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Eleições gregas: algumas reflexões

por Pedro Correia, em 17.06.12

 

 

E SE NÓS, PORTUGUESES, TAMBÉM VOTÁSSEMOS HOJE NA GRÉCIA?

 

Imaginem agora, por um momento, que éramos todos gregos. Íamos hoje votar pela segunda vez em seis semanas. A primeira, em 6 de Maio, não serviu para nada: as forças políticas eleitas por voto popular, confundindo cálculo partidário com interesse nacional, foram incapazes de formar um governo de unidade - primeiro passo, aliás fundamental, para tentar tirar o país do atoleiro em que se encontra.

Imaginem que éramos gregos. Íamos votar. Para quê? Para produzir novo impasse destinado a tornar ainda mais fundo o atoleiro ou procuraríamos que o nosso voto se tornasse parte da solução e não parte do problema?

 

É verdade que a Europa, em grande parte por incapacidade dos seus dirigentes, se tornou um problema dentro do problema dentro do problema. Como naqueles jogos de caixinhas chinesas da nossa infância. Mas é um facto que a Grécia nunca fez parte de solução alguma. Pelo contrário. Um país que contribui apenas com cerca de 2% do PIB da União Europeia tem ocupado, mais do que nenhum outro, as manchetes da imprensa mundial sempre por maus motivos.

Mentiu sobre o défice das contas públicas. Quando o socialista Georgios Papandreu venceu as legislativas de Outubro de 2009 verificou que o défice real, herdado do governo conservador da Nova Democracia, ascendia aos 12,7%: nada tinha a ver com os 6% comunicados oficialmente a Bruxelas.

Houve dois empréstimos de emergência negociados por Atenas em condições muito precárias com a União Europeia e o Fundo Monetário Internacional. Em Maio de 2010 e em Outubro de 2011. Para o envio de 240 mil milhões de euros aos gregos, a troco de um brutal plano de austeridade.

O país passou a fazer parte da solução? Não. Continuou a ser parte do problema.

 

De então para cá, houve sucessivas greves gerais (oito só em 2010).

Houve uma tentativa fracassada de Papandreu para fazer preceder o segundo resgate financeiro de um referendo aos gregos. E logo caiu o Governo do PASOK, minado por insanáveis divergências internas.

Formou-se um Executivo de "unidade nacional" (que nada tinha de unitário e muito pouco de nacional) liderado por um tecnocrata, Lukas Papademos.

Realizaram-se há seis semanas as tais eleições que não serviram para nada.

 

Balanço?

Não podia ser mais negativo.

- Dívida pública grega: 163% do PIB.

- Défice externo: 7,3%.

- Défice orçamental: 7,5%.

- A actividade turística - que gera cerca de um quinto dos empregos directos na Grécia - caiu 15% no primeiro trimestre de 2012.

- 40% das reservas turísticas para o Verão foram anuladas desde o fracassado escrutínio de 6 de Maio.

- A produção industrial caiu 8,5% em 2011.

- A receita do Estado caiu 10,2% em 2011.

- Taxa oficial de desemprego: 21,7%. Em certas regiões ronda os 70%.

- Cerca de 400 mil famílias gregas não possuem rendimentos de qualquer espécie.

- Pelo menos um terço dos gregos, segundo estimativas credíveis, vivem na chamada "economia informal". O país detém o recorde europeu de evasão fiscal.

- A Bolsa de Atenas caiu 56% no último ano.

- Tem-se registado uma corrida aos depósitos bancários. Em média, os gregos retiram dos bancos entre 500 milhões e 800 milhões de euros por semana, convertendo-os em libras ou francos suíços. Quarta e quinta-feira, o ritmo aumentou: um milhão levantado em cada dia.

- Desde 2010, os bancos gregos terão perdido já 72 mil milhões de euros em depósitos, o equivalente a cerca de 30% do total.

 

Há culpas próprias, claro. Mas também culpas alheias. Georgios Prevelakis, professor de Geopolítica na Sorbonne, adverte em entrevista ao El Mundo: «A Alemanha tem repetido na Grécia os erros cometidos pelos aliados após a I Guerra Mundial.»

 

Como sair do impasse? Atirar mais dinheiro sobre o problema? Já se viu: a solução não passa por aí. Mas há necessidades urgentes que requerem paliativos urgentes. E caros. Um exemplo: se não receber até 20 de Julho a próxima fatia do empréstimo internacional, no montante de 2 mil milhões de euros, o Estado grego não conseguirá cumprir as suas obrigações mais elementares. A começar pelo pagamento de salários e pensões (uns módicos 600 milhões de euros).

 

Duas evidências:

- O Estado grego desagrega-se de dia para dia.

- Há uma forte tradição de intervenção militar na politica grega, como ficou amargamente demonstrado na ditadura dos coronéis (entre 1967 e 1974). E o Egipto, onde o processo democrático acaba de ser travado por uma conspiração conjunta entre militares e juízes, não fica muito distante de Atenas. Mais perto ainda fica Itália, onde não falta hoje quem se orgulhe de ter "um governo sem políticos".

Nada de ilusões: no limite, é a própria democracia que começa a estar em causa.

 

O seleccionador nacional da Grécia é português. E acaba de produzir um quase milagre, qualificando a débil selecção grega para os quartos-de-final do Campeonato da Europa.

Conseguirão os gregos qualificar-se para  as etapas seguintes da construção europeia, muito mais exigentes e que nada têm a ver com futebol?

 

E nós, portugueses, se fôssemos gregos, como votávamos?

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16 comentários

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De lucklucky a 17.06.2012 às 16:59

"brutal plano de austeridade."

Esta é a gozar. Os Gregos continuam com um défice "brutal" e estão em austeridade?!

Ainda não entenderam que a época dos défices acabou.
Finito.
Zero.
Os Países como a Grécia e Portugal - e muitos outros, o drama só está começar -tem de regressar aos anos 90 e gerir o país com essa riqueza.

"é a própria democracia que começa a estar em causa."

É natural, a Democracia sem limites ao poder dos governo endividar os cidadãos para lhes comprar votos revelou-se um sistema extremista e fanático
mesmo violando acordos internacionais que esse mesmo poder assinou.
.
Será substituído por outro sistema extremista e fanático, pois a única coisa que não está em discussão é limites ao poder dos Governos..
Os Povos continuam querer um Governo que lhes dê dinheiro, seja do vizinho do lado, dos "ricos" via impostos ou que venha dos "mercados" em dívida.
Muitas Argentinas no Séc.XXI.
Querem Populismo e Socialismo, tiveram têm e terão os resultados.
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De Pedro Correia a 17.06.2012 às 18:30

Se bem percebi o significado que atribui ao termo 'brutal', teremos de rever alguns conceitos históricos. Por exemplo, à luz do seu critério, as potências aliadas impuseram medidas "suaves" ou mesmo "suavíssimas" à república de Weimar surgida na Alemanha após a I Guerra Mundial.
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De lucklucky a 18.06.2012 às 00:23

"Por exemplo, à luz do seu critério, as potências aliadas impuseram medidas "suaves" ou mesmo "suavíssimas" à república de Weimar surgida na Alemanha após a I Guerra Mundial."

Primeiro o que é que tem uma coisa que ver com a outra?
Depois o dinheiro era alemão, do trabalho alemão e embora fosse duro não era algo "brutal".

O dinheiro de que falamos não é dinheiro Grego, não veio do esforço Grego.
É dinheiro que veio de uns papelinhos que Republica Grega colocou à venda. E continuam a por à venda porque continuam com défice.
Tal como os Portugueses.
Por isso é que os Gregos há 3 ou 4 anos no topo da bolha tinham um poucos menos de 3/2 rendimento de um Português, 30000 dólares per capita.
10 anos antes o rendimento per capita grego era 18000 dólares. 18000 para 30000.
O rendimento Grego aumentou 50% em 10 anos, um milagre.

E como não rebentam a bolha cada vez se torna mais difícil.
Os défices acabaram.
O velho crescimento acabou.
E é a partir daí que deve gerir um país.
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De Pedro Correia a 18.06.2012 às 00:59

O dinheiro era alemão, do "trabalho alemão"? Ora essa. Os alemães invadiram e pilharam durante quatro anos diversos países, na Europa e nas colónias, causaram as maiores atrocidades, provocaram prejuízos sem preço ou você ainda vem justificar as acções do Kaiser 90 e tal anos depois? Guerra é "trabalho"?
O paralelo que faço tem toda a razão de ser. Muitas vezes não se morre do mal, mas da "cura". Aconteceu na Alemanha de 1918 em diante. Mas já não sucedeu após 1945: os aliados aprenderam as lições da História. Por mais razão que se tenha - e ninguém tem mais razão histórica do que as potências vencedoras de uma guerra justa - nenhum povo suporta privações ou humilhações em larga escala.
Infelizmente a Alemanha não parece ter aprendido com aquilo de que beneficiou (sim, os alemãs invadiram e ocuparam a Grécia durante a II Guerra Mundial e ali cometeram as maiores atrocidades). A Europa, tal como a conhecemos, arrisca-se a morrer - não do mal mas da "cura". Devido à incompetência e à irresponsabilidade de uns e à cupidez e à arrogância de outros.
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De lucklucky a 19.06.2012 às 01:03

!? Essa lógica não está muito afinada.
>Se houve alguém foi você que chorou pelo Kaiser e Alemães da Primeira Guerra não fui eu. Eu disse que não era brutal. Foi você.

"O paralelo que faço tem toda a razão de ser. Muitas vezes não se morre do mal, mas da "cura". Aconteceu na Alemanha de 1918 em diante"
>Não não aconteceu por causa de cura alguma. Você não tem capacidade de colocar mais de um factor -esse falso- na balança?

"Mas já não sucedeu após 1945: os aliados aprenderam as lições da História."
>Em 1945 a Alemanha foi ocupada e partida em 4, na pratica em 2. Numa parte ficou uma Ditadura Comunista. E você está a dizer que as privações e humilhações dos Alemães foram maiores na I Guerra !?


A Europa, tal como a conhecemos, arrisca-se a morrer não do mal mas da "cura".
>A "Europa" não existe. Existe um projecto político Unionista.
Você está dizer que é impossível a Grécia viver com 25000 PPP dólares tem de ter 30000 PPP e pedir emprestado 10% do PIB todos os anos. Ou seja você é um adepto da Teoria Económica de José Sócrates.
Mas isso já sabíamos, a maioria dos Portugueses o são por isso votam do PCP ao CDS.
E por isso terão a ruína e os altos e baixos destrutivos da Argentina como recompensa.

Os défices acabaram. O crescimento acabou.
O povo não tem qualidade para produzir mais pois os incentivos do Social-Populismo definiram a sua qualidade e dos políticos.
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De Pedro Correia a 20.06.2012 às 00:37

Eu sou adepto da Teoria Económica de José Sócrates?? Você com essa fez-me lembrar o Salazar, que via comunistas em toda a parte. Você vê socialistas e socratistas.
E a propósito de Salazar: bons tempos esses, sem défice nem dívida e muito ourozinho acumulado nas caves do Banco de Portugal, não é verdade? "Liberal" não seria, mas enfim - ninguém é perfeito...
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De CeC a 17.06.2012 às 19:16

De facto, concordo com grande parte da opinião aqui apresentada. Admito -e aí talvez seja falha minha- não sentir grande tipo de empatia com as dificuldades gregas. Atenção, não me refiro ao sofrimento das famílias, nem à busca desesperada de emprego, obviamente! Refiro-me, sim, a inata capacidade que o povo grego tem para dar os clichés "tiros no próprio pé".

As manifestações -exageradas; e foram-no- arrastaram com elas uma aura de um povo que meramente protesta, sem ter noção dos efeitos colaterais que tal atitude acarreta. A falta de coesão politica e os pedidos in extremis de ajuda externa, apenas deram à luz a instabilidade que existe em todos os sectores sociais daquele pais; etc...

Solução?... já deviam ter perdido -há muito- a soberania económica do pais. Mantinha-se a classe politica nacional, em questões socais como: emprego, ensino, saúde, etc. E um grupo independente (europeu) assumia as rédeas da Economia e Finanças.
Soa mal, não é? ... os resultados que têm tido até agora não me parecem muito mais magnânimos.
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De Pedro Correia a 18.06.2012 às 00:20

Sim, os gregos deram ao longo dos anos inúmeros tiros no próprio pé. Mas o resultado eleitoral desta vez parece confirmar que a maioria dos eleitores reflectiu, à beira das urnas, da forma como pretendi expor neste texto, publicado enquanto decorria a votação: dever-se-ia votar "para produzir novo impasse destinado a tornar ainda mais fundo o atoleiro ou procurar que o voto se tornasse parte da solução e não parte do problema?"
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De CeC a 18.06.2012 às 00:51

Eu compreendo o que dizes Pedro, mas a ser honesto.. há demasiado tempo que perdi as esperanças de um entendimento-resolução nacional por parte da Grécia. Verdadeiramente.. a vejo como uma âncora que fica presa num recife e prende o navio, até acabar por o afundar.

Admito que algo melindrado fico pela seguinte afirmação, que vou fazer - efeitos das interpretações e comentários que o nosso Pm fez sobre a Singapura -, mas a verdade é que tanto a Grécia, como Portugal, precisavam de um novo Winsemius. A criação de um plano económico, em que entidades politicas nacionais apenas zelem pelos interesses sociais. Algo como "dois coelhos de uma só cajadada"; aproximava-se a classe politica do povo, e vice-versa, e criava-se um plano estóico e sem influências internas do melhor aproveitamento que se poderia dar a uma Economia Nacional.
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De Pedro Correia a 18.06.2012 às 02:12

Receio cada vez mais que a democracia comece a ficar em causa. E por democracia refiro-me essencialmente ao direito elementar de escolhermos os nossos governantes. É algo que consideramos conquistado 'ad eternum', mas nada é mais ilusório: as democracias, hoje generalizadas, existem há poucas décadas. 99%da história da humanidade decorreu sob regimes autocráticos e sem qualquer respeito pelos mais elementares direitos. A fuga crescente de eleitores para forças extremistas, que exploram o medo colectivo, é preocupante. Tal como é a esmagadora abstenção nas legislativas francesas - a maior de sempre. Ou o processo democrático interrompido no Egipto. São erupções do mesmo fenómeno. A democracia liberal anda com má fama e péssima imprensa. Mas ainda não foi inventado nenhum sistema político melhor. É bom que nunca nos esqueçamos disso.
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De CeC a 19.06.2012 às 01:18

Dizes bem, Pedro, e pões o dedo na ferida.
Será impossível desconectar Democracia de Imprensa -péssima, como dizes-, mas acaba por ser aí mesmo que o problema começa e evolui. Algum tipo de paradoxo, chamemos-lhe.
A ser honesto, há demasiado tempo que deixei de ver a actual "filosofia politica" como uma Democracia; antes sim, uma Oclocracia. As diferenças são ténues, é verdade, mas fáceis de identificar:
*Imprensa sensacionalista;
*Agenda politica de Oposição à base das manchetes do dia anterior;
*Alheamento por parte dos cidadão na suas próprias responsabilidades;
Et cetera.

Não sei até que ponto, não nos aproximamos de uma solução que obrigue à ressurreição da Autocracia -esclarecida, esperemos. Observando a História, até acaba por ser um ciclo: democracia-estagnação-revolta-autocracia-revolução-democracia...
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De Pedro Correia a 20.06.2012 às 00:38

Tese interessante, sem dúvida. A merecer reflexão.
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De jo a 18.06.2012 às 00:32

Os países não mentem. As pessoas é que mentem. é sempre necessário muito cuidado com os colectivos.
Quando se castiga a Grécia castiga-se os gregos que mentiram? Ou os que não mentiram?
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De Pedro Correia a 18.06.2012 às 00:52

'Castigar' a Grécia? Quem é que tem castigado a Grécia mais do que os políticos incompetentes e corruptos? E quem escolhe os políticos gregos a não ser os eleitores gregos? Que eu saiba não são os alemães, os finlandeses ou os portugueses a votar nos políticos concretos que desgovernaram o país nestes 30 anos.
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De l.rodrigues a 18.06.2012 às 10:40

E no entanto os Alemães nestas eleições deixaram claro que preferiam que os gregos votassem nesses mesmos políticos que condena....
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De Pedro Correia a 18.06.2012 às 15:10

A resposta ao seu pertinente reparo talvez se encontre neste excerto do editorial de Helena Garrido, no 'Jornal de Negócios' de hoje:
«O Syriza, do líder revelação destas eleições Alexis Tsipras, quer ficar no euro mas sem o plano de austeridade que é a contrapartida do empréstimo, o que, na prática, é um conjunto vazio. Quem votou em Tsipras escolheu o sonho - estar na Zona Euro sem a austeridade e as regras que a participação na União Monetária tem, inevitavelmente de impor.»

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