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Formigas à vista!

por João Carvalho, em 01.09.12

Os Açores começaram a ser achados a partir da ilha de Santa Maria, em 1432? Pode dizer-se que sim, mas os ilhéus das Formigas foram encontrados no ano anterior.

 

 

Quando o Infante D. Henrique designou Gonçalo Velho Cabral para ir em busca das ilhas que, em 1427, o piloto Diogo de Silves encontrara no regresso de uma viagem à Madeira, seguramente não esperava o resultado que teria essa primeira tentativa.

 

História. Gonçalo Velho Cabral, cavaleiro da Ordem de Cristo e comendador do castelo de Almourol, era um experiente navegador da confiança do Infante, já então considerado um homem muito próximo deste. Em 1431, com poucos recursos, D. Henrique sabia que podia contar com a reconhecida capacidade de liderança e experiência de Gonçalo Velho, pelo que decidiu que ele partiria sem problemas apenas com um pequeno barco e uma reduzida tripulação. Tudo indica que, ao todo, a tripulação não excedia uma dezena ou uma dúzia de marinheiros.

No ano seguinte, em 1432, o Infante enviou de novo Gonçalo Velho a caminho dos Açores e ele encontrou as ilhas de Santa Maria e de São Miguel, as duas mais orientais do arquipélago. Mas porque é que, nesse ano de 1431, ele não teria encontrado mais do que os pequenos ilhéus das Formigas, um conjunto de rochedos baixos localizados a norte de Santa Maria?

Calcula-se a frustração do navegador e, no regresso, do Infante. Nem uma das ilhas já antes achadas fôra avistada. Apenas os inabitáveis rochedos.

 

Imaginação. Quando me detenho a reflectir sobre este episódio, ponho-me a imaginar as raivas frequentes e traiçoeiras do Atlântico Norte e os sustos que um punhado de homens teria recebido borda dentro numa pequena embarcação a bater-se contra qualquer tempestade e quase à deriva entre os habituais nevoeiros do oceano.

Em dado momento, abalados e já quase descrentes das suas forças, não teriam esses homens esgotado todo o álcool que levavam a bordo, como que a preparar o que parecia o caminho inevitável para o sono eterno?

É humano e compreensível que assim tivesse sido. Nessas condições, com muito álcool a correr nas veias, quem teria avistado uma ilha ou algo mais do que aqueles rochedos que mal se levantavam do mar bem à frente do barco?

 

Actualidade. Hoje em dia, a verdade é que as Formigas têm uma importância que Gonçalo Velho Cabral não conseguiria adivinhar. O grupo de ilhéus, em que se destaca o perfil invulgar do farol que serve de aviso à navegação, tem sido sucessivamente classificado e confirmado como Reserva Natural e está integrado na Rede Natura 2000.

 


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