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Delito de Opinião

As 41 horas e o descrédito

André Couto, 10.09.12

O Primeiro-ministro falou 6.ª feira, às 19h30, e o Secretário-geral do PS demorou 41 horas a reagir. Pelo caminho todo o discurso de crítica foi feito e até o próprio “Pedro”, o carniceiro arrependido de não ter sido humano pelo menos na forma, teve tempo para temperar o tom do seu discurso.

 

Bacelar Gouveia, destacado militante do PSD, vaticinou “que o Governo pode vir a ser responsabilizado civil e criminalmente”. Bagão Felix, independente ligado ao CDS, afirmou “que o Governo deu machadada final no regime previdencial, por promover o aumento das contribuições dos trabalhadores para a Segurança Social quando há uma redução dos benefícios”. D. Januário, pela Igreja Católica, em nome de quem falou, como frisou, disse que este era um “ataque atroz aos trabalhadores”. Até Marcelo Rebelo de Sousa pareceu ser o líder da oposição.

António José Seguro só veio a terreiro no final da manhã de domingo, quando todo o discurso de oposição estava feito e já se recolhiam as trouxas na feira das reacções. Pior, aparece para declarar que o PS não será cúmplice, sem nunca sequer pronunciar as palavras “chumbar” ou “votar contra”.

 

O que está em causa não são amendoins, é insistência numa receita que generaliza o desespero e a pobreza, quando não a miséria. É o atropelo do Tribunal Constitucional e o marimbar na oposição e nos parceiros sociais. É a redução do salário mínimo, entre tantas outras reduções. Perante isto o PS não se pode limitar a dizer, 41 longas horas depois, que não será cúmplice.

 

Com estes obscenos factos e números, deveria ter sido anunciada uma moção de censura ao Governo. Se o cenário actual não o justifica, o que o justificará? O PS tem de liderar as intervenções e o debate, tem de sair para a rua e tem de dizer, aritmeticamente, o que faria de diferente, coisa que continua sem fazer, para seu descrédito. O PS tem de ser a imediata caixa de ressonância do sentimento e receio da população, tem de ser o rosto da oposição, a alternativa forte e credível instalada no terreno e no debate. Ao PS não pode bastar dizer que não será cúmplice, tem de afirmar o democrático punho esquerdo a lutar pelo Povo assustado. É o seu dever, um imperativo histórico e a única salvação que vislumbro para o País.

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