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A célebre Feira do Livro de Lisboa de 1996

por José António Abreu, em 02.05.12

No final da década de oitenta e início da de noventa, a Feira do Livro de Coimbra era uma coisa relativamente pequena, organizada na Praça da República. Mais relevante para o que se segue, à época eu era forçado a contar os escudos com uma atenção que nem Scrooge nem o Tio Patinhas desdenhariam: todos os que não iam para comida e outras despesas correntes, tinham de ser divididos entre livros, filmes e discos (é verdade, tirando uma ou outra cassete gravada a partir de discos alheios – ah, a saudosa TDK SA –, a música pagava-se). Assim sendo, creio nunca ter comprado mais do que dois ou três livros numa Feira do Livro de Coimbra.

 

Em Março de 1996 vim para o Porto. E em Maio estava em Lisboa, numa formação de várias semanas. A Feira do Livro foi no Terreiro do Paço e eu, passe o trocadilho, passei-me. Fui lá quase todas as tardes, maravilhado com tantos expositores, tantos livros, tantas pechinchas. Espantei Mário de Carvalho, em pleno rescaldo do sucesso de Um Deus Passeando pela Brisa da Tarde e Era Bom que Trocássemos umas Ideias sobre o Assunto, quando, ao estender-lhe para rubricar um exemplar de A Inaudita Guerra da Avenida Gago Coutinho, lhe coloquei a inteligentíssima pergunta: «É por uma estratégia anti-marketing que escolhe sempre títulos tão compridos para os seus livros?» (Ele tartamudeou que não, que até já tinha escrito um chamado Os Alferes, que é dos títulos mais curtos que se podem arranjar, mas decorrida meia hora ainda se notava que ficara a pensar no assunto.) Fui comprando livros (as pechinchas, caramba) e no final da semana enfrentava um problema logístico: vinte e três livros para transportar no Alfa de Lisboa para o Porto e apenas uma pequena mala, já quase totalmente preenchida com roupa suja, onde o fazer. Foi uma obra de engenharia de precisão de que ainda me orgulho, seleccionar os livros que viajariam na mala, em função do tamanho, peso e potencial para resistirem a danos. Estou até convencido de que é graças a esse esforço – e a um outro de que talvez um dia ainda aqui fale –, realizado naquele acanhado quarto de hotel lisboeta – ouço dizer que há quem realize outro tipo de esforços nos quartos de hotel mas a mim calha-me sempre o de enfiar objectos em malas –, que sou tão bom a empilhar louça num escorredor. E depois lá fui até Santa Apolónia arrastando uma mala estupidamente gorda e pesada e procurando evitar que os três sacos plásticos em que me vira forçado a transportar os restantes livros me fugissem das mãos ou embatessem com demasiada força nas malas das outras pessoas (ou nas próprias pessoas mas nas próprias pessoas é menos grave porque, tirando um ou outro caso de ossos especialmente salientes, o corpo humano possui uma capacidade de amortecimento superior à das malas). Não foi fácil mas tive imenso cuidado e todos os livros chegaram incólumes a casa. Um par de semanas mais tarde realizou-se a Feira do Livro do Porto.

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