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Desnorte

por Leonor Barros, em 29.04.09

A Norte andam a passar-se fenómenos estranhos. Primeiro foi o caso Charrua, magistralmente resolvido pela Moreira excelentíssima. Agora mais a Norte surge outro fenómeno curioso. Na sequência da chuva de ovos com que a Ministra da Educação foi recebida em Novembro último, a diligente Inspecção-Geral da Educação pôs pés ao caminho para averiguar do feito. Até aqui tudo normal. Contudo, nem tudo correu bem e o alerta foi dado pelos pais dos alunos da Escola Secundária de Fafe. A fazer fé na notícia, o Inspector lembrou-se de questionar os alunos sobre o possível envolvimento de professores na chuvada de ovos,estimulando a delacão. Além dos menores não poderem ser ouvidos sem a presença dos pais ou quem os represente e não o tendo sido, como parece ser o caso, foi cometida uma ilegalidade, não se entende o teor destas inquirições. Prefiro acreditar que foi trabalho do Bruxo de Fafe a admitir que este país vai de mal a pior e que se perdeu por completo o pudor.

 

 


18 comentários

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De Luís Reis Figueira a 29.04.2009 às 23:50

Esteja tranquila, Leonor, que não é nada disso que esta a pensar. E o Manuel Alegre também escusa de ficar preocupado, pois tudo não passa de um equivoco... O que se passou, na verdade, é que a ministra, senhora da cidade, nunca tinha provado ovos tão saborosos e frescos como aqueles de Fafe, de galinhas criadas a milho e ao ar livre... Nada de ovos enxabidos, portanto, como os de aviário que todos os dias comemos. Vai daí, mandou fazer umas perguntinhas aos meninos para saber quem eram os fornecedores de tal especialidade... Ficou cliente, a senhora, e parece que vai voltar a Fafe para levar mais... Do mesmo, claro!
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De Leonor Barros a 29.04.2009 às 23:57

Estou muito mas muito mais descansada, Luís. Com isso e com a cessação unilateral do contrato que o Minstério da Educação tinha comigo. Tudo é possível neste país.
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De Cristina Ferreira de Almeida a 29.04.2009 às 23:51

Em Castelo de Vide também acontecem coisas esquisitas: as crianças de uma escola foram filmadas para propaganda do PS, julgando os pais que se tratava de um vídeo institucional do Ministério da Educação. É sintomático. Para os aparelhistas socialistas não passamos todos de figurantes na ficção deles.
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De Leonor Barros a 29.04.2009 às 23:57

Fantoches é o que somos, Cristina, ainda mais se continuarem a votar neles.
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De Amêijoa Fresca a 30.04.2009 às 00:11

O desnorte é patente
neste (des)Governo sem pudor,
deixa qualquer um descontente
agudizando a sua dor!

Sem bússola e sem prumo,
à deriva navegando,
o socialismo de áspero grumo
passa a vida engasgando!

Nesta terra de navegadores
com os seus espíritos destemidos,
temos políticos fustigadores
deixando os mexilhões espremidos!
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De Leonor Barros a 30.04.2009 às 00:13

Socialismo? Só se for soviético...
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De Pedro Correia a 30.04.2009 às 00:21

Este caso atenta contra o espírito da escola pública, procurando transformar cada aluno num denunciante. E é bem revelador dos tempos que vivemos em Portugal. Que cidadãos forma esta escola, mais própria de um estado policial?
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De Leonor Barros a 30.04.2009 às 00:28

O pior é quem estimula este comportamento e dá os exemplos é a Inspecção-Geral de Educação, logo o próprio Ministério. Nunca se esteve tão mal.
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De José MAGALHÃES a 30.04.2009 às 00:39

POIS, MINHA CARA, EU ESCREVI ASSIM

http://atributos-1.blogspot.com/2009/04/delatores-procuram-se.html

MELHORES CUMPRIMENTOS

JM
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De João Carvalho a 30.04.2009 às 04:50

Pois eu acho, Leonor, que se perdeu por completo o pudor. Mas não foi no caso referido: já tinha havido outros antes!
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De Leonor Barros a 30.04.2009 às 08:48

Claro, João, o pudor é uma palavra inexistente para este governo que se diz socialista. Esta é apenas mais uma evidência.
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De Luís Lavoura a 30.04.2009 às 09:51

Só visto. Suponhamos que a polícia captura um suspeito de um crime e lhe faz um interrogatório para tentar saber o que aconteceu. A polícia é acusada de estar a tentar "estimular a delação".

Passou-se um delito. Alunos atiraram ovos. É evidente que os delituosos, nomeadamente os alunos, têm que ser interrogados para tentar saber o que se passou. E, naturalmente, no sentido de denunciarem quem foram os mandantes do delito. É evidente. A delação é um ponto essencial em qualquer processo. Desde que não seja obtida mediante tortura, é legítimo procurar obter uma delação.
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De Leonor Barros a 30.04.2009 às 12:39

Só visto mesmo. Decididamente não falamos a mesma língua.
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De Luís Lavoura a 30.04.2009 às 16:20

De facto, podemos supôr que alunos de 16 ou 17 anos não vão atirar ovos a uma ministra por motu proprio. Mesmo que quisessem vaiar a ministra, dificilmente escolheriam atirar-lhe ovos, até porque não teriam em geral dinheiro para os comprar. Podemos portanto supôr, embora isso não seja certo, que os alunos foram instrumentalizados por alguém que, cobardemente, gostaria de atirar ovos à ministra mas não tem a coragem de o fazer e que, portanto, atiça menores de idade para o fazer. É legítimo então interrogar - sem exercício de violência, ameaça ou coação - os menores com o fim de saber quem são os cobardes que por detrás deles se escondem. Os menores são portanto estimulados a denunciar os seus mentores. Está correto e eu aplaudo. A denúncia dos mandantes dos delitos é essencial e deve ser estimulada.
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De Leonor Barros a 30.04.2009 às 16:44

Tantos filmes dignos de um enredo de faca e alguidar. Não sei em que se baseia para dizer que os alunos por sua alta recriação não o faziam. Está a menosprezá-los. Os alunos podem ter chegado a um estado geral de ignorância mas não são parvos nem burros. Se não acatam o que o professor diz em sala de aula e nem querem saber dos professores para coisa nenhuma, iam mesmo obedecer-lhes neste campo... A suspeita não justifica a coacção nem a delação, estaremos definitivamente em desacordo neste ponto. O facto de os alunos terem sido escolhidos no fim de uma aula e ouvidos sem o Encarregado de Educação presente não é legítimo, sem mais. O mundo é uma imensa cabala.
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De Luís Lavoura a 30.04.2009 às 17:13

Eu não digo que foram os professores quem atiçou os alunos. Acho bastante mais provável que tenham sido as associações de alunos, que são correias de transmissão do PCP. Mas isso é que interessa descobrir, precisamente.

Quanto a o encarregado de educação ter que estar presente, talvez tenha razão, ou talvez não. Trata-se de esclarecer um delito relacionado com um desacato público e não de resolver qualquer coisa relacionada com a educação do aluno. O encarregado de educação não é pois para aí chamado. Quando muito, um advogado. Mas, por outro lado, as perguntas não têm implicações criminais, pelo que nem isso se justifica.

Enfim, eu concordo que tudo isto é muito estranho, porque um inspetor do ministério da educação não deve fazer o papel de polícia, muito menos de inspetor da polícia judiciária. Agora, dizer que isto é um convite à "delação" como se a "delação" fosse uma coisa horrível, é que não concordo. Foi cometido um desacato e uma afronta à dignidade de uma pessoa, e esses delitos podem e devem ser esclarecidos, se necessário por meios policiais, e quem fomentou esses delitos deve ser descoberto e pagar pelo que fez.
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De Leonor Barros a 30.04.2009 às 17:32

Também acho tudo isto muito estranho. Quando há lugar a procedimento disciplinar, os alunos e respectivos Encarregados de Educação têm de ser convocados com dois dias de antecedência. Se o aluno for menor tem de ser ouvido na presença do Encarregado de Educação. Caso o Encarregado de Educação não possa estar presente, pode, se assim o entender, dar autorização por escrito para que o seu educando seja ouvido. Não se vão buscar alunos às aulas aleatoriamente e chamam-se a depor sozinhos com o instrutor, que é quem deve averiguar da veracidade dos factos e aqui assumido pelo Inspector. Portanto, não entendo como é que um Inspector está à margem da lei e actua acima dela. Pode até haver um processo nos tribunais mas um não tem a ver com o outro, são processos independentes que devem obedecer às leis deste país. Que imagem é que dão estes senhores quando levam os alunos a acusar os seus próprios professores ou sequer a sugerir que eles poderão estar por trás da chuva de ovos?

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