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Eppur si muove

por Pedro Correia, em 02.07.12

 

Pela primeira vez o Egipto tem um presidente eleito, escolhido pelo povo e não por uma oligarquia reunida nas casernas. Goste-se ou não deste engenheiro de 60 anos, doutorado nos Estados Unidos, as urnas falaram. Não existe outra forma lícita de escolher dirigentes políticos. Pela primeira vez em quase 60 anos de regime republicano há no Egipto um Chefe do Estado civil, Mohammed Mursi, que no discurso de investidura prometeu "servir o povo" e respeitar os compromissos internacionais estabelecidos pelo seu país, nomeadamente com Israel. Pela primeira vez o Egipto tem um sistema que salvaguarda algumas das normas elementares da democracia, a começar pelo sufrágio universal.
A actual situação é de longe preferível ao longo sistema ditatorial anterior (que começou com Naguibe e Nasser, prolongou-se com Sadat e culminou no consulado de Mubarak), pensem alguns altos funcionários da administração norte-americana o que pensarem. E por que motivo haveriam de preferir a ditadura à democracia se Barack Obama e Hillary Clinton estiveram na primeira linha do reconhecimento das 'Primaveras árabes', incentivando e aplaudindo as revoltas populares contra as tiranias de Mubarak, Ben Ali, Kadhafi e Assad?
Supor o contrário, como pretendem os cínicos de serviço, lá e cá, seria sonhar com o regresso a um mundo onde Salazar e Franco apascentavam a Península Ibérica e Moscovo lançava uma cortina de ferro sobre toda a Europa de Leste, com os opositores apodrecendo no Gulag. O mundo "tranquilo" da Guerra Fria, do equilíbrio do terror e do Inverno nuclear à mercê de um dedo capaz de premir um qualquer botão.


5 comentários

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De teixeira a 02.07.2012 às 22:14

O mal mesmo quando comungado pela maioria, não se transforma em virtude.
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De Pedro Correia a 03.07.2012 às 00:23

A democracia é um mal? Isso quer dizer que a ditadura é que está bem?
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De Vasco a 03.07.2012 às 02:04

Deixemo-nos de eufemismos: o problema aqui é o Islão. E a questão não é saber se a Democracia convive bem com o Islão, mas se o Islão tolera os excessos naturais da Democracia e não tentará substituir-se-lhe - ou uma democracia tutelada por um código rígido de conduta individual e colectiva continua a ser uma democracia só porque é sufragada nas urnas? É isso que vamos saber nos próximos episódios: se o Islão é capaz de se Reformar. Eu não apostava, cavalheiros.
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De Pedro Correia a 03.07.2012 às 08:51

Se o Islão coexiste com a democracia em países como a Turquia, a Indonésia e a Malásia - países que conheço bem - porque não haverá o mesmo de suceder também no Egipto, onde existe uma influente minoria cristã (cerca de 10% da população) e uma sociedade fundada numa antiquíssima civilização? Não devemos lançar anátemas vitalícios contra povos e países, como bem se viu com a Alemanha pós-hitleriana.
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De Vasco a 03.07.2012 às 10:51

Pensar que os Egípcios têm alguma coisa a ver com os Egípcios da antiguidade também é uma espécie de anátema vitalício - e tirando os hieróglifos aquilo não era grande coisa ;). No Oriente existem outros ingredientes para que a religião seja moderada. No Médio-Oriente há muitos ingredientes que puxam para o outro lado. Veremos. Tomara que vc tenha razão e eu esteja errado.

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