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Férias remuneradas

por Rui Rocha, em 06.08.12

Daqui a uns dias, iniciarei um período de 15 dias úteis de férias remuneradas. São a contrapartida de um ano de trabalho. Mas são também o resultado de centenas de anos de lutas políticas e sindicais. E se é verdade que o sentimento actual é de desilusão com políticos e sindicalistas, que sinto que uns e outros perderam algures o fio da história e que não me revejo no modelo da luta de classes que constitui o mainstream do movimento sindical, devo todavia reconhecer que sem essa luta histórica não teria sido possível alcançar algumas das marcas de civilização que  caracterizam o mundo do trabalho actual. E mais. Perto de vinte anos de experiência profissional em diversas empresas deixam-me a certeza de que o equilíbrio entre os interesses de trabalhadores e o dos empregadores nunca seria possível se fosse deixado ao critério destes últimos. Agora que está quase a chegar a minha vez de gozar férias, nada mais justo do que reconhecê-lo.

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6 comentários

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De Anónimo a 06.08.2012 às 13:19

Aproveiro e desejo-lhe uma boa preparação paras as férias e umas boas férias. Muito me alegra que assim aconteça, e com a remuneração correspondente. Certamente que este "pormenor", o da remuneração dita "complementar", irá ajudar muita gente que neste período vive do lazer dos outros.
"devo todavia reconhecer que sem essa luta histórica não teria sido possível alcançar algumas das marcas de civilização que caracterizam o mundo do trabalho actual". Eu acrescentaria, onde existe civilidade.
Tendo em conta a realidade portuguesa dos últimos anos (talvez vinte anos) sinto uma certa apreensão e temo que o modelo clássico da luta de classes voltará a surgir. Explico:
- O sistema político e corporativo em que vivemos tem sido pautado por uma onda de messianismo perigoso, que tem expressão máxima em Sócrates e continua com Passos e Portas. Julgando-se iluminados salvadores da pátria pensam ter o direito e o dever de impôr a salvação sem perguntar se as pessoas desejam ser salvas dessa forma (todavia as alternativas ainda não são muito sólidas);
- O sistema empresarial vigente parece ser bom. Também explico: Eles fazem o que lhes compete fazer, ou seja, parecer que são bons.
Na realidade, com algum despontamento, devo acrescentar que no parecer somos muito bons, diria mesmo: Óptimos.
Perdoem-me as raríssimas excepções, mas nesta matéria, como noutras, as excepções não podem constituir argumento.
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De Rui Rocha a 06.08.2012 às 13:54

Creio que faz um diagnóstico muito acertado da realidade. Sublinho o messianismo dos políticos e a questão do parecer no domínio empresarial. E não, as excepções que existem não aproveitam à discussão de fundo.
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De fernando antolin a 06.08.2012 às 14:21

Ah, o subsídio de férias...que saudosa memória...
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De Rui Rocha a 06.08.2012 às 14:23

Também por isso, Fernando, e para não ferir susceptibilidades, referi férias remuneradas. Férias remuneradas, em princípio, todos temos. Outra coisa bem diferente é o subsídio de férias.
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De Menezes a 06.08.2012 às 15:31

Não creio ter (ou ter tido) um subsídio. Tenho um ordenado anual correspondente a 14 vezes uma determinada verba. Como só há 12 meses, em 2 deles recebo a dobrar. Pode ser uma forma de poupança mensal para gastar mais (nas férias e natal). Mas faz (fazia) parte do meu salário.
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De Rui Rocha a 06.08.2012 às 16:37

Pois, os subsídios são de facto uma forma de pagamento da remuneração base com um ciclo diferente. O corte dos subsídios é, portanto, um corte da remuneração. O que leva a concluir que as férias são remuneradas para todos. Mais ou menos, consoante o valor anual da remuneração de cada um. Com cortes ou sem cortes.

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