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Delito de Opinião

A crónica miopia dos idiotas úteis

Pedro Correia, 06.08.12

 

O primeiro-ministro sírio, Riad Hijab, desertou e juntou-se à oposição em protesto contra os "crimes de guerra e genocídio" que o déspota de Damasco continua a cometer naquele país, submetido há 40 anos ao poder tirânico da família Assad, espécie de monarquia que ousa proclamar-se republicana. Nas últimas semanas, tem sido imparável a fuga de diplomatas, oficiais e até membros do Governo de Assad II para os países vizinhos, sinal inequívoco de que o regime tem os dias contados. O próprio Hijab aguentou apenas seis semanas em funções antes de abandonar o país.

 

Enquanto isto sucede, este defensor tuga das ditaduras "socialistas", fazendo da escrita uma espécie de Omo que lava mais branco, elogia o "laicismo sírio" e anseia por ver o regime de Damasco premiado com medalhas olímpicas.

 

Desde o início da actual revolta contra Assad II, em Março de 2011, quando a polícia reprimiu um protesto estudantil, já se registaram 17 mil mortos, segundo as Nações Unidas, e cerca de 300 mil pessoas abandonaram o país, escapando à escalada repressiva de um regime que nunca olhou a meios para alcançar os fins. Como ensinou o camarada Estaline, a morte de uma pessoa é uma tragédia enquanto a morte de milhares ou milhões é uma simples estatística. E, apesar das deserções, nunca faltam cúmplices de plantão, companheiros de caminho, idiotas úteis prontos a ocultar as mais gritantes evidências. Por inabalável miopia crónica - na melhor das hipóteses. Coniventes com quem pratica os crimes e não com as vítimas desses crimes.

4 comentários

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    Pedro Correia 05.11.2012

    O seu comentário faz-me lembrar os dos ultras salazaristas que, mesmo quando o regime já apresentava sinais evidentes de decomposição, no final da década de 60, continuavam a apontar as alegadas vantagens do "oásis" da ditadura em comparação com o pretenso "caos" das democracias na Europa. Apontavam para o Maio de 68 em Paris, e para as ondas de greves no Reino Unido, e falavam desse mesmo modo, quase palavra por palavra:
    "Salazar defende o estado de direito e a ordem nas ruas. Os manifestantes (em Paris) e os grevistas (em Londres) são extremistas. O caos é claro. Esses países vão falhar. Felizmente em Portugal as coisas são diferentes. Salazar irá prevalecer e vocês vão sair desiludidos."
    Depois foi o que se viu...
    Mas em qualquer época, em qualquer quadrante, há sempre gente disposta a justificar e até a glorificar as ditaduras.
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    AAA 05.11.2012

    Eu não glorifico nada. Apenas aponto para factos que são bastante claros. A verdade que por mais que tente a realidade não se altera. O Assad faz isto porque tem o apoio maioritário da população. Os terroristas pagos pelos EUA e amigos não terão sucesso. A Síria prevalecerá e o Hezbollah continuará a operar livremente tendo a capacidade de desferir um golpe fatal a Israel. A estratégia de enfraquecimento do eixo Hezbollah-Síria-Irão não tem futuro. Quem a apoia esta estratégia pagará um preço elevado.
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    Pedro Correia 05.11.2012

    Todos os ditadores têm o "apoio maioritário da população". Desde logo porque não permitem concorrência: os adversários são presos, exilados ou até mortos.
    Assad é um ditador. Que não hesita em matar, aliás na linha paterna: há 40 anos que a mesma família oprime a Síria. Tal pai, tal filho.
    Terá a sorte de todos os ditadores. De um Mubarak, de um Ben Ali, de um Kadafi, de um Xá Reza Palevi. E será chorado não pelo povo mas por quem lhe deu caução intelectual. Por ódio ideológico à democracia, aos Estados Unidos, ao Ocidente em geral.
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