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Coiso e tal

por Rui Rocha, em 22.05.12

O desemprego é o coiso. Os desempregados andam a coisar. É natural que se sintam fodidos. Os desempregados coisam nos Centros de Emprego. Não admira que os Centros de Emprego tenham má fama. Claro que passar o tempo a coisar também cansa . E, por isso, muitos desempregados acabam por deixar de procurar emprego. Já não coisam. São os inactivos. Outros, todavia, insistem. São os desempregados Viagra. O coiso deles é de longa duração. Quando os desempregados arranjam emprego, deixam de coisar. Fala-se nesse caso de coiso interruptus. O coiso interruptus pode ser provocado por políticas activas de emprego. Trata-se de métodos contracoisivos pouco eficazes. As coisas são o que são. E, mais tarde ou mais cedo, os desempregados voltam a coisar. Normalmente, os políticos não têm coisos de grande dimensão. O coiso dos políticos, quando ocorre, é um coisinho. Há logo um conhecimento ou uma influência que se move para os políticos deixarem de coisar. Apesar disso, os políticos gostam de falar do coiso. É o coisilingus. Alguns políticos pensam que podem influenciar a dimensão do coiso. Ou a penetração do coiso em determinados estratos populacionais ou regiões. Entusiasmados, os políticos vão mexendo no coiso. Tiram disso grande satisfação pessoal. Mas não provocam qualquer benefício a terceiros. Chama-se masturbação. Historicamente, as populações com menos instrução coisavam mais. Agora, os mais instruídos também coisam muito. E os jovens cada vez coisam mais. Em rigor, o coiso devia escrever-se com maiúscula para abranger ambos os géneros. Ou então dizer-se que os homens têm coiso e as mulheres têm coisa. O coiso e a coisa são diferentes. Em regra, a coisa é mais prolongada e pode repetir-se em períodos mais curtos de tempo. Periodicamente, são publicados os números do coiso. Sempre que o coiso aumenta (aqui deveria ter, naturalmente, utilizado maiúscula), gera-se grande agitação. Toda a gente quer ver o tamanho do coiso. E comentar o seu crescimento, embora ninguém tenha solução. No fundo, os comentadores nem coisam nem saem de cima. Em determinada altura, a análise sociológica reflectiu sobre o emprego. Marx teorizou sobre a coisificação do trabalho. Só no século XXI foi dado um salto qualitativo. Álvaro Santos Pereira coisificou o desemprego. Passos Coelho desenvolveu a utopia da oportunidade. Tal como o próprio Marx previra, a história repetiu-se. Como farsa.

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27 comentários

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De desempregada aflita a 22.05.2012 às 12:29

Caro Senhor Rui Rocha

O meu homem e eu estamos ambos desempregados, não temos acção nem erecção para coisar, pergunto: que devemos fazer?

Obrigado Sr Rocha... E oxalá não fique desempregado...e sempre duro como uma rocha!

Meu esposo quando vê na TV a D. Cristas... diz sempre: - esta é que devia gerir o" coiso.".. Será?
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De Bruno a 22.05.2012 às 13:14

Julgo que o texto aponte um facto evidente. Discute-se muito o desemprego, e pior, o desemprego é positivo para a oposição (seja esta qual for) porque dá uma oportunidade a esta para brilhar, mas nunca se discute os caminhos (não gosto do termo solução) para escaparmos aos números crescentes do desemprego, e esquecemos que o desemprego é uma consequência de más políticas. E más políticas envolvem variadíssimos sectores que vão desde a justiça a educação, passando pela qualidade do jornalismo e do civismo dos portugueses.
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De Rui Rocha a 22.05.2012 às 13:32

É uma evidência, Bruno.
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De Bruno a 22.05.2012 às 14:00

à educação
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De Juvenal Pedro Martins Lucas a 23.05.2012 às 18:26

Hó homem...desde pelo menos Marx, que se discute as relações de produção. Não sabia???
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De Bruno A. a 23.05.2012 às 19:12

Sim, é verdade. Pena que o Marx não esteja presente para resolver os problemas do desemprego. Ele tinha sempre boas ideias depois de tomar banho.
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De Rui Rocha a 22.05.2012 às 13:32

Sinto-me o Júlio Machado Vaz. Sem barba.
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De goddessafrodite a 22.05.2012 às 14:08

Realmente um ministro falar do desemprego e descair-se com o termo "do coiso" foi de muito mau tom em todos os sentidos.
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De Rui Rocha a 22.05.2012 às 16:12

Há um claro problema do Governo em relação ao desemprego. Desde logo, ao nível da linguagem. Não sei se fica por aí.
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De Luis Eme a 22.05.2012 às 14:41

grande "coisa" esta tua "posta", Rui. :)

e é uma pena termos ministros tão coisos, numa altura destas...
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De Rui Rocha a 22.05.2012 às 16:13

É, Luís. Também me parece que precisávamos de coisa diferente.
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De António Vilarigues a 22.05.2012 às 17:02

Parabéns! Parabéns! Parabéns!
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De Rui Rocha a 22.05.2012 às 18:27

Obrigado, António.
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De Rui Rocha a 23.05.2012 às 13:16

Agradeço o destaque, António.
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De gr-gr a 22.05.2012 às 18:23

Magnífico texto.
A brincar falas de assuntos muito sérios e todos vem aqui ler.
Parabéns!

Será que o "coiso" irá ler este texto?!!!

GR
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De Rui Rocha a 22.05.2012 às 18:28

Obrigado, GR. Ora aí está uma coisa à qual não sei responder...
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De Isabel T. a 22.05.2012 às 21:53

Resumindo,estamos todos coisados.
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De Rui Rocha a 22.05.2012 às 22:01

É isso, Isabel. Mais coisa menos coisa.
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De rosa a 23.05.2012 às 01:14

...farsa??Não será antes tragicomédia?
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De Rui Rocha a 23.05.2012 às 08:38

Pergunto-me se não será só uma tragédia, Rosa.
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De rosa a 24.05.2012 às 00:24

Concerteza.É que como aparecia ali farsa...
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De Marianocas a 23.05.2012 às 18:40

Muito bem, Rui. Concordo plenamente. Ultimamente este país anda a coisar demasiado... Definitivamente precisamos de menos desempregados Viagra.
Já agora, é a primeira vez que vejo este blog e devo dizer que estou a adorar. Parabéns a todos.
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De Rui Rocha a 23.05.2012 às 21:39

Obrigado pelo comentário, M. Ainda bem que gostou do nosso blogue. E, já agora, desejo-lhe sorte para o seu.
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De Luís de Aguiar Fernandes a 28.05.2012 às 04:15

Outro grande texto. Qualquer dia tens de pensar em publicar estas reflexões sem parágrafos.
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De Rui Rocha a 29.05.2012 às 17:29

Obrigado, Luís (pelo comentário e pela sugestão que ficou registada).

Abraço.
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De Luís de Aguiar Fernandes a 29.05.2012 às 18:47

Depois oferece-me um livro assinado para agradecer a sugestão ;)

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