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Gente que odeia pobres

por André Couto, em 17.07.12

 

De mansinho o Governo de Portugal, como esta gente gosta de se chamar, aprovou a semana passada a mais perniciosa, mesquinha e cruel medida do seu curto consulado.

Depois de espremer a classe média para além do tutano vai de pegar no Rendimento Social de Inserção (RSI), ou o apoio à preguiça, como gosta de dizer alguma gente nascida em berço de ouro. Como dizia, vai de passar a descontar no RSI a diferença entre a renda técnica e a renda social, daqueles que beneficiam de habitação social cedida, por exemplo, pelos Municípios. Sem que contribua para este apoio que os Municípios dão, o Governo presume como rendimento a diferença entre o suposto e o cobrado, descontando isso nos milionários valores que o RSI proporciona às famílias beneficiárias. O RSI, antigamente, era o Rendimento Mínimo Garantido, e isso não era por acaso. Foi criado para garantir a subsistência mínima, temporária, daqueles que a tinham ameaçada.

Não eram estas as outrora criticadas gorduras do Estado patrocinadas por José Sócrates. Para além do desbaratar do Património do Estado e do Estado Social, o Governo de Portugal inaugurou uma nova fase: a do ódio aos pobres.

A coisa promete, esperemos por Outubro.


22 comentários

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De Tiago Cabral a 17.07.2012 às 10:30

Este governo não odeia pobres, pois se os está a aumentar em grande número. O que esta governo odeia é o pobre que quer deixar de ser tão pobre.
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De André Couto a 17.07.2012 às 13:17

Sim, e as medidas que visam reduzir o seu número.
My mistake! Abraço!
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De CC a 17.07.2012 às 23:23

Boa noite,

Apenas gostaria de dar um exemplo aos que consideram que a prestação de RSI (Rendimento Social de Inserção) é um roubo... uma mãe e uma criança de 1 ano (que não tem colocação em nenhum equipamento de infancia por falta de vagas e que por isso a mãe na pode trabalhar...) receberão com a nova lei... espantem-se senhores com o roubo... 200.16 euros... (acredito que nenhum de vós tenha que "viver" ou deverei dizer antes... "sobreviver" com esse valor).
Antes de criarem um inimigo avaliem bem quem são os verdadeiros ladrões... de dignidade e daquilo que se pode até considerar humanidade!!!!
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De CeC a 17.07.2012 às 11:26

A ser honesto esse tipo de 'ajudas" sempre me deixou dividido entre a necessidade real e o escandaloso aproveitamento que se fazem delas.

Durante muitos anos participei na criação de ditas habitações sociais e acabei por ver um pouco de tudo; desde cooperativas habitacionais com um intuito de ajuda social, onde no decorrer da obra se observavam detalhes como placas vitrocerâmicas e de indução, loiças Valadares/Roca, etc.; já para não falar da localização junto à praia em zona de investimentos imobiliários. No final e estando os valores conforme a tipologia de cada casa, a um valor estrategicamente baixo: T1 - 15.000€, T2 - 20.000€, T3 - 35.000€, descobre-se que grande parte das compras já estavam feitas, sendo os compradores os investidores e participantes de dita cooperativa, ou seja: entidades empresariais da zona, câmara, etc.
Noutros casos observei habitação social para etnia cigana onde os acabamentos estavam ao nível das melhores urbanizações: banheiras de alta qualidade e custo, assim como pavimentos e azulejos, revestimento em pedra de muros exteriores, etc.

Admito que no constante esbanjamento e aproveitamento que observei, sempre pensei que algo drástico teria de ser feito. Não sei se essa proposta que o CDS/PP propõe alcançará os objectivos pretendidos, mas a verdade é que me fica a ecoar uma recorrente frase da minha infância a quando se aplicavam castigos: "Paga o justo pelo pecador."

Num mundo imperfeito como nosso acaba por ser regra a "justa causa", a quando a correcção de maus hábitos, por muito mau que soe.
Na mesma linha fico a pensar em valores astronómicos para invalidez.
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De André Couto a 17.07.2012 às 13:20

Caro CeC,
O que refere são problemas verdadeiros e situações que se verificam. De qualquer forma, se analisar, vê que todos eles dizem respeito a más decisões dos governantes e gestores e públicos e não das pessoas. Esse problema resolve-se com mais controlo e fiscalização, não a terminar com os apoios sociais aos que mais precisam, porque assim, como bem disse, "paga o justo pelo pecador".
Um abraço.
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De CeC a 17.07.2012 às 14:10

Sabe, André, a verdade é que tenho ponderado bastante sobre o tema das ajudas sociais, e acabei por chegar a uma conclusão -algo fatalista, admito- em que de toda a panóplia de idealismos que vejo e igualmente concluo, tantas vezes, nenhuma delas trará soluções eficazes.

No fundo, a tentativa de criar justeza apenas nos arrasta numa continua cadência de medidas infrutíferas.
Usando uma paralelismo, faz-me pensar no nosso continuo problema de falta de identidade económica. Quantas vezes não desejo um virar de página e começar numa nova. É que no fundo as responsabilidades não se prendem unicamente com entidades de poder, pois também essas sucumbem aos interesse pessoais e irresponsáveis dos cidadãos.
Usando a analogia do "apertar o cinto", acredito que muitos compreendam as necessidades e exigências de tal, simplesmente se saturam quando não vêem resultados. O mesmo se passa com as ajudas sociais e o seu indevido aproveitamento.

Mas divago.... irei concluir com um estudo que se fez há uns anos sobre a interpretação que as sociedades latinas e as nórdicas da Europa fazem sobre o desemprego.
As nórdicas receavam o desemprego pois sentiam que não iam estar a contribuir para a sociedade; as latinas receavam o desemprego pela perda de poder de compra.
Sem cair na magnânima fantasia de uns serem mais ou menos responsáveis, dá que pensar...
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De Manuel Gonçalves a 18.07.2012 às 13:12

Muito bem dito. So acrescentava aí mais um pormenor; nem imaginam a quantidade de apartamentos que foram adquiridos por jovens, filhos de quem se pode perfeitamente considerar rico ou abastado, para estarem 5 anos ou desocupados, ou até em arrendamento, depois serem vendidos, claro, ao preço de mercado. Belos negocios que se fazem com os apoios sociais. Contacto de perto com comunidades piscatorias, por cá são onde se encontra a maior concentração de de familias recebendo o RSI, os patrões dos barcos por vezes nem conseguem tripulação para ir ao mar, neste caso RSI é sem sombra de dúvida o alimento da preguiça.
Parece que privatizar a saúde e a educação é o que se pretende para o futuro proximo, mas RSI e habitações "oferecidas" é algo que nunca deve terminar.
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De FERNANDO AMORIM a 17.07.2012 às 11:38

Sr André deste assunto posso falar com conhecimento de causa. Pois vivo e trabalho numa das chamadas zonas degradadas do Grande Porto.
Vai ficar a saber que onde se critica mais o RIS é mesmo por cá. Doi ver que para muita gente o RIS é apenas um pequeno rendimento e desculpa, para uma vida de "não faz nenhum".
Tenho pouco mais de 40 anos e vejo gente com metade da minha idade a receber o RIS e depois vai dar para 2 ou 3 dias de GANZA boa como alguns dizem.
Andam em bons carros, fazem férias lá fora. Eu tou a abrir a loja de manha e eles estão a chegar da night. São os chamados por cá de funcionários do rendimento minimo.
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De André Couto a 17.07.2012 às 13:25

Fernando Amorim,
Isso é uma realidade que, infelizmente, é verdadeira em alguns casos e eu também sou testemunha disso. Ainda assim concordará que a maioria são situações em que as pessoas precisam mesmo daquele rendimento. Mais uma vez caímos no raciocínio em que "paga o justo pelo pecador".
As zonas de ineficácia do RSI combatem-se com fiscalização, com pedidos de actualização de documentos, com cruzamento de dados entre o Estado, a Santa Casa da Misericórdia, as IPSS que fazem apoio social, etc.. Discordo que seja a cortar a direito que este problema se resolva. A medida em análise é especialmente perniciosa por cortar em todos, sem olhar a quem precisa e a quem não precisa, no âmbito do que disse.
Um abraço!
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De FERNANDO AMORIM a 17.07.2012 às 15:46

O pior disto é oe exemplo que estamos a passar ás futuras gerações.
É todo um "mundo" com estas ideias que são criadas. Os filhos deles já dizem que estudar não é preciso. O pai e a mãe não fazem nada e tem dinheiro. Existe dinheiro para o pircing, para a tatuagem, para o telemovel de ultima geração. Só não existe vontade de procurar trabalho e se por acaso alguem lho arranja vai-se arrenpender futuramente.
Tem familias aqui a receber aos 3 e 4 mil euros por mês da SS. Os carteiros até ficam a bater mal da cabeça.
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De JgMenos a 17.07.2012 às 11:40

Se é propaganda, nada tenho a comentar.
Se é opinião, conviria que soubesse um pouco mais do que se passa nos bairros sociais e áreas congéneres.
Se já sabe, dir-lhe-ei que no seu ódio aos pobres quer que se lhes pague para os poder esquecer, deixando-os sem obrigações de cidadania e entregue a todo o oportunismo e degradação moral!
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De André Couto a 17.07.2012 às 13:33

É opinião, caro JgMenos.
Saberei provavelmente mais sobre Bairros Sociais que o nosso leitor, na medida em que trabalho com três. É exactamente por isso que esta medida me revolta tanto, por saber que a esmagadora maioria das pessoas precisa mesmo, e que esta medida vai trazer fome. Sim, fome.
Recomendo-lhe que vá ler a lei e as práticas associadas ao RSI e ao subsídio de desemprego, o seu discurso não é condizente com a realidade e creio que precisa de se informar melhor.
Um abraço.

PS. Não vou comentar a frase "sem obrigações de cidadania e entregue a todo o oportunismo e degradação moral!". Somos todos muito castos e sérios a falar mas depois, no escondido da vida privada, raras são as diferenças entre pobres e ricos.
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De JgMenos a 17.07.2012 às 14:05

No 'escondido da vida privada' nem vejo qualquer diferença.
Mas no público da vida em sociedade há obrigações para todos.
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De carlos faria a 17.07.2012 às 12:00

Há medidas que discordo deste governo, penso que não atacou os lóbis e esquemas de grupos económicos como deve ser e sobrecarregou a classe média de impostos.
Mas se o Governo salvaguardou doentes, incapacitados, crianças e pessoas que exercem uma profissão, uma das razões por que votei nestes governo foi para acabar com aquela situação que assisti de me gozaram a partir de uma taberna quando eu trabalhava num ato voluntário em benefício público, dando a justificação de que não precisavam de tal, pois bastavam-lhes acenar com a ameaça de não votarem se perdessem o rendimento mínimo e este lhes vinha parar à mão.
Agora podem continuar a receber o RSI, mas ao menos têm de trabalhar em benefício da sociedade que lhes paga esse RSI retirado dos meus impostos... sim sou pelo fim da pobreza.
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De André Couto a 17.07.2012 às 13:39

Carlos Faria, não existe uma noção de grupo e acção concertada entre a mole humana que recebe RSI. Isso foi uma boca isolada que tanto se encontra num pobre, como em banqueiros e afins que nos exploraram e lesaram em milhares de milhões de euros.
Ainda assim repare que não critiquei o facto de terem de trabalhar. Não concordo, pessoalmente, mas sei que esse ponto é bem mais discutível do que aquele que refiro neste texto.
Um abraço!
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De cr a 17.07.2012 às 12:07

Não tarda nada vão andar a roubar chupa-chupas ás crianças...
Roubar gorduras a pobres é a melhor das ideias que lhes ocorrem.
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De André Couto a 17.07.2012 às 13:40

O problema é que já roubam...
Um abraço, cr!
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De Zé a 17.07.2012 às 16:23

Concordo em absoluto com a sua opinião. De facto, somente quem vive ou trabalha entre o "público-alvo" deste subsídio é que compreende que muito do discurso político orientado a este "público-alvo" é pernicioso e moralmente criticável. Agora, as medidas que têm sido desenhadas e implementadas sobre este assunto é mesmo um "crime social" e um verdadeiro atentado à urbanidade e solidariedade que uma sociedade do século XXI deveria enaltecer. Um bem-haja!
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De da Maia a 17.07.2012 às 17:50

O Rendimento Máximo Garantido tem horror ao Rendimento Mínimo Garantido, porque são faces da mesma moeda.

Onde é que já se viu haver gente que por assumir um estatuto social beneficia de rendas estatais, o que lhes permite manter-se nessa vida, sem fazer nenhum?
Uns têm que falar com os inspectores, outros com os ministros... mas a renda, essa vai sendo garantida.
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De lucklucky a 17.07.2012 às 23:37

Pelos vistos a igualdade do Tribunal Constitucional já não conta...

Ao largo este texto demonstra está mais uma vez a Esquerda a querer instituir a dependência como situação permanente.
É essencial à sua estrutura de poder: Dependência.
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De Laura Ramos a 19.07.2012 às 02:25

Que exagero demagógico, André...
Sorry.

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