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Ainda a entrevista de Crato

por Rui Rocha, em 07.09.12

A entrevista do Ministro da Educação hoje publicada no SOL tem, numa primeira leitura, duas afirmações essenciais. A de que o número de professores necessários irá decrescer devido à diminuição do número de alunos e a de que não espera contestação significativa nas ruas. No que diz respeito à primeira, importa sublinhar que se trata de uma afirmação vazia. É evidente que o critério demográfico não pode ser o único nem o principal factor a determinar o contingente de professores necessário. Por absurdo, ainda que tivéssemos uma demografia pujante, o número de professores indispensáveis ao funcionamento do sistema seria muito reduzido se a oferta de ensino público fosse fixada em apenas 4 anos de escolaridade obrigatória. A pergunta essencial dirige-se, portanto, ao conteúdo dessa oferta. Prescindindo da discussão de outros aspectos (nível de escolaridade obrigatória, oferta curricular, disciplinas, conteúdos, cargas horárias, necessidades de apoio e reforço), uma das perguntas a fazer é se, por exemplo, o número máximo de alunos por turma deve ser de 30 ou se as condições adequadas para promover aprendizagens efectivas imporiam turmas de dimensão bem menor. Já no que diz respeito à contestação, Crato é bem capaz de ter razão. Certo, mais de 100.000 professores saíram à rua quando Sócrates era primeiro-ministro. Mas é preciso perceber que o que estava então em causa, mais do que uma qualquer má vontade contra o agora exilado parisiense, era em boa a medida a avaliação e a carreira dos professores do quadro. Agora, o que se discute é, sobretudo, o desemprego dos contratados. Não se espere dos sindicatos grande interesse na mobilização para defender os interesses desses outsiders. Nem dos insiders (os professores do quadro) uma solidariedade desmesurada que vá para além de palavras de circunstância.


8 comentários

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De Leonor Barros a 07.09.2012 às 19:15

Rejeito liminarmente a tua última frase e considero-a ofensiva.
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De Rui Rocha a 10.09.2012 às 12:46

Leonor, é uma apreciação obviamente dirigida a um conjunto e não a pessoas concretas. Com naturais e honrosas excepções, não vejo qualquer tipo de solidariedade especial entre os professores do quadro e os contratados. Da mesma maneira que os contratados, quando estão colocados, esquecem qualquer intenção reivindicativa e só se lembram de cobras e lagartos enquanto esperam nova colocação. Provavelmente é humano e natural que assim seja e não é algo que se passe apenas entre os professores. Mas, admitindo todas as opiniões contrárias, tenho-o como um facto.
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De Leonor Barros a 10.09.2012 às 12:59

Rui, eu também não estou a ver muito bem o que se está a passar na tua empresa. É fácil falar destas coisas quando não se está dentro. Parece-me, e estou a falar do que conheço, que houve alguma solidariedade, que todos estamos solidários com os que ficaram este ano sem emprego, no quadro ou fora dele. Eu não vejo os meus colegas como do quadro ou contratados. Se queres que te diga nem sei quais são os contratados. E é por isso que esta má vontade que acentuas com alguma frequência dos professores do quadro contra os contratados me incomoda muito.
Quanto às intenções reivindicativas, se sabes outras coisas saberás que estamos esgotados, fomos trucidados por tantas medidas tão penalizadoras e sem esperança.
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De monge silésio a 07.09.2012 às 20:57

Rejeito liminarmente "afirmação vazia".

É um facto :
são pagos pelos contribuintes.
Mas o Estado tem outras funções de igual importância: saúde, segurança social; e outras que não pode prescindir: o judicial e a segurança externa e interna.

Daí cortes.
Ora, num Estado em que a despesa corrente é de 70% com o pessoal...

Se a escola for mais exigente, com mais conteúdos, prestigiando os mais aptos, arredando os repetentes do sistema, reduzindo disciplinas e sendo pública até aos 15 anos , poupar-se-ia imenso, não se confiscando o produto do suor de muitos.

Já agora: contrate-se professores de mandarim, e hindu, .. não há?! Invistam...
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De am a 07.09.2012 às 21:49

Caro Rui Rocha

Acho que só se poderá ( pelo menos eu)dar uma resposta em consciência quando soubermos ao certo rácio professores /alunos ( para os mesmos ciclos).

O resto, acho que é dar palpites!

Digam -nos! Será assim tão dificil???
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De portuguesacoriano a 08.09.2012 às 02:13

Este ano, são cerca de 37.000 sem emprego.
Este ano cerca de 7.600 conseguiram emprego, a somar a estes, estão no quadro permanente um bom numero, não sei quantos são, mas sei por exemplo o seguinte:
Numero actual de alunos matriculados nas escolas publicas e privadas: 1.772.252
Número de pessoas afecto ao Ministério da Educação: 205.437
Número de pessoas afecto ao Ministério da Ciência, Tecnologia e ensino Superior: 40.828
Mais informações em: www.por7ugal.net /educacao

Ou seja, 253.565 é o numero de pessoas empregues na educação de 1.772.252 alunos.

Curiosidade: Este ano, por cada 7 alunos há um posto de trabalho.
Contando com 17 anos distintos de formação, os primeiros quatro anos da escola primária representam cerca de 25,3% destes anos. A esta parte é preciso fazer referencia, para tal e atendendo a que a natalidade tende a descer eu vou atribuir a estes 25,3% da primária 23% do total de alunos matriculados este ano. Como sabemos é só 1 professor por classe. Em média creio rondar 1 professor por cada 22 alunos (escola primaria)
Clarificando: 23% de 1.772.252 é igual a: cerca de 330.000 alunos na primaria, divididos por 22 (média por classe) são precisos cerca de 1.500 professores para ensinar estes alunos.
Agora já podemos subtrair estes 1.500 ao total de 1.772.252 o que resulta: 1.770.752 empregos.
-Agora vejamos os restantes 13 anos calculados à média de 10 disciplinas por cada ano.
Atendendo as minhas simples contas, temos então no ensino no básico, no secundário e no superior cerca de 1.442.252 alunos, divididos por turmas de 20 alunos, resulta em cerca de: 7.211 turmas.
7.211 (numero de turmas) multiplicados por 10 professores(1 por disciplina) por turma é igual a: 72.110 professores.

Professores da primaria: 1.500
Professores para o básico, secundário e superior: 72.110 professores
Numero de professores para o total de turmas: 73.610
Relembro o numero total de empregos na educação este ano: 253.565
-Há professores a fazer 3,4 e 5 turmas e o numero de alunos por turma é, creio,superior a 20 alunos, o que ainda reduz mais o numero de professores que apresento.

Supondo que este numero de professores seja real, temos cerca de 2,5 funcionarios por cada professor.
Fico sem saber se são muitos ou se são muito poucos, mas á primeira vista, isto parece-me ser muita gente a trabalhar na educação.
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De José Menezes a 08.09.2012 às 15:05

Por absurdo, nas suas palavras (redução ao absurdo?). Mas não é absurdo.

1) "Por absurdo, ainda que tivéssemos uma demografia pujante, o número de professores indispensáveis ao funcionamento do sistema seria muito reduzido se a oferta de ensino público fosse fixada em apenas 4 anos de escolaridade obrigatória." (sic)
Resposta: o nº de alunos é de facto menor, mesmo para 9 anos de escolaridade obrigatória. O Rui não fez qq redução ao absurdo.

2) Na grande manifestação espontânea de Janeiro de 1911, eu estive lá. Eu lutava contra o socialismo e as medidas impostas, a maior parte lutava pelo sistema público. Eu lutavam pelo sistema de avaliações, outros contra.
Resposta: Não tire conclusões fáceis e mediáticas.

3) Não há "professores" contratados que sejam professores de carreira. A carreira deles não começou. Há apenas licenciados que experimentaram o ensino. O desemprego atinge um leque grande de licenciados, seja em ensino com (coitados) 80 % de demagogias obscurantistas e 0% de ciência, seja em qq outra área.

4) Em Portugal, os sindicatos são, directa ou indirectamente, financiados pelo estado. Não espere grande coisa deles.

5) Cada turma gasta, em professores, 4000€/mês. Por aluno, depende do seu nº por turma.
Resposta: Não seja dogmático.
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De JS a 08.09.2012 às 17:08

A grande maioria dos professores, senão todos, tem a paixão do ensinar.

Os sindicatos socialistas, com a sua vocação de poder centralizado, durante anos induziram os professores para um confronto inútil, e errado. Ministério vs Professores.
A "luta" tão a gosto de sindicatos totalitaristas O poder.
É pena.

Há outras fórmulas, mais construtivas e com melhores resultados, para todos: alunos, professores, empresários do ensino e para o País. Sendo que muitos professores podem associar-se, com vantagem, nestes processos.
http :/ www.prof2000.pt users jmatafer site_dep_port quest-pedag /quest_pedag16.htm

Aparentemente esta evolução até não desagrada ao Ministro.

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