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Em busca da produtividade

por Rui Rocha, em 07.08.12

A produtividade é o Santo Graal da economia portuguesa. Todos a procuram mas ela não se deixa encontrar. Agosto é uma boa altura para falar dela. Para uns, a causa da baixa produtividade portuguesa é a indolência (ou mesmo a malandrice) dos trabalhadores. Para outros, é o sistema de ensino que não prepara profissionais qualificados. Muitos referem os custos de contexto e a incapacidade de o Estado fazer a sua parte, nomeadamente ao nível da burocracia e da celeridade da Justiça. Outros tantos referem a falta de visão dos empresários. Vejamos todavia alguns dados interessantes. O quadro seguinte, obtido aqui, compara Portugal com a média da UE a 27 em alguns aspectos: 

 


Por outro lado, o gráfico seguinte, obtido aqui, ilustra a produtividade média em 20 países da UE tendo em conta o número de trabalhadores das empresas:

 

Ou seja, em geral, a produtividade cresce com a dimensão da empresa. Portugal, todavia, emprega 80,9% dos trabalhadores em PME (a média é de 66,9% na UE a 27). Ora, isto não é um problema de qualificação ou de produtividade individual de cada um dos trabalhadores. E dificilmente poderá ser responsabilidade do próprio Estado. Será, em boa parte, uma condicionante de contexto relacionada com a dimensão do próprio mercado. Mas, é muito provável que seja, antes de mais, uma questão cultural relacionada com os próprios empresários. Não de falta de visão, como é usual referir-se. Mas, ao contrário, de excesso de visão. De muitos empresários se considerarem capazes de financiar, gerir e fazer crescer os seus negócios sozinhos. De se verem maiores do que aquilo que na realidade são. E de serem incapazes de juntar forças com outros para ganharem dimensão, explorarem mercados mais amplos, aumentarem a produtividade, tornarem-se competitivos e assegurarem a viabilidade dos seus negócios. Esta é, apenas, uma das vias de análise. Todavia, não parece fazer menos sentido do que defender que a competitividade da economia portuguesa beneficiará muito com a diminuição do número de feriados.

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6 comentários

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De Luís Lavoura a 07.08.2012 às 17:32

Excelente post. Aplaudo com ambas as mãos.
De facto, como é abundantemente mostrado por Hae-Joon Chang num livro recentemente publicado em versão portuguesa, essa conversa do empreendedorismo com que a direita nos costuma intoxicar não passa de uma balela. Aquilo que é preciso não é empreendedorismo em geral, mas sim uma capacidade específica, que é a de pôr diversas pessoas com diversas qualificações e competências a colaborar em projetos comuns de grande complexidade. Ou seja, construir grandes empresas. Porque, pequenas empresas, incluindo empresas unipessoais, é o que mais há em países subdesenvolvidos, e com elas não se vai a lado nenhum. A produtividade obtem-se do enorme valor acrescentado das grandes empresas, e não das pequenas empresas que os empresários típicos são capazes de criar.
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De Alexandre Carvalho da Silveira a 07.08.2012 às 18:53

Então e isso de "construir grandes empresas" faz-se como? com um estalo de dedos, ou à custa do endividamento publico?
Destruimos as grandes empresas que tinhamos, e agora as duas maiores empresas portuguesas são mercearias. As outras grandes empresas vivem confortavelmente instaladas nos monopolios que exploram: Galp, PT e EDP.
Já agora são "os empresários tipicos", como lhe chama, e entre os quais eu me incluo, que têm criado empregos, e riqueza neste país. Mas como sabe são cada vez menos e com tendencias para acabar.
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De Luís Lavoura a 08.08.2012 às 10:09

A GALP não é um monopólio. Explora petróleo em competição com outras empresas, refina-o em competição com outras empresas, e distribui-o também em competição.
A EDP e a PT também já não o são totalmente.
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De Alexandre Carvalho da Silveira a 08.08.2012 às 15:41

Luis Lavoura diga lá onde é que estão as refeinarias da concorrencia em Portugal porque eu não conheço nenhuma.
A Galp refina e distribui os combustiveis em Portugal, e as marcas que cá funcionam fazem-no para compor o bouquet, até porque estamos todos carecas de saber que a distribuição e a venda de combustiveis em Portugal estão cartelizadas, basta andar nas estradas e autoestradas portuguesas para verificarmos isso mesmo.
A PT e a EDP já não o são (monopolios) completamente, mas estão muito perto disso.
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De Luís Lavoura a 08.08.2012 às 16:12

A PT e a EDP não são monopólios, ponto final parágrafo. Eu em minha casa tenho eletricidade fornecida pela GALP, telefone pela Optimus, e uso um telemóvel Vodafone (e só carrego carburantes da Repsol). Ninguém, nem sequer em Portugal, é obrigado hoje em dia a consumir qualquer produto da EDP nem da PT.
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De Visitante a 08.08.2012 às 19:47

Deverias pensar melhor antes de escreveres tretas...não pergunto a idade pois ficaria chocado com tal resposta....O carburante que utilizas no carro é refinado em que empresa mesmo? a linha de telefone da optimus é alugada a quem mesmo? não me alongo mais.....para não ficar chocado com a imaturidade da resposta.....sejam criticos com o que leiam e acima de tudo verifiquem muito bem as fontes da vossa informação antes mesmo de começar a escrever disparates como se fossem os unicos conhecedores da "verdadeira informação"

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