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A coisa sem palavras

por Cláudia Köver, em 23.05.12

Dar palavras a quem não se quer é prostituição emocional. A alma – se é que esta é a definição mais apropriada - pode por momentos abandonar o corpo quando sofre. Mas a alma não se descola das palavras, a não ser que esta seja corrompida, separando a expressão do sentimento real. O que fazer a estas palavras sem alma? O que fazer aos sentimentos reais que ficaram sem palavras? Por vezes, a ligação entre ambas perde-se por completo na mentira e no fingimento, sem nunca mais se encontrarem. É aí que a alma se separa da outra coisa, aquela que diz as coisas sem sentir.


4 comentários

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De Bruno A. a 23.05.2012 às 16:45

As vezes, as minhas próprias palavras atraiçoam-me. Já me aconteceu desencontrar-me por palavras que saíram da minha boca.
(gosto muito destas crónicas literárias.)
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De Cláudia Köver a 23.05.2012 às 16:52

Obrigada Bruno, uma vez mais, pela leitura atenta. Sim, acho que coloquei tudo isto em extremos. Provavelmente todos nós vivemos no intermédio.
Fico muito contente por me acompanhar e lisonjeada pelo comentário.
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De Bartolomeu a 23.05.2012 às 16:51

A uma carta que lhe fora enviada por uma criança, perguntado se os cientistas também rezavam, Einstein respondeu o seguinte: “Respondo à tua pergunta do modo mais simples. Esta é a minha resposta. A pesquisa científica baseia-se sobre a ideia de que cada coisa que acontece é regulada pelas leis da natureza e isto vale, também, para as acções das pessoas. Por esta razão, um cientista será dificilmente inclinado a crer que um evento possa ser influenciado pela oração, por exemplo, por uma aspiração endereçada a um Ser supra-natural. Todavia, deve admitir-se que o nosso actual conhecimento destas leis é, apenas, imperfeito e fragmentário, assim sendo, realmente, a crença na existência de leis fundamentais e omnicompreensivas na natureza permanece, ela própria, como uma espécie de fé. Mas esta última é largamente justificada pelo sucesso da investigação científica. No entanto, de um outro ponto de vista, quem quer que esteja seriamente empenhado na pesquisa científica convence-se de que há muito espírito que se manifesta nas leis do Universo. Um espírito muito superior ao do homem, um espírito perante o qual, com as nossas modestas possibilidades, apenas podemos experimentar um sentido de humildade. Deste modo, a investigação científica conduz a um sentimento religioso de tipo especial que é, na verdade, bastante diferente da religiosidade de alguém mais ingénuo”.

Então, parece-me lícito retomar a questão anterior: até que ponto podemos compreender a interligação e a complementaridade, de duas coisas que à partida se nos apresentam estranhas e herméticamente incompatíveis?
;))
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De Bruno A. a 23.05.2012 às 17:49

Não sei se essa estranheza conduz à incompatibilidade. Eu concordo com este texto. Há palavras estranhas, fingidas que levam a desencontros. Mas a sinceridade e honestidade não poderão fazer o mesmo? Scarlett O'Hara e o Butler não teriam um amor tão forte que nenhuma crueza seria capaz de o abalar? As leis do amor respeitam o princípio da mecânica quântica , e não o princípio uma Lei Universal.

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