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Diz que disse que não disse

por Pedro Correia, em 28.04.09

Manuela Ferreira Leite voltou a meter os pés pelas mãos. Como quando falou em suspender a democracia por seis meses ou sustentou que não deviam ser os jornalistas a seleccionar as notícias que difundem. Entrevistada ontem por um Mário Crespo que se excedeu em benevolência, no prime time da SIC, a presidente do PSD abriu a porta a um entendimento com o PS para um futuro governo de Bloco Central, confirmando que as divergências com José Sócrates são de forma e não de fundo. Como tem vindo a ser hábito, não tardaram os oficiosos hermeneutas de serviço a traduzir as palavras de Ferreira Leite, procurando interpretar o seu verdadeiro pensamento sobre a matéria: diz que disse que não disse. É um clássico, desde que a ex-ministra das Finanças ascendeu ao posto supremo do partido: os seus apaniguados tremem cada vez que abre a boca. Confirma-se: a senhora não é fadada para estas lides. O PS só pode agradecer ao PSD. Espero sinceramente que Sócrates não seja ingrato.

 

ADENDA 1. Por tudo isto, não admira que personalidades do partido, como Marcelo Rebelo de Sousa, Pedro Santana Lopes, Pedro Passos Coelho e Nuno Morais Sarmento confessem não se ter dado sequer ao incómodo de ver a entrevista. E admira ainda menos que os votos de comunistas e bloquistas, conjugados, andem muito perto dos do PSD.

 

ADENDA 2. Curiosa, cada vez mais curiosa, a simetria entre José Sócrates e José Pacheco Pereira. Um queixa-se da 'campanha negra' contra ele, o outro queixa-se da 'campanha 'contra a líder dele. Desta vez, ao menos, Pacheco dispara contra "os jornalistas" em geral, sem fazer discriminações: a 'conspiração' é global. Aqui entre nós, que ninguém nos ouve, isto anda tudo ligado. E o Elvis não morreu: foi raptado por marcianos.

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32 comentários

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De José Carlos Santos a 28.04.2009 às 07:39

Em outros casos que ocorreram no passado até que estive de acordo com esta maneira de descrever o que se passou (refiro-me à necessidade de vir alguém interpretar as palavras de Manuela Ferreira Leite) mas não neste. A própria desmentiu (http://diariodigital.sapo.pt/news.asp?section_id=12&id_news=384956) a interpretação que fizeram das palavras dela horas antes de ter aparecido a interpretação (http://abrupto.blogspot.com/2009/04/indice-do-situacionismo-88-como-se.html) a que fez referência.
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De Pedro Correia a 28.04.2009 às 09:33

Bem, neste caso já são muitos a concluir o mesmo. Foi o Expresso, foi o Diário Económico, foi a SIC Notícias, foi o DN, foi a TSF, foi o entrevistador... Eu próprio, ao ouvir a entrevista em directo, cheguei à mesma conclusão quando ouvi Mário Crespo perguntar a MFL sobre a possível abertura do PSD a um governo de Bloco Central, perante a resposta da líder social-democrata de que se sentiria "confortável com qualquer solução em que acredite que a conjugação de esforços seja coincidente, no sentido daquilo que melhor sirva os interesses do país". Se isto não é abrir a porta a um entendimento com o PS caso não exista maioria absoluta na AR em Outubro...
A reacção dela ocorreu já após os jornais terem começado a dedicar manchetes ao assunto nas suas versões digitais, seguida da 'interpretação autêntica' dos hermeneutas do costume. E afinal teria bastado um claro, inequívoco e categórico "não" a uma pergunta daquele teor.
Outra coisa não se esperaria de quem proclama a necessidade de haver uma "Política de Verdade" nos cartazes que andam por aí.
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De José Carlos Santos a 28.04.2009 às 09:37

Não comentei se a resposta de Manuela Ferreira Leite se prestou ou não à interpretação que lhe deram. Só disse, e mantenho, que, desta vez, ela não precisou de nenhum «hermeneuta» para clarificar as palavras dela, visto que ele própria se encarregou disso.
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De Pedro Correia a 28.04.2009 às 09:38

Convenceu-me. Ela, de facto, está a melhorar: já consegue ser hermeneuta dela própria. Teremos líder, lá para 2016.
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De Morgadinho a 28.04.2009 às 09:21

MFL disse uma coisa sensata: está disponível para procurar soluções que tenham interesse para o país. Mas, em Portugal não se pode ser senstato. Importa é não responder, ser arrogante e "passar mensagem" enlatada para consumo rápido.

PS: Parabéns ao Pedro Correia sobre a passagem de que as "divergências são de forma e não de fundo". Uma interpretação fantástica da frase de MFL.
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De Pedro Correia a 28.04.2009 às 09:24

Obrigadinho, Morgadinho.
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De João Carvalho a 28.04.2009 às 12:14

Ó Morgadinho, como o Pedro Correia já assinalou, o que Manuela Ferreira Leite não disse claramente dito sobre um executivo do Bloco Central foi "não".
Quando a gente quer dizer "não" é "não" que se diz. Por muitas 'nuances' e ginástica que se queiram detalhar depois...
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De TNunes a 28.04.2009 às 09:47

Não... o o autor da "posta" e mais uns quantos sabujos do PS e do "nosso Goebels " Santos Silva querem à força que ela tenha dito isso para terem assunto e para poderem falar.
E sempre é melhor uma "gaffe" da MFL do que o passado obscuro do "Querido Líder"!
Fiquem bem, mas não mordam a língua, podem morrer com o vosso próprio veneno!
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De João Carvalho a 28.04.2009 às 12:18

Como é que sabe que a senhora cometeu uma 'gaffe'? Ela apenas respondeu o que certamente lhe vai na alma. E não respondeu "não"...
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De Acordem a 28.04.2009 às 11:42

Para quem quer acordar: http://acordem-acordem.blogspot.com/
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De Pedro Correia a 28.04.2009 às 12:41

Simpático, o seu blogue (apesar do Fábio Jr). Vá aparecendo por cá.
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De Acordem a 28.04.2009 às 16:22

Obrigada...mas acho que não prestou atenção nenhuma... de simpatico o meu blog não tem nada...rsrrsrs
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De Pedro Correia a 28.04.2009 às 16:28

Retiro o que disse. Não quero melindrá-la.
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De Acordem a 28.04.2009 às 16:38

Acho bem! Não quero ver arruinada a má reputação que tem o meu blogue...rsrsrrsrs
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De ariel a 28.04.2009 às 12:40

Caro Pedro Correia, a sua resposta a um comentário fez as minhas delícias: "Convenceu-me. Ela, de facto, está a melhorar: já consegue ser hermeneuta dela própria. "

P.S., não vi a entrevista, mas quando refere que Mário Crespo "se excedeu em benevolência", deve ser um eufemismo para bajulação pura e simples não? Bem, não se encrespe comigo....
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De Pedro Correia a 28.04.2009 às 13:13

Encrespar? Nem sombras. Nem só de pão vive o homem, Ariel: algum eufemismo também faz falta.
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De Bruno - Planetas a 28.04.2009 às 17:43

É caso para duvidar se afinal os períodos de reflexão que tem caracterizado a sua liderança de MFL, não seriam internamentos encapotados. A Srª está claramente a entrar em falência galopante. Que não é uma figura simpática e mediática, isso toda a gente já sabe, mas dizer uma coisa e o seu contrário com a mesma rapidez que um Gestor se esquece da compra de uma empresa em Puerto Rico, é caso para dizer a proximidade a Belém causa amnésia!
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De Pedro Correia a 28.04.2009 às 17:57

Os gurus da Lapa deviam aconselhar MFL a não dar entrevistas logo após um discurso do PR. Os (péssimos) resultados estão à vista.
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De ana laura a 28.04.2009 às 18:03

Sou insuspeita porque não voto e vivo de trabalho intelectual. Ouvi parte da entrevista de MFL, nomeadamente quando aborda a questão que suscita. Ou fiquei burra ou está tudo louco. O que a MFL disse foi: estou disposta a governar sózinha ou acompanhada, MAS É PRECISO QUE O PARCEIRO SEJA DE CONFIANÇA, ou seja com SOCRATES NÃO, COM PORTAS SIM. ARRE!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!.
Ouçam outra vez. Pode ser-se comunista , socialista ou outro, mas com HONESTIDADE!
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De Pedro Correia a 28.04.2009 às 18:12

«Com Sócrates não, com Portas sim?!!» Só você ouviu essa entrevista.
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De ana laura a 28.04.2009 às 20:25


Realmente não ouviu, mas não era preciso, está lá. Como sabe a Língua Portuguesa é muito difícil e, a maior parte dos nossos jornalistas não a dominam. Basta fazer um pequeno exercício: quantos jornalistas , políticos e afins aplicam o conjunto correctamente ou o substituem, quase invariavelmente pelo presente do indicativo?
Realmente não está dito por letras e palavras, mas está muito bem implícito: "comprometo-me em qualquer situação de governo que trabalhe exclusivamente para o país"; precisa de mais detalhes?
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De João Carvalho a 28.04.2009 às 21:11

«Como sabe a Língua Portuguesa é muito difícil e, a maior parte dos nossos jornalistas não a dominam.»

Veja agora a versão correcta: como sabe, a Língua Portuguesa é muito difícil e a maior parte dos nossos jornalistas não a domina.

Como sabe, quando isso acontece com os jornalistas, com a restante população é uma desgraça...
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De Pedro Correia a 28.04.2009 às 21:21

1. Diz-me que não vota. Olhe que não parece, com tanto entusiasmo pela presidente do PSD.
2. Não vota porque vive do trabalho intelectual? Essa é mesmo difícil de entender.
3. A língua portuguesa é muito difícil? É. Sobretudo para quem não a conhece.
4. "A maior parte dos nossos jornalistas" não domina a língua portuguesa? Desconhecia: está a dar-me uma notícia. Deduzo, portanto, que o seu "trabalho intelectual" nada tem a ver com jornalismo.
5. "Realmente não está dito por letras e palavras", concede. Dando-me, assim, razão. E eu começo a dar-lhe razão a si: a língua portuguesa é muito difícil. Assim é mesmo.
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De ana laura a 28.04.2009 às 22:27


A melhor defesa é o ataque. Um clássico. Não sinto, neste momento, qualquer preocupação em ´deleitá-lo com um português literário, nem a si nem a ninguém. Faça-o no local certo e bem. Quanto a MFL estou à vontade, a última vez que votei foi há demasiado tempo, nem me lembro. Sabe, a distância dá-nos clarividência e, a proximidade cega-nos.
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De Pedro Correia a 28.04.2009 às 23:34

"A distância dá-nos clarividência e, a proximidade cega-nos." Não posso estar mais de acordo.
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De Bruno - Planetas a 28.04.2009 às 18:26

Com Portas claro que sim, mas isso não foi dito na entrevista.
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De Pedro Correia a 28.04.2009 às 21:22

Lá temos de chamar mais um hermeneuta, Bruno. Ainda haverá algum disponível?
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De Anónimo a 28.04.2009 às 22:47


Não seja deselegante. Portugal está cheio de pretensos
intelectuais. As minhas preferências caminham no sentido da humildade e da simplicidade. Trabalho intelectual? Sim. Ganho pouco e ninguém tem por mim reverências. Sabe porquê? Não sou de esquerda ou direita, não tenho quaisquer preferências políticas, não sou nova "embaixadora ou embaixatriz" na capital francesa Pertenço a um grupo ignorado de pessoas: estudei na Sorbonne antiga, faço investigação em História de Arte e sou anónima. Esta não é a minha praia, felizmente.
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De Pedro Correia a 28.04.2009 às 23:36

Presto a minha homenagem à sua formação académica. Quanto a deselegâncias, registei uma sua: quando assinalou que a maioria dos jornalistas não conhece a língua portuguesa.
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De João Carvalho a 28.04.2009 às 21:36

Bloco Central? Pacheco Pereira responde: «Manuela Ferreira Leite nunca o disse e tem-no sempre negado com vigor.» Algum vigoroso 'nim' que me tenha escapado? Porque em resposta ao Mário Crespo ouvi mais disponibilidade do que 'nim'...

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