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A procurar abrir caminho.

por Luís Menezes Leitão, em 30.07.12

 

Estas declarações de António Costa a referir que tem qualidades úteis para ser secretário-geral do PS e que houve alturas em que desejou o cargo são, como é óbvio, um frontal ataque à liderança de Seguro. O mesmo, aliás, não tardou a responder-lhe, dizendo que se sentia muito feliz com a qualidade dos dirigentes do partido.

 

É evidente que António Costa deseja ser Presidente da República ou Primeiro-Ministro, tendo a sua ida para a Câmara de Lisboa o objectivo apenas de arranjar um perfil mais presidenciável, à semelhança do que fez Jorge Sampaio. Com isso António Costa evitou ser arrastado pela desgraça em que ele bem percebeu que iria cair o governo Sócrates, de que fazia parte. Por esse motivo, António Costa não se envolve nos assuntos correntes da Câmara de Lisboa, apenas aparecendo nas grandes cerimónias, e deixando as polémicas para Manuel Salgado.

 

Aquando da queda de Sócrates, e perante a tragédia em que o país tinha caído, António Costa pensou que o secretário-geral seguinte seria inevitavelmente queimado por essa pesada herança, e recusou-se a avançar, deixando Seguro ser devorado pelas feras. Era de facto o cenário mais previsível, ainda mais tendo o PS um grupo parlamentar maioritariamente socratista e que não hesitaria em desafiar Seguro, como se viu no episódio da fiscalização do corte de subsídios pelo Tribunal Constitucional.

 

Os cálculos de Costa, no entanto, saíram furados. Em primeiro lugar, Seguro não hesitou em afrontar Costa, como se viu no episódio de ter interrompido uma entrevista que ele estava a dar num programa de televisão. Em segundo lugar, apesar de estar a fazer uma oposição fraquíssima, Seguro tem vindo paulatinamente a ganhar pontos, capitalizando os sucessivos erros e as hesitações em que o governo tem caído. E, por último, a gestão da Câmara de Lisboa está a revelar-se um desastre total, por muitas ajudas que tenha do governo, como foi esta entrega de 286 milhões apenas em troca de um "reconhecimento da propriedade".

 

Costa sentiu por isso que precisava de desafiar Seguro quanto antes. Efectivamente, o seu caminho aberto pode afinal revelar-se bem fechado e cheio de espinhos.


2 comentários

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De omaudafita a 30.07.2012 às 12:27

Não confunda a realidade com aquilo que imagina. Este governo é fraco, esta oposição é fraca. Portugal precisa, no momento certo, de políticos fortes, com obra feita. O que o Sr. António Costa e está a fazer, a meu ver, é deixar que estes actores políticos fracos se queimem em lume brando para mais tarde, aí sim, entrar a sério na política portuguesa. Sabe, o xadrez não se joga com bola...
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De De Lx a 30.07.2012 às 15:03

Concordo inteiramente com o seu pensamento.

Desta vez o oportunismo não lhe está de feição e a coisa apresenta-se com espinhos.

A avaliar pela "amostra " de Lisboa bem pode esperar sentado.

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