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O desastre na colocação de professores

por Rui Rocha, em 25.07.12

A gestão pelo Ministerio da Educação das colocações e dos concursos dos professores pode já considerar-se um cataclismo de grandes dimensões provocado por falha humana. Entre avanços, recuos, indecisões, dúvidas sobre legislação aplicável, erros de concepção da plataforma informática e falência das soluções técnicas, já se viu de tudo. Não está aqui em discussão o desemprego justificado ou injustificado dos docentes ou a política educativa. O que está em causa é a absoluta incompetência na gestão de um processo administrativo pelos serviços do Ministério da Educação. Existe, naturalmente,  um responsável político por esta situação. Mas esse deve estar, por esta hora, a tentar perceber qual a melhor resposta para um velho problema matemático que consiste em determinar a forma mais eficaz de passar pelos pingos de chuva sem se molhar: correr ou ir a passo? É possível que tenha de recorrer a uma calculadora para fazer as contas.


16 comentários

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De Cristina Torrão a 25.07.2012 às 12:26

Nem tenho palavras para definir o sistema de concursos e colocação de professores. Não admira que um país que ainda não deu solução a isso, um país com tanta falta de competência para a política educativa, tenha tantos problemas. Muita coisa se resolvia (a médio e a longo prazo), se investissem mais na educação (não só dinheiro, como inteligência e competência).
O meu marido (alemão), casado com uma portuguesa há vinte anos e conhecedor de Portugal, respeitando as diferenças entre os dois países, mesmo quando não concorda com certas coisas, abre uma exceção para esta problemática dos professores. Um perfeito absurdo, diz ele. E tem razão!
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De Rui Rocha a 25.07.2012 às 16:19

É verdade para o sistema em geral e para a sua aplicação prática neste ano, Cristina.
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De Luís Lavoura a 25.07.2012 às 17:18

Por que é que é um absurdo? Poderia explicar?
(Não tenho conhecimentos do problema.)
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De Cristina Torrão a 25.07.2012 às 18:10

Porque é que tantos professores têm de concorrer todos os anos? Porque é que tantos professores só sabem onde vão ficar colocados poucos dias antes de iniciarem funções? Porque é que professores do Norte são colocados no Sul, enquanto que muitos do Sul são colocados no Norte (sem que o queiram)? Conheço vários casos, pois há professores na minha família. Há professores que andam nisso 20 anos, ou mais. Todos os anos há problemas, sem contar com os novos que surgiram agora.

Eu também não tenho soluções para apresentar, mas, na Alemanha, nunca ouvi falar de tal "dança" de professores. Os anos letivos iniciam-se e acabam sem se ouvir falar das colocações de professores, ou dos concursos de professores, ou sei lá que mais polémicas que se gerem por aí.
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De Luís Lavoura a 25.07.2012 às 18:23

Eu creio que a Cristina está a misturar professores do quadro com professores contratados. Essa mistura não é legítima, a meu ver. A meu ver, só se pode designar por "professores" aqueles que são do quadro. Os outros não o são, são apenas pessoas habilitadas para lecionar e que o sistema usa cada ano que passa consoante precise delas ou não.

A professora primária do meu filho é do quadro. Ela só tem que concorrer de 4 em 4 anos, julgo. E, mesmo concorrendo, é sempre colocada na área de Lisboa, por ser do quadro. Isto é, não anda de Norte para Sul e vice-versa.

Portanto, é falso (parece-me) que os professores tenham que concorrer todos os anos, e é falso que andem a dançar de um lado para o outro do país. Quem está assim são os contratados, mas esses, como eu digo, não são professores, são tarefeiros.
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De Leonor Barros a 25.07.2012 às 18:42

Tarefeiros? Isso é uma ofensa para quem anda a dar aulas assim há quase vinte anos. A única diferença que terão dos professores do quadro é que uns têm lugar no quadro, outros não. São as mesma habilitações. É uma maneira de o Estado poupar dinheiro. E para que conste, não sou contratada mas vejo o drama dos meus colegas. Este ano até os professores do quadro foram a concurso pela razão que apresentei no meu comentário abaixo.
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De Luís Lavoura a 26.07.2012 às 09:29

As habiliações são irrelevantes. Em qualquer empresa há pessoas com habilitações semelhantes a trabalhar, mas umas são do quadro, as outras estão com contrato a prazo. Têm estatutos diferentes, mesmo que as habilitações sejam as mesmas.
Claro que é uma forma de o Estado poupar dinheiro. Mas não é isso mesmo que se pretende, que o Estado tenha flexibilidade no pessoal que contrata, tal e qual uma empresa privada a deve ter?
De qualquer forma, insisto: uns são professores do quadro, outros não. Não podem ser todos abarcados pela mesma designação "professores". E é natural que aqueles que não são do quadro estejam numa posição instável.
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De Leonor Barros a 26.07.2012 às 15:52

E aí no sítio de trabalha como é? Também é uma empresa? Não, pois não? Pronto. É que o ensino não é uma empresa. Ponto.
Essa sua sobranceria em relação aos professores contratados é abjecta.
O seu problema é que não está informado mas vai sempre soltando das suas. A ignorância é atrevida, bem dizia o meu pai.
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De Luís Lavoura a 26.07.2012 às 16:03

Eu não sou sobranceiro, apenas digo que os contratados não têm o mesmo estatuto que os do quadro e que não podem ser confundidos com os do quadro. Não se pode dizer que "os professores andam a ser colocados ora no Norte, ora no Sul" quando isso de facto apenas acontece aos contratados. Dizer que isso acontece aos "professores" é enganador. Eu já conheço e conheci diversos professores (incluindo jovens) e todos eles estavam, ou estão, colocados de forma mais ou menos contínua sempre na mesma escola.
Aliás, uma coisa excelente que o governo de Sócrates fez, e que perdura, foi passar a fazer concursos para colocações por 3 (agora penso que é 4) anos numa mesma escola, o que diminuiu substancialmente a instabilidade para professores e alunos.
Eu posso ser ignorante e atrevido, mas pelo menos não tento enganar os outros com expressões abrangentes como "professores", como se todos aqueles que, ocasionalmente ou não, lecionam pudessem ou devessem ser metidos na mesma condição.
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De Outside a 25.07.2012 às 22:15

Assumir que não tem conhecimento do problema é de louvar.

Não compreendo é não tentar informar-se com maior profundidade, para lá da esfera social que o rodeia, e evitar assim este comentário, simplesmente porque não é um problema de agora, é uma situação que tem vindo a piorar ao longo dos anos, em (in)coerência e ausência de rigor e lucidez de planeamento, sem cor partidária.

E não, não sou professor nem alguma vez lecionei mas a realidade neste Ministério já me acompanhou no período em que fui sujeito/objecto do mesmo e presentemente os dias são mais negros, algo que na altura não imaginaria possível.
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De Leonor Barros a 26.07.2012 às 16:06

Ninguém esperaria tanto desnorte na Educação. Nuno Crato conhece muito bem o sistema mas tem-se mostrado incapaz.
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De anabela a 25.07.2012 às 12:57

Mais um triste episódio do MEC que ilustra o desnorte dos últimos tempos.

Anabela
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De Rui Rocha a 25.07.2012 às 16:20

Sem dúvida, Anabela. Um amadorismo incompreensível.
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De Leonor Barros a 25.07.2012 às 14:04

Os concursos são o reflexo do desastre que grassa naquele Ministério. Total incompetência e desgoverno. Só aquelas mentes iluminadas é que se lembrariam de pedir estimativas às escolas a 13 de Julho quando as matrículas terminavam a 15 e as de 12º ano também não estavam totalmente concluídas. Os números não respondiam à necessidade real de professores. A partir daí foi sempre a descer. Com turmas maiores, aumento do horário dos professores, reforma curricular, os contratados bem podem pensar noutra profissão. Agora que nem lugar há para os do quadro e o país está depauperado, Crato diz que quer que os professores contratados de que o sistema não vai precisar passem a ser do quadro. Eu sei quem ele quer enganar: a maior parte da opinião pública, a que odeia e a que odeia menos os professores. Em última análise esta 'intenção' servirá para esgrimir mais argumentos inanes sobre a educação e para nos esfragarem na cara que não temos de que nos queixar. Quem está na profissão sabe que ele mente.
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De Rui Rocha a 25.07.2012 às 16:20

Subscrevo, Leonor.
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De fernando antolin a 26.07.2012 às 18:02

Fiz parte dum sistema de ensino em que esta situação não existia ou se existia era duma forma quase insignificante. Acabei o Liceu no ano lectivo de 1972/73.

Tal como os incêndios florestais, a triste novela da colocação dos professores ganhou foros de epidemia, endémica e irresolúvel, com "solução" após "solução" a falhar e com imensas opiniões sobre o modo de acabar com o problema, que aparentemente ninguém responsável ouve. Um dos problemas sobre o qual curiosamente não oiço o "mundo escolar" debater e insurgir-se, é o da verdadeira máfia dos livros escolares.( falo dos profs. ,ministério, sindicatos e por aí ) Já não tenho os meus filhos no ensino obrigatório e bem me lembro, mesmo assim, do que paguei enquanto lá estiveram. Enfim, sin novedad en el Alcázar...

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