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mistificações

por José Navarro de Andrade, em 20.07.12

Pouquíssimos o viam, tendo o programa prosseguido anos a fio com audiências pouco mais do que residuais, preguiçosamente encostado ao estatuto adquirido. Raríssimas vezes o citavam, quer na rua, quer no âmbito dos estudos historiográficos. Considerado um “grande comunicador”, dele não terá ficado um epigrama, um aforismo, uma imagem vincada e vinculativa, que perdure além de um repetitivo “storytelling” devedor sobretudo do estilo vetusto de um Pinheiro Chagas. Em vida, das escassas vezes que lhe pediam opinião e ele a dava sem constrangimentos, mesmo quando poderia ter sido polémico, nem assim era escutado com mais do que a deferência devida a um ancião inócuo.

Querendo lamentar na morte do Professor Hermano Saraiva, não o merecido ser humano, respeitável e estimável, ou o Homem público, com os seus defeitos e virtudes; mas a figura exemplar de serviço público de televisão, será decerto desmerecer ambas as coisas: a figura e o serviço público de televisão. Há lugares comuns piores do que a morte.


5 comentários

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De JgMenos a 21.07.2012 às 00:46

'...nem assim era escutado '
Leia-se, nem assim era mediatizado.

Não há melhor elogio a fazer a um homem que manteve a mesma postura e pensamento livre ao longo da sua vida, que ter escapado à maledicência e ao insulto, num tempo em que a todos se nega o direito de serem coerentes com o seu passado!
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De José Navarro de Andrade a 21.07.2012 às 02:51

Esse será até um dos poucos pontos em que faço vénia a Hermano Saraiva: o de não ter desmanchado à pressa ou devagar as suas convicções, sem nunca ter desassumido os actos (maléficos, na minha opinião) que executou como ministro ou se ter posto com circunstâncias e explicações. Deviam ter-lhe pedido contas? Talvez, mas não foi decerto por esquiva dele que não as tiveram.
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De da Maia a 21.07.2012 às 01:40

Um grande contador das Estórias de Portugal, deixando por vezes algumas indicações politicamente incorrectas acerca do que terá sido o apagão da História.

Como os historiadores modernos pouco mais fizeram do que aprimorar versões oficiais, aprovadas fora e carimbadas pelo Portugal dos pequeninos, é natural que relembrar o passado fosse inconveniente, para os papagaios das estorietas de alguidar, mui cientificamente cúmplices da descarada vigarice.

Enfim, a grande proeza de circum-navegar a África foi daquele português que, com saudades de casa, pegou num barco a remos com uma pequena vela, partiu da Índia e quando chegou a Lisboa, D. João III achou por bem ocultar o episódio.
Claro... sobre isto os ilustres nacionais calam-se, e é um alemão, Rainer Daehnhardt, que o publica.

A viagem desse português ombreia com a de Gama, pois sem ela temos apenas as Estorietas dos Descobrimentos, mostrando que os mostrengos que impediam a passagem do Bojador são os mesmos que hoje impedem a verdade.
O que interessam os mapas de Reinel, que o homem da Lusoponte ousou redatar, o que interessam os mapas de João de Lisboa, que mostram contactos com os Incas?

Enfim, vi o programa de Hermano Saraiva em que falava da antiguidade do relógio de Serpa, e no museu sobre um relógio de navegação... disse: "claro que este não é português, é francês"... e mais não precisou dizer.
Não interessava. Interessava o contexto.
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De c. a 21.07.2012 às 05:33

Os programas que passavam agora na 2 eram, em grande parte, repetições de repetições.
Pulido Valente referia, há tempos, que, para vergonha nossa, os programas de JHS eram um dos poucos, senão o único exemplo de divulgação cultural depois do 25 de Abril.
Lembro-me que os programas de Saraiva, tal como os de Vitorino de Almeida ou Nemésio, foram grandes acontecimentos da televisão - o que não deixa de ser interessante, agora que a classe média e média alta e alta (sic) vê telenovelas.
Quer-me ainda parecer que não leu o Chagas. Vetusto o Chagas? O Chagas, como qualquer provinciano, tinha a mania que era moderno. O que leu do Chagas?
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De jsp a 21.07.2012 às 18:15

O Sena bem o disse , somos mesmo o reino da estupidez.
E, acrescento eu, também da mesquinhez.

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