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Sabedoria popular.

por Luís M. Jorge, em 27.05.12

À espera dos comentários do professor Marcelo, lá papo uma reportagem da TVI sobre a educação d'antanho. Vinte ou trinta carquejas com o diploma da quarta classe recitam títulos das obras de el rey Duarte e feitos da dona Barbuda de Guimarães. O subtexto da coisa é cristalino: os meninos antigamente sabiam mais que os doutores agora, e tal.

 

Esta entronização da parolice é a moda da saison desde que o ministro Crato decidiu apresentar às criancinhas as virtudes da lavoura. Pouco importa que os jovens de 2012 saibam programar em PHP e JavaScript, que conheçam países sem entrarem neles a salto e dominem razoavelmente o inglês: para milhões de pategos lusitanos, muitos deles atarantados com os comandos da TV, a única educação que presta é a de Oliveira Salazar.

 

E isto seria apenas grave, se alguns não estivessem no Governo.


41 comentários

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De Miguel a 27.05.2012 às 23:59

De forma consciente ou não, o Luís não está a contar a história toda. Tudo o que dizes pode ser verdade, mas isso não implica a falta de domínio dos conceitos básicos da Língua Portuguesa, da História e das Matemáticas pelos futuros «doutores». Os níveis de exigência baixaram muito, não sou eu que o digo são os meus antigos professores da faculdade (não sou assim tão velho, tenho 23 anos). Já olhaste, por exemplo, para um livro do 6º ano de História ? Um primo pediu-me auxílio para estudar e eu tive que ir ao sótão buscar o meu antigo livro. Sabes porquê? Porque o que vinha sublinhado no meu livro era o que vinha escrito no dele (!), pois este está completamente cheio de bonecada.
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De j. a 28.05.2012 às 14:16

Miguel, tem toda a razão. Acontece que Portugal está a 21 (vinte e um) lugares (países) abaixo de Espanha em taxa de alfabetização e no nos testes PISA os alunos portugueses obtêm, consistentenente, os últimos lugares da Europa.
O resto é nacionalismo saloio.
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De Luís Lavoura a 28.05.2012 às 16:40

nos testes PISA os alunos portugueses obtêm, consistentenente, os últimos lugares da Europa

Se no tempo de Salazar houvesse testes PISA isso provavelmente já então se verificaria.
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De j. a 28.05.2012 às 22:17

Creio que a posição relativa seria a mesma. Isso faz de Franco um amigo da cultura?
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De Luís M. Jorge a 28.05.2012 às 20:10

Deve ser nacionalismo saloio, mas não consigo encontrar essa sua informação na internet. A que encontro refere-se a 2009 e coloca-nos acima de Espanha nos Testes Pisa. Em 2010 houve aliás uma evolução positiva nos resultados portugueses. claro que foi logo contestada, porque como sabemos o Salazar é que fazia a coisa bem.
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De j. a 28.05.2012 às 22:28

A desconfiança tem toda a razão de ser, porque alterações muito discretas de centésimas já tem grande significado e aquelas eram de várias unidades, isto numa altura em que os números e a situação públicos foram falsificados até ao grotesco.
Se fosse tão fácil a mudança, não se justificava a persistência do analfabetismo - com quem ninguém parece muito preocupado e, por isso, se têm esquecido de retocar. E são 10% (na realidade e a acreditar no senso 20%...) contra os zero por cento (descontados os analfabetos naturais ou imigrantes de uma Grã-Bretanha ou de uma Hungria.
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De Luís M. Jorge a 29.05.2012 às 12:50

Já encontrou esses testes, ou conntinuamos na converseta?
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De Luís M. Jorge a 28.05.2012 às 15:37

Tem 23 e já nota a queda? Puxa, o seu irmão mais velho deve ser sapientíssimo.
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De Anónimo a 28.05.2012 às 22:10

Notei a "queda" (não sei como era antes) enquanto aluno e agora enquanto observador próximo. Em relação ao meu irmão mais velho, tenho a felicidade ou infelicidade de ter um mano que aprendeu a falar comigo, já que possui uma deficiência mental. Mas indo de encontro ao que penso que queres dizer, se é óbvio que este sistema não inibe alunos excelentes, também não os favorece.
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De Miguel a 28.05.2012 às 22:21

Rectifico, tu achas que este sistema é bom (depreendi apressadamente que não era bem assim). Mais adiante (se não em engano) falas no teu filho. Também conheço casos desses, na minha opinião deves agradecer ao professor dele. Quanto a Salazares e afins, da minha parte não fiz comparações, nem referi que na época é que se ensinava devidamente. Não faço ideia, só conheço a minha realidade e a que me prossegue (a socrática).
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De Sérgio Lavos a 29.05.2012 às 12:32

Os professores ajudam, mas muito mais ajudam os programas, muito mais completos e abrangentes agora do que há vinte, trinta ou cinquenta anos atrás. E mais exigentes, também.
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De Prof. Morcela a 27.05.2012 às 23:59

"Estar à espera para ouvir os comentários" d'antanho do Marcelo, tb não é nada salazarento, não senhor... haja pachorra p'ra vos ver, ler ou ouvir!(aos três)
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De Vasco a 28.05.2012 às 00:45

Boa.
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De Bruno A. a 28.05.2012 às 00:47

Gosto quando um político diz ao povo coisas dessas, do tipo, "agarra-te à terra" ou "emigra e manda o pastel para cá". Os nossos políticos gostam de soluções miraculosas para a crise.
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De Luís M. Jorge a 28.05.2012 às 15:35

Sim, miraculosas.
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De vera a 28.05.2012 às 01:28

é a população e o governo mesquinho e burro que temos...

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De Luís Lavoura a 28.05.2012 às 09:37

Eu tenho filhos que andam na escola, e a minha opinião é que eles não aprendem nada pouco, bem pelo contrário, e que não têm que trabalhar nada pouco para aprender o que aprendem, bem pelo contrário.
E aprendem coisas de um nível de complexidade muito superior àquilo que eu aprendi, e frequentemente de um nível de complexidade bem desajustado à sua idade.
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De Vasco a 28.05.2012 às 10:44

Só mesmo um desfasamento grande da realidade (e muita pró-actividade socialista) pode produzir uma afirmação destas. Eu trabalho com alunos recém-chegados do 9º ano e é inacraditável o volume de ignorância e incapacidade dos miúdos - tudo isto banhado agora por uma ortografia suburbana. É um quadro terrível. Não são estes que vão saber PHP e Javascript, podem ter a certeza disso. Estes nem um conceito sabem o que é.
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De Luís Lavoura a 28.05.2012 às 11:18

Eu não tenho nenhuma pró-atividade socialista. A minha (bem pouca) atividade política está totalmente no quadro de um movimento chamado Movimento Liberal Social, o qual não é socialista nem perto disso.
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De Vasco a 28.05.2012 às 14:43

Eu estava picar... Bem para lá do ponto, aliás. A verdade é que o ensino está extremamente infantilizado e há uma falta de cultura científica muito grande, substituída por generalidades, coisas extremamente superficiais e instrumentalização ideológica da garotada. Falo de uma maneira geral, note-se - há excepções. A estratégia de retirar dos currículos escolares tudo aquilo que dava trabalho e ginástica mental (como a Gramática, p. ex.) não está, nem podia estar, a dar bons resultados.
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De Sérgio Lavos a 29.05.2012 às 12:37

Mas onde é que a gramática foi retirada dos currículos? Mas você sabe do que fala? A gramática é ensinada desde o 1.º ano (e até no pré-escolar), apenas não como disciplina à parte, incluída em Língua Portuguesa. E com a TLEBS, garanto que os miúdos agora tem que decorar muito mais coisas (e de mais difícil compreensão) do que há dez anos. E comparando com a gramática da antiga 4.ª classe, enfim... não se compara. A gramática tradicional, ao lado da gramática generativa actualmente ensinada, é como um Fiat 127 ao lado de um Ferrari. Convinha informar-se melhor antes de terem uma opinião sobre o assunto.
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De Vasco a 29.05.2012 às 14:49

Ah, refere-se "àquilo"?
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De David Fernandes a 28.05.2012 às 14:46

Fica portanto o ÓBVIO desfasamento da realidade. Digo eu, que também tenho filhos na escola.
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De Sérgio Lavos a 28.05.2012 às 13:11

Não será culpa dos seus colegas professores que os educaram até ao 9.º ano? É que os programas actuais são bastante exigentes tanto a nível de conteúdo como no que diz respeito a períodos de avaliação. Eu estou como o Luís Lavoura; tenho um filho no 4.º ano (Ensino Público) e a ele é exigido muito mais do que era no meu tempo. Entre escola, actividades extra-curriculares, provas de avaliação e TPC's, pouco tempo lhe resta para brincar e estar com a família. Não tenho dúvidas de que ele, e os colegas, estão a ser bem preparados para o futuro. Por isso acho estranho quando me vêm dizer (ainda por cima, professores) que os alunos actualmente não estão preparados. O meu filho, apenas com o que aprende nas aulas de Infirmática, já sabe mais de "computadores" do que a esmagadora maioria da população portuguesa. Mas enfim, agora querem acabar com o Ensino Professional em áreas técnicas e substituir pela "lavoura". Está tudo bem, e vai correr pelo melhor. Foi assim que a Irlanda se tornou um país muito mais avançado do que nós.
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De Luís M. Jorge a 28.05.2012 às 15:34

Não se canse, Sergio. Para estes nhurros só há facilitismo e merdas assim. Eu também estou muito perto de uma criança de oito anos que todos os dias traz trabalhos de casa exigentissimos, mas não vale a pena tentar converter o pagode.
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De Vasco a 28.05.2012 às 16:34

Típico. Os nhurros são os que não concordam connosco, nem com a nossa estatística nacional baseada numa amostra real de 2,5 criancinhas da classse média alta.
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De Vasco a 28.05.2012 às 16:39

Típico. Os nhurros (especificamente os comentadores deste blogue - uns saudosistas do giz e da ardósia) são aqueles que não concordam com a nossa visão tão esclarecida do universo, nem com a nossa estatística nacional baseada numa amostra real de 2,5 criancinhas da classe média alta das zonas mais ou menos civilizadas da Capital.
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De Vasco a 28.05.2012 às 20:02

Está repetido porque o 1º comentário não parecia ter seguido (pensava eu de que). Aproveitei para refinar a "literatura" ;)
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De Sérgio Lavos a 29.05.2012 às 12:28

Não que isso interessa para alguma coisa, porque já sei que não vai mudar a sua opinião, mas a "amostra de 2.5 crianças da classe média alta" é na realidade cerca de 100 crianças de classe média/baixa numa escola de subúrbio, com muitos casos de exclusão social pelo meio que a escola procura integrar indo ao encontro das necessidades com actividades extra-curriculares e acompanhamento próximo dos professores. Isto, repito, numa escola pública subsurbana. Mas enfim, não quero de modo algum tocar as suas ideias feitas - acerca de mim e sobretudo acerca do mundo.
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De Vasco a 29.05.2012 às 14:35

Não me importava nada de mudar de opinião, mas só vendo. Podemos estar perante um problema de interpretação de quantidade e qualidade. Eu vejo precisamente o contrário, numa trajectória que não é de recuperação - e que só melhora o desempenho quando se baixa a fasquia.
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De Vasco a 29.05.2012 às 21:52

A piada da amostra de 2,5 criancinhas não era para si, baidauei
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De Vasco a 28.05.2012 às 16:31

Nada contra as TIC. Muito pelo contrário.
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De J. a 28.05.2012 às 14:22

Os alunos Portugueses obtêm péssimos resultados nos testes PISA. Os piores da Europa. Se aprendem coisas de "complexidade muito superior" imagine o que aprenderão os que estão no topo da tabela.
A sua percepção não é, por isso, sustentada pelos dados credíveis existentes e será condicionada pela nosso nosso escandaloso atraso e objectiva falência educativa.
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De Luís M. Jorge a 28.05.2012 às 15:32

Os piores da Europa? Os últimos que conheci situavam-nos acima de Espanha e perto da media da Ocde, mas se calhar em dois ou três anos chegou a famosa decadência. Talvez seja melhor iluminar-nos com o seu conhecimento privilegiado, antes que desconfiemos de que palra sobre o que não sabe.
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De hcl a 28.05.2012 às 12:54

Para quem tenha ficado confuso:
A relação entre Movimento Liberal Social e Liberalismo é a mesma que havia (há? ainda existe?) entre o Conselho Mundial da Paz e a Paz.
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De Luís Lavoura a 28.05.2012 às 16:47

Se hcl fôr ver o grupo liberal do Parlamento Europeu (o ALDE, Aliança de Liberais e Democratas Europeus), encontra lá uma grande variedade de partidos, uns mais à direita, outros mais à esquerda. Encontra até países representados por dois partidos (exemplo, a Holanda, com o D66 - liberais de esquerda - e o VVS - liberais de direita), os quais se insultam mutuamente na política interna.
É pois normal, a nível europeu, que haja variadas gamas de liberais, que discordam em muitas coisas.
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De Isabel T. a 28.05.2012 às 17:58

Subscrevo totalmente.
De facto não faz sentido nos dias de hoje fazer exame no 4ºano,há 30 ou 40 anos a maior parte das pessoas não fazia continuaçao dos estudos era natural que tivessem de fazer um exame final.
E é chocante os tpc que os miudos trazem.
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De Max a 28.05.2012 às 21:54

Ao acompanhar os meus filhos nos TPC’s chego facilmente à conclusão que eles sabem muito mais agora que aquilo que eu sabia na idade deles. Mais, sabem coisas que lhes serão futuramente muito mais úteis que saber os rios de Angola, as linhas de comboio e assim essas coisas importantes que eu também decorei (fui pai tarde) e felizmente já esqueci há muito tempo. Agora, claro que aquilo que eles sabem é muito menos que aquilo que eu sei. Se for valorizar esse lado eles parecer-me-ão ignorantes. Mas não são. Comparando com eles, na sua idade, eu era-o muito mais.
Eu também vi a dita reportagem. Parecia que todos os que acabaram a 4.ª classe de antes do 25 de Abril ficaram mais ou menos doutores e não havia nem notas baixas, nem chumbos, nem abandono - muito ao contrário daquilo que eu conheci - e que agora os doutores sabem menos que os que tiraram essa mesma 4.ª classe. Aliás, dei por mim a pensar que as empresas estrangeiras vêm recrutar licenciados portugueses precisamente por eles serem tão burros e incompetentes, incultos, ignorantes e incapazes e, num glorioso acesso de bondade, nos deixam ficar todo o incomparável saber da antiga 4.ª classe do tempo da outra senhora.
Agora a sério:
- Que importância prática teve para os alunos de antes do 25 de Abril decorarem essas matérias?
- A quantas questões saídas nas provas de aferição do 4.º ano de 2012 os alunos de 1966 saberiam responder?
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De Vasco a 29.05.2012 às 00:21

"sabedoria popular"

que.

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