada estado, prestando contas a uma presidência eleita por todos os estados.
Comessaram pelo fim, porque o fizeram?
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De José António Abreu a 15.09.2012 às 21:20

A União Europeia foi constituída entre Estados livres e presumivelmente responsáveis. Infelizmente, muitos não o são. Pessoalmente, acho que se avançou demasiado depressa e se fecharam os olhos a muitas coisas - incluindo contas públicas aldrabadas.
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De Mário Pereira a 15.09.2012 às 00:43

Então mas isto não é um laboratório? Nos laboratórios, supostamente, fazem-se experiência, certo?
Se resultar, porreiro.
Senão, paciência.
Experimenta-se outra coisa qualquer.
Deste tipo.
Ou seja, qualquer coisa que garanta que os malandros-que-têm-vivido-acima-das-suas-possibilidades-portugueses passam a viver, de uma vez por todas, "de acordo com as suas possibilidades".
Entretanto, vão morrendo os mais fracos, os mais velhos, os mais pobres, os mais doentes...
Sempre alivia qualquer coisa.
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De José António Abreu a 15.09.2012 às 21:38

Infelizmente, não tenho ouvido muitas alternativas às políticas actuais. Repare:mesmo que deixássemos de pagar a dívida pública (com todas as eventuais consequêndias que isso acarretaria), o dinheiro que ficaria disponivel não chegaria para cobrir o buraco orçamental deste ano. Ou seja: precisamos de financiamento externo e ele só vem com medidas de austeridade. A questão da TSU é uma tentativa para acelerar o processo de correcção - numa desvalorização cambial, que esta medida tenta emular, a queda é mais forte mas a recuperação também costuma ser mais intensa.
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De Mário Pereira a 16.09.2012 às 00:03

Já li por aqui, numa tentativa absurda de branquear as aldrabices dos que, eleitos, fazem o contrário do que prometeram, chamar-lhe "democracia da era televisiva, em que a mensagem tem de ser adoçada para se vencerem eleições"...
Essa conversa não me convence, independentemente dos políticos em causa serem da esquerda ou da direita.
Também não me convence a justificação desses políticos aldrabões de que não conheciam a real dimensão da "coisa".
Ora, nada do que o Passos Coelho tem feito está em linha com o que ele prometeu antes de ser eleito.
A dívida tem que ser paga - ou melhor, tem que parar de crescer, porque não conheço nenhum país no mundo que não tenha dívida -, mas não se pode actuar apenas do lado dos cortes das prestações sociais e dos salários e do aumento dos impostos.
É fundamental reduzir as rendas excessivas na energia, renegociar as PPP, cortar nos institutos e nas fundações, sem esquecer as célebres gorduras.
Até agora, tudo o que se fez nestas matérias foi para inglês ver.
Portanto, se quer alternativas, concentre-se nestas, que foram promessas eleitorais do Passos Coelho: gorduras, institutos, fundações, rendas excessivas, PPP.
Já agora, acrescento mais algumas: a velha questão do enriquecimento ilícito, a corrupção, o compadrio, a cunha, as consultorias e os pareceres milionários, as reformas acumuláveis e antes do tempo de que gozam os políticos, os subsídios de alojamento, mesmo aos que têm casa em Lisboa, os abusos nas viagens supostamente em actividade política, o parque automóvel gigantesco do Estado, os consultores sem currículo - porque não o podem ter pessoas na casa dos vinte anos, acabadas de se licenciar - que enxameiam os ministérios com salários elevadíssimos, o caso BPN, Freeport, submarinos, sobreiros, a absoluta ineficácia da PJ e dos tribunais...
Chega?
Há tanta coisa para fazer sem ser dar bordoada em quem trabalha...
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De Rui Dantas a 15.09.2012 às 11:40

Muitos trabalhadores, com isto da TSU, vão ver o salário reduzido em 10% ou mais.

Para quanto iria aumentar o IVA? 35%?
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De José António Abreu a 15.09.2012 às 21:41

Como o esforço seria distribuído por mais gente, não, até porque provavelmente se mexeria também na taxa reduzida. Mas não seria agradável claro. Nenhuma destas vias é. Ou melhor: nenhum processo de ajustamento deste género é.

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