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A rua é de todos

por Pedro Correia, em 01.05.09

Ninguém é dono da rua. A rua é de todos. No 1º de Maio ainda mais. A CGTP e o Partido Comunista atentaram contra este princípio, que deve ser inviolável em democracia, no 1º de Maio de 1975, de má memória. Não há comparação possível entre esses factos e as agressões verbais e os empurrões que hoje visaram Vital Moreira. Mas o episódio revelou que o PCP e a CGTP não aprenderam nada nem esqueceram nada: a rua - espaço público por excelência - não pode ser privatizada por nenhuma força política nem por nenhuma central sindical. As hesitações de Carvalho da Silva, que devia ter apresentado de imediato um pedido de desculpa ao PS e ao seu cabeça de lista às europeias, e a recusa liminar do PCP em condenar o sucedido confirmam que nem a direcção comunista nem o seu braço sindical aprenderam com os erros do passado. Agem em 2009 como se estivessem em 1975. É preciso dizer-lhes, todas as vezes que for preciso, que a rua não é propriedade deles. A rua não é propriedade de ninguém.

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21 comentários

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De vitor nunes a 01.05.2009 às 23:46

Porque diabo não foi o homem para a manifestação da ugt?E se eu fosse com uma bandeira do PCP para um comicio do PS?Olhe experimente e depois diga quaquer coisa.
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De Pedro Correia a 01.05.2009 às 23:51

Nada justifica os insultos e as tentativas de agressões num espaço público. Não há emblema político que valha isso.
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De Anti a 01.05.2009 às 23:53

É o Carnaval típico da esquerda Portuguesa. Virtude e moral para os outros. Faz parte da doutrina sejam eles do PC, ou aos bloquistas dos campos de milho. Vital fez que não sabia que era assim, pena (para o PS ) que o papel de vítima não lhe assenta bem... Bolas, ainda na semana passada fizeram os camaradas, tamanho chinfrim por causa da inauguração de uma praça. Siga Portugal!!
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De Sofia Loureiro dos Santos a 01.05.2009 às 23:56

Excelente texto. Subscrevo.
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De Pedro Correia a 02.05.2009 às 00:11

Obrigado, Sofia. O sectarismo do PCP é inconcebível. E Carvalho da Silva também sai hoje mal deste filme.
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De Cristina Ferreira de Almeida a 01.05.2009 às 23:58

Concordo contigo, Pedro, mas acho que o pedido de desculpas ao PS é excessivo. Porquê ao PS? Do que vi, o visado foi mesmo Vital Moreira e só ele.
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De Pedro Correia a 02.05.2009 às 00:06

Também Ana Gomes e Vítor Ramalho foram alvo de agressões verbais, Cristina. Isto não é política: é arruaça pura e simples. Não foi à porta fechada, na sede do PCP ou da CGTP, foi num espaço público. O PCP devia ter-se demarcado de imediato, embora não me surpreenda que não o tenha feito.
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De J.M. Coutinho Ribeiro a 02.05.2009 às 00:22

Vejamos: se Vital foi lá a convite da CGTP, a CGTP deveria ter garantido que estas coisas não aconteciam. Se convidarem e isto aconteceu, então a responsabiliade da CGTP é directa.
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De Pedro Correia a 02.05.2009 às 12:38

Caro Joaquim, houvesse ou não convite, a CGTP teria sempre de assumir a responsabilidade. E sobretudo de fazer um pedido público de desculpas ao candidato do PS após o sucedido. Não deve ser desperdiçada nenhuma oportunidade de fazer pedagogia democrática. E num 1º de Maio ainda mais.
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De Leonor Barros a 02.05.2009 às 00:25

Acho que a CGTP devia ter pedido desculpas, não lhes ficava nada mal e concordo que o PCP se devia ter demarcado de imediato, mas não tem de pedir desculpas. Por outro lado, acho inadmissível o discurso de Vitalino Canas com a inevitável tese da cabala. Estava na altura de o PS usar outros argumentos. Só lhe fica mal.
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De Pedro Correia a 02.05.2009 às 12:39

Não admira, Leonor. Um número destes vem mesmo a calhar ao PS, como a Cristina ironizava aqui em baixo. Até por isso o PCP e a CGTP deviam ter condenado sem sombra de ambiguidade o que aconteceu.
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De Leonor Barros a 02.05.2009 às 14:32

Pois, é mais uma oportunidade para se vitimizarem.
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De José Gomes André a 02.05.2009 às 04:34

Muito admiro esta capacidade do nosso Pedro Correia para dizer em poucas palavras o essencial numa questão polémica... Bravo! Subscrevo por inteiro. E junto-lhe talvez as palavras da Leonor, porque também me está a irritar um nadinha o aproveitamento político que o PS está a fazer deste incidente...
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De Pedro Correia a 02.05.2009 às 12:44

Estamos de acordo no essencial, caro José. Por mim, separo apenas a crítica inequívoca ao que aconteceu (não é preciso haver sangue ou tratamento hospitalar para um acto daqueles justificar a condenação inequívoca) à crítica ao PS ao aproveitamento do episódio, que aliás se insere na ordem natural dos acontecimentos. Como dizia De Gaulle, em política 'as coisas são como são': ninguém esperaria outra atitude dos socialistas face ao sucedido. Nem de qualquer outro partido no lugar deles. Nessa matéria haverá eventualmente algo a dizer em futuros 'posts'.
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De mike a 02.05.2009 às 09:38

O Pedro tem toda a razão. Só me incomoda o facto de ter a sensação que o PS ganha com estas coisas. Mas isso se calhar é uma sensação apenas minha e tola.
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De Pedro Correia a 02.05.2009 às 12:44

Não sei se ganha, Mike. Mas perder, não perde. Seguramente.
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De Ana Vidal a 02.05.2009 às 10:30

Sem querer, a CGTP e o PC deram de bandeja ao PS mais um excelente argumento de vitimização, bem ao estilo que este governo adoptou até agora.

Mas concordo inteiramente contigo: a rua é de todos, e é lamentável que estes episódios aconteçam 35 anos depois da implantação de uma democracia que já tem mais do que idade para ser madura e plena. Já não há a desculpa da euforia e dos ânimos exaltados da revolução, para estas cenas terem alguma espécie de justificação. E um pedido de desculpas é a forma mais justa e civilizada de pôr um ponto final nestas coisas.
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De Pedro Correia a 02.05.2009 às 12:47

Exactamente, Ana. Para mim, mais importante ainda do que o próprio episódio é aproveitar a ocasião para salientar que a rua não é propriedade de nenhuma força política nem de nenhum movimento social. Tal como o 25 de Abril não deve ser uma data apropriada por nenhum partido para tentar impor a sua visão da história ou da sociedade. O 25 de Abril só pode justificar comemoração, 35 anos depois, como data com efectiva expressão nacional. Sem sectarismos de qualquer espécie.
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De Luís Reis Figueira a 02.05.2009 às 11:13

Esta gente, Pedro, ainda não percebeu que este tipo de atitudes são autênticos tiros no pé e que não se podem confundir antipatias pessoais com estas manifestações de carácter público e logo numa data destas! A sua cegueira partidária é tal que, momentaneamente, são levados a fazer as piores loucuras. E, como é óbvio, isto vai ser muitíssimo bem aproveitado pelo PS que já tem um natural pendor para a vitimização. Isto é o que se chama um verdadeiro tiro pela culatra e que é bem capaz de fazer bastantes mais vítimas do que seria de esperar.
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De Pedro Correia a 02.05.2009 às 12:48

Não admira a atitude do PS, Luís. Qualquer outro partido faria o mesmo. Diferente é tentar aproveitar o episódio, demagogicamente, como trunfo eleitoral. Veremos o que acontece.

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