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Ajudando o José Navarro de Andrade.

por Luís M. Jorge, em 29.05.12

Parece que ser mentiroso é, além de um pecadilho inocente, uma questão de opinião que deve ser demonstrada. Pois bem, eis um bom resumo que respeita apenas às declarações do ministro na AR : "O jornal Expresso salienta quatro contradições de Miguel Relvas nas declarações que fez na Assembleia da República: 1. O ministro afirmou então: “Nunca recebi nenhum relatório de reestruturação de serviços, não tenho nenhuma relação estreita com Jorge Silva Carvalho, nunca foi meu conselheiro nesta área, nem tinha de ser porque esta não é matéria que eu acompanhe”. Porém, isso não bate certo com as reuniões havidas e com as sugestões do espião. 2. Disse que só conhecia Jorge Silva Carvalho desde abril de 2010 e, desvalorizando as informações que recebia do espião, citou o primeiro clipping que recebeu: uma notícia da Reuters sobre a visita de George Bush ao México. A notícia é de 2007 e não existe nenhuma outra posterior a essa data. 3. O ministro afirmou que nem ele, nem membros do seu gabinete tinham contactos com o espião, mas nesta sexta feira o seu adjunto Adelino Cunha demitiu-se por ter sido conhecido que manteve vários contactos com Silva Carvalho já depois de ter rebentado o escândalo. Na comissão parlamentar, a deputada Cecília Honório do Bloco de Esquerda perguntou por duas vezes se o ministro ou alguém do seu gabinete recebia informações ou tinha ligações à questão das secretas. “Era importante que fosse muito claro e dissesse que nem o senhor nem alguém próximo de si, nomeadamente no seu gabinete, não tem de facto contacto com o ex-diretor do SIED, nem tem de facto recebido informação que não seria da vossa competência, e não tem qualquer responsabilidade em matéria de serviços de informações”, questionou a deputada. Perante a falta de resposta, Cecília Honório insistiu: “Volto a perguntar: o senhor, desde que é ministro não tem contactos, nem informações particulares, nem qualquer espécie de responsabilidade sobre serviços de informações? Nem o senhor ministro nem ninguém do seu gabinete mexe naquilo que diz respeito aos serviços de informações?”. Miguel Relvas respondeu: “Não, não, não, não e mais um não”. 4. O ministro afirmou que as sugestões que recebeu de Jorge Silva Carvalho não envolviam nomes de funcionários das secretas, o que é mentira. O jornal salienta que o ministro foi questionado se eram pessoas dos serviços e alertado pela deputada do PS Isabel Oneto de que se fossem pessoas dos serviços se tratava de violação de segredo de Estado, uma vez que a identidade dos funcionários desses serviços é segredo de Estado, afirmou. “Não eram agentes, eram pessoas para responsabilidades, para lugares de topo, que não eram agentes (…) Aqui não há segredos de Estado”. Ora, dois dos nomes sugeridos por sms eram de dois funcionários das secretas: Filomena Teixeira e João Bicho. O ministro mentiu. (...)." Não encontrei o artigo original do Expresso, o resumo vem daqui: http://www.esquerda.net/artigo/“ministro-faltou-à-verdade-ao-parlamento”/23307


24 comentários

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De José Navarro de Andrade a 29.05.2012 às 19:45

"Parece que ser mentiroso é, além de um pecadilho inocente, uma questão de opinião que deve ser demonstrada."
Todo um programa esta frase:
1) partes do princípio que fulano é mentiroso, quando deveria ser uma conclusão. (é logo o primeiro adjectivo da tua frase, justaposto a um sujeito indeterminado)
2) partes do princípio que eu (presumo que te dirijas a mim) considero que uma mentira é um pecadilho inocente.
3) partes do princípio que eu (presumo que te dirijas a mim) considero que uma mentira é uam questão de opinião - aqui demonstras que não percebeste nada do que disse.
4) afirmas que uma opinião tem que ser demonstrada. Precisamente, quando se opina fica-se isento do esforço da prova, não é?
Como começaste pela conclusão tudo o que disseres a seguir só a reitera. Portanto vais tentar esmagar-me com as tuas convicções.
Ora como as convições são, por natureza, isentas de dúvidas e como o diálogo se baseia na dúvida, tal como o conhecimento se baseia na prova, fico sem ter o que dizer da tua pequena fé.
Confesso que não gostaria nada de ser assim: já saber tudo antes de aprender.
Talvez este teu processo mental demonstre porque razão, infelizmente, nunca haverá um Watergate em Portugal.
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De Sara a 29.05.2012 às 20:34

Sim, isso tudo, menos o essencial, que é: as contradições e mentiras não são um mito, nem um "no brainer". Elas existem, estão à nossa frente, são recorrentes. Há quem prefira não as ver, ou branqueá-las, talvez por questões clubísticas (é como gosto de chamar a forma de muita gente de ver e viver a política, colocando acima da hierarquia um partido e não o próprio país).
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De José Navarro de Andrade a 29.05.2012 às 21:06

Tem toda a razão Sara, o clubismo, como diz e muito bem, é uma praga terrível em política; sobre os "nossos" há sempre provocações atiradas aos nossos olhos, sobre os "outros" qualquer suspeita é uma prova de culpa posta mesmo à nossa frente.
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De Luís M. Jorge a 29.05.2012 às 21:22

Não são suspeitas, José são contradições. E quando alguém se contradiz, objectivamente, mentiu.

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De Luís M. Jorge a 29.05.2012 às 21:31

Fico aliás fascinado pelo modo com tu, que pediste demonstração te concentras neste comentário na única frase que emite uma opinião e ignoras aquilo que pediste e que eu te dei, ou seja, a demonstração.

De facto, acabas também de demonstrar porque é que não haverá um watergate em Portugal.
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De José Navarro de Andrade a 29.05.2012 às 21:35

Como não sou versado em literatura policial, nem em processos de intenção, não tenho que contradições sejam o-bje-cti-va-mente, mentiras. E já agora, para que não penses muito mal de mim, também te confesso: não nutro especial simpatia por Miguel Relvas. Mas gostaria muito de ver um dia um ministro demitido por perjúrio. Para o que seria necessário provar de maneira irrefutável que mentiu, não apenas que se contradisse. Assim tipo Nixon a confessar que espiou diante da pilha de k7s.
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De Luís M. Jorge a 29.05.2012 às 21:52

José as provas, tal como as entendes, são uma coisa tão remota como a demonstração da existência de deus. Quando um ministro diz que não conhecia um tipo e depois se revela que tinha reuniões com ele, mente. Quando diz que não recebia informações fora da sua competência de gente com quem não devia ter contacto e afinal as recebia, mente. Quando diz que o conhecia um tipo desde 2010 e afinal tem contactos com ele desde 2007, mente.

Não é preciso muita literatura policial para chegar até aqui.
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De José Navarro de Andrade a 29.05.2012 às 23:34

Acusações sem provas, portanto, já que elas são aborrecidamente remotas e é preciso seguir em frente e depressa. Saltemos então para as ilações, as quais já as tínhamos no bolso antes de nos darmos ao trabalho de preenchê-las com os dados objectivos mais convenientes. A questão não é a culpa ou desculpa de Relvas, é mesmo esse maneira de pensar um pouco, como dizer? arbitrária e persecutória. Mas enfim, quem acha que tem razão, dificilmente duvidará dela.
I rest my case.
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De j. a 30.05.2012 às 02:34

A questão está viciada. A questão não pode ser julgada com recurso a critérios judiciais (aliás, a verdade judicial é, ela mesma, formal - por mais "material" que a queiram - e desde logo porque o juízo deve ser parcial, a favor do réu). Mas deste lado nem juízes nem operações intelectuais. Deste lado do evento está quem confia. Por isso, César ou Salazar sabem que a verdade de um político está sujeita não à indagação mas à suspensão dela.
Não quer dizer que os políticos não tenham "direito à verdade" , mas esse julgamento é feito noutro tempo. Hoje sabemos que Lord Profumo estava inocente (mas, mesmo que fosse possível determinar essa inocência na altura, a decisão não podia ser outras): precisamos ter confiança em quem nos governa, já que nas decisões, mesmo democráticas, mesmo de um estado de direito (que, ambas as coisas, apenas mal e nem já formalmente somos) comporta momentos de discricionaridade não controláveis. E tem de se poder «confiar» em que os usa. E a «confiança», comporta, para além da convicção (que é uma operação intelectual), a aceitação de riscos, de motivos que se não esgotam nos racionais.
Por tudo isto, este já devia estar na rua e muitos outros antes deste, a começar pelo anterior primeiro-ministro.
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De Luís M. Jorge a 30.05.2012 às 14:19

Não são acusações ,são contradições. As contradicoes não precisam de prova porque são auto-demonstradas. Andas chegas lá.
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De Luís M. Jorge a 29.05.2012 às 21:20

Não José, comecei pela conclusão e dei-te as demonstrações que pedias: as mentiras de Relvas. Essas, como provém das suas contradições, não se confundem com opinião.

Se não gostas da ordem que escolhi, reflecte apenas nos factos. Se não gostas das minhas opiniões responde aos factos.
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De José Navarro de Andrade a 29.05.2012 às 21:29

Responder aos factos?? Eu??? Sou acusado de quê, ao certo?
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De Luís M. Jorge a 29.05.2012 às 21:34

De teres pedido uma coisa (factos) que agora decides ignorar. É disso que és acusado, nada mais.
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De José Navarro de Andrade a 29.05.2012 às 23:18

Parece um tribunal plenário, com acusações e tudo.
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De Luís M. Jorge a 30.05.2012 às 14:17

José, Isso é apenas uma opinião. julguei que não gostavas de opiniões.
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De Pedro Almeida a 29.05.2012 às 20:06

Engraçado, perante as evidências mais nada resta aos spin doctors do que um floreado de palavras.

Atrás de mim virá quem...(deve estar alguém a pensar)
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De Eu vejo bem, felizmente a 30.05.2012 às 00:00

É interessantísimo ver como os Relveiros se concentram desesperadamente no caso das pressões, mas assobiam para o lado em relação às comprovadas ( há imagens e gravações) contradições ( para não dizer mentiras...) do ministro na AR.Só não vê quem não quer.
Também é curioso que agora procurem centrar todo o odioso no Carvalho, para desviar a atenção do Relvas, omitindo deliberadamente que ele respondeu a SMS do ex-espião
Finalmente, estou tentado a apostar que amanhã, na AR, PPC vai fazer um número que visa, exclusivamente, limpar a imagem de Relvas.
Até compreendo o PM... não pode demitir um ministro que o levou ao colo até S. Bento, mas podia haver um bocadinho mais de seriedade por parte daqueles que procuram desviar as atenções do essencial, focando-se no assessório
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De Faquetos a 30.05.2012 às 00:25

Cá para mim, o Relvas deve ter informações sobre a vida privada do J.Navarro Andrade, só pode.

Ou usando uma expressão dele: O JNavarro Andrade é todo um programa (do PSD).
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De José Navarro de Andrade a 30.05.2012 às 02:35

E pronto, a conversa foi descendo de nível até chegar ao "cá para mim". Caso encerrado.
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De Luís M. Jorge a 30.05.2012 às 14:16

Estes saíram por engano, devia ter reprovado. Estou um bocado farto dos nhurros que comentam no delito para insultar os outros.
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De Nuno a 30.05.2012 às 11:17

O que é triste é ficar a saber que o José Navarro de Andrade não tem amigos, porque já o deveriam ter avisado que está mijar pelas pernas abaixo em público.
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De Luís M. Jorge a 30.05.2012 às 14:15


Você não é melhor que os seus insultos, nuno. Aprovei este só para lhe dizer isto.

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