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Alerta de tsunami

por José António Abreu, em 30.07.12

Telma Monteiro perdeu, esboroando-se assim uma das raras hipóteses de atletas portugueses (e não de Portugal) chegarem a uma medalha nestes Jogos Olímpicos. Aguarda-se enxurrada de críticas por parte de gente que nunca esteve em posição de conseguir o que quer que fosse por nem sequer alguma vez se ter aplicado a fundo a tentar consegui-lo.


13 comentários

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De Rui Rocha a 30.07.2012 às 11:57

Já viste a primeira página do I de hoje?
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De José António Abreu a 30.07.2012 às 14:06

Não tinha visto. Fantástico. Andamos três anos e onze meses a ignorar estes atletas (tirando a ocasional referência no final do noticiário - ou no segmento do professor Marcelo - quando eles conseguem uma posição de destaque num Europeu ou num Mundial) e depois apontamos-lhes subitamente os holofotes e esperamos - mais: exigimos - medalhas.
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De Carla Ferreira a 30.07.2012 às 12:03

Ainda agora falei nisso. Ora nem mais, preparem-se, é um vício da treta que não morre senão quando morremos também. Pelo menos em muito boa gente...
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De José António Abreu a 30.07.2012 às 14:16

Carla: pois; o que irrita é a forma como transformamos expectativa (legítima, ainda que, no caso dos atletas olímpicos, ignorados durante quase quatro anos, muitas vezes prejudicial - não estão propriamente habituados à pressão mediática como, por exemplo, o estão os futebolistas) não apenas em desilusão mas em rancor. É como se, propositadamente, eles nos tivessem feito falhar.
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De Helena a 30.07.2012 às 17:05

A Telma Monteiro já deu tanto a Portugal. É uma atleta com uma carreira admirável que só merece o nosso aplauso. Não correu bem desta vez? Paciência, acontece aos melhores.

Lembro-me das palavras do grande Drummond de Andrade ( a próposito da derrota no Mundial de Futebol, creio que em 82):

"Chego à conclusão de que a derrota, para a qual nunca estamos preparados, de tanto não a desejarmos nem a admitirmos previamente, é afinal instrumento de renovação da vida. Tanto quanto a vitória estabelece o jogo dialético que constitui o próprio modo de estar no mundo. Se uma sucessão de derrotas é arrasadora, também a sucessão constante de vitórias traz consigo o germe de apodrecimento das vontades, a languidez dos estados pós-voluptuosos, que inutiliza o indivíduo e a comunidade atuantes. Perder implica remoção de detritos: começar de novo."
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De am a 30.07.2012 às 17:27

..."De atletas portuguses ( e não de Portugal)"

Discordo: ( se me permite)

Quando um atleta sobe ao podium para receber a medalha d' ouro -- é a bandeira de Portugal que é hasteada e o hino Nacional que se ouve!

Daí... estarem em representação do País.

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De Luís Menezes Leitão a 31.07.2012 às 07:40

Eu acho que exigiram de mais à atleta. Ela tinha todas as condições para ganhar a medalha, mas para isso deveriam deixá-la em paz antes da prova. Qual é o atleta que consegue permanecer concentrado com todos os jornais a dizerem que aquele era o dia de uma medalha para Portugal? Como se os adversários não existissem...
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De a 30.07.2012 às 19:22

Claro que todos gostamos de ver a bandeira de Portugal hasteada e o hino nacional tocado nos jogos olímpicos. Mas, perdeu, paciência. Não temos o direito de exigir nada a estes atletas que lutam e se esforçam para conseguir os melhores resultados entre os melhores do mundo, quando no futebol há atletas que ganham tanto dinheiro por vezes não se esforçam nem um bocadinho por dar uma vitória à selecção. Os atletas olímpicos podem não trazer medalhas mas sempre merecerão um aplauso de um país que com tanto orgulho eles representam.
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De zedeportugal a 30.07.2012 às 20:07

Aquele que nunca combateu é o maior crítico do combatente que perdeu um combate de competição.
De competição em judo sei pouco mais que as regras básicas, o tamanho do "shiai-jo" e o nome de algumas técnicas.

O que conheço bem, por experiência, são os intermináveis 3 minutos de um "kumite" (3 minutos que, dizem os especialistas, equivalem em termos de desgaste calórico a 1/2 hora remo ou bibicleta de competição) e a facilidade com que se ganha ou se perde numa fracção de segundo qualquer combate.

A Telma Monteiro é, continua a ser, uma das melhores atletas deste país de "treinadores de bancada" onde muito poucos se dão ao trabalho de praticar qualquer desporto, mesmo sem ser ao exigente nível de competição.
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De Tiago Cabral a 30.07.2012 às 23:39

Não temos, nunca tivemos e em principio não iremos ter uma verdadeira política desportiva em Portugal. E neste caso é mesmo um problema estrutural da nossa organização. Como se costuma dizer, a glória, neste caso desportiva, advém de 10% de talento puro e o resto de trabalho árduo. Mas para esse trabalho resultar em algo, que poderá nem ser uma medalha, tem o Estado que criar condições aos putativos atletas. Basta olharmos aqui para o lado. Espanha é actualmente uma potência desportiva. Tem um sucesso transversal a diversas modadlidades e tal só é hoje possível graças a Barcelona 1992. Anos antes destes Jogos Olimpicos, Espanha estruturou o seu desporto e apostou no seu desenvolvimento. Passados vinte anos temos um país forte desportivamente e onde naturalmente os títulos aparecem. Em Portugal fazemos ao contrário. Acreditamos que o desporto escolar não é o inicio de uma possível carreira desportiva. Acreditamos que os nossos atletas, verdadeiros talentos puros, aqueles que se destacam, Telma Monteiro incluída, têm a obrigação de apenas e só serem os melhores do mundo. Abaixo disso é derrota sem apelo. Não há ninguém que consiga olhar para a realidade desportiva portuguesa e pensar em resultados a vinte, trinta anos. Uma reforma verdadeiramente estrutural, a começar no desporto escolar, olhar para as faculdades de desporto e não ver só professores de educação fisica. Instituir verdadeiras bolsas de estudo desportivas. Obrigar os clubes desportivos, entidades de utilidade pública, a cumprirem o seu papel de agentes de formação desportiva. Enfim tanto por fazer.
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De amendes a 31.07.2012 às 13:07

Prefiro mil vezes que se gaste o pouco dinheiro que temos em parques com circuitos de manutenção (com monitores ) do que despende-lo em apoios sumptosos a atletas olimpicos... Reparta-se a "massa" por todos... queremos um povo saudável não de medalhados...Quem quiser medalhas que procure patrocinios.
Que importa um país ganhar 5 ou 10 medalhas quando o resto do povo é tisico!
Olhem que há muitos!!!!

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