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A Esquerda-caviar

por José Gomes André, em 02.05.12

"[...]a horda de zombies consumistas que esvaziaram prateleiras e lutaram por um pedaço do sonho proporcionado pelo magnânimo Alexandre Soares dos Santos, um dos pais da pátria. Estão todos bem uns para os outros: [...]; também os zombies estão de parabéns: os milhares (milhões?) de clientes que hoje gastaram dinheiro em mercadorias a granel - é para isso que estes estímulos ao consumo desenfreado servem - não chegarão a perceber que parte daquilo que compraram não era absolutamente necessário e por isso viverão felizes na ignorância dos estúpidos. [...] E o "povo", essa entidade que, quando quer, sabe comportar-se como uma horda de zombies, esteve literalmente a borrifar-se para a crise e para os direitos dos trabalhadores." [Sérgio Lavos, no Arrastão - óbvio].

 

A esquerda-caviar no seu melhor: o "povo", por quem tanto se preocupa, é afinal uma horda de zombies estúpidos, que vive na ignorância e é manipulada pelo grande capital. Precisa de quem os ilumine, como dizia Rousseau, o pobre do "povo". Gosto quando estala o verniz desta elite gourmet, tão alarmada com os "direitos do povo" quanto alimentada pelo seu sentimento de superioridade moral e intelectual.


14 comentários

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De Ana Vidal a 02.05.2012 às 17:19

Pois é. A consideração pelo povo está bem patente neste texto.
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De António P. Castro a 02.05.2012 às 17:29

Uma coisa nojenta, é verdade. Por aqui se vê como é impossível à esquerda-caviar desligar-se do culto da imbecilidade.
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De Anónimo a 02.05.2012 às 17:26

Touché
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De Laura Ramos a 02.05.2012 às 19:01

Oh Zé Gomes André! Não vês que...
.Eles são mais inteligentes
.Eles são mais cultos
.Eles vêem mais longe
.Eles são iluminados
.Eles são os únicos que lêem
.Eles são a consciência social personificada
.Eles são o último reduto da soberania intelectual!

Ou estás a querer dizer que...

.Eles enrodilham-se nas coisas simples e cristalinas para as tornar complexas e indecifráveis
.Eles só vêem o que conhecem e não provam alimento alheio
.Eles são alienados
.Eles só se lêem uns aos outros e tomam os outros por parvos
.Eles fazem muito pouco, ou nenhum, pelo próximo
.Se lhes fossemos medir o QI, lá desfaríamos nós a pose da maioria deles que era um instante.


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De José Gomes André a 04.05.2012 às 01:34

Estás inspirada, Laurinha :)
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De Gabriel Castro Lobo a 02.05.2012 às 19:15

Artigo perfeito.
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De Daniela Major a 02.05.2012 às 20:41

Não é capaz de passar na cabeça desta gente que as pessoas que se deslocaram aos pingos doce, o fizeram porque:
a) o quiserem (como dita as liberdades individuais, embora saiba que as pessoas que escrevem do arrastão preferem outro tipo de ideólogos)
b) porque precisavam
Porque há consumismo, porque ele existe, e é essa a sociedade em que vivemos. Contudo, antes isto do que vivermos numa sociedade onde não há maneira de alimentar a população, como acontecia no Antigo Regime (no verdadeiro antigo regime não há 30 anos) onde, como explicou Braudel, estavámos subordinados ás intempéries do tempo e do espaço. É também neste tipo de coisa que temos de pensar, de maneira a relativizar os nossos preconceitos e perceber que o mundo que hoje temos não nasceu há 100 anos.

Excelente texto.
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De José Gomes André a 04.05.2012 às 01:35

Obrigado pelo comentário, Daniela :)
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De g.a. a 02.05.2012 às 21:25

Um texto que diz tudo. Começo a ficar saturado desta esquerda tão iluminada que arrisca ficar cega.
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De Vasco a 02.05.2012 às 21:56

Acho que ainda ninguém percebeu que o Povo não existe.
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De André Miguel a 02.05.2012 às 22:05

A esquerda-caviar é a dona da verdade. Os únicos iluminados neste jardim à beira mar.
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De Lucia a 03.05.2012 às 11:36

A esquerda caviar, a direita bolorenta, os zombies, os fascistas... e assim vai a discussão das coisas - Colar o carimbo, como justificação dos argumentos, classificá-los e não reflecti-los ou desconstroi-los. É de facto, mais rápido e até divertido.
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De Susana A. a 03.05.2012 às 14:49

Toda a gente comenta e critica, mas parece que nenhum dos que critica foi ao Pingo Doce. É quase o mesmo que dizer que não se gosta de um livro pelas opiniões que se leram acerca dele, sem o ter lido.

Pois eu fui ao Pingo Doce. Fui, e vi (para além de comprar) o que essa horda de consumistas zombies andou a adquirir com voracidade pornográfica: bens essenciais. Os corredores das bebidas alcoólicas? Com os stocks completos. Doces? Aperitivos? Guloseimas? Stocks completos. Secção de mecânica, bricolage, e semelhantes? Cheias. Prateleiras vazias, não havia? Havia sim - arroz, azeite, óleo, iogurtes, massas, leite, fraldas. E chamar zombies consumistas a pessoas que aproveitaram uma promoção para garantir a sua subsistência por mais uns meses, merece-me a maior censura.

Quando se fazem filas durante dias para comprar um bilhete para o concerto dos U2, para garantir a compra de uma playstation ou de um qualquer outro gadjet acabado comercializar, acha-se graça. Afinal de contas, é a corrida ao supérfluo, ao sinal exterior de riqueza e excentricidade - vivemos numa sociedade que valoriza isso.

Já a corrida ao Pingo Doce é o movimento contrário. E a pobreza constrange. Ficamos todos com muita vergonha, porque afinal, a pobreza é coisa de esconder. Podemos não ter que comer, mas a roupa tem de ser de marca, não vá o vizinho desprezar-nos.

Eu acho que 3ª feira foi o primeiro dia em que neste país a pobreza, o medo do futuro, a situação "grega" que nos agitam à frente dos olhos saiu à rua sem pudor. E houve quem se tivesse sentido incomodado. Porque afinal, ser pobre "é" uma grande vergonha.

Parece que o o cinto já não pode ser mais apertado, e há quem não tenha ainda percebido isso.

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