Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]




 

Deixemos por um momento a discussão sobre o caminho e as alternativas e centremo-nos nos efeitos das medidas anunciadas. Um país com o nível de desemprego atingido em Portugal (e não, não vai melhorar) e que vê os que trabalham perderem mais de um salário líquido (trabalhadores do sector privado) ou mais de dois salários líquidos (trabalhadores do sector público) está, objectivamente, numa situação de economia de guerra. Um cenário destes exige de quem tem responsabilidades políticas muitas coisas. Mas exige, antes de mais, contenção e respeito pelo drama social de um número crescente de pessoas. A situação não está para brincadeiras. A coisa não vai lá com manifestações vazias de proximidade, solidariedade ou compreensão, como é o caso da mensagem do Facebook que alguém escreveu por Passos Coelho e que, como era de esperar, tem o único efeito útil de permitir a uns bons milhares de pessoas dizerem-lhe aquilo que gostariam, com razão ou sem ela, de transmitir-lhe cara a cara. Pelo mesmo motivo, o deputado Amorim devia ter vergonha. Porque a paciência para aceitar que se utilize a angústia como arma de arremesso político está esgotada. Nesta altura, as pessoas precisam de soluções e exemplo e não de quem procure capitalizar as responsabilidades de terceiros em proveito próprio ou de alijar as suas próprias responsabilidades à custa da miséria alheia. Sobretudo quando as ditas soluções e o referido exemplo escasseiam. Por tudo isto também, a imagem de Passos Coelho feliz e entusiasmado a cantar a Nini de Paulo de Carvalho umas horas depois de anunciar cortes brutais no rendimento dos portugueses é mortal para a sua credibilidade política. Trata-se de um episódio ao nível do Luís vê lá como é que eu fico imortalizado por Sócrates. Certo. Um governante não é, por isso, menos pessoa. E tem direito aos seus momentos de alegria. Mas, na noite de 7 de Setembro, depois de ter provocado angústia a milhões de portugueses, Passos Coelho ria de quê?


20 comentários

Imagem de perfil

De Teresa Ribeiro a 09.09.2012 às 12:57

É o chamado post assassino, Rui. E o tiro foi bem na testa.
Imagem de perfil

De Rui Rocha a 09.09.2012 às 21:03

Sim, Teresa. Ainda tenho a pistola a fumegar.
Sem imagem de perfil

De portuguesacoriano a 09.09.2012 às 14:14

pessoa desprovida de pudor, indiferente ao sofrimento alheio.
Uma viva aos cínicos: VIVA!
Imagem de perfil

De Rui Rocha a 09.09.2012 às 21:03

Não diga VIVA que ainda se lembram de aumentar o IVA.
Sem imagem de perfil

De portuguesacoriano a 09.09.2012 às 14:56

Rui, olha que ele pode considerar isso como: "Uma evidente violação do foro privado, até porque não está em causa dinheiro público "
Nesta situação, pode se divertir porque não esta preocupado com nada e depois de um "duro" dia de trabalho ir a um concerto é um procedimento de todas as pessoas normais.
Não me parece que o 1º estivesse cantando a Nini, Aposto que, talvez por sugestão da 1ª, estavam cantando: É sexta feira, ieh
Os anormais são aqueles que trabalham todo o dia para pagar a renda da casa e meter comida na mesa, esses que por escolha ou por incapacidade não roubam nem inventam, que chegam ao final do dia tomam um banho e vão se deitar exaustos, porque amanha têm pela frente mais um dia de trabalho árduo.
Imagem de perfil

De Rui Rocha a 09.09.2012 às 21:04

Caro PA, há uns 3 anos o Prof. Daniel Bessa disse-me que só trabalha quem não sabe fazer mais nada. Creio que tinha razão.
Sem imagem de perfil

De portuguesacoriano a 10.09.2012 às 12:48

Sim, é comum dizer-se isso na gíria popular.
Tambem é comum dizer-se que os cães é que vivem sem trabalhar.
Sem imagem de perfil

De lucklucky a 09.09.2012 às 15:24

Os Portugueses continuam preocupar-se com aparências e coisas acessórias.
Já foi assim com a licenciatura do Sócrates. Houve bem mais textos sobre uma coisa que pouco interessava em vez de textos sobre súbida da dívida a cada mês.

A subida da dívida é que doí não foi nem é a licenciatura.

É o pessoalismo da sociedade portuguesa. Aparências e Credencialismo é só isso que interessa.
Imagem de perfil

De Rui Rocha a 09.09.2012 às 21:06

Pode ser, Lucky. Mas isso acontece porque as aparências e o credencialismo são utilizados, antes de mais, por certas pessoas. Não foi minha a mensagem pesarosa do Facebook.
Imagem de perfil

De José António Abreu a 09.09.2012 às 15:35

Não seria riso histérico, Rui? Sabendo que quase de certeza perdeu as próximas eleições...
Imagem de perfil

De Rui Rocha a 09.09.2012 às 21:07

Creio que o riso histérico foi apenas quando o Carvalho cantou o "E Depois do Adeus".
Sem imagem de perfil

De rosa a 10.09.2012 às 00:40

Será que ainda país, no tempo das próximas eleições? Será que não ficaram só os mortos nos cemitérios?
Imagem de perfil

De Rui Rocha a 10.09.2012 às 10:13

É possível que os próprios mortos tenham de ser despejados para os cemitérios serem vendidos a investidores angolanos.
Sem imagem de perfil

De Vasco a 09.09.2012 às 20:23

É um tipo simples. Antes assim. Os perigosos são os que se fingem pesarosos.
Imagem de perfil

De Rui Rocha a 09.09.2012 às 21:08

Não foi isso que PPC tentou fazer com a mensagem no Facebook?
Sem imagem de perfil

De Outside a 09.09.2012 às 23:19

"É um tipo simples." Sublime ironia embrulhada numa hilariante adjectivação.
Sem imagem de perfil

De Outside a 09.09.2012 às 23:05

Obrigado Rui.

Esta imagem nada tem de acessório; pelo contrário demonstra, evidencia a essência do representado, contextualmente imortalizado na cronologia desse dia.

Abraço
Imagem de perfil

De Rui Rocha a 10.09.2012 às 10:14

É o que me parece também, David.
Sem imagem de perfil

De Anónimo a 11.09.2012 às 21:10

Este Passos Coelho é um psicopata!!!
Sem imagem de perfil

De Anónimo a 11.09.2012 às 23:47

Ó Rui, tão nã vê q o home tava se lembrando da nini dos seus quinze anos!? Como nã podia tar entusiasmado!? Há cortes q entusiasmam mais.

Comentar post



O nosso livro



Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.




Links

Blogue da Semana

  •  
  • Afinidades

  •  
  • Lá fora cá dentro

  •  
  • Mais ligações

  •  
  • Informações úteis


    Arquivo

    1. 2020
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    14. 2019
    15. J
    16. F
    17. M
    18. A
    19. M
    20. J
    21. J
    22. A
    23. S
    24. O
    25. N
    26. D
    27. 2018
    28. J
    29. F
    30. M
    31. A
    32. M
    33. J
    34. J
    35. A
    36. S
    37. O
    38. N
    39. D
    40. 2017
    41. J
    42. F
    43. M
    44. A
    45. M
    46. J
    47. J
    48. A
    49. S
    50. O
    51. N
    52. D
    53. 2016
    54. J
    55. F
    56. M
    57. A
    58. M
    59. J
    60. J
    61. A
    62. S
    63. O
    64. N
    65. D
    66. 2015
    67. J
    68. F
    69. M
    70. A
    71. M
    72. J
    73. J
    74. A
    75. S
    76. O
    77. N
    78. D
    79. 2014
    80. J
    81. F
    82. M
    83. A
    84. M
    85. J
    86. J
    87. A
    88. S
    89. O
    90. N
    91. D
    92. 2013
    93. J
    94. F
    95. M
    96. A
    97. M
    98. J
    99. J
    100. A
    101. S
    102. O
    103. N
    104. D
    105. 2012
    106. J
    107. F
    108. M
    109. A
    110. M
    111. J
    112. J
    113. A
    114. S
    115. O
    116. N
    117. D
    118. 2011
    119. J
    120. F
    121. M
    122. A
    123. M
    124. J
    125. J
    126. A
    127. S
    128. O
    129. N
    130. D
    131. 2010
    132. J
    133. F
    134. M
    135. A
    136. M
    137. J
    138. J
    139. A
    140. S
    141. O
    142. N
    143. D
    144. 2009
    145. J
    146. F
    147. M
    148. A
    149. M
    150. J
    151. J
    152. A
    153. S
    154. O
    155. N
    156. D