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Os jornanalistas 2

por Teresa Ribeiro, em 30.07.12

A Associated Press distribuiu aos seus jornalistas um caderno de encargos que ajuda a dividir as águas entre opinião e jornalismo. Algo que se impõe num universo em que as redes sociais vieram baralhar ainda mais a comunicação, expondo os profissionais de informação a situações pouco recomendáveis - diz a AP - como emitir opinião nas suas páginas de Facebook sobre os assuntos que andam a escrever para a agência. Não se trata de não reconhecer a estes profissionais o direito a expressar livremente opiniões em canais de comunicação pessoais e privados, sublinha, mas de admitir que não é possível fazê-lo sem que tal tenha reflexos na credibilidade do seu trabalho, supostamente independente e, por consequência, na credibilidade da agência.

Elementar? Só se for para estes senhores, pois por cá é ver a confusão que reina nos twiters, blogs e páginas de facebook de jornalistas que às horas de expediente produzem informação "escorreita, objectiva e independente" e nas folgas e horas nocturnas a comentam livremente nas suas redes pessoais. Alguns, como já aqui afirmei, até se dão ao luxo de comentar na televisão o que escrevem.


19 comentários

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De Manuel Gonçalves a 30.07.2012 às 10:28

Bom dia.
O "jornalismo das redes sociais" de que se refere tem raízes fundadas num direito chamado liberdade de expressão . É perfeitamente natural que no meio desta liberdade de expressão tão massiva surjam unidades ou grupos com rabo na boca Todos tem o direito a uma posta de pescada, mas na soma de algumas das partes também podemos reter alguma boa informação, digamos que essas partes são uma reinvenção da literatura de cordel.
Quanto aos Jornalistas e seu trabalho, mais ou menos bem, faz-se jornalismo em Portugal. Muitas vezes são eles quem levantam o véu há Ré'publica ', se não, este país seria uma espécie de Ré'secreta ', e assim é que ficava mesmo bom, um paraíso, cheio de bananas.
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De Teresa Ribeiro a 30.07.2012 às 11:00

Já ouviu falar em conflito de interesses? Pois, os jornalistas também os têm. É chato, mas as coisas são o que são.
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De lucklucky a 30.07.2012 às 11:08

Resumindo, os jornalistas devem esconder a sua opinião porque a verdade destrói a credibilidade dos jornalistas.

Hmmm...tarde demais, desde há algum tempo que se vê a milhas o que são os jornais ou as agências de notícias.
basta só ver que notícias são escolhidas sobre outras, as que são chamadas para a primeira página etc etc...
Até se poderia começar pela AP.
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De Teresa Ribeiro a 30.07.2012 às 11:40

Tempos houve em que se dizia aos estagiários de jornalismo que se abstivessem de opinar porque os leitores compravam os jornais para ler notícias e não a opinião de quem as dava. Mas pelos vistos agora há leitores que gostam mesmo é de "jornanalismo". Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades.
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De lucklucky a 30.07.2012 às 16:48

Não se faça de desentendida, sabe muito bem que as opiniões sempre estiveram e sempre estarão.
Por exemplo, qualquer correspondente tuga em Bruxelas está lá para defender a União Europeia.

Não opinar só esconde a verdade aos mais desatentos ou aos que têm uma vida profissional tão ocupada que não têm tempo suficiente para perceber que o jornalismo são vários lobbies políticos a degladiar-se.
Com um dominante:Socialismo.

Felizmente cada vez mais as pessoas ficam educadas - por experiência própria - para o jornalismo e jornalistas.
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De Fernando Sousa a 30.07.2012 às 11:46

É bom saber que (afinal) o jornalismo ainda está vivo. Um post muito oportuno, Teresa. Muito oportuno.
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De cenas underground a 30.07.2012 às 13:53

+1
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De Teresa Ribeiro a 30.07.2012 às 13:57

Olá, Fernando. Gosto de voltar a ver-te por aqui :)
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De io a 30.07.2012 às 12:07

Não era melhor "comentar na televisão o que escrevem"?
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De Teresa Ribeiro a 30.07.2012 às 13:59

Muito melhor. Mudo já, obrigada.
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De Alexandre Carvalho da Silveira a 30.07.2012 às 14:41

Esses jornalistas de rabo-na-boca, não são mais do que his master's voice. Além do mais, gostam de se ouvir.
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De portuguesacoriano a 30.07.2012 às 15:17

Minha senhora, perdoe a minha ignorância pelo facto de me meter em diálogos com pessoas que não sei quem realmente são. Mas resta-me dizer que conflitos de interesses bem maiores andam em outras bocas. E com respeito respeito a jornalismo e sua qualidade de informação ou manipulação da opinião publica, parece-me mais gritante o facto de em Portugal os políticos activos fazerem eles mesmos analises as politicas, em canais de TV nas horas de maior audiência , quando isto devia ser feito por analistas isentos e com um mínimo de imparcialidade.
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De Teresa Ribeiro a 30.07.2012 às 16:17

Também nao levo a sério esses políticos travestidos de analistas isentos, mas neste caso quem os ouve sabe, com toda a certeza, que de facto o não são. É uma vantagem em relação aos "jornanalistas".
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De Teresa Ribeiro a 30.07.2012 às 16:23

Adenda: para esclarecimento seu, fala com uma jornalista, de momento a exercer funções como trabalhadora independente em empresas de produção de conteúdos.
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De portuguesacoriano a 30.07.2012 às 16:55

Ui! Essa até tocou em mim. Estou crente de que deposita boa Fé na qualidade cultural da população portuguesa, se é o caso, temo que esteja afastada da realidade, nem imagina a quantidade de gente que não tem consciência cívica , são facilmente corrompidos com umas palavrinhas bonitas, a nossa população, na sua grande maioria, compra tudo o que um bom ressabiado vomitar.
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De Teresa Ribeiro a 30.07.2012 às 20:36

No caso dos políticos comentadores só se deixa levar - e claro que há muitos que se deixam levar - quem quer, pois ao menos estão bem identificados com as suas famílias ideológicas.
Contudo existem outras questões, essas mais difíceis de descortinar, que são os grupos de pressão a que eventualmente pertencem, os interesses a que estão associados, etc.
Quanto aos profissionais de informação era bom que se mantivesse alguma consonância com os princípios de imparcialidade e objectividade que em teoria regem a sua actividade. A consciência cívica da população forma-se também através do consumo de informação de qualidade.
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De Manuel Gonçalves a 30.07.2012 às 21:39

Errei na presunção, pelo post , contava com tudo menos com uma Jornalista. Como tal, vejo-me obrigado a inverter a minha posição, aceito e respeito o seu ponto.
Grato pelo contributo, que vem reforçar mais um pouco a construção da minha desilusão.
Infelizmente no nosso país, criar consciência cívica, é um exercício cruel, cheio de desilusões.


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De Teresa Ribeiro a 30.07.2012 às 22:37

Desilude-o ver uma jornalista pugnar por uma informação mais rigorosa?
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De Manuel Gonçalves a 30.07.2012 às 23:06

Não, de forma alguma, agradeci e continuarei a agradecer que o faça.
O que me desilude é o conteúdo desta frase: "Contudo existem outras questões, essas mais difíceis de descortinar, que são os grupos de pressão a que eventualmente pertencem, os interesses a que estão associados, etc."
Se fossem um simples ponto de vista de alguém, até nem dava crédito, mas vindo de uma profissional do sector, ganham credibilidade.
Desilude-me, porque acredito no que diz, porque o meu país (o nosso) ainda é pior do que eu imaginava.

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