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A Educação 28 ministros depois

por João Carvalho, em 22.04.09

HABILITAÇÕES E DISFUNÇÕES

DAS GERAÇÕES PERDIDAS
 
Prestes a concluir-se uma legislatura com um Governo apoiado por uma maioria absoluta no Parlamento, o Ministério da Educação volta a desiludir por nada de substancial ter alcançado na sua esfera – que é (ou devia ser) o esteio do desenvolvimento real de qualquer país.
Em 35 anos de regime, Portugal teve 28 ministros da Educação, dos quais só três levaram uma legislatura do princípio ao fim: Marçal Grilo, Roberto Carneiro e (por antecipação) Maria de Lurdes Rodrigues. Esta instabilidade, como é evidente, espelha bem o insucesso da Educação.
Vezes sem conta se iniciaram e impulsionaram reformas educativas e raramente se introduziu algo diferente da experimentação e da confusão generalizada, todas elas condenadas a ficar pelo caminho.
 
Maria de Lurdes Rodrigues - Click to view 360-pageAo fim de 35 anos, quais são os resultados? As novas gerações possuem cada vez mais habilitações e cada vez menos conhecimentos. Estão afectadas por uma deficiência cognitiva que coloca o País, no ranking europeu, sempre em lugares muito abaixo do desejável e do necessário – sobretudo, abaixo da decência.
Os jovens portugueses obtêm cada vez mais habilitações, sim, mas mostram-se em geral incapazes de coisas tão simples como expressão oral e escrita escorreitas, interpretação de textos, operações básicas de cálculo, pensamento crítico, etc., porque as suas crescentes habilitações não correspondem a uma crescente formação académica no sentido amplo, mas apenas à colagem de matérias estreitas, impostas por políticas que visam exclusivamente as estatísticas.
Por isso, ficam soltas e tornam-se erráticas as competências que a Educação devia convocar, no seu papel essencial para a formação da juventude, do que resultam as consequentes fraquezas que se sabe.
 
Teoricamente habilitados e praticamente disfuncionais para os aspectos mais elementares da vida quotidiana, os nossos jovens estão a afastar-se dos seus iguais europeus como Portugal se distancia dos seus parceiros comunitários.
Nesta pré-campanha eleitoral, já alguém pensou no debate sério destes temas basilares que nos distinguem da Europa pelos piores motivos? Ou tencionam continuar a enveredar por tretas pseudo-europeias e a deixar a Educação para as mesas de café nacionais?
Em 35 anos – que vão agora completar-se – estamos em risco de perder duas gerações a que faltou uma Educação adequada. Com a agravante de termos já a primeira a educar (?) a segunda...

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37 comentários

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De Anónimo a 22.04.2009 às 17:11

Tomaram certas pessoas utilizar os telemóveis e os iPods e essas coisas como os nossos jovens.
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De Luís Lavoura a 22.04.2009 às 17:32

"Os jovens portugueses [...] mostram-se em geral incapazes de [...] expressão oral e escrita escorreitas, interpretação de textos, operações básicas de cálculo"

Eu diria que isso já era verdade antes do 25 de Abril. Aliás, eu diria que antes do 25 de Abril a situação era bem pior.

Eu ainda me lembro de ver como escreviam os camponeses (que eram a maioria da população portuguesa) há 35 anos atrás. E ainda conservo algumas cartas escritas nesse tempo por essa gente. E, garanto, a situação era bem pior do que a atual.

Eu diria que os índices educativos em Portugal são de facto muito maus, mas são mesmo assim muito melhores do que há 35 anos atrás.
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De João Carvalho a 22.04.2009 às 18:31

Sugiro vivamente que releia o meu texto, para ver se consegue interpretá-lo.
Talvez entenda que não estou a falar de iliteracia, mas de Educação inadequada; não de Educação para poucos, mas de carência de formação.
Talvez ao reler encontre lá, por exemplo, que «as novas gerações possuem cada vez mais habilitações e cada vez menos conhecimentos».
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De Berbigão a 22.04.2009 às 20:24

Também, era o que faltava que não fossem...
Invente outra maneira de lamber as botas ao suposto engenheiro.
As botas, claro, para não dizer outra coisa...
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De Luís Lavoura a 22.04.2009 às 17:37

É claro que a atual minista da educação, em 4 anos, não conseguiu endireitar o estado da educação no país. Nem tal seria possível - é impossível em 4 anos formar bons professores para substituir os maus professores, construir boas escolas para substituir más escolas, e criar na população amor ao saber, que é aquilo que, eseencialmente, falta. É impossível fazer todas essas mudanças estruturais - muitas das quais não dependem do governo, em 4 anos.

Mas a ministra fez muitas coisas boas que estavam ao seu alcance. Colocou os professores por 3 anos, em vez de permitir que eles saltassem de escola todos os anos. Introduziu um sistema de avaliação dos professores, em vez de permitir que todos eles contiuassem a ser avaliados como "muito bons" como anteriormente. Abriu as escolas até às 5 e meis da tarde, para alívio de muitos pais. Unificou escolas básicas com pouquiśsimos alunos em escolas maiores. Tudo isso foram enormes progressos, óbvios mas que muitos outros ministros jamais foram capazes de executar.
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De João Carvalho a 22.04.2009 às 18:32

Estou a falar de 28 ministros em 35 anos e não de um ministro em três anos.
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De Leonor Barros a 22.04.2009 às 22:13

O sistema de avaliação é uma fraude e uma vergonha. Não vai distinguir coisa nenhuma. Veja-se o que aconteceu com quem não entregou objectivos individuais : numa escola pode ter um processo disciplinar, noutra não ser avaliado e noutra ficar exactamente na mesma. Um Ministério que permite esta desigualdade é incompetente. Além disso -é sempre muito bom saber do que falamos em vez de soltar a verborreia socrática- antes os professores não eram todos avaliados com Muito Bom. Isso é mentira. Há que repor a verdade. Mas agora estamos muito bem. As Provas de Recuperação são uma belíssima invenção para melhorar as estatísticas. Este ano ninguém vai chumbar por faltas. Esta Ministra fez muitas coisas boas, resta saber quais.
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De João Carvalho a 22.04.2009 às 22:37

Confesso que estava particularmente interessado no seu comentário, Leonor. Vejo que não me saí mal de todo. Obrigado pela sua intervenção.
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De Leonor Barros a 22.04.2009 às 22:53

O João nunca se sai mal :-)
A verdade é que depois de até ter achado que este governo poderia fazer algo pela educação, estou revoltada, desiludida e sem paciência nenhuma para gente que papagueia mentiras. É uma fraude, o que está a ser feito é uma fraude.
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De João Carvalho a 22.04.2009 às 22:59

É verdade, Leonor.

(Sempre que eu precisar de levantar o ego, vou ter consigo! Hehehe...)
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De David a 22.04.2009 às 18:02

Que discurso meu. É só crise, crise, crise, crise, a educação, os ministros, os alunos, mas não haverá nada nesta porcaria deste país que seja bom? Ou seremos só nós que somos bons e o resto é lixo? Caramba pá, mude o disco. Faça-me esse favor e desculpe o tom um pouco abrupto deste comentário, é que ler a mesma coisa em 100 blogues diferentes (?) já incomoda.
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De João Carvalho a 22.04.2009 às 18:33

Só nós somos bons em quê, pá?
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De David a 22.04.2009 às 18:38

Em que é que havia de ser? A criticar, não é isto verdade? Ora bolas, pronto, não digo mais nada nem critico quem critica, raio de paradoxos!
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De João Carvalho a 22.04.2009 às 21:58

Autocrítica?
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De Luís Reis Figueira a 22.04.2009 às 19:29

Caríssimo João:
Como não te será dificil imaginar, concordo quase a 100% (99,5...) com o teu post, tema sobre o qual, aliás, já temos tido inúmeras conversas. Pena é que alguns dos nossos comentadores confundam conceitos tão diversos como educação e analfabetismo ou escolaridade com aprendizagem. Penso que este tipo de equívocos denuncia, precisamente, algum défice de conhecimento sobre o que é na verdade a Educação.
E a verdade é que, 35 anos passados, continuamos sem sair da cepa torta e (teimosamente) a não entregar a ninguém o nosso lugar na cauda da Europa... Isto acontecerá por acaso, ou será algo «tal fatal como o destino»? Pense-se um pouco nisto e julgo que as conclusões não serão difíceis de tirar. Este governo, obcecado como é pelas estatísticas, até pode estar a cumprir os critérios da OCDE, ou algo que o valha, em matéria de escolaridade. O que não tem, com absoluta, certeza é feito de Portugal um país com boa Educação. E o resultado está à vista de toda a gente...
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De João Carvalho a 22.04.2009 às 22:01

Olha, Luís, concordo cem por cento com a primeira parte do teu comentário. E com a segunda também!
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De Anónimo a 22.04.2009 às 19:36

Não há melhores na Europa a mexer no Magalhães. Já se a comparação for com a Venezuela, ignoro.
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De Rui Figueiredo a 22.04.2009 às 20:36

Na verdade vivemos num país sem rumo. A politica esta podre como também estão podres os valores que a regem. Vivemos em época de facilitismo, época de estatísticas e planos falhados. Sabe, o que interessa não é fazer, é conseguir ser eleito nas próximas eleições! Cumprimentos
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De João Carvalho a 22.04.2009 às 22:03

Pois é, Rui.
Um abraço.
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De Fernando a 22.04.2009 às 20:56

A maior parte dos comentários que é feita ao seu post revela que as suas afirmações estão correctas. Não sei qual as idades ou a formação dos comentadores mas, uma coisa é certa, a capacidade de ler e interpretar a realidade numa perspectiva crítica e pessoal não existe.

A educação deve formar cidadãos responsáveis, livres, críticos e, sobretudo, dignos. A educação em Portugal, neste momento, está orientada para outros caminhos, caminhos esses que qualquer pessoa de bom senso consegue perceber claramente. Gente que funciona com ideias "pronto-a-vestir" não perceberá nada disso.
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De Anónimo a 22.04.2009 às 21:52

Olha o sr. Sabe-Tudo, que está de visita...
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De João Carvalho a 22.04.2009 às 22:05

É isso mesmo, Fernando. E nem sei se é preciso bom senso; o senso comum devia bastar.
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De Luís Reis Figueira a 22.04.2009 às 23:08

Eu penso que o senso comum já inclui o bom senso, não? Pena é que não inclua também a Educação; parece que o kit actual já só inclui a escolaridade...
Que pena...
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De João Carvalho a 23.04.2009 às 01:52

Lamentável...
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De Ana Vidal a 22.04.2009 às 22:08

O número de ministros para esse número de anos mostra bem como as políticas de ensino têm sido experiências sucessivas, sem sequência lógica, e como os alunos têm sido as cobaias dessas experiências.
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De João Carvalho a 22.04.2009 às 22:15

Exactamente, Ana. Considero que 28 ministros em 35 anos só pode significar uma coisa: o caos na Educação. O que é profundamente lamentável e só pode ter os resultados que tem: uma escolaridade obrigatória para as estatísticas e sem qualquer rigor e exigência; uma quantidade de licenciados tristemente impreparados.
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De Luís Reis Figueira a 22.04.2009 às 23:41

O comentário da Ana Vidal e este teu agora, vêm levantar uma questão curiosa: é que além da verdadeira catástrofe que representam os números apresentados -28 ministros em 35 anos - não poderemos esquecer que alguns deles só lá se mantiveram mais do que a média de 1 ano e 3 meses para cada um, não porque tivessem sido bons ministros, mas por motivos estritamente políticos, de que é exemplo paradigmático a actual. Esta senhora, não fosse a extrema arrogancia e teimosia deste governo, não teria durado mais de 6 meses, em circunstâncias normais. Eu até já chego a pensar
que o governo se vai embora e que ela vai lá continuar com próximo, seja ele qual seja... Estilo, «daqui não saio, daqui ninguém me tira».
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De João Carvalho a 23.04.2009 às 01:52

Admira-te...
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De Luis Melo a 22.04.2009 às 23:53

Este incompetente governo insiste na implementação da escolaridade obrigatória até ao 12º ano (http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1375946&idCanal=172). Eu, a este respeito, repito o que já tinha escrito em 18 Setembro 2008 (http://mudaportugal.blogspot.com/2008/09/escolaridade-obrigatria.html):

A escolaridade obrigatória até ao 12º ano, é uma questão falada desde há uns anos a esta parte. Falada da esquerda á direita, é uma questão que gera consenso. Todos os partidos vêem com bons olhos a introdução desta medida. Medida que já estava na lei de bases aprovada pelo PSD em 2004 (e vetada por Jorge Sampaio) e num projecto de alteração à lei de bases de 2005 apresentada pelo PSD (e rejeitada pela Ministra).

Após de alguma insistência do PSD, a Ministra já dizia que “sim”, mas nada fazia. Depois da intervenção do PR, a Ministra mudou novamente de opinião, dizendo agora que “talvez” seja possível fazê-lo. Mais uma vez, as acções não aparecem, nem sequer um sinal de que possam vir a acontecer. De notar que esta era uma das “bandeiras” do PS no seu programa de governo.

Mas, é necessário reflectir um pouco sobre esta questão. Qual é afinal o objectivo de colocar a escolaridade obrigatória até ao 12º ano? Sem dúvida, será o de elevar os níveis de educação, conhecimento ou capacidade dos nossos jovens. Sendo assim, o simples alargamento da escolaridade obrigatória será suficiente?

Se a prática for equivalente à utilizada até agora, definitivamente NÃO!! A passagem “administrativa” de alunos até à escolaridade mínima obrigatória, para que os Governos possam ter números que agradem aos olhos da população, continuará a minar a nossa educação, seja ela obrigatória até ao 9º ou até ao 12º.

É necessário por isso voltar a colocar os patamares de exigência. É necessário voltar a dar condições aos professores. É necessário remodelar e actualizar escolas. É necessário passar á sociedade uma nova cultura de mérito. É necessário também combater o insucesso escolar com várias medidas. É necessário mudar o sistema de ensino facilitista, não só no secundário mas desde o 1º ciclo…

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De João Carvalho a 23.04.2009 às 01:51

Parece evidente, Luís. Mas não parece que seja uma evidência para todos...
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De macarvalho a 24.04.2009 às 08:25

Questões e questiúnculas por aqui abaixo, desviando-nos do essencial: a educação e a forma como ela é tratada.
Basta ver o horror em que se tornou a nossa língua falado e escrita, afinal, pedra basilar de um estado.
Mas não!
Assisto, aterrorizada, ao nível de ensino obrigatório, que nada tem a ver com o nível exigência obrigatória, factor determinante para uma boa educação escolar.
Não faltará muito tempo e estarei lado a lado com pessoas com as mesmas habilitações académicas que eu, e que continuam a escrever houveram, é que nós penso que, o meu sesto sentido dis-me que ..., este açunto é familiar ..., enquanto eu redijo e verifico actas ou simples emails de outros, para o caso de hesistir algum erro aqui! Sem falar que à séculos que não fasia isto ....! É fasia ou fazia, sabes?

Continuo, dizendo a todos que, até hoje, ainda não encontrei no local onde trabalho, quem saiba fazer uma divisão com mais de 3 números ou mais difícil ainda, com casas decimais. Mas estão a ensiná-las em casa aos filhos! E eu, a rever a matéria com alguns deles, para "não dar barraca".
Não tem a ver nem com mensagens nem com IPod's. É mesmo um Ai, não pode!
Tem mesmo a ver com a degradação do ensino, com a temosia ministerial, com a falta de visão ou de decência, ou a falta de vergonha na cara.
Tapa-se o sol com a peneira ....
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De João Carvalho a 24.04.2009 às 09:39

Já houveram tempos melhores...

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