Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]




Restaurações

por José Navarro de Andrade, em 24.08.12

1657

1847 

 1878

O picaresco episódio de Doña Cecília Jimenez, vilã de Borja, lugarejo de 4000 almas nos confins de Aragão, veio salvar a silly season. Da toca saltaram comentadores de 3 qualidades: ele foram os restauracionistas que vieram a público rasgar as vestes, ele foram os jocosos que têm sempre razão porque nunca levam nada a sério e, decorrente destes, ele apareceram, ainda titubeantes, os que já vêm defender o estilo naif da senhora, como quem descobriu um Le Douanier Rousseau de última hora.

Os arqui-conservadores, que tudo baptizam como património a preservar, imutável através dos tempos, sofrem de outro problema além da extrema sisudez e da manifesta vontade de mandar parar as máquinas para sempre. É que precisamente, as máquinas nunca pararam e a maior parte dos “monumentos” (só este conceito daria para uma brava discussão) que elegemos como emblemas imortais da nossa pátria não menos imortal, lamento informar, mas têm sido remexidos, com maior ou menor alvenaria, ao longo da sua existência, bem mais precária do poderíamos supôr.

Os Jerónimos por exemplo, o timbre supremo da Era dos Descobrimentos (donde, em memória, parece que nunca saímos), o imaculado registo do quinhentismo português, pois os Jerónimos, a última intervenção que tiveram foi em 1950 quando lhes acrescentaram os vitrais do cruzeiro. Esses mesmos vitrais que turistas fotografam com deslumbre e os seus guias garantem ser manuelinos de gema.

Mas como se pode ver pela foto supra, este acrescento foi nada comparado com as dedadas que imprimiram no Mosteiro nos finais do séc. XIX e as reconstruções, supostamente imitando a traça original (imitação=kitsch, por definição), executadas aquando da famigerada Exposição do Mundo Português de 1940.

Pode Doña Cecília ter sido desajeitada e falha de talento, mas não podemos nós considera-la profanadora ou fora dos costumes.



O nosso livro






Links

Blogue da Semana

  •  
  • Afinidades

  •  
  • Lá fora cá dentro

  •  
  • Mais ligações

  •  
  • Informações úteis


    Arquivo

    1. 2020
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    14. 2019
    15. J
    16. F
    17. M
    18. A
    19. M
    20. J
    21. J
    22. A
    23. S
    24. O
    25. N
    26. D
    27. 2018
    28. J
    29. F
    30. M
    31. A
    32. M
    33. J
    34. J
    35. A
    36. S
    37. O
    38. N
    39. D
    40. 2017
    41. J
    42. F
    43. M
    44. A
    45. M
    46. J
    47. J
    48. A
    49. S
    50. O
    51. N
    52. D
    53. 2016
    54. J
    55. F
    56. M
    57. A
    58. M
    59. J
    60. J
    61. A
    62. S
    63. O
    64. N
    65. D
    66. 2015
    67. J
    68. F
    69. M
    70. A
    71. M
    72. J
    73. J
    74. A
    75. S
    76. O
    77. N
    78. D
    79. 2014
    80. J
    81. F
    82. M
    83. A
    84. M
    85. J
    86. J
    87. A
    88. S
    89. O
    90. N
    91. D
    92. 2013
    93. J
    94. F
    95. M
    96. A
    97. M
    98. J
    99. J
    100. A
    101. S
    102. O
    103. N
    104. D
    105. 2012
    106. J
    107. F
    108. M
    109. A
    110. M
    111. J
    112. J
    113. A
    114. S
    115. O
    116. N
    117. D
    118. 2011
    119. J
    120. F
    121. M
    122. A
    123. M
    124. J
    125. J
    126. A
    127. S
    128. O
    129. N
    130. D
    131. 2010
    132. J
    133. F
    134. M
    135. A
    136. M
    137. J
    138. J
    139. A
    140. S
    141. O
    142. N
    143. D
    144. 2009
    145. J
    146. F
    147. M
    148. A
    149. M
    150. J
    151. J
    152. A
    153. S
    154. O
    155. N
    156. D