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Lviv

por José Navarro de Andrade, em 11.06.12

Não será prudente recomendar assim sem mais nem menos “Les Bienveillantes” (trad. pt: “As benevolentes”, D. Quixote). Escrito directamente em língua francesa pelo americano Jonathan Littell, será provavelmente um dos melhores romances do séc. XXI, foi decerto um dos mais controversos, e mesmo numa época em que predomina a sensação de já se ter visto tudo, a sua leitura é capaz de perturbar ou até traumatizar os espíritos menos prevenidos.

O horror que se desprende das páginas de “Les Bienveillantes” deriva não tanto das cenas cruas e brutais nele descritas, mas sobretudo do modo meticuloso e prático como Maximilien Aue, o fleumático, se não blasé, oficial das SS, desempenha o seu trabalho. Este consiste em expurgar os territórios conquistados pela Wehrmacht a leste do Reich de qualquer resquício de semitismo, de modo a prepará-los para a radiosa colonização germânica. O nosso Aue, cujas preocupações pouco ou nada divergem das de qualquer bom profissional, afigura-se como um executivo competente, contrariando o acomodamento burocrático de alguns camaradas e procurando sempre aperfeiçoar a sua performance. Dito de outro modo: Maximilien Aue dedica-se a exterminar dezenas de milhares de judeus maximizando as cotas, a eficácia e os custos da sua operação – sim ele podia ser qualquer um de nós.

A primeira missão de Aue passa-se em Lemberg, que em polaco teve o nome de Lwów, enquanto cidade russa chamava-se L’vov e agora que pertence à Ucrânia tomou o nome de Lviv. À chegada o Einsatzgruppe de Aue é recebido em festa, o povo saiu à rua com bandeiras amarelas e azuis, acolhendo os nazis como libertadores e aclamando o líder nacionalista Stefan Bandera. Aos festejos não falta um pogrom.

Seria ignóbil discutir qual é o instantâneo mais horrendo dos muitíssimos horrores que se praticaram na II Grande Guerra. Este é dos que mais me impressionam e foi recolhido no pogrom de 1941 em Lviv.

É possível imaginar que a mulher da fotografia, menos de uma semana antes, não passasse de uma recatada matrona pequeno-burguesa, conservadora, mãe ou tia numa família de artesãos e lojistas, que levava a sua vida com pudor e discrição. E de repente, por ser judia, vê-se assim exposta e em pânico, fugindo seminua e sem destino rua abaixo, perseguida por um bando de rapazes na mais pura reinação, que de vez em quando lhe ferram uma paulada, para que ela não pare de correr aos tropeções e só para gozarem o seu desespero. A humilhação é um castigo mais desumano do que a morte.

Não sei se depois da Guerra os alemães terão regressado a Lviv antes deste Euro 2012, onde no Sábado jogaram contra Portugal.


24 comentários

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De Luís Lavoura a 11.06.2012 às 16:44

Escreve-se L'viv, com um apóstrofe depois do L, e lê-se mais ou menos "Levil".
Os alemães não devem lá ter voltado muito, porque a cidade está quase preservada como era antes da guerra, isto é, tem a particularidade de não ter sido completamente destruída pela guerra. O seu centro histórico é património mundial da Unesco.
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De Vasco a 12.06.2012 às 10:26

Folgo muito ver a sua preocupação por uma ortografia cuidada, Lavoura, e destroçado fico pelo facto de o seu olho crítico não reparado em pogrom.
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De José Navarro de Andrade a 12.06.2012 às 11:22

Tem razão - já corrigido.
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De Ana Gabriela A. S. Fernandes a 11.06.2012 às 18:20

José,

se me permite, aqui verifica-se um equívoco:
"O nosso Aue, cujas preocupações pouco ou nada divergem das de qualquer bom profissional, afigura-se como um executivo competente, contrariando o acomodamento burocrático de alguns camaradas e procurando sempre aperfeiçoar a sua performance. Dito de outro modo: Maximilien Aue dedica-se a exterminar dezenas de milhares de judeus maximizando as cotas, a eficácia e os custos da sua operação – sim ele podia ser qualquer um de nós."

Aue é um psicopata, não poderia ser de modo algum "qualquer um de nós". Aliás, para percebermos um pouco melhor como funciona a estrutura do psicopata, aconselho vivamente "A Traição do Eu" de Arno Gruen (Assírio e Alvim).

E outro equívoco: "... cujas preocupações pouco ou nada divergem das de qualquer bom profissional, afigura-se como um executivo competente, contrariando o acomodamento burocrático de alguns camaradas e procurando sempre aperfeiçoar a sua performance."
As preocupações de Aue são exercer o poder, porque só entende as relações humanas nessa lógica do poder, ou se ganha ou se perde. É, pois, mais provável encontrar estas estruturas psicopáticas em lugares onde possam exercer alguma forma de poder sobre os seus semelhantes. Ora, não é comparável ao simples exercício de funções profissionais, "como um executivo ou um bom profissional".

Esta estrutura psicopática tem uma lógica própria de pensar, sentir e agir: não revela capacidade de empatia com os seus semelhantes nem qualquer sentido de culpabilidade, idolatra os poderosos e despreza os fracos e vulneráveis. Encara, acima de tudo, o desamparo (o que a mulher da fotografia revela) como uma fraqueza que só merece o seu desprezo.

Felizmente, segundo diversos estudos sociológicos de alguns autores, encontramos este tipo de estruturas numa minoria populacional, mas ainda assim preocupante: cerca de 16% (aconselho outro livro de Arno Gruen, "Falsos Deuses", da Paz Editora). 16% que não deixam, ainda assim, de se revelar preocupantes.
Na outra ponta da curva de Pearson temos os outros cerca de 16%, as pessoas mais saudáveis da população em geral (que, segundo Alain de Botton, são as que ainda vão mantendo este planeta a funcionar com algum bom senso): orientam-se segundo os valores da defesa da vida, respeitam os seus semelhantes da mesma forma como se respeitam a si próprias, não se preocupam com a aprovação social. Encontram-se frequentemente no apoio aos mais vulneráveis da sociedade.
Segundos estes estudos, a maioria da população pode deixar-se influenciar, conforme as circunstâncias, por uma ou outra destas minorias populacionais. É realmente aqui que reside o maior risco.
Ana
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De José Navarro de Andrade a 11.06.2012 às 19:20

Cara Ana Gabriela, a sua interpetação é irrepreensível e intocável nos moldes em que assenta. Não se trata pois de rebatê-la ou contestá-la. No entanto discordo dela, porque sigo outro caminho. Repare que o seu 4º parágrafo pdoe muito bem descrever qualquer estrutura funcional competitiva: a Apple, a Bolsa de Nova Iorque, o Real Madrid, um partido político. Ou seja, quando o que se nos pede é performance o que nós damos é performance e não é por defeito, mas porque estamos inseridos num sistema que funciona assim, que não avaliamos constantemente a ética dessa performance. É nesse sentido que digo que Aue pode ser qualquer um de nós. Cristiano Ronaldo marca golos para justificar o seu ordenado, não fica a ponderar se o seu ordenado é justo face à pobreza do mundo. Serei talvez demasiado hobbesiano mas, não leve a mal, prefiro Hobbes à psicanálise, a qual remete para a patologia (curável) o que me parece ser da ordem de uma "ética pragmática" (debatível) que os filósofos anglo-saxónicos tanto estudam e debatem e os "continentais" negligenciam.
Mas se não fosse o seu comentário, não daria tamanha resposta - obrigado.
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De Ana Gabriela A. S. Fernandes a 11.06.2012 às 21:55

José,

achei interessante a sua perspectiva, que me inspira a aprofundar a questão.
Obrigada pelo desafio.
Ana
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De José Navarro de Andrade a 11.06.2012 às 22:12

Obrigado pelo desafio digo eu :)
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De Ana Vidal a 11.06.2012 às 18:38

Li "As Benevolentes" na tradução portuguesa, quando saíu cá. Ainda hoje me dá volta ao estômago quando me lembro de algumas descrições, mas é sem dúvida um grande romance e tem uma abordagem muito original: o absurdo do perfeccionismo e do "brio" profissional em guerra, na época mais tétrica da história da Europa. Mas não vou tão longe como tu (quando dizes que ele poderia ser qualquer um de nós), aquele comportamento é obsessivo e vai muito além do cumprimento do "dever".
Mas dizes muito bem: a humilhação é mais cruel do que a morte.
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De José Navarro de Andrade a 11.06.2012 às 19:26

Vê a resposta acima, querida Ana. O que chamas de comportamento obsessivo (e não contesto o adjectivo) é pão-nosso de cada dia nas estruturas empresariais contemporâneas. E não é visto como obsessivo.
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De Ana Vidal a 11.06.2012 às 20:00

Pois é o pão-nosso-de-cada-dia, Zé. Mas a aplicação dessa obsessão é que é diferente, apesar de tudo. Prefiro pensar que tanto zelo aplicado a semelhante "ocupação profissional" é do domínio da patologia (admito que seja uma patologia colectiva). A ética pragmática pode ser responsável por grandes monstruosidades.
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De Ana Vidal a 11.06.2012 às 23:04

Mas partilho inteiramente do teu "hobbesianismo": todos nós temos demónios semi-adormecidos e prontos a entrar de serviço, tudo depende das circunstâncias. O que não me impede de achar que o Mal é contagioso como uma patologia (o nazismo é um bom exemplo disso). Curável? Isso é que não me parece nada. Apenas "anestesiável" até nova oportunidade de sair do limbo.
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De Luís Lavoura a 12.06.2012 às 09:35

O comportamento obsessivo é pão-nosso de cada dia nas estruturas empresariais contemporâneas

A minha mulher sofre desse tipo de comportamento. Quando lhe dá a tola que tem que fazer uma coisa (por exemplo, coser umas calças ou enviar um email ou pintar uma moldura), não para enquanto não tiver feito essa coisa, esquecendo-se de todas as outras coisas que normalmente deveria estar a fazer. Ou seja, distorce a noção de prioridades. Ela trabalhou em marketing em diversas empresas e diz que nelas essa sua caraterística era deveras apreciada.
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De Bruno A. a 11.06.2012 às 20:49

Ao ler o post e os respectivos comentários fiquei com a impressão que existem duas correntes sobre a perspectiva do mal: um lado reverte para a natureza do mal ser intrínseca a todos os seres humanos e consoante o contexto este manifesta-se ou não; o outro aponta noutro sentido, diz que há pessoas naturalmente más e outras naturalmente boas.
A filosofia aborda esta temática desde o começo, mas aproveito para fazer uma questão: como se pode definir o mal hoje?
Essa foto exibe o execrável, mas será que da mesma forma que as sociedades evoluíram, o mal não terá feito o mesmo? Ou será que o mal é o mesmo que vemos nessa foto, mas está guardado num baú, forçado a uma obscuridade pelas forças formais de civilidade (primado da lei, separação de poderes, monopólio da violência nas mãos de políticos e agentes públicos obrigados a manter as aparências, etc)?
PS: A frase "A humilhação é um castigo mais desumano que a morte." é excelente.
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De José Navarro de Andrade a 11.06.2012 às 22:18

Concordo com a sua separação da ideia de Mal segundo duas linhas. Embora eu tenda para uma delas, como viu na troca de ideias com Ana Gabriela, não deixa a outra de ter argumentos fortes e questionantes. Quando diz que o Mal está guardado num baú pronto a saltar, bom isso é mesmo a minha ideia hobbesiana.
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De Bruno A. a 11.06.2012 às 22:45

Também acho que está tudo guardado no baú, pronto para saltar...
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De Luís Lavoura a 12.06.2012 às 09:31

a ideia de Mal é uma curiosa ideia da cultura monoteísta (judaica-cristã-islâmica). Nessa cultura existe um Deus do Bem e um Demónio do Mal. Uma visão dualista. É muito curioso.
Noutras culturas não existe tal dualismo, segundo julgo.
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De Bruno A. a 12.06.2012 às 18:49

Não sei se assim é. O mal não é apenas reconhecido pelas religiões dominantes do Ocidente. Há um livro chamado "A evolução de Deus", de Robert Right, que fala sobre este assunto. O mal é um conceito que advém da crescente sofisticação das sociedades. Em pequenas comunidades recolectoras, o conceito do mal praticamente não existe, e se existir é rapidamente punido. À medida que as sociedades evoluem e formam-se maiores aglomerados humanos, os furtos, os assassinatos ou a criminalidade podem-se ocultar mais facilmente na multidão e assim torna-se mais fácil não ser punido e obter ganhos por ignomínias praticadas sobre outros. Robert Right tem uma tese sobre a religião muito peculiar, ele diz que a fé evolui em função dos contextos sociais, políticos e económicos. O esclarecimento religioso e mural tem uma componente divina, outra pragmática ou mundana. Ele oferece vários exemplos como as diversas sociedades espalhadas pelo mundo reagem ao mal, e criam mecanismos de melhorar estes tipos de clarividências.
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De Bruno A. a 12.06.2012 às 18:54

Errata: Moral, e não mural... :)
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De lucklucky a 11.06.2012 às 23:49

O oficial das SS pensava que estava a fazer o bem, provavelmente até menos que muitos outros mais entusiastas mas menos eficientes. Não li o livro logo não posso dizer a minha opinião sobre se é psicopata ou não, mas se a qualificação é só pela eficiência isso não tem nada de psicopata.
Ele tem sim valores errados.
Aceita como a grande maioria o poder do Estado sobre a pessoa, o individuo.

Só poucas pessoas conseguem fugir ao "l'air du temps".
A maioria segue a maioria passe o pleonasmo.
Sim a maioria pode ser guarda de um campo de extermínio. Mas não todos.

Os únicos que são de confiar na Europa a este nível são os Italianos.
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De Bruno A. a 12.06.2012 às 01:26

Sobre esse assunto há um livro que nunca me esquecerei: Memória do mal, tentação do bem, de Tzvetan Todorov. É pecado resumir este longo ensaio a poucas linhas mas posso adiantar que o autor lembra que muitas atrocidades da História foram feitas em nome do bem: o bem-comum, o bem da nação, o bem do partido, o bem da humanidade, etc.
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De José Navarro de Andrade a 13.06.2012 às 11:51

Grande referência Todorov. Bem lembrado.
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De José António Abreu a 12.06.2012 às 16:22

Bom texto e boa discussão. Tendo a concordar contigo (de facto, basta ver como as lógicas internas de muitas organizações levam gente aparentemente sensata a comportamentos ignóbeis – despedir grávidas ou pessoas que estiveram ausentes na sequência de acidente de trabalho, por exemplo) mas, ainda que o isolamento que está quase sempre associado ao poder facilite certas ordens (pelo menos numa primeira fase, mandar matar será mais fácil do que matar) e que a falta de poder e de alternativas (para além do hábito) tornem mais fácil obedecer-lhes, há algumas pessoas que, desde cedo, parecem mais propensas à execução de certo tipo de actos do que outras (por que é que, ao ver um cão abandonado, um rapaz o apedreja enquanto outro - no limite, o próprio irmão - lhe faz festas?). Tal como também há quem os recuse terminantemente (alguns dissidentes começam por sê-lo por motivos circunstanciais mas outros são-no por convicção e apesar dos riscos).

Quanto a Les Bienveillantes, que não li, vais-me desculpar, José Navarro, mas vou ter de transcrever em post uma opinião ligeeeeiramente sarcástica que, certa ou errada (de novo: não li o livro), achei deliciosa.
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De Helena Ferro de Gouveia a 13.06.2012 às 09:56

Não irei comentar o livro porque tenho muitas reticências pessoais quando se estetiza, ficciona o horror, a desumanidade nacional-socialista, mesmo que se o faça com pluma de mestre.
Achei no entanto a discussão aqui no blog muito interessante.

Só queria deixar uma(s) nota(s) breve(s) à sua última questão se os alemães já teriam regressado a Lviv antes do jogo.

- Pelo menos desde 2003 existem na Alemanha visitas guiadas a Lviv que têm como Leitmotiv o Holocausto na Ucrânia. Do programa fazem parte por exemplo o antigo gueto da cidade e o campo de concentração de Belzec.

- Na Universidade alemã de Lviv estudam 100 mil alunos entre os quais muitos alemães.

- Lviv está geminada com Freiburg ( haverá certamente mais mas neste momento não posso verificar).
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De José Navarro de Andrade a 13.06.2012 às 12:02

Helena, esta sua informação é preciosa e revela tanto que merecia um post só por si. É interminável o que se pode dizer acerca destas cidades da mitteleuropa (embora Lviv já esteja um bocadinho para lá...), carregadas de história e tragédia. Há um blog superlativo chamado "poemas del río wang" (nem sei a sua nacionalidade) que tem publicado posts interssantíssimos sobre as memórias desta cidade. Como a Helena é germanista, pode ser que lhe interesse:
http://riowang.blogspot.pt/2012/06/come-with-us-to-klezmer-festival-in.html

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