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Aos demagogos do desemprego

por André Couto, em 30.04.09

Acho uma certa piada aos demagogos do desemprego, aqueles que acham que Portugal é imune à conjuntura económica que o rodeia e, plenos política barata, disparatam constantemente sobre o tema.
Compreendo que a história por vezes é cruel e muito difícil de digerir, afinal, em 2005, quando o desemprego descia em todo o lado, aumentava em Portugal. Não era?
Mas porque já estamos em 2009 e 2005 é um pesadelo passado, tomei a liberdade de "roubar" ao Jorge Assunção esta tabela, para partilhar a convosco minha reflexão.
Analisando a evolução 2007-2010 das taxas de desemprego, vemos que a Irlanda, exemplo de comparação tão querido do CDS/PP, vê a sua galopar 8,5%. Espanha, nossa vizinha embora isso nada releve para alguns, vê a sua disparar 11%, sendo que em 2007 era apenas três décimas superior à de Portugal.
Cá no Burgo, e segundo previsão do insuspeito Fundo Monetário Internacional, a taxa de desemprego cresce "apenas" 3%...

Se é o cenário desejável? Não, não é. Mas se em 2005, quando tudo estava internacionalmente saudável, o desemprego crescia em Portugal, imagino velocidade de crescimento superior à da luz hoje em dia, caso o PSD fosse governo.


10 comentários

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De Carlos Dias Ferreira a 30.04.2009 às 12:25

Caro andré:
Temos de ser sérios intelectualmente e dizer a verdade toda não omitindo nada. Mas ácerca do post digo isto.
2005 - "um governo que tem o país com uma taxa da desemprego de 7,1% é incompetente", palavras de um tal sr. que se chama imagine, José Sócrates.
E um governo que tem uma taxa muito perto dos 9% é o quê?
Não me venha com a desculpa da crise, aliás durante os últimos 14 anos o PS esteve ou está no poder durante 11, portanto contra factos...
O problema é que por vezes somos demasiados facciosos e não reparamos que também somos humanos e cometemos erros. Entende André.
Um abraço.
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De André Couto a 30.04.2009 às 14:51

Carlos,

Antes de mais deixe-me dizer-lhe que aprecio muito a forma civilizada e correcta como coloca os problemas e argumenta. Nem sempre tem sido esse o tom nos comentários neste blog e tenho de o elogiar por isso.

Seguindo a nossa contenda discordo do que diz. Se é um facto que durante os últimos 14 anos o PS esteve 11 no Governo, a verdade é que o clima económico em 2005 não era o actual. Quando fala em facciosismo tenho de lhe dizer que facciosismo é exactamente não ver que o Partido Socialista nada ter a ver com a crise económica, com o lixo tóxico nos mercados ou com o subprime, percebe?
É que se nada disto tivesse surgido estou certo que as coisas eram bem diferentes...
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De Jorge Assunção a 30.04.2009 às 12:37

André,

fazes exactamente aquilo que explico nos comentários do meu post - fazes cherry picking dos países que queres comparar e achas que na comparação Portugal safa-se. Mas não, não se safa. Bem pelo contrário. Se não se safa por culpa do governo é uma questão mais complexa, que não vou abordar agora. Mas demagogia sobre o desemprego, desculpa a sinceridade, é isto que fazes neste post.

"Mas se em 2005, quando tudo estava internacionalmente saudável, o desemprego crescia em Portugal"

Também já abordei isso aqui no Delito. A situação do desemprego quando Sócrates tomou posse era bem mais favorável em relação à actual. A média de desemprego na zona euro era de 8,7% e Portugal tinha um desemprego de 7,4%. No final de 2008, a zona euro tinha um desemprego médio de 7,6% e Portugal terminou o ano com desemprego de 7,8%. Como digo, se isto se pode imputar ao governo ou é consequência de um ajuste estrutural que nós sofremos desde finais dos governos Guterres (convém lembrar) é outra questão. A parte que me preocupa é que no que toca ao aspecto estrutural da coisa, nada de relevante foi feito para corrigir a situação.
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De Amêijoa Fresca a 30.04.2009 às 13:17

De natureza escarpada
este (des)Governo socialista,
a esquerda decepada
sem uma política realista.

O mexilhão com experiência
na análise da realidade,
encontra muita incoerência
carregada de frivolidade!
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De rms a 30.04.2009 às 17:06

Espanha, por exemplo, contabiliza como desempregados aqueles que estão a receber formação profissional através do IEFP? Isso, se calhar, também tem alguma influência nos números. Se não se harmonizar os critérios de cálculo do desemprego, qualquer comparação é incorrecta...
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De Antifarsista a 30.04.2009 às 18:57

Você não acerta uma.
Há tanta maneira de prestar serviço ao poder do momento e a si só lhe puxa o pé para a poça...
Já é azar.
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De joão santos a 30.04.2009 às 19:25

Mais um cacique do Sócrates na blogosfera !?
Com tamanhos argumentos, todos os maldizentes do homem devem agora arrepender-se, senão mesmo autoflagelar-se!
Estou convencido: afinal há países piores do que o nosso! Mas mesmo assim, preferia ir viver para lá!
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De RMG a 01.05.2009 às 00:50

Muito engraçado este post. Teve quase quase quase a falar dos 150 000 empregos mas, vá lá, também a lata tem limites.
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De JPR a 03.05.2009 às 08:52

Caro companheiro bloguer, deixe-me dizer-lhe com toda a franqueza que o senhor não percebe nada de desemprego, nem de emprego. Por favor, escreva sobre outras coisas, sobre as quais eu entendo menos e o senhor será certamente mais esclarecido que eu. Essa, não é o seu forte. Sempre às ordens. Já agora, poderia talvez dar uma ajuda aos mármores de Vila Viçosa. Pode ser que consiga um milagre... http://laranjavicosa.blogspot.com/
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De Tiago Moreira Ramalho a 03.05.2009 às 20:35

André, sabes que não podes fazer especulações dessas.

A altura em que o PSD governou foi, pode dizer-se, uma altura de 'ressaca' da economia. Desaceleramento e chegámos até a uma recessão. Tudo por causa de factores internos. Depois da orgia despesista dos anos Cavaco/Guterres, que fez o nosso desemprego chegar a mínimos quase históricos (ele eram pontes, e autoestradas e mais isto e mais aquilo, já para não falar da conjuntura que levou a que tivéssemos muito Investimento Estrangeiro), chegou a altura em que as coisas voltaram a algum 'equilíbrio', sim, porque todo aquele crescimento e aquelas taxas de desemprego eram quase artificiais. A legislatura de Barroso foi, tão-só, a legislatura do declínio: já não havia mais dinheiro para investimento, a mão-de-obra já não era barata o suficiente para atrair Investimento Estrangeiro - apareceu a China, lembras-te? - e a coisa foi o que foi. José Sócrates teve algum mérito por ter encaminhado a economia, muito dependente de estímulos diga-se, para uma via diferente - tecnologia e tal. Mas, de qualquer modo, não se pode comparar o incomparável. Se José Sócrates teve algum mérito na descida do desemprego e no crescimento económico dos últimos anos (toma atenção à dívida pública nesta legislatura, já agora), não se pode dizer que Barroso foi a incompetência encarnada - a conjuntura nacional (e não a internacional) levou àquilo e o tempo não deu para mais.

Abraço

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